Os três Estados do Sul são as maiores vítimas dos erros no combate ao coronavírus

Hospitais de campanha têm 253 leitos vazios apesar dos 900 ...

Alguns hospitais de campanha foram montados desnecessariamente

Percival Puggina

Pois aconteceu. Numa infeliz combinação de desacertos, as orientações iniciais referentes à covid-19 transformaram os estados sulinos nas grandes vítimas da política e do jornalismo militante. Este último, ao adotar a mesma orientação geral em suas ações desde a proclamação do resultado da eleição de 2018, apoiou com severidade a irracional paralisação das atividades.

Afinal, se o presidente, preocupado com a recessão e o desemprego, era contra a indiscriminada quarentena nacional, impunha-se fazer soar cotidianamente contra ele as trombetas de Jericó da mídia militante.

DOUTOR MANDETTA – Para reforçar a crise, assim que o vírus chegou ao Brasil, começaram aquelas reuniões vespertinas com o Dr. Mandetta. Simpático, falastrão, bom comunicador, louvado pela mídia e em rota de colisão com o presidente da República, o ministro da Saúde era tudo de que o noticiário precisava.

 O Dr. Mandetta dizia que era para não usar máscara. Depois, que era para usar máscara. Seguiam-se lições sobre distanciamento. Conselhos eram dados para só procurar o hospital quem sentisse falta de ar ou febre. Tratamento precoce parecia fora de qualquer cogitação. Em seguida, sobreveio o fechamento de shoppings, escolas, comércio de rua, e uma lista infinita de atividades sentenciadas à míngua. Tudo por “quinze dias” que duraram meses.

Se o vírus estava em multiplicação em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Nordeste e no Norte do país, aqui no Sul nem havia chegado. Mas a ordem era parar tudo e ai de quem mostrasse um pouco de bom senso!

HOSPITAIS VAZIOS – O conhecido médico gaúcho Dr. Júlio Pereira Lima, em recente artigo, afirma a esse respeito: Entre 15/3 e 31/5, os médicos assistiram à maior epidemia de saúde de nossa história. Hospitais vazios, UTIs vazias, ambulatórios despovoados.

A bem descrita cena, que por circunstâncias particulares acompanhei de perto, atesta insensibilidade e irracionalidade. A economia do Rio Grande do Sul foi gravemente ferida. Se você considerar que no intervalo de datas acima os três estados sulinos atrelaram-se desnecessariamente à quarentena nacional, não há como não se indignar com o monstruoso prejuízo causado à sua população, suas empresas e suas economias.

E o fizeram desnecessariamente, induzidos por políticos e pelo jornalismo militante. Cirurgias não emergenciais adiadas, consultas postergadas, exames cancelados. Moléstias variadas se expandindo, escondidas de um vírus que não estava aqui. E uma crise descomunal, que afetava tanto a lojinha de capa de celular quanto o grande hospital privado, forçados a despedirem funcionários por prolongada falta de demanda.

Agora, chegado o inverno, tempo de hospitais, emergências e UTIs habitualmente lotados, o novo coronavírus chegou à região. E a recomendação, depois de meses com atividades suspensas, sem qualquer pedido de desculpas – sem sequer um Oops! Erramos… – é manter as portas fechadas. E não falar mais no que ficou para trás.

10 thoughts on “Os três Estados do Sul são as maiores vítimas dos erros no combate ao coronavírus

  1. Não compreendi… Pesquisa da UFRGS de abril apontou que 2,1 mil pessoas deixaram de se infectar em Porto Alegre graças ao isolamento social, consequentemente o distanciamento funcionou e a pandemia estava em momentâneo controle. Como não houve “estouro” da pandemia, o RS começou a flexibilizar diversos setores, inclusive um cunhado meu foi gozar em maio um fim de semana em Gramado e contraiu a covid-19 nesse passeio “autorizado” pelo mapa de risco da secretaria estadual de saúde. Evidentemente aquela “abertura” para hotéis, restaurantes, etc está estourando em junho/julho.

