Os argumentos de defesa do poeta Bastos Tigre

O publicitário, bibliotecário, humorista, jornalista, compositor e poeta pernambucano Manoel Bastos Tigre (1882-1957) no soneto “Argumento de Defesa” ao ser acusado de caluniar uma senhora, apresenta o seu melhor argumento de defesa, embora preconceituoso, ou seja,  ele sempre achou-a feia demais para não ser honesta.

ARGUMENTO DE DEFESA
Bastos Tigre

Disse alguém, por maldade ou por intriga,
que eu de Vossa Excelência mal dissera:
que tinha amantes, que era “fácil”, que era
da virtude doméstica, inimiga.

Maldito seja o cérebro que gera
infâmias tais que, em cólera, maldigo!
Se eu disser tal, que tenha por castigo
o beijo de uma sogra ou de outra fera!

Ponho a mão espalmada na consciência
e ela, senhora, impávida, protesta
contra essa intriga da maledicência!

Indague a amigos meus: qualquer atesta
que eu acho e sempre achei Vossa Excelência
feia demais para não ser honesta…

(Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções) 
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One thought on “Os argumentos de defesa do poeta Bastos Tigre

  1. Esse poeta se arrumou durante o Estado Novo. Foi um tremendo puxa-saco de Getúlio Vargas. Almoçava quase semanalmente com ele no Palácio. Empregou todos seus filhos e até um genro no serviço público federal em nível superior. Uma de suas filhas foi nomeada catedrática de francês do Pedro II sem nível superior, com apenas diploma de complementar à época, equivalente a curso colegial pré vestibular. A mais velha mandou pra valer durante a ditadura militar nos gabinetes de ministros da Educação. Prejudicou até companheiros de trabalho no final da carreira quanto ocupou chefia de gabinete do Marco Maciel no ministério da Educação.

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