Os militares que sonhavam controlar Bolsonaro acabaram neutralizados e controlados por ele

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Jair Bolsonaro é “imbrochável, incomível e incontrolável”

Merval Pereira
O Globo

O presidente Bolsonaro é um capitão reformado do Exército depois de episódios de indisciplina graves, incluindo acusações de terrorismo para reivindicar melhores salários, mas hoje comanda as Forças Armadas. Em seguida, Bolsonaro elegeu-se deputado federal, cargo que ocupou por 28 anos seguidos em partidos periféricos e alguns do Centrão, grupo político que hoje controla seu governo como base parlamentar.

Era parte do baixo clero mesmo no Centrão e se contentava com migalhas do butim. É comandante em chefe das Forças Armadas com prestígio inverso à liderança que tem entre os políticos. O presidente Bolsonaro quer ser dono de um partido político para controlar os fundos partidário e eleitoral, por isso tem dificuldade de conseguir quem o receba.

TUDO POR DINHEIRO – Esse foi o problema com o PSL, o segundo maior partido da Câmara por causa da eleição de Bolsonaro, mas que, como todos os outros, já tinha um dono, o empresário pernambucano Luciano Bivar, e houve um desentendimento por causa do dinheiro. O controle da verba dos fundos partidário e eleitoral é a base dos líderes partidários, e esse é um dos problemas do sistema brasileiro.

Das 33 legendas que fazem parte de nossa constelação partidária, os que ganhariam menos com o fundo eleitoral proposto — PMN, DC, PCB, PCO, PMB, PRTB, PSTU e UP — teriam R$ 3,5 milhões cada um, além do fundo partidário. PT e PSL, os maiores partidos da Câmara, ganhariam cerca de R$ 600 milhões cada um. Criam-se partidos para controlar os fundos e ganhar dinheiro fácil. A maioria dos donos de partidos quer usar o dinheiro para seus interesses pessoais, além dos políticos.

Com o PP acontece a mesma coisa. Se o presidente voltar a se filiar a esse partido, em que esteve por 20 dos seus 28 anos de mandato, será o candidato natural do partido à reeleição. Só que o PP não quer tê-lo como candidato formal, prefere que se filie a um partido menor para apoiá-lo numa coligação e abandoná-lo no meio da campanha, se for necessário. Pode até perder a eleição com ele, mas fica livre para negociar com o vencedor depois.

SAIR DE FININHO – À medida que Bolsonaro perca popularidade, o PP pode sair para apoiar Lula ou outro candidato que tenha possibilidade de vencer a eleição. E o PP tem interesses próprios regionais, e muitos setores do partido, especialmente no Nordeste, apoiam Lula. Bolsonaro pode entrar num partido pequeno e, se for bem-sucedido, poderá montar sua base no novo partido.

Quando escolheu o general Hamilton Mourão para a Vice-Presidência, uma das principais razões foi ser um militar, o que, na visão de seus articuladores, dificultaria uma tentativa de impeachment. Hoje Mourão representa uma alternativa viável a Bolsonaro, que o rejeita quase humilhantemente. Agora mesmo comparou-o a um cunhado, de quem não pode se livrar, deixando claro que não o quer como companheiro de chapa na campanha de reeleição.

Ao contrário do que pensavam, os bolsonaristas hoje veem em Mourão uma ameaça, que facilita, em vez de dificultar, uma substituição do governo. Os militares, aliás, que eram o esteio de Bolsonaro quando este tinha planos golpistas, hoje, diante da inviabilidade de um autogolpe devido à reação institucional da democracia, perderam sua validade.

BRAGA NETO – O ministro da Defesa, general Braga Netto, depois de se pronunciar privadamente contra a eleição sem voto impresso, foi traído por alguém que o ouviu falar e contou para o hoje chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, que substitui outro general em decadência de prestígio, Luiz Eduardo Ramos. Ciro e o presidente da Câmara, Arthur Lira, deixaram vazar os comentários do general Braga Netto e o neutralizaram. Agora, ele terá de se explicar diversas vezes, no Congresso e diante do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os militares que pensaram em controlar Bolsonaro foram domesticados por ele e estão sendo engolidos pelo Centrão. O general Ramos, transferido novamente para a Secretaria de Governo, se disse “atropelado por um trem” e confessou a amigos que, se tivesse de sair do Palácio do Planalto, teria pedido demissão. Ainda alimenta uma ingênua pretensão de influir num governo cada vez mais dominado pelos políticos.

5 thoughts on “Os militares que sonhavam controlar Bolsonaro acabaram neutralizados e controlados por ele

  1. CORREIO BRAZILIENSE

    29/07/2021 – 14:30 HORAS

    Por Leandro Jardim

    “DEPUTADOS DO CENTRÃO RECEBEM ATÉ 15 VEZES MAIS QUE UM DEPUTADO COMUM”, DIZ VALENTE

    A oposição tentou, mas não conseguiu derrubar as emendas do relator na votação do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2022, ocorrida em julho. A chegada do senador Ciro Nogueira (PP-PI) ao comando da Casa Civil aumentou as preocupações dos oposicionistas com o suposto uso político dos recursos do Orçamento da União. Mais precisamente, as atenções estão voltadas para as chamadas “emendas do relator”, usadas desde o ano passado para turbinar indicações individuais de deputados e senadores.

