Os números não mentem: crise econômica aumenta sem parar

Wagner Pires

A queda na produção industrial foi um pouco menor do que o esperado para setembro em relação a agosto, divulgou o IBGE: -1,3%. Em relação a setembro de 2014, também foi um pouco menor que a queda esperada: -10,9%. De qualquer forma, a retração no setor secundário, isto é, no setor industrial brasileiro, é impressionante e reflete tanto a recessão quanto o fenômeno intrínseco da desindustrialização que já estava em curso antes de a economia mergulhar na recessão.

A taxa de queda na produção acumulada em 2015 pode ser assim representada, segundo o IBGE: Bens de Capital, – 23,6%; Bens Intermediários, – 4,1%; Bens de Consumo, – 9,1%; Bens Duráveis, -15,7%; Semiduráveis e não duráveis, – 7,1%. Queda da indústria em geral: -7,4%

A situação para a indústria nacional se agrava na medida em que as fábricas ainda têm muito estoque para se desfazer antes de intuírem a retomada da produção. É um quadro preocupante, fruto da acentuada queda da demanda. A retração da demanda induz a redução da produção industrial que, por sua vez, reflete-se na diminuição do mercado de trabalho.

DESEMPREGO CRESCENTE

É de 955.995 o saldo negativo do fechamento de postos de trabalho formal, nos últimos doze meses, para o setor industrial (indústria extrativa mineral, indústria de transformação e indústria da construção civil).

Confira a perda de empregos, por setor da economia: Extrativa mineral, -13.733 vagas; Indústria de Transformação, – 515.516; Serviços Industrais de utilidade pública, – 4.906;
Construção Civil, – 426.746; Comércio, – 104.866; Serviços, – 150.012; Administração Pública, – 10.694; Agricultura, – 12.155. Aumento do número de desempregados no país, no acumulado de 12 meses -1.238.628.

E não há menor perspectiva de melhora, pois o ajuste fiscal não existe e o governo está inerte.

13 thoughts on “Os números não mentem: crise econômica aumenta sem parar

    • Um artigo interessante do Giannetti. Não há dúvida que o tamanho e a ineficiência do estado brasileiro são grande, se não a maior, parte do problema. A outra são os juros da dívida, que na verdade é consequência da primeira.
      Sem entrar em questões de corrupção, o dinheiro dos impostos é muito mal aplicado.

      • Sem dúvida alguma o ajuste fiscal por si só não tem o condão de retirar o país do círculo vicioso recessivo no qual Dilma e Mantega nos meteu. Ipso facto.

        Mas, é preciso ter em conta que sem o ajuste fiscal antes de qualquer outra medida de cunho macroeconômico não permitirá solução para a crise!

        O ajuste fiscal é assim: o carro-chefe da retomada do crescimento econômico. Claro. Porque, antes de mais nada, é preciso reequilibrar as contas públicas; o que significa, necessariamente, diminuir o tamanho da máquina estatal e do volume atual das despesas correntes.

        E porque isso? Porque se o governo mantém a máquina administrativa como está, a economia continuará sendo sobrecarregada com o excesso de despesas, que inunda o mercado com excesso de liquidez, isto é, muito dinheiro circulando numa economia que já está sustentando uma inflação de dois dígitos, justamente pelo excesso de dinheiro em circulação. Mesmo o Banco Central fazendo a sua parte. Inflação é excesso de dinheiro em circulação. Muita oferta de dinheiro, menor o seu valor intrínseco.

        Veja, então, que a primeira parte do ajuste econômico para a retomada do crescimento é, necessariamente, o ajuste fiscal.

        Além de enxugar o excesso de moeda em circulação, uma vez diminuída as despesas do governo, o ajuste serve para dar credibilidade ao governo perante os agentes econômicos. Credibilidade na sua capacidade de arcar os compromissos, principalmente no que tange os papéis de sua emissão. A taxa básica de juros (selic) fundamenta todas as demais taxas de juros praticadas no restante da economia, no sistema financeiro. Se o governo falha em sua credibilidade, toda a economia para. Sessam-se os investimentos e a capacidade de expansão econômica, por conta do risco sistêmico que se instaura, elevando, também, as taxas de juros e o volume de crédito disponível.

        Mas, para isso, para o governo manter sua credibilidade e transmitir credibilidade de maneira sistêmica a toda a economia, é preciso que demonstre capacidade de arcar com suas próprias obrigações, que decorre, necessariamente, da capacidade de dar equilíbrio a sua própria política fiscal, isto é, equilíbrio entre receitas e despesas, incluindo as despesas com os juros nominais da dívida junto ao sistema financeiro, da dívida pública.

        Bem, uma vez produzido o ajuste fiscal, o que levará de três a quatro anos, na melhor das hipóteses, e cessadas as pressões inflacionárias, que também não é ato de resultado instantâneo, abre-se espaço para a queda dos juros administrados pelo Banco Central, isto é, a taxa selic passará a ser reduzida na medida em que o ambiente se torne propício – produzido anteriormente pela redução das despesas de governo – para a retomada de expansão do crédito (pela redução dos juros de mercado induzidos pela redução da taxa selic), assim como a expansão dos rendimentos das famílias e lucros das empresas.

        Assim, tão logo a inflação retorne para o centro da banda de controle do BACEN, fato induzido pelo necessário reequilíbrio fiscal e fruto de uma política fiscal eficiente, o governo terá espaço para manejar outras duas políticas macroeconômicas: uma, que é a política monetária expansiva, reduzindo a taxa básica de juros e diminuindo a taxa de desconto compulsório de modo a expandir o mercado de crédito e possibilitar a retomada do consumo e dos investimentos; a segunda, que é a política rendas, aumentando a remuneração dos fatores de produção como os salários e lucros, criando assim, também um ambiente propício para o desenvolvimento do consumo.

