Os republicanos estão forçando a barra para enfraquecer Obama eleitoralmente. Mas não deve haver calote dos Estados Unidos. Se houver, não será capaz de devastar a economia mundial.

Carlos Newton  

É claro que uma moratória norte-americana afetaria a economia internacional, mas o mundo sobreviveria até com certa facilidade a mais esse dissabor, que, aliás, nem vai acontecer. O que está em jogo, na verdade, é a eleição presidencial do ano que vem, quando Barack Obama disputará a reeleição. Republicanos e democratas estão medindo forças antes da hora, mas tudo tem limite e nenhum dos partidos pretende ser responsável por um calote do Tesouro dos EUA.

A situação é de tal normalidade que, esta segunda-feira, um dia antes do prazo final para o Congresso aumentar o limite da dívida nacional, o Departamento do Tesouro vai realizar normalmente seu leilão de títulos, com vencimento em três e seis meses.

O leilão deve render US$ 87 bilhões e o dinheiro será usado para liquidar a maior parte dos títulos públicos que vencem em 4 de agosto, no total de US$ 100 bilhões. A operação, segundo o Tesouro, não vai estourar o limite da meta de endividamento.

O teto da dívida americana, de US$ 14,3 trilhões, foi alcançado em maio, e o governo dos Estados Unidos tem usado manobras para garantir as operações. Mas o prazo para essas manobras se encerra na próxima terça-feira, quando o governo ficará sem caixa para pagar todas as contas e a dívida.

A Casa Branca afirmou ontem que continua otimista quanto à possibilidade de alcançar um compromisso com os congressistas sobre o aumento do limite da dívida pública federal, com o objetivo de evitar que o país se declare em “default” (suspensão de pagamentos).

“Continuamos acreditando e estamos otimistas que o Congresso manterá a razão (…) e que alcançará um compromisso”, afirmou o porta-voz Jay Carney aos jornalistas, acrescentando: “Nosso objetivo primeiro é proteger a economia e proteger os americanos dos danos econômicos. Se todos tivermos esse objetivo em mente, o compromisso será fácil.”

A cada mês, o Tesouro americano precisa tomar emprestados US$ 125 bilhões para fechar as contas. Isso além dos US$ 500 bilhões de dívidas que vencem e precisam ser refinanciadas no mesmo período. Para solucionar o problema, democratas e republicanos estão em um impasse político, firmando posições e antecipando a campanha eleitoral do ano que vem.

Sem um acordo até dia 2 de agosto sobre o limite do endividamento, o governo dos EUA corre o risco de ficar inadimplente em algumas das suas obrigações relacionadas à dívida, que deve ultrapassar o teto de US$ 14,3 trilhões.

Negociações entre o presidente americano, Barack Obama, e o líder da Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados), o republicano John Boehner, ainda não conseguiram romper o impasse a respeito do tema.

Mas as consequências da moratória dos EUA não são terríveis como se propala. Poderia provocar um imediato salto da taxa de juros nos EUA, com aumento da crise econômica interna, e até prejudicar a recuperação econômica mundial. Mas apenas episodicamente.

De toda forma, se o teto do endividamento não for elevado até terça-feira, o Tesouro dos Estados Unidos anunciou que irá divulgar informações sobre como o governo vai determinar que contas pagará prioritariamente.

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COMPLEXO MILITAR ESTÁ AMEAÇADO

Um dos aspectos mais interessantes da crise norte-americana são os interesses de seu fabuloso complexo industrial militar, que agora está sob ameaça. Para reduzir expressivamente os custos do governo, Barack Obama e os democratas já falam em pôr fim às guerras no Afeganistão e no Iraque,

Como se sabe, os republicanos são ligados à indústria militar. E ambas as guerras, Iraque e Afeganistão, foram iniciadas pelo governo republicano de George W. Bush. Assim, se insistirem em recusar as propostas dos democratas para elevar o limite da dívida, os republicanos podem acabar sendo responsáveis por graves problemas do complexo militar norte-americano, num contradição ao mesmo tempo política e econômica. Mas quem entende os Estados Unidos da América?

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