Os filhos de Chico Miguel

Sebastião Nery

Francisco Teles de Mendonça, Chico de Miguel, era Deus e o Diabo em Itabaiana, Sergipe. Mandava e desmandava. Nestor Amazonas, jovem e brilhante editor de jornalismo da TV Sergipe, foi lá tentar arrancar uma confissão dele sobre o último assassinato na cidade:

– Chico de Miguel, dizem que o senhor é um homem violento.

– Nada disso, meu filho.Sou muito manso.Violência mesmo nunca fiz.

– Mas o senhor acaba de matar o motorista de táxi Pernambuco.

– É diferente. Pernambuco andava me desmoralizando. Dizia que eu era bom de remelexo. Mas eu sou um homem muito manso.

– Mas o senhor matou também o deputado Euclides Mendonça.

– É diferente. Euclides queria me comer vivo. Mas eu sou um homem muito manso. Violência é fazer as coisas sem sentir razão. Quando você sente razão, a violência acaba. Fica tudo muito natural.Você não acha não?

– Não acho, não senhor.

– Isso é mau. Eu sou um homem muito manso, mas acho isso mau.

– Eu sei que o senhor acha isso mau. E é por isso que estou voltando agora mesmo para Aracaju.

E Nestor Amazonas nunca mais pisou em Itabaiana.

***
ORGIA

Do decorrer do governo do PT, a chamada grande midia brasileira (TVs, revistas, jornais, radios) foi sendo “convencida” de que uma derrota eleitoral de Lula e de seu candidato ou candidata, como ensinou o Chico de Miguel, seria “mau”.

E não foi difícil “convencê-la”. Perguntem ao Franklin Martins por quê.

Nunca, jamais, na história deste pais um governo distribuiu tanto dinheiro para a imprensa como o governo de Lula. No ano da sucessão presidencial, em 2010, foi  mais de um trilhão e meio de reais. É três vezes o que Obama e a Casa Branca gastam por ano.

Para os filhos de Chico de Miguel, esse tipo de orgia publicitária para propaganda política “foi mau”.

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