        Esta segunda ou terceira fase do processo de retomada do crescimento econômico não durará menos do que outros três ou quatro anos.

        Que fique claro, então: o reequilíbrio da política fiscal é apenas a fase inicial deste longo processo. Ponto.

        • Corretíssimo, Wagner. O problema é que as contas públicas chegaram a um estado em que o corte de despesas que o governo tem que fazer é de proporções inéditas, e esse corte e as mudanças no modo que o dinheiro dos impostos vem sendo aplicado não contam com nenhuma boa vontade dos congressistas nem dos partidos políticos, que são os principais beneficiários de sua aplicação atual. Por isso tentam tapar o buraco com o aumento dos impostos, só que este aumento de uma carga que já há muito tempo excessiva é completamente inviável no estado atual da economia, tanto pela incapacidade do cidadão suportá-lo quanto pela diminuição ainda maior da atividade econômica que causaria. Estão apostando como maior solução numa recriação da CPMF que será extremamente injusta e prejudicial, e que ficará longe de cobrir o rombo.
          A redução da taxa da SELIC vai, pelo visto, demorar bastante a poder ser feita, o que significa que o serviço da dívida não se reduzirá e, ao contrário, continuará a crescer, porque o Brasil não está conseguindo pagar os juros na sua totalidade.
          A coisa não está fácil, e o governo e os políticos estão que nem baratas tontas, e comtinuam pensando apenas (com raríssimas e honrosas exceções) apenas no seu benefício próprio, seja financeiro ou político.

          • Proporções inéditas, sr. Wilson. Eis aí o drama para se realizar o ajuste fiscal!

            Lula, Dilma e Mantega empurram o país para esta cilada sem o menor remorso.

            Podemos computar, sem grande margem para erro, dez anos de retrocesso econômico. Dez anos de necessários esforços de arrumação da economia, com a retomada do plano que Armínio Fraga desenhou para o país que é o tripé de estabilização econômica: equilíbrio fiscal com constantes superávits primários, controle inflacionário com limites bem definidos e controle cambial com bandas flutuantes.

            Essa retomada não será fácil dados os oito anos, agora nove, em que estivemos desarruando a economia. Para arrumá-la não levaremos menos tempo.

  1. O ilustre Sr. WAGNER PIRES neste bom artigo nos mostra que a Recessão continua, que a CONFIANÇA dos Agentes Econômicos ainda não foi restabelecida, e que todos os Analistas preveem Recessão ainda em todo ano de 2016. É duro para quem perde o Emprego.
    Sempre que se passa de um Modelo baseado na DEMANDA, que se esgotou, para um baseado na OFERTA ( Exportações Líquidas ), “antes de melhorar, ainda piora”. Quanto mais demorar a transição, mais se desgasta Politicamente a Presidenta DILMA e o PT. Nessa conjuntura, espera-se que o PT saia das Eleições Municipais de 2016, bem menor do que sua Metade. Aguardemos. Abrs.

  2. Os utilíssimos artigos de Wagner Pires, que nos colocam a par da situação econômica do País, nossas perdas, inflação, desemprego, quedas na produção industrial, CRISE NA SAÚDE PÚBLICA, COM O GOVERNO DECRETANDO ESTADO DE EMERGÊNCIA, EM PERNAMBUCO(!), apesar de serem também importantes pelos dados levantados com muito cuidado e responsabilidade, inerentes ao autor, a mim causam tristeza, revolta e indignação!
    Não se trata mais de se tentar encontrar soluções para uma nação desgastada, arruinada, mas de se saber os porquês de a “gestora” Dilma Roussef, ter deixado o Brasil chegar onde está!
    Repito, pois escrevi outrora a respeito:
    NÃO PODE SER APENAS INCOMPETÊNCIA, corrupção e desonestidade, mas há um componente vingativo contra os brasileiros, em face de o povo não ter enfrentado o regime militar quando Dilma foi presa, o seu grupo de ladrões, assassinos, sequestradores, exterminado.
    A “revolução” de Dilma e asseclas era a implantação de uma ditadura do proletariado, confessado, publicado, registrado em vídeos pelos participantes à época, que comprovam a minha afirmação.
    Ora, repentinamente a presidência do Brasil lhe cai no colo, Dilma se aproveita para se vingar do País e da população, então pratica a pior administração da história, e tem quem considera retirá-la do poder mediante as leis existentes como “golpe”.
    Não bastam os levantamentos diários indicando que rumamos céleres à falência, para uma crise de falta de moral e ética sem precedentes.
    Roubos, assaltos ao erário e estatais, negociatas, acordos espúrios, aparelhamento do Estado, o Brasil se transformou em um balcão de ofertas para criminosos, bandidos, ladrões, e tendo o governo como o grande incentivador e permissivo às ilicitudes.
    Dilma cobra um preço altíssimo do povo brasileiro.
    No entanto, a presidente porque dotada de poucas luzes, esquece que aquilo que sobe, desce, e mais uma vez será julgada e condenada quando deixar o poder pelos crimes cometidos de responsabilidade, suas omissões, mentiras, pedaladas, seus discursos absurdos onde se comprometia com certas medidas para mudá-las ali adiante, suas falas embotadas e palavras desconexas.
    Dilma voltará à prisão e, novamente, sem o apoio popular, e não mais como subversiva, mas de uma mulher desleixada, negligente, irresponsável, omissa, corrupta e desonesta enquanto presidente do Brasil!
    Dilma porque uma célebre estulta, perde o trem da história, de se tornar a primeira mulher que teria feito uma administração melhor que os homens, para se constituir na primeira presidente feminina que foi a culpada pela ruína do Brasil!

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