Os contras dos PROS


João Gualberto Jr.

Para que o Brasil precisa de mais partidos políticos? Já não são muitos? Pois há outros tantos na fila em busca de registro na Justiça Eleitoral. Para quê? Ideologia, conteúdo programático, representação de parcelas da sociedade? Bobagem sobre bobagem. Mentira, hipocrisia e mesquinharia.

A tomar por base as duas legendas que nasceram na semana passada, outras que foram fundadas recentemente e os grupos que estão em vias de fundação, são todas velhas práticas em embalagens novas. Nomes pomposos, siglas rebuscadas, marcas coloridas e slogans de efeito. Tudo palavras ao vento. Belos produtos, conteúdos obsoletos.

Fundar um partido não é fácil, vide a cruzada de Marina Silva e seus marineiros. Mais difícil, entretanto, é promover uma reforma política ampla. E, seja quais forem os empecilhos burocráticos – reconheça-se que se enrijeceram com o passar das décadas e da legislação –, nossa sopa de letrinhas insossa é só um sintoma de um organismo em frangalhos.

Para quem tiver interesse, uma enumeração breve de argumentos que justificam a animosidade desbragada acima. Uma bandeira primaz que move a política brasileira é dinheiro. Neste ano, as legendas vão partilhar R$ 300 milhões do fundo partidário. Quanto mais deputados federais se conseguiu colocar na Câmara na eleição passada, mais verba se leva. Mas, apontam estimativas, os caçulas PROS e Solidariedade, sem disputarem qualquer pleito na história, devem receber R$ 600 mil, já que pelo menos 30 parlamentares vão migrar para cada um. E esse é um segundo problema.

Uma das quatro justificativas para se trocar de “casa” é justamente se mudar para uma “recém-construída”. Daí, o diretório que perdeu o filiado não pode se queixar de infidelidade. Pois tinha deputado do PL, que virou PR, e foi para o PFL, que se transformou em DEM, depois se mudou para o PSD e já decidiu que se encaminhará, agora, para o PROS ou para o Solidariedade. Isso que é compromisso com conteúdo programático, não?

Para conquistar e aliciar os pioneiros para suas bancadas, conforme trouxeram colegas de Brasília, as bandeiras novatas ofereceram comando nos diretórios dos Estados de origem dos deputados, fatias generosas do fundo partidário para eles e promessas de candidatura, evidente. Foram montadas duas banquinhas no “cafezinho” da Câmara, uma de cada partido, para registrar os recrutas tão logo saiu a resposta positiva no TSE.

E, como a Justiça Eleitoral pode dar à luz esses grupos com tão numerosas imperfeições de constituição? A Procuradoria Eleitoral solicitou à PF que apurasse assinaturas irregulares em um dos casos: havia indício de falsificação de firma até de chefe de cartório. E teve partido novo usando a máquina sindical para coletar fichas de apoio de Norte a Sul do país nas comemorações do último 1º de Maio.

Pequenas misérias que se avultam numa vala comum. Há exceções de caráter? Sem dúvida, mas são exceções.

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3 thoughts on “Os contras dos PROS

  1. Para piorar, a maioria do Senado hoje votou contra o voto facultativo com argumentos
    que pareciam mais uma desculpa esfarrapada. Até Senadores que consideramos bons, como o
    Senador Pedro Simon, votou contra. Quando os considerados bons votam em causas ruins, ai é
    que perde-se de vez a esperança. Obrigar o cidadão que não quer saber de política, alienados
    como é a maioria do povo, é um atentado contra a representatividade. Somente aqueles que vão
    votar espontaneamente, tem interesse em escolher o melhor representante. O interesse no voto
    dos que não querem votar, é dos que estão no poder, dos que tem a máquina do governo nas mão e
    dos que contam com grande investimento em suas campanhas.

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