Os direitos de quem não apoiou a ditadura

Rubem Azevedo Lima

A exemplo do esclarecimento das violações dos direitos humanos, pela Comissão da Verdade, em Brasília, uma entidade, no Rio, prega a reparação das injustiças cometidas pelo regime de 1964 contra as empresas nacionais que não apoiavam a ditadura.

Ao Globo, na sexta-feira da semana santa, a presidente Dilma cobrou “resultados da comissão de Brasília”, embora o desfecho das apurações, até agora, só tenham efeitos morais para as vítimas, quase todas mortas pela tortura, o que só comporta conforto para seus familiares. Esses, porém, não são indenizados pecuniariamente.

No caso acima, o regime de 64 destroçou várias empresas, como a Panair, para ajudar seus amigos da Varig. Mas a Tribuna da Imprensa, de Hélio Fernandes, um jornalista corajoso, defensor da democracia, foi empastelada pelo regime. Da mesma forma, o Correio da Manhã, da brava baiana Niomar Muniz Sodré, cujo jornal, após três editoriais contra Jango, ainda assim, incontinente, reagiu também aos ditadores. O regime proibiu qualquer empresa pública ou privada de publicar anúncios no Correio.

Hélio Fernandes, até hoje, mantém a Tribuna da Imprensa em um blog na internet. Ele cobra, na Justiça, o pagamento das destruições que lhe fez o regime de 64.

A imprensa, atualmente, está ameaçada por partidos políticos. Alguns desses entendem que a verdade é o privilégio deles, e que as revistas e os jornais falam para empresários. Mas, recentemente, viu-se que Lula levou muitos desses ao exterior e agiu para eles fazerem negócios não somente para o Brasil mas para seus companheiros de viagem.

A presidente Dilma Rousseff confirmaria seu amor à democracia e sua admiração e respeito ao trabalho da imprensa, caso resolvesse problemas iguais aos de Hélio Fernandes e de outros na mesma situação. Ela precisa ouvir ou mandar seus conselheiros palacianos ouvirem, o que disse o ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa: “Este tribunal não precisa de tributaristas ou criminalistas, mas de estadistas”. É a verdade e o que falta ao lado da presidente.

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