Os protestos, a democracia e o retorno de Pimenta da Veiga

Acílio Lara Resende

As manifestações de rua que vêm ocorrendo no país desde o dia 14 de junho se dirigem aos políticos em geral, com ou sem mandato, mas com especial ênfase à presidente Dilma Rousseff, aos governadores, aos prefeitos e aos parlamentares, sejam vereadores, deputados estaduais, deputados federais ou senadores. Mas elas são, com certeza, excelente oportunidade para aqueles que, sinceramente imbuídos do sentimento de servir ao bem comum, e sem limite de idade, queiram participar da política para ajudar na transformação da realidade.

Essas manifestações de rua querem dizer ao Brasil e ao mundo todo que a democracia – essa plantinha sensível e fácil de ser soterrada – só prospera em ambiente no qual haja respeito à liberdade e obediência ao “poder do povo”. Aliás, é esse – “o poder do povo” – o seu único e verdadeiro significado. O povo, de quem emana todo o poder, deve ser a única preocupação dos que, por algum tempo, o representam.

Pelo menos aqui, em Minas, essas manifestações já produziram um resultado positivo: o ex-ministro Pimenta da Veiga, que completou 66 anos no dia 2 de julho, e que há mais de uma década se achava afastado da política, voltou a ela com muita disposição desde a semana passada. Preocupado com os rumos que se projetam à frente e, também, com a manipulação de lideranças no mínimo inconvenientes que possam surgir desses movimentos, Pimenta aceitou a convocação do candidato tucano à Presidência da República, Aécio Neves, para ser o coordenador da sua campanha no Estado.

DE MUDANÇA

Para tal, Pimenta não só está de mudança para Belo Horizonte, como já fechou as portas do escritório de advocacia que mantinha em Brasília. Estimulado por Aécio Neves e Fernando Henrique, retorna à cena política para somar esforços, não para subtrair ou dividir. Retorna com transparência e vontade de servir. Talvez por isso, sua presença na cidade onde nasceu e, sobretudo, seu passado de homem público correto e determinado provocaram naturais especulações em torno da sua provável candidatura ao governo de Minas. Um assunto que – observa com elegância – só será tratado em meados do ano que vem.

Também constituinte, Pimenta da Veiga foi eleito para o primeiro mandato de deputado federal aos 31 anos, em 1978, pelo MDB. Foi reeleito para mais três mandatos, pelo PMDB e, depois, pelo PSDB, que ajudou a fundar e do qual foi vice-presidente e presidente. Sempre atuante na Câmara Federal, foi o primeiro deputado a denunciar o atentado do Riocentro, em 1981. Engajou-se com entusiasmo na campanha das Diretas Já. Foi contra a eleição indireta, mas integrou-se depois à eleição de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral.

Em 1988, foi eleito prefeito de Belo Horizonte, em cuja administração implantou o Programa Participativo de Obras Prioritárias (Propar), que, adotado pelo PT, ganhou o apelido de Orçamento Participativo. Um ano e pouco depois, por exigência de seus companheiros no PSDB, renunciou ao mandato para se candidatar ao governo do Estado. O último cargo que exerceu foi o de ministro das Comunicações de FHC. (Transcrito de O Tempo)

 

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