Os empregos, a populao e os saques no FGTS

Pedro do Coutto

O ministro Carlos Lupi anunciou na segunda-feira que, no ms de abril, foram registradas em todo o pas 1 milho e 350 mil contrataes contra 1 milho e 244 m8il demisses, saldo portanto de 106 mil postos de trabalho. Ter sido um avano? Sim, em relao ao primeiro trimestre do ano, mas os nmeros necessitam ser mais esclarecidos para uma anlise clara da matria. Em primeiro lugar, necessrio verificar se as contrataes, a maioria no meio rural, apresentam volume salarial mdio pelo menos igual ao dos que foram demitidos. Se for menor, consequncia de uma procura intensa de emprego e de uma oferta mais branda, a massa de rendimentos do trabalho ter diminuido, apesar da expanso de vagas.

Em segundo lugar, deve-se considerar o volume de saques causados no FGTS em consequncia das dispensas serem justa causa. Para se ter uma idia exata, o relatrio da Caixa Econmica Federal publicado no D.O. de 27 de abril, a partir da pag. 20, revelou que em 2008 houve nada menos que 16 milhes e 544 mil demisses sem justa causa que causaram saques no FGTS no montante der 26,4 bilhes de reais. A arrecadao do FGTS no ano passado somou 48,7 bilhes. Logo, os saques superaram pouco mais que a metade da receita. Mais saques, menos recursos para os programas de habitao.

O nmero de demisses, no exerccio passado, ganhou das admisses pela expressiva margem de praticamente 700 mil postos. Dramtico isso, j que a populao brasileira cresce velocidade de 1,2% ao ano, de acordo com o IBGE. Nascem assim 2 milhes de pessoas ao longo de doze meses. Mdia constante, por sinal. Como a mo de obra ativa do pas formada por 95 milhes, metade do total de habitantes, com base nesta estatstica real vemos que o mercado de trabalho, para empatar com o impulso demogrfico, precisa de uma expanso de um milho de vagas anuais. No fcil. Mas indispensvel. Caso contrrio, o processo de desenvolvimento social anda para trs.

Isso representa um desastre sob todos os aspectos. O outro fator a ser assinalado, igualmente estratgico, est no fato, que infelizmente vem ocorrendo, de os salrios perderem para as taxas inflacionrias. Neste caso, nada poder conter o fenmeno da favelizao, fundamentalmente negativo, cujos efeitos refletem-se direta e indiretamente na violncia e na criminalidade. Portanto, a colocao anunciada pelo ministro Lupi, alis, boa figura humana, necessita uma anlise mltipla, como alis todas as questes que envolvem nmeros. Existem os valores absolutos, mas tambm os relativos. Assim como os preos funcionam nas pesquisas sobre o custo de vida. Os nmeros so assim como as distncias no mar. s vezes parecem estar perto das praias, mas na realidade delas esto a quilmetros de distncia. So movimentos distintos, cada qual com sua velocidade e intensidade. preciso distinguir tudo isso. Ningum deve se deixar levar pela primeira informao e pelo impacto que apresenta.

Torna-se indispensvel uma anlise conjunta, serena, objetiva do que representam. No se pode ver apenas os fatos. essencial ver nos fatos, o que no seu conteudo, representam. Os nmeros a mesma coisa. No basta contempl-los. preciso ver o que eles contm ou podem expressar. A estatstica fiscalizada por Carlos Lupi aparentemente positiva. Mas ser to positiva quanto o destaque que recebeu na TV e na imprensa? possvel. Mas para chegar a tal concluso exige uma apreciao mais demorada. Uma anlise concreta que est faltando. H vrios ngulos na questo que envolve o emprego e a renda do trabalho humano, alm de nossa filosofia, como disse o poeta.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.