    Para 2021, os parlamentares têm direito a um valor fixo de R$ 16 milhões em emendas individuais no Orçamento. Com as emendas do relator, também chamadas de RP9, governistas conseguiram indicar o destino de mais de R$ 100 milhões.

    Essa modalidade diferenciada de destinação de recursos orçamentários foi aprovada pelos congressistas em 2020. Nela, não há transparência sobre as indicações das verbas, e os acordos são firmados entre a cúpula do Congresso e o governo federal, privilegiando alguns parlamentares. Dessa forma, fica mais difícil fiscalizar se o dinheiro está sendo bem aplicado ou se houve barganha em troca de votos, por exemplo.

    O senador Marcio Bittar (MDB-AC) é o relator do Orçamento de 2021, mas o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), tem o controle dos recursos a serem distribuídos entre os deputados — R$ 11 bilhões em emendas RP9. Já os R$ 5,8 bilhões do Senado serão controlados por Ciro Nogueira.

    A oposição tentou, mas não conseguiu derrubar as emendas do relator na votação do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2022, ocorrida em julho. Em outra frente, o PSol deu entrada com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o que chama de “orçamento secreto” do governo.

    O deputado Ivan Valente (PSol-SP) teme que, com Ciro Nogueira na Casa Civil e Arthur Lira na presidência da Câmara, o Centrão, bloco partidário liderado pelos dois parlamentares, vai intensificar o uso político das verbas da União. “Isso é compra de votos, chama-se corrupção. Esse é o orçamento do Centrão.

    Se for ver, os deputados do Centrão recebem 10, 12, 15 vezes mais do que um deputado comum. É um escárnio, uma vergonha, porque não é constitucional, é ilegal”, disse o deputado, acrescentando que a ministra Rosa Weber, do STF, está prestes a se pronunciar sobre a ADPF apresentada pelo partido.

    Já o líder do PSDB no Senado, Izalci Lucas (PSDB-DF), que já foi vice-líder do governo, considera que Bolsonaro, na tentativa de salvar o mandato, entregou o Orçamento ao Centrão. Eu acho que o Ciro vai comandar tudo isso. E o Centrão já tem esse controle há algum tempo.
    Bolsonaro está cometendo o mesmo erro que governos anteriores. Talvez, para evitar o impeachment. Mas eu acho que ele perdeu a grande oportunidade de fazer as reformas antes disso”, analisou.

    Por sua vez, o economista Gil Castello Branco, fundador da Associação Contas Abertas, frisou que quanto mais Bolsonaro estiver fragilizado politicamente maior será o preço cobrado pelo Centrão. “O Centrão, como sempre, está se apossando da caneta e da chave do cofre. Está enfiando a faca e rodando. As emendas de relator, no Orçamento de 2021, somam R$ 16,9 bilhões. O valor é equivalente a três vezes o proposto pelos parlamentares para o Fundo Eleitoral, um outro absurdo”, disse o economista, referindo-se à decisão do Congresso que triplicou, para R$ 5,7 bilhões, os recursos do fundo que financia as eleições.

    O que é o Centrão?

    É um bloco informal na Câmara que reúne partidos de centro e centro-direita, que, dependendo da matéria, se articulam para votar da mesma maneira sobre determinado projeto.
    Entre esses partidos, estão PP (40 deputados), PL (39), Republicanos (31), Solidariedade (14) e PTB (12). O PSD (36), o MDB (34) e o DEM (28) também costumam estar alinhados com o grupo, assim como partidos menores, incluindo PROS (10), PSC (9), Avante (7) e Patriota (6).

  2. Já está cansando essa importância dada aos militares. Se ainda há milico com sonhos de ditador, pode tirar o cavalo da chuva – não há condição disso acontecer. Tem-se o governo do Biden nos USA, uma internet que tudo esclarece, empresas pipocando em todo quarteirão – não dá mesmo irmão! Vamos virar a página e nos unirmos para impedir a entrada do Lula ladrão e do Jumento de plantão. Fechado!

  3. O Geno não domina nem as Emas lá do Palácio demoníaco que já bicaram ele várias vezes.

    O que domina os milicos é o seguinte:

    BUFUNFA, CASCALHO, MONEY, L’ARGENT, DINDIN, TUTU, ARAME, PRATA, PILA, GRANFO, PILIN, VIL METAL… e etc… será que esqueci de algum? rsrs

    Esse é o peso do idiota pros milicos.

    Tá sendo sugado até o talo, quando estiver só no bagaço, vai tomar um pé na bunda bem dado.

    P.S. NEM O LADRÃO LOUCO, NEM O LOUCO LADRÃO!!!

    Terceira via já!
    O país está doente e não aguenta mais esses dois crápulas!!

    JL

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