Os caças Sukhoi, a falsa transferência de tecnologia e os milagres da fé

Paulo Solon

Esse negócio de transferência de tecnologia no Brasil é mais velho do que a Sé de Braga. Não existe soberania quando o conhecimento tecnológico vem de outro país. Concordo plenamente com o comentarista Mauro Julio Vieira. Se a Embraer não sabe construir caças, que faça um curso de corte e costura.

Deixemos de lado esse assunto de Sukhoi. Está ao alcance das mais parcas inteligências que se os russos estão abrindo mão do processo de fabricação do supracitado caça, salta aos olhos e rebenta os ouvidos que eles há muito já dispõem de outro bem mais eficiente.

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O Partido Comunista Chinês mostrou-se algo prudente no domínio artístico após a chamada Revolução Cultural do final da era maoista. O comitê central mandou selar as portas dos museus, onde objetos de arte inestimáveis haviam sido destruídos nos primeiros assaltos dos guardas vermelhos. Também as portas das bibliotecas e dos templos foram lacradas pelo comitê central. Graças a essas medidas, o conjunto do patrimônio artístico chinês não desapareceu totalmente.

Nenhum acervo militar da Rússia, ou da China, será entregue assim de mão beijada. Pensar ao contrário é uma grande tolice. A China defendeu com unhas e dentes o Vietnam e países da Indochina contra a agressão imperialista, mas nenhuma arma ou qualquer material bélico chinês foi encontrado naqueles campos. Os vietnamitas do general Giap se viraram tenazmente até a vitória final. O mesmo se pode dizer com relação à Rússia: apoiou, mas não entregou.

Mas voltando aos exageros da Revolução Cultural chinesa, monumentos exteriores, principalmente estátuas, foram borrados de branco ou de alcatrão, embora rapidamente restaurados a seguir. Mao já vacilava naquela ocasião, eis a razão de os acontecimentos se agravarem.

A Russia vai vacilar, passando tecnologia? E passando tecnologia para quem anda de mãos dadas com os Estados Unidos?

Os jovens guardas vermelhos sabiam que não seriam freados em sua ação. Eles já não se contentavam com a persuasão, nem mesmo com a intimidação de Chu En-lai. Passaram a atos mais brutais, que pessoas desavisadas no mundo ocidental ainda atribuem a Mao Tse-tung.

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Abro um parênteses e questiono se Stalin passaria a tecnologia dos Sukhoi. E o Putin, por que mandou envenenar aquele agente traidor em Londres?

Mas voltemos a 1966 nas ruas de Pequim. A partir de 25 de agosto pessoas começaram a ser indiscriminadamente espancadas, inclusive idosos, por revolucionários com menos de 13 anos de idade.

Diz o historiador Pierre Guillemot, que as moças não são menos entusiastas. “É difícil calcular quantos foram seriamente feridos, e quantos outros morreram dos seus ferimentos”.

Vão ensinar os brasileiros a fabricarem aviões de caça sofisticados de última geração? Temos que ser muito ingênuos e desconhecer um pouquinho de História para acreditar em tamanha bobagem.

Vale a pena ressaltar que os principais tesouros da arte chinesa desde há muito já não mais estavam em Pequim. Tinham sido levados para Formosa, para onde Tchang Kai-chek havia fugido.

Quem vai fugir da Rússia com o tesouro da arte de fabricação do Sukhoi SU-35?
A informação cria cobiça e angaria inimigos.

Em Formosa também estão os restos do Sinantropo, o mais velho homem conhecido, exumado pelo padre jesuíta e paleontólogo Teillard de Chardin.   Autor de O Fenômeno Humano, Chardin incorreu na ira de católicos e de protestantes, ao pesquisar e difundir a origem do homem. Lembremo-nos de que Santo Agostinho foi o inspirador do frade renegado Lutero e também do assassino Calvino. Foi quem declarou que só era cristão por acreditar em milagres.

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Alguém acredita no milagre da transferência de tecnologia?

Se vivesse hoje, Santo Agostinho provavelmente seria agnóstico, ou ateu, já que não se fala mais em milagres. Aquela história de o sol parar em Fátima após fazerem a cabeça daquelas três pastorinhas seria hoje, não só o contrário da verdade, mas igualmente o contrário da verossimilhança. Com o aparecimento de telescópios espaciais e de outros meios eficazes de comunicação rápida e de acurada verificação, inventar milagres ficou impossível.

Disse Christopher Hitchens que Agostinho era um fantasista egocêntrico e um ignorante geocêntrico. Foi de quem Calvino extraiu sua tenebrosa doutrina. E Calvino foi um totalitário que mandou Michel Servetus a ser queimado vivo em um auto-de-fé na sua inquisição.

Teillard de Chardin foi um Voltaire moderno. Voltaire mesclava seu ateísmo com alguns atos de piedade. Chardin contrariou Agostinho e Calvino, o primeiro dizendo, e o segundo confirmando, que a terra tinha seis mil anos, a julgar pela bíblia. Os dois eram como Mao e Chu En-lai ( o que um dizia o outro confirmava).

Com a exumação do Sinantropo, Chardin mostrou que o homem é bem mais antigo que Adão. Destruiu e explicação dada pela mitologia bíblica para o mundo natural.

Conforme já insinuava Teillard de Chardin com sua paleontologia, a Bíblia não passa de um amontoado de mitologia, sem qualquer fundamento científico.

Não se sabe que tipo de amontoado os russos estão a oferecer em troca de uns míseros trocados.

Lendo o famigerado Pentateuco, fico sem saber os planos do atual papa franciscano.