  2. Seguidos erros de avaliação não pertencem ao país – foram decisões locais e os sulistas não eram obrigados a seguir ao pé da letra e, sim, avaliarem a situação de cada cidade.

    Dr. Mandetta seguia protocolos da OMS que, por não conhecer o vírus, deu algumas rateadas).
    Enfim, diante de tantas desculpas vai a minha: em consideração ficarei aguardando a próxima matéria.

    P.S.: Espero que a região sul se recupere para o bem de todos nós. É um povo hospitaleiro, principalmente o do interior, que valoriza muito sua terra. Reconheço que sempre fui muito bem recebido nos três estados. Torço pela saúde dos gaúchos, catarinenses e paranaenses.

  3. Percival;
    O mundo perdido nesta batalha.
    Minha filha está em H.kong.
    Ha uns 30 dias estavam felizes por lá. Comemorando a vitória sobre o vírus. Vida quase normal.
    Em duas semanas, tudo mudou de novo. O número de infectados e de mortos subiu exponencialmente.

  4. THE NEW YORK TIMES
    Friday – July 30, 2919

    Os surtos da América Latina agora rivalizam com os da Europa. Mas suas opções são piores.

    Uma análise do The New York Times constatou que algumas cidades da América Latina registraram picos de fatalidades que coincidem com os piores da pandemia em outros lugares.

    De Anatoly Kurmanaev, Manuela Andreoni, Letícia Casado e Mitra Taj

    O Brasil, o país mais populoso da região, agora tem mais de 11.519 mortos pelo vírus, segundo o registro oficial. Essa é uma das mais altas contas de mortes do mundo, mas o presidente do país, Jair Bolsonaro, continua ignorando a responsabilidade e negando a necessidade de distanciamento social. O número real no Brasil provavelmente é muito maior por causa de testes limitados.

    Ao ser questionado sobre o aumento do pedágio, Bolsonaro respondeu: “E daí? Eu sinto Muito. O que você quer que eu faça?” Isto mostra a insensibilidade, falta de responsabilidade e compaixão com seu próprio povo e um governo sem rumo. Dois importantes médicos, competentes, um deles infectologistas foram demitidos por Bolsonaro por se recusarem a assinar um protocolo de uso de cloroquina e hidroxicloroquina, medicamento que não está indicado para o coronavírus e pode provocar mortes de paciente por efeitos colaterais, tais como arritmias cardíacas, entre outros paraefeitos letais, Ambos ficaram poucos dias como ministros da Saúde e Bolsonaro colocou neste ministério um general que não é da área de Saúde, o generel Pazuelo, que cumpre as ordens de Bolsonaro, assinou e comprou toneladas de cloroquina para tratar o coronavírus e só empregou 30% da verba de Saúde aos Estados e municípios, esconde estatísticas de contaminados e mortos pela virose letal, e não dá entrevistas e explicações à imprensa,

    O vírus tem sido particularmente forte em Manaus, uma metrópole quente, úmida e remota de dois milhões na floresta amazônica. A cidade registrou cerca de 2.800 mortes em abril, cerca de três vezes a média histórica do mês. O aumento é comparável ao que Madrid experimentou no auge de sua epidemia, de meados de março a meados de abril, segundo a análise do The Times.

    O surto em Manaus revelou as consequências da profunda desigualdade econômica e da política polarizada do Brasil. Manaus luta para obter o equipamento médico de que precisa, disse o prefeito Arthur Virgílio Neto.

    “Sofremos com a ausência do governo federal”, disse Virgílio, sufocando as lágrimas. Ele culpou o descuido da população com o bloqueio ao desdém público de Bolsonaro em relação ao distanciamento social.

    A entrega de suprimentos foi ainda mais complicada pela logística, uma vez que a região tem poucas estradas de acesso e deve contar com o transporte fluvial ou aéreo para atender às suas necessidades, disse ele.

  5. Puggina sempre foi um homem de direita, confessadamente a favor de regimes de força, onde o povo tinha de somente obedecer e outorgar poderes.

    Caberia aos aliados desse meio político e até armados, o comando do país, os rumos econômicos e políticos, educacionais e de saúde pública.

