Os partidos na crise que atinge o PCdoB

Carlos Chagas

Debaixo das cinzas tem brasa. Até fogo. Fala-se da situação do ministro dos Esportes, Orlando Silva. Na última sexta-feira ele recebeu da presidente Dilma uma espécie de licença provisória para seu estabelecimento continuar funcionando, como deixou claro o ministro Gilberto Carvalho. Jamais um certificado permanente, muito menos uma carta de alforria. Como as denúncias continuam, menos envolvendo o ministro, mais a lambança praticada no ministério através de ONGs fajutas ligadas ao PC do B, a conclusão surge desfavorável para Orlando Silva. Por quanto tempo suportará a pressão do Congresso, da mídia e do próprio governo?

Nessa novela de trapalhadas, todos os grandes partidos, menos um, posicionam-se contra a permanência do ministro: o PT, de olho na importância dada aos Esportes, pelas vultosas verbas agora descobertas em suas estruturas e pela Copa do Mundo de 2014; o PSDB, pela obrigação de fazer oposição; o DEM, vendo no episódio forma de recuperar-se, como tem deixado claro o líder ACM Neto; até o PDT, sequioso de ver queimada a casa do vizinho, imaginando salvar a sua.

Mas o PMDB, por que se mantém em respeitoso silêncio? Solidariedade do vice Michel Temer para com a hesitação da presidente? Malandragem para aspirar a um novo ministério? Demonstração de desconforto diante de Dilma, por conta da falta de nomeações para o segundo escalão?

Na realidade, os partidos assistem a fritura de um ministro isolado como se assistissem ao ensaio de um ato isolado da peça que em poucos meses vai estrear: a reforma ministerial. Cada legenda tem suas ONGs e suas empreiteiras atuando mais ou menos como o PC do B tinha as suas. A hora é de reforçarem as defesas, porque a tempestade vem aí.

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NHAMBÚS E JACUS

Diz-se em Minas que em briga de nhambú, jacu não entra. Fica de lado, no outro galho, assistindo as bicadas entre os primos. Vale a imagem para a equipe econômica brasileira diante da crise que parece longe de terminar na Europa. A Grécia pega fogo, Portugal também. Na França, Espanha e Itália movimenta-se especialmente a classe média, para impedir a adoção da receita do FMI e da União Européia, de aumento de impostos, reduções salariais, demissões em massa e cortes nos investimentos sociais. Protesta-se, naqueles países, contra a blindagem estabelecida por seus líderes em torno dos lucros da especulação financeira. Aliás, nos Estados Unidos também, através da ocupação de Wall Street.

Por enquanto, escapamos dos efeitos da confusão vivida pelas economias daqueles países. A presidente Dilma deu sucessivos sinais de que não adotaremos as soluções da ortodoxia das elites. Até quando?

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TIRO PELA CULATRA?

Invadiram o Iraque, depuseram e mataram Saddam Hussein e agora vão embora, em choque com o novo governo títere que, em Bagdá, pretende cada vez mais enquadrar-se na lei islâmica. No Egito, incentivaram a queda desonrosa de Hosny Mubarack e assistem a população inclinar-se pelo estabelecimento de um estado teocrático, mais próximo do Irã e afastado de Israel. Agora, é o governo provisório da Líbia que anuncia a prevalência da lei islâmica na organização do novo estado, depois de uma guerra civil financiada e dirigida pelo Ocidente, coadjuvante no assassinato de Muhamar Kadaffi. Quer dizer: livraram-se de ditadores com os quais, mesmo a contragosto, mantinham relações comerciais e econômicas. Poderão encontrar surpresas.

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MAIS UM GALO NO TERREIRO

Engana-se quem supõem o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, disposto a esperar a reeleição de Dilma Rousseff ou a nova eleição do Lula. Ele faz parte do rol dos novos políticos dispostos a suplantar os avôs. Neto de Miguel Arraes, que tinha tudo para ser presidente da República e não foi, Eduardo Campos está próximo de Aécio Neves, neto do presidente Tancredo Neves, que não pode assumir. Uma disputa entre os dois seria fascinante, mas há quem suponha uma conjunção explosiva para o PT: por que não Aécio para presidente e Campos para vice? Pernambuco, é claro, pensa na equação ao contrário. Afinal, PSDB e PSB devem ter mais identidades do que a vã filosofia pode supor.

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