Os quatro mosqueteiros

Carlos Chagas

Começa a achar que nem tudo está perdido quem assiste os trabalhos do plenário do Senado realizados nos fins de tarde/começo da noite, de segunda a quinta-feira, e nas manhãs de sexta-feira. Nessas horas não há votações e as cadeiras estão quase vazias. Sistematicamente, quatro senadores se revezam na presidência, na tribuna e nos microfones de apartes: Paulo Paim, Pedro Simon, Roberto Requião e Cristovam Buarque.

É quando são expostos os temas mais polêmicos da atualidade, sempre sob viés crítico. A CPI do Cachoeira, de uns dias para cá, tem recebido fulminantes diatribes, assim como a empreiteira Delta e seus responsáveis. Quer dizer, é dissecado pelos quatro mosqueteiros aquilo que os dirigentes do Senado e a maioria dos senadores evita abordar, escafedendo-se antes que o sol se ponha.

Dedicam-se, os quatro, sempre ao que de pior acontece no país, denunciando e cobrando providências não tomadas por seus partidos, pelo governo ou pelo Judiciário. Conforme imagem lembrada por Pedro Simon, os que deveriam agir e não agem assemelham-se aos três macaquinhos, aqueles que não ouvem, não vêem e não falam.

Ainda esta semana os quatro senadores cobraram depoimentos de governadores, de diretores da Delta e de altos funcionários públicos. Indagaram por que nada se fez para impedir a venda da empreiteira por um real e sua entrega a um frigorífico agora gerido pelo ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que de dono de banco acaba de transformar-se em dono de açougue. Concluíram que o BNDES perdeu a última letra, deixando de ser um banco voltado para investimentos sociais e destinando dinheiro do povo a uma operação escusa e imoral.

Requião sugeriu que os artífices desse absurdo passassem a usar guardanapos de linho na cabeça, à maneira do grupo carioca flagrado festejando algo de inusitado com Fernando Cavendish, no Hotel Ritz, em Paris. Simon apelou à OAB e à CNBB para mobilizarem a juventude e cercar o Congresso, obrigando os parlamentares a botar a CPI do Cachoeira para funcionar. Porque até agora ela só tem feito apagar aquilo que a Polícia Federal apurou. Sob pena da criação da CPI da CPI, porque a primeira virou um escárnio e um deboche.

Reconheceram ser zero a imagem do Congresso junto à sociedade e sugeriram o imediato bloqueio de bens e o levantamento do sigilo bancário, fiscal e telefônico de todos os diretores da Delta, rejeitando o argumento da CPI de que inexistem elementos suficientes ou provas para justificar a medida.

Para os quatro senadores, acusações de desvio, suborno, roubo, assalto aos cofres públicos esbarram na inércia da CPI, do Congresso e do governo. Cristóvam lamentou que cada vez que se imagina haver o Brasil chegado ao fundo do poço, verifica-se haver buracos mais profundos ainda, e o problema é que nada acontece. Paim fez suas as palavras dos companheiros.

Em suma, vale à pena assistir as performances que já criaram tradição, com hora marcada. Mesmo sem a presença dos líderes e da massa de senadores, constrangidos pela falta de coragem para imitar os mosqueteiros…

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CARA DE PAU

Agora que o Superior Tribunal de Justiça negou a libertação de Carlos Cachoeira, a pergunta que se faz é por quanto tempo ele resistirá calado às indagações da CPI e, mais do que elas, à cobrança da voz rouca das ruas. Há quem preveja o bicheiro chegando ao limite de sua resistência e, a partir daí, mostrar-se disposto a abrir o jogo. A denunciar quantos políticos, empresários e funcionários de governos variados integravam sua quadrilha.

Podendo ser condenado pela justiça comum, em Goiás, Cachoeira corre o risco de permanecer na cadeia por tempo indeterminado. Nesse caso, jogaria barro no ventilador, hipótese fatal para muita gente.

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DEPOIS DAS ELEIÇÕES

Voltam os rumores de que depois das eleições de outubro,conhecidos os seus resultados, a presidente Dilma promoveria nova reformulação no ministério. Seria hora de buscar mais eficiência na equipe, mesmo sob o pretexto de premiar os partidos vencedores e punir os perdedores. Ainda existem ministros que até hoje não foram convocados para despachar individualmente com a chefe do governo, desconhecendo a disposição dos móveis em seu gabinete de trabalho…

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