Os mistérios da Operação Zelotes, encobertos pela grande mídia

Deu no Pravda

Daqui a 50 anos, os livros de História descreverão 2015 como um dos anos mais conturbados da história republicana brasileira, mas vamos torcer para não ter que esperar pela arqueologia histórica para desencavar alguns dos mistérios mais intrigantes da Operação Zelotes. Alguns, aliás, já começam a ser esquecidos, tais são o ritmo e a quantidade de fatos. Ei-los, para refrescar a memória.

  1. Afonso Motta. O nome apareceu na imprensa e foi noticiado por veículos do próprio grupo RBS mas o título da matéria foi: “Investigação cita deputado “ Só que Motta não é suspeito de suposta falcatrua como parlamentar federal do PDT e sim como dirigente da RBS. Fazendeiro da fronteira oeste, ele foi vice-presidente do grupo afiliado da Rede Globo até 2009. Há, claro, a atitude corporativa conhecida mas, acima de tudo, impõe-se a criminalização da política, dos políticos, do homem público, e não do executivo da iniciativa privada.
  2. R$ 565 bilhões. Por que uma operação que envolve suspeição sobre a cifra estratosférica de mais de meio trilhão de reais sonegados não tem uma só centelha da repercussão explosiva de outros escândalos de desvios de dinheiro público? Simples: envolve grandes empresários e empresa da mídia. Ou seja, patrocinadores dos conglomerados de comunicação. Isto é, a elite da iniciativa privada.
  3. Augusto Nardes. Também é nome que surgiu entre os suspeitos do esquema de corrupção. Nardes é gaúcho, ex-deputado do PP e tem posição política partidária, portanto. Como Motta, ele tem foro especial já que é ministro do Tribunal de Contas da União e será investigado pelo Supremo Tribunal Federal. E é ele que está com o processo da contas da presidenta Dilma sobre sua mesa de relator.
  4. Santo Ângelo. Foi uma das cidades gaúchas visitadas pela Policia Federal, mas, ao contrário de outras operações fartamente televisionados com suspeitos levando algemados por policiais encapuzados, esta padeceu de estranho silêncio visual midiático. Neste município, segundo escassos informes, teriam sido aprendidos computadores de um parente de Nardes de quem ele foi sócio. Até o deputado federal Paulo Pimenta, relator da subcomissão de Fiscalização da Câmara dos Deputados, estranhou a inclusão de Santo Ângelo do interior do RS ao lado de capitais como Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro que são centros políticos e econômicos do país.
  5. Jornalistas investigativos. Eles se autointitulam assim e têm até clube com sócios cativos bem remunerados e melhor empregados. Mas até agora nenhum se dignou a escarafunchar as entranhas do escândalo da Zelotes. Sobre os crimes da sonegação, silenciam-se e, assim, sonegam informação aos leitores. É este o papel de jornalistas investigativos verdadeiros? Ou só mexem em conformidade com o que pensam e determinam os patrões?
  6. Sonegação criminosa. Se fosse evitada tão criminosa sonegação talvez o país não precisasse fazer o ajuste fiscal, com medidas tão amargas como as que estão sendo apresentadas. Se os empresários fossem honestos e pagassem o que devem é bem possível que o Brasil já tivesse avançado ainda mais em políticas públicas para os mais pobres. Ao promoverem tamanha sonegação os ricos e poderosos prejudicam a maioria da nação e o próprio Brasil.
  7. Valores altos. Entre as 74 empresas investigadas, estão o Grupo Gerdau, com R$ 1,2 bilhão de crédito, a RBS com R$ 672 milhões e a Marcopolo com R$ 260 milhões.
  8. Irregularidades variadas. A propina aos conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) para os empresários apagarem dívidas tributárias envolvia, também, venda de sentença, negociação para indicar conselheiros, redução de valores de multa e até mesmo singelo pedido de vista do processo que prolonga indeterminadamente o julgamento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria enviada pelo comentarista Ednei Freitas é da maior importância. Para os jornalistas brasileiros, é muito duro ter de ouvir calado a reprimenda do site do jornal russo Pravda. A omissão da grande mídia em relação à Operação Zelotes é mesmo inaceitável, inconcebível e intolerável. (C.N.)

 

10 thoughts on “Os mistérios da Operação Zelotes, encobertos pela grande mídia

  1. Quem leu os dois livros do ex auditor da Fundação Roberto Marinho, Roméro Machado, pode esperar de tudo da ‘poderosa’ .
    Também devemos recordar a histórica capa da Tribuna da Impresa de 08/08/1988, que deixou o país em alvoroço.

