Oriente Médio, uma região onde a paz é utopia inatingível

Charge do Novaes (novacharges.worldpress.com)

Roberto Nascimento

O tema das guerras no Oriente Médio remete à invasão do Afeganistão pela antiga União Soviética. Os EUA então gestaram Osama Bin Laden, cedendo armas e treinamento para o grupo Talibã, que acabaram por expulsar os russos. Dessa luta entre os gigantes mundiais nasceu a Al Qaeda e o Talibã.  Depois, Bush decidiu derrubar Saddam Hussein no Iraque, um antigo aliado, que incentivou a invadir o Kuwait para depois entrar com toda a força do Império e expulsar o exército iraquiano para suas fronteiras. Antes, Saddam prestara serviços aos EUA ao entrar em guerra contra o Irã por longos oito anos. O objetivo era destruir o regime dos Aiatolás, uma vingança pela derrubada do Xá do Irã, Reza Pahlavi, amigo dos americanos por décadas.

Pois bem, endividado por uma guerra sem sentido com o vizinho Irã, o Iraque tentou o apoio dos russos. Aí então o novo Império Romano decretou o fim de Saddam usando a máquina da propaganda ocidental para demonstrar que o ditador iraquiano tinha armas químicas (uma farsa, para não dizer mentira) e as utilizava contra a minoria curda. As principais forças ocidentais (EUA, França e Inglaterra) então invadiram o Iraque e derrubaram o regime, prendendo Saddam Hussein escondido em um buraco. Foi enforcado por seu próprio povo.

A maioria xiita venceu as eleições após a queda do regime ditatorial de Saddam. O Exército iraquiano, de maioria sunita, em torno de 250 mil homens bem treinados, foi desmobilizado. Parte desse contingente de militares sunitas engordou as fileiras do Estado Islâmico. O EI surgiu no vácuo da morte de Osama Bin Laden, trucidado pelas forças americanas no Paquistão.

PRIMAVERA ÁRABE

Nesse ínterim, irrompe a Primavera Árabe, a partir da Tunísia. Os ventos da democracia se espalham por todo o Oriente Médio. Alguns regimes seculares foram derrubados, e o caso mais dramático é a Líbia. Toda a moderna infraestrutura montada por Muhammar Kaddafi foi destruída pelos aviões drones, fazendo o país retroceder à Idade Média. Hoje não há governo constituído na Líbia. Mais de 10 grupos armados controlam pedaços do território, que se tornou um país anárquico abandonado pelas grandes potências, que insuflaram a insurgência a partir da cidade de Benghazi. O líder Kaddafi fugiu, foi capturado e morto no deserto junto com seu filho mais velho, com requintes de crueldade.

Tentaram a mesma tática com a Síria de maioria alauita. Os grupos insurgentes apoiados pelas grandes potências e o Estado Islâmico destruíram cidades históricas do Império romano, como Palmira e o pólo econômico de Aleppo. O presidente sírio Assad tinha apenas a capital Damasco. O que mudou o destino da Síria, diferentemente da Líbia? Foi a entrada da Rússia na guerra contra o Estado Islâmico e também contra os insurgentes apoiados por americanos, ingleses e franceses.

O líder russo Putin enviou os superpotentes aviões de guerra Sukoi, os mais modernos do mundo, para atacar as bases do EI. Em poucas semanas o quadro mudou e o Exército sírio retomou o controle da cidade de Palmira e esperam até o final do ano expulsar completamente as tropas do Estado Islâmico.

DO LADO DO MAL

Agora, quem está do lado do mal? O presidente Assad ou o Estado Islâmico? O EI corta cabeças ao vivo pela televisão e utiliza crianças na máquina da guerra para construir o suposto Califado. Assad luta para manter seu território e proteger os cristãos ortodoxos da carnificina dos grupos jihadistas.

Bem, cada lado tem a sua razão, dependendo da ótica de seus interesses vitais. Ninguém na Europa está preocupado com o drama dos refugiados. Se estivessem, não teriam deixado surgir o Estado Islâmico nem apoiado grupos insurgentes para destruir uma nação antes próspera como a Líbia, um moderno e ocidentalizado país árabe.

Além da Síria, o Iraque vive outro drama com o controle pelo EI da cidade petrolífera de Mossul, na nascente do rio Tigre. Células do Estado Islâmico controlam a cidade de Fallujah, a poucos quilômetros de Bagdá. Na Líbia. componentes do Estado Islâmico controlam extensas áreas. É uma verdadeira calamidade, sem controle, sem planejamento, sem estratégia, sem lei e sem ordem. E nós que acreditamos na Primavera Árabe, podemos hoje afirmar que se tratou de uma noite de verão utópica e passageira.

E OS OUTROS ATORES?

Por mais que tentemos sintetizar, a missão se torna impossível, porque deixamos de demonstrar o papel da Arábia Saudita, da Turquia, do Egito, do Líbano e de Israel. Tudo está ligado a tudo na geopolítica do Oriente Médio, uma região eternamente em guerra desde os primórdios da civilização.

É um mundo imprevisível! Primavera Árabe, Glasnot, Perestróica, o sindicato polonês de Gdansk, a revolução de Mao, a Cuba de Fidel. O que fazer depois que tudo desanda?

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