Os militares acham que o novo ministro da Defesa, Celso Amorim, deveria ser considerado traidor da pátria, execrado e punido. Mas isso não será publicado em jornal algum.

Carlos Newton

A escolha do nome do embaixador Celso Amorim para a Defesa é considerada desanimadora e revoltante para as Forças Armadas, que jamais aceitaram a linha “politicamente correta” adotada pelo Ministério das Relações Exteriores durante a gestão dele na maior parte do governo Lula.

O Exército, particularmente, tem aversão a Amorim e parece não gostar de diplomatas, pois manteve uma relação difícil e conflituosa com um outro ministro da Defesa saído dos quadros do Itamaraty: o embaixador José Viegas, que ocupou a pasta no início do governo Lula.

As Forças Armadas não têm o menor respeito por Celso Amorim, porque o diplomata cinéfilo, no comando do Itamaraty, demonstrou ser um fraco e não soube defender os interesses nacionais, especialmente nas grandes discussões travadas nas Nações Unidas. Os militares jamais toleraram a linha adotada por Amorim, que tentava agradar as grandes potências, levando o Brasil a assinar e aceitar tratados internacionais altamente negativos para o país.

Com referência à questão indígena, então, os militares repudiavam o comportamento conivente e leniente do então ministro do Exterior, que durante o governo Lula fez a delegação na ONU apoiar dois acordos internacionais altamente lesivos ao Brasil, por incluírem cláusulas que praticamente transformam em países independentes os territórios hoje ocupados pelas chamadas nações indígenas,e com fronteiras fechadas, onde nem mesmo as Forças Armadas brasileiras poderão entrar, segundo os termos das declarações da ONU assinadas pelo Itamaraty de Celso Amorim e que o Brasil, é claro, jamais poderá cumprir.

Como se sabe, cerca de 20% do território nacional é formado por “nações indígenas”, que agora sonham com essa independência administrativa e política preconizada pelo Itamaraty de Amorim. Algumas tribos inclusive já começaram a denunciar o Brasil nos organismos internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a própria ONU.

Apesar do temperamento duro de Jobim, ele tinha boa relação e o respeito dos comandantes e dos oficiais-generais (os de maior patente) das três Forças, que reconheciam nele um aliado para reivindicar programas e para reduzir o que consideram “preconceito” do governo de esquerda contra os militares.

Os militares conseguiram fazer com que Jobim passasse a demonstrar preocupação com a fragilidade das fronteiras e a questão da defesa da Amazônia. E ele realmente se interessava em melhorar as condições do Comando da Amazônia, onde estava quando foi demitido por telefone, como acontece no primeiro governo Lula com o ministro da Educação, Cristovam Buarque.

Jobim é diferente de Amorim e nunca defendeu publicamente a reforma da ONU e a possibilidade de os brasileiros ganharem mais espaço nas grandes decisões mundiais. As informações são de que, em conversas reservadas com assessores e, algumas vezes, em palestras dirigidas a pessoas ligadas à área de defesa, Jobim costumava dizer que a candidatura brasileira na ONU corria o risco de cair no vazio, porque o Brasil, ao contrário de outros postulantes, como Índia, Japão e Alemanha, não tem poderio militar.

Aposentado desde 2007 do Itamaraty, Amorim estava concluindo um livro sobre sua experiência nos últimos anos e se preparava para voltar a dar aulas. Infelizmente, decidiu suspender esses projetos e atender ao chamado da presidente Lula Rousseff, perdão, Dilma Rousseff.

A nomeação de Celso Amorim para comandar as Forças Armadas na verdade não tem explicação. Na ânsia de justificar a escolha do Planalto, os jornalistas amestrados alegam que, segundo pessoas próximas à presidente, o retorno de Amorim ao governo poderá ser bastante útil em um momento em que o Brasil reforça sua candidatura a uma vaga permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Sinceramente, achar que este foi o motivo da escolha é ter muita boa-vontade com um diplomata medíocre como Amorim.

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