      • Segundo o Carlos Newton, essa capa pode ser acessada no Arquivo Nacional.
        Mas para adiantar vou dar a manchete que ocupou meia página.
        ” Roberto Marinho pode pegar 20 anos de prisão “. Esse cálculo foi feito pelo jurista Paulo Goldrajch a pedido do Hélio Fernandes e baseado nas denuncias com provas do livro ” Afundação ( junto ) Robeto Marinho do Roméro Mchado da Costa.

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    Parlatório
    Política

    Corrupção

    Operação Zelotes envolve bancos, grandes empresas e afiliada da Globo

    Segundo jornal, Bradesco, Santander, BR Foods, Camargo Corrêa, Petrobras e a RBS, afiliada da Globo no RS, estariam ligados ao esquema de corrupção
    por Redação — publicado 28/03/2015 10h25

    Operação Zelotes

    Parte do dinheiro envolvido na Operação Zelotes, que pode ser maior que a Lava Jato

    A operação realizada na quinta-feira 26 por diversos órgãos federais contra um esquema que causava o sumiço de débitos tributários, uma forma de desfalcar os cofres públicos, identificou várias grandes empresas e bancos entre os suspeitos de pagar propina para se livrarem de dívidas. Entre estas empresas está a RBS, maior afiliada da Rede Globo. Os investigadores, segundo o jornal o Estado de S. Paulo, desconfiam que a RBS pagou 15 milhões de reais para que desaparecesse um débito de 150 milhões de reais. Estariam envolvidas também Ford, Mitsubishi, BR Foods, Camargo Corrêa, Light, Petrobras e os bancos Bradesco, Santander, Safra, BankBoston e Pactual.

    O esquema desbaratado pela Operação Zelotes subtraiu do Erário pelos menos 5,7 bilhões de reais, de acordo com as investigações de uma força-tarefa formada por Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público Federal e a Corregedoria do Ministério da Fazenda.

    O esquema atuava no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão da Fazenda onde contribuintes podem contestar administrativamente – ou seja, sem passar pela Justiça – certas tributações aplicadas pela Receita.

    A força-tarefa descobriu a existência de empresas de consultoria a vender serviços de redução ou desaparecimento de débitos fiscais no Carf. Tais consultorias tinham como sócios conselheiros ou ex-conselheiros do Carf. Elas conseguiam controlar o resultado dos julgamentos via pagamento de propinas. Entre seus clientes, estão as grandes empresas citadas pelo Estadão.

    As investigações começaram no fim de 2013. Já foram examinados 70 processos em andamento ou já encerrados no Carf. No total, eles somam 19 bilhões de reais em tributos. Deste montante, os investigadores estão convencidos de que 5,7 bilhões foram ilegalmente “desaparecidos” nos processos já encerrados. Entre os crimes apurados na Zelotes, estão advocacia administrativa, tráfico de influência, corrupção, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

    Na operação, houve busca e apreensão em Brasília, Ceará e São Paulo. Na capital federal, foram apreendidos 16 carros – entre veículos de luxo, nacionais e importados –, três motos, joias, cerca de 1,8 milhão de reais, 9 mil dólares e 1,5 mil euros. Em São Paulo, foram apreendidos dez veículos e 240 mil, em reais e moeda estrangeira. No Ceará, dois veículos também foram apreendidos.

    O Ministério da Fazenda informou que já abriu processos administrativos contras as empresas envolvidas, tendo como base a Lei Anticorrupção, a mesma que dá suporte a processos da Controladoria Geral da União contra empreiteiras metidas na Lava Jato.

    Todas as empresas citadas pelo Estadão disseram ao jornal desconhecer as denúncias ou se negaram a comentar o caso.