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4 thoughts on “Os caças Sukhoi, a falsa transferência de tecnologia e os milagres da fé

  1. A maneira mais vil de externar “pré-conceitos” é misturar “alho com bagalhos”! Lendo o amontoado de disparates, concluo que o autor do texto nunca leu uma página sequer, da extensa obra de Santo Agostinho.
    Qualquer pessoa minimamente familiarizado com exegese bíblica e Teologia Católica, (partir da Patrística) sabe que os textos bíblicos foram escritos com a “mentalidade oriental” que é permeada pela poeticidade… Faz-se uso de “imagens” para comunicar “ideais”. Coube pois, aos primeiros filósofos e teólogos cristãos fazerem usos das “categorias” do pensamento (filosófico) grego para “traduzir” para a “mentalidade ocidental” a mensagem bíblica multissecular testemunha no contexto da cultura mesopotâmica.
    Desde muito antes da invenção da imprensa, sabe-se que os onze primeiros capítulos do livro do Gênese são parêneses, não se trata de argumentação científica, ademais o que se entende e compreende hoje como “científico”, não monta à quinhentos anos! Também é sabido que o pensamento científico do Ocidente se desenvolve justamente como “reverso” da mensagem bíblica, daí por séculos os conflitos entre “fé” e “razão”, a prevalecer o bom senso de que “cada um no seu quadrado”.
    Outra barbárie opinativa do texto é “afirmar” Santo Agostinho como o “fundamento doutrinal” de Lutero e Calvino – quanto desconhecimento da história da ideias cristãos e das contra-marchas da chamada Reforma Protestante!
    No que concerne a Pierre Teilhard de Chardin, o mesmo nunca “buscou” uma “síntese” entre suas descobertas científicas e as “afirmações” da Revelação bíblica. O pensamento do bondoso jesuíta é tributário do seu tempo, permeado pelo otimismo quanto às possibilidades do método científico e as “alternativas” possíveis de compreender o “fenômeno humano” advindas das diversas “filosofias da existência”. Se no tempo de Chardin respirava-se o otimismo quando a Ciência como meio emancipadora das agruras humanas, o Existencialismo trilhava caminhos tortuosos até os recônditos da alma humana.
    Isso posto, é regra elementar da escrita de “opinião” que todo texto tem seu contexto. Por isso todo texto deve ser lido a partir do próprio contexto.

    Por fim, Que falta nos faz textos de opinião com fundamentos formativos e propósitos performativos.

  2. Prezado Solon,
    Um país precisa exportar para sobreviver, independente de seu poderio tanto bélico quanto territorial.
    A Rússia é o maior país do mundo, sendo um bom naco do seu tamanho inapropriado à plantação, que a diminui de tamanho substancialmente para ter alimentos em quantidades adequadas às suas necessidades de uma nação populosa. Claro, reporto-me à Sibéria.
    Observa que a distância que existe entre Brasil e Rússia, simplesmente impede que os caças sejam usados contra ela em quaisquer circunstâncias, haja vista não terem autonomia para tanto.
    Ora, esta venda de bilhões de dólares por aviões sofisticados que o Brasil deseja comprar não pode ser menosprezada, mesmo às custas de um pacote envolvendo transferência de tecnologia.
    Sobre a colocação do Mauro a respeito da nossa Embraer, penso diferente.
    Muito antes de fabricarmos caças sofisticados, deveríamos produzir medicamentos, no entanto, o que acontece?
    Estamos na dependência absoluta de Laboratórios multinacionais!
    Em se tratando de drogas para combater o câncer e outros males tão graves, simplesmente estamos à mercê de seus preços e de seus efeitos colateriais altamente prejudiciais à saúde. Se, por um lado, contribuem à cura, do outro estimulam o surgimento de neoplasias em locais diferentes do organismo em face de suas altas toxicidades!
    Outro exemplo:
    A indústria eletrônica. Computadores, ships, tablets, Ipod…
    Desta forma, se não dominamos o conhecimento em áreas de alta tecnologia, o que dirá em se tratando de aviões de combate que necessitam de engenheiros e maquinário que sequer imaginamos um dia ter conosco?!
    Os nossos Embraer são aviões de passageiros modernos, seguros, cuja empresa que os utiliza é a Azul, com meus elogios e referências, além de outras companhias australianas, mas se trata de uma montadora, quase aos níveis da indústria automobilística, pois adquire equipamentos e peças de diversos países à montagem da aeronave, diferentemente dos caças russos, que construiríamos do fio a pavio o Sukhoy.
    Enfim, torço para que certo este negócio, não só com relação às nossas defesas inexistentes em termos aéreos quanto possuirmos aeronaves que possam enfrentar quaisquer outras neste nosso Continente.

  3. Concordo com Solon e Bendl. O mais adequado para o país é pegar essa fortuna e investir toda em ITAS, que daqui há 20 anos teremos tecnologia própria para fabricar caças, medicamentos e até bonecas infláveis.
    Quem tem a cabeça no lugar, sabe que nenhum país do mundo vai fazer guerra contra o Brasil. Aqui não tem riquezas concentradas que justifique uma invasão armada para tomá-las de nós.

  4. Como não existe contrato no caso da compra dos caças Sukhoi russo, qualquer análise é
    prejulgamento, ou preconceito. Sempre houve reação por parte de alguns brasileiros contra qualquer negócio entre Brasil e Rússia, isso é antigo, houve época em o Brasil não podia vender nosso café a Rússia, era muito “perigoso” negociar com país comunista, o EUA era o intermediário.

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