Os adolescentes, na visão de Pedro Homem de Mello

Aprendemos com Rubem Braga que a poesia é necessária. E hoje vamos visitar um poeta português pouco conhecido no Brasil: Pedro Homem de Mello, professor e folclorista, que viveu de 1904 a 1984.

Pedro Homem de Mello

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ADOLESCENTES

Exaustos, mudos, sempre que os vejo,
Nos bancos tristes que há na cidade,
Sobe em mim próprio como um desejo
Ou um remorso da mocidade…

E até a brisa, perfidamente
Lhes roça os lábios pelos cabelos
Quando a cidade, na sua frente
Rindo e correndo, finge esquecê-los!

Eles, no entanto, sentem-na bela.
(Deram-lhe sangue, pranto e suor).
Quantos, mais tarde se vingam dela
Por tudo o que hoje sabem de cor!

E essas paragens nos bancos tristes
(Aquela estranha meditação!)
Traz-lhes, meu Deus, só porque existes,
A garantia do teu perdão!

Pedro Homem de Mello, in “Eu Hei-de Voltar um Dia”

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