    Abaixo, a lista de débitos investigados de algumas das empresas, segundo o Estadão:

    Santander – R$ 3,3 bilhões
    Bradesco – R$ 2,7 bilhões
    Gerdau – R$ 1,2 bilhão
    Safra – R$ 767 milhões
    RBS – R$ 672 milhões
    Camargo Corrêa – R$ 668 milhões
    Bank Boston – R$ 106 milhões
    Petrobras – R$ 53 milhões

  3. Zelotes: Gerdau e RBS, afiliada da Globo, são principais alvos, diz jornal

    A siderúrgica e o grupo de comunicação são suspeitos de corromper funcionários públicos para não pagarem impostos devidos

    por Redação — publicado 31/03/2015
    A PF envolveu 180 agentes na deflagração da Operação Zelotes, que contou com a participação do Ministério Público Federal, da Corregedoria do Ministério da Fazenda e da Receita Federal

    Operação Zelotes envolve bancos, grandes empresas e afiliada da Globo
    A siderúrgica Gerdau, uma das 50 maiores companhias do Brasil, e a RBS, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul, são as empresas contra as quais há mais indícios de irregularidades investigados no âmbito da Operação Zelotes da Polícia Federal. A informação é do jornal Folha de S. Paulo. Deflagrada na quinta-feira 26, a Operação Zelotes apura a existência de um esquema responsável por causar o sumiço de débitos tributários, uma forma de desfalcar os cofres públicos. Até aqui, já foi confirmado um prejuízo de 6 bilhões de reais, que pode chegar a 19 bilhões, valor maior que o investigado inicialmente na Operação Lava Jato.

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    De acordo com a Folha, os investigadores responsáveis pela Zelotes teriam indícios consistentes contra 11 empresas: os bancos Santander e Safra; as montadoras Ford e Mitsubishi; as companhias Cimento Penha, Boston Negócios, J.G. Rodrigues, Café Irmãos Julio e Mundial-Eberle; além da RBS e da Gerdau. Segundo o jornal, o Ministério Público considera ter “indícios fortes” contra as duas últimas empresas.

    A 12ª empresa citada na investigação é o banco Bradesco, mas os investigadores não teriam por enquanto nenhuma prova contra a instituição: apenas indicações de que houve contato entre funcionários do banco e as consultorias que intermediavam acesso a conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). O Carf é órgão do Ministério da Fazenda no qual os contribuintes podem contestar administrativamente – ou seja, sem passar pela Justiça – certas tributações aplicadas pela Receita Federal.

    A força-tarefa que montou a Operação Zelotes descobriu a existência de empresas de consultoria a vender serviços de redução ou desaparecimento de débitos fiscais no Carf. Tais consultorias tinham como sócios conselheiros ou ex-conselheiros do Carf. Elas conseguiam controlar o resultado dos julgamentos via pagamento de propinas.

    Segundo a PF, servidores públicos repassavam informações privilegiadas obtidas dentro do Carf para escritórios de assessoria, consultoria ou advocacia em Brasília, São Paulo e outras localidades, para que estes realizassem captação de clientes e intermediassem a contratação de “facilidades” dentro do Carf. Em diversas ocasiões, foram constatados tráfico de influência no convencimento de empresas devedoras ao fisco. Eram oferecidos manipulação do andamento de processo, “pedidos de vista”, exame de admissibilidade de recursos e ainda decisões favoráveis no resultado de julgamentos de recursos a autos de infrações tributárias, por meio da corrupção de conselheiros.

    registrado em: Gerdau RBS Operação Zelotes Ford Mitsubishi Polícia Federal Santander Safra

  4. Jornal cita 28 empresas investigadas na Operação Zelotes
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    Confira a lista das empresas que estariam sendo investigadas pela PF, segundo o jornal Folha de S. Paulo, e dos valores contestados:

    Banco Santander – R$ 3,34 bilhões
    Banco Santander 2 – R$ 3,34 bilhões
    Bradesco – R$ 2,75 bilhões
    Ford – R$ 1,78 bilhões
    Gerdau – R$ 1,22 bilhões
    Boston Negócios – R$ 841,26 milhões
    Safra – R$ 767,56 milhões
    Huawei – R$ 733,18 milhões
    RBS – R$ 671,52 milhões
    Camargo Correa – R$ 668,77 milhões
    MMC-Mitsubishi – R$ 505,33 milhões
    Carlos Alberto Mansur – R$ 436,84 milhões
    Copesul – R$ 405,69 milhões
    Liderprime – R$ 280,43 milhões
    Avipal/Granoleo – R$ 272,28 milhões
    Marcopolo – R$ 261,19 milhões
    Banco Brascan – R$ 220,8 milhões
    Pandurata – R$ 162,71 milhões
    Coimex/MMC – R$ 131,45 milhões
    Via Dragados – R$ 126,53 milhões
    Cimento Penha – R$ 109,16 milhões
    Newton Cardoso – R$ 106,93 milhões
    Bank Boston banco múltiplo – R$ 106,51 milhões
    Café Irmãos Júlio – R$ 67,99 milhões
    Copersucar – R$ 62,1 milhões
    Petrobras – R$ 53,21 milhões
    JG Rodrigues – R$ 49,41 milhões
    Evora – R$ 48,46 milhões
    Boston Comercial e Participações – R$ 43,61 milhões
    Boston Admin. e Empreendimentos – R$ 37,46 milhões
    Firist – R$ 31,11 milhões
    Vicinvest – R$ 22,41 milhões
    James Marcos de Oliveira – R$ 16,58 milhões
    Mário Augusto Frering – R$ 13,55 milhões
    Embraer – R$ 12,07 milhões
    Dispet – R$ 10,94 milhões
    Partido Progressista – R$ 10,74 milhões
    Viação Vale do Ribeira – R$ 10,63 milhões
    Nardini Agroindustrial – R$ 9,64 milhões
    Eldorado – R$ 9,36 milhões
    Carmona – R$ 9,13 milhões
    CF Prestadora de Serviços – R$ 9,09 milhões
    Via Concessões – R$ 3,72 milhões
    Leão e Leão – R$ 3,69 milhões
    Copersucar 2 – R$ 2,63 milhões
    Construtora Celi – R$ 2,35 milhões
    Nicea Canário da Silva – R$ 1,89 milhão
    Mundial – Zivi Cutelaria – Hércules – Eberle – Não Disponível
    Banco UBS Pactual SA N/D
    Bradesco Saúde N/D
    BRF N/D
    BRF Eleva N/D
    Caenge N/D
    Cerces N/D
    Cervejaria Petrópolis N/D
    CMT Engenharia N/D
    Dama Participações N/D
    Dascan N/D
    Frigo N/D
    Hidroservice N/D
    Holdenn N/D
    Irmãos Júlio N/D
    Kanebo Silk N/D
    Light N/D
    Mineração Rio Novo N/D
    Nacional Gás butano N/D
    Nova Empreendimentos N/D
    Ometo N/D
    Refrescos Bandeirantes N/D
    Sudestefarma/Comprofar N/D
    TIM N/D
    Tov N/D
    Urubupungá N/D
    WEG N/D
    Total – R$ 19,77 bilhões

    • LUIZ ANTÔNIO PEREIRA DIAS, da LUPE Consultoria, diz ter pago a Senadora Vanessa Grazziotin, R$ 2 milhões de Reais, para ter o seu nome e da Lupe Consultoria, fora do Relatório da CPI do CARF, e não ser investigado por crimes de lavagem e corrupção ativa.

  5. O presidente da CPI do Carf, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), apresentou requerimentos para convocar os ex-ministros Erenice Guerra e Silas Rondeau. Em depoimento à comissão, o ex-motorista Hugo Rodrigues Borges disse que os dois frequentavam o escritório de consultoria do advogado José Ricardo da Silva, apontado como um dos chefes do esquema de corrupção no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).

    A CPI e a Operação Zelotes investigam suspeitas de que grandes empresas pagavam ao escritório de José Ricardo, que também era conselheiro do Carf, propina para ter seus débitos anulados no chamado “tribunal da Receita”.

    No depoimento, Borges disse que Erenice freqüentava semanalmente a sede das empresas de Silva, uma casa no Lago Sul, área nobre de Brasília, sempre acompanhada de Silas Rondeau. “Eram ele (Roudeau) e a Erenice que frequentavam o escritório lá. Eram várias salas de reuniões, então fechavam as portas”, relatou. “Cruzei várias vezes com ela na sala principal do escritório… era um poço de arrogância”, continuou.

    Um contrato apreendido ente ano na Operação Zelotes indica que a ex-ministra se associou a José Ricardo para defender no Carf os interesses da multinacional de telecomunicações Huawei, que questionava débito de R$ 705 milhões com a Receita. Conforme o documento, ela receberia 1,5% do valor que conseguisse abater no Fisco.

    A CPI já barrou uma primeira tentativa de ouvir Erenice. Para o presidente da CPI, contudo, não há mais como evitar a convocação. “Esse escritório era o centro nervoso do esquema de corrupção no Carf, segundo as investigações da PF e da CPI. Portanto, essas pessoas mencionadas devem ser ouvidas para que possamos saber quais negócios tinham com esse escritório”, disse.

    Ele também pediu a convocação do ex-governador do Ceará e ex-ministro Cid Gomes que, segundo o ex-motorista, teria se reunido num restaurante com José Ricardo. No depoimento à CPI, o ex-motorista não deu mais detalhes sobre essa suposta reunião.

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