    Evidente que seriam os empresários, as pessoas que se orgulham porque oferecem empregos, e cujo crescimento obtido é graças ao trabalho alheio, mesmo que mal remunerado, porém enaltece o empreendedorismo, o comerciante, o industrial, o intelectual, a iniciativa privada.

    Claro, abordo a condição sine qua non desse apoio aos regimes de exceção, o liberalismo econômico.

    A eleição de Bolsonaro propiciou, após mais de três décadas, o retorno aos ideais e intenções dos capitalistas e pessoal de direita:
    O poder, que se somava à economia, e que iriam definir e seguir à risca.
    Como sempre, para esse sistema o povo não seria convidado, pelo contrário, caso estivesse em algum segmento junto seria expulso.

    Foi assumir, e Bolsonaro tratou de imediatamente aumentar o tempo de serviço do trabalhador, numa reforma previdenciária que teve como intuito atender a classe empresarial e de “investidores”.
    Não foi o que aconteceu.
    Puggina e demais capitalistas esqueceram que para crescer, desenvolver, precisavam de funcionários qualificados. Mas como contratá-los com a baixa escolaridade e mão de obra rudimentar?
    Depois, gente desempregada há tempos, logo, desatualizada. A maioria dos candidatos era de pobres e de miseráveis.

    Para o liberal econômico existem vários meios de ganhar dinheiro, rios de dinheiro, o cassino preferido:
    Bolsas de Valores.
    Apostas em papéis, apostas de preços subirem e descer, apostas em safras de grãos positivas e negativas, apostas em altas de algumas ações, compras nas quedas de valores e vendas nas altas, apostas na queda de moedas, falsas pistas de valorização de papéis, enfim, fortunas que são feitas da noite para o dia, e sem os encargos sociais, sem empregados, sem que o trabalho seja o gerador de recursos, e não o dinheiro pelo dinheiro, uma novidade muito bem planejada pelos espertos, ladrões e exploradores, existentes no capitalismo desenfreado.

    Foi exatamente desse jeito que quebraram o mundo em 1929, e fizeram o mesmo em 2008.

    Pois, agora, surgiu um imprevisto, que os empresários, industriais, capitalistas, liberais econômicos não imaginavam:
    A pandemia.
    Como fazer, como não fazer, como impedir prejuízos, como lucrar, ganhar, aumentar patrimônios?

    Se, antes, o desemprego no país era avassalador – e Puggina não pode desmentir a realidade nacional antes do coronavírus! -, evidentemente com a doença a situação econômica piorou!

    Os planos muito bem traçados começaram a fazer água, a não se realizarem, pois mesmo com o retorno do liberalismo econômico não havia consumo, o desemprego aumentou, assim como a pobreza e a miséria.

    Havia, em decorrência, a necessidade premente de se culpar alguém, para esse capitalista ávido por lucros.
    Logicamente, a responsabilidade cairia sobre o distanciamento social!

    O agente do capitalismo, Guedes, a mando do seu capitão, começaram a ter chiliques quando essa providência de, o povo ficar em casa, passou a ser regra no mundo inteiro.
    Mas como?
    Preservar a vida do povo?
    Sem “trabalhar”, pessoas vão morrer de fome??!
    Sem emprego não terão como se sustentar??!

    A verdade contida sub-repticiamente nessas perguntas, queria dizer que os ganhos, os lucros, os dividendos iriam diminuir.
    Apostas nos cassinos capitalistas seriam perdidas aos borbotões, pela queda de preços dos papéis e empresas que pediriam falência ou recuperação judicial.

    Os bancos se viram forçados a conceder prazos para as dívidas contraídas e, o governo, de modo que demonstrasse a sua “preocupação” com o povo, definiu que 600,00 para o trabalhador e aquele que labutava na economia informal era uma quantia que ele poderia viver muito bem, e sustentar as suas famílias!

    Observem que, em nenhum momento, cogitou-se de os salários milionários dos três poderes fossem sequer abatidos 1%, a título de colaboração com o país e povo!

    Então, Puggina, homem de direita, que considera o povo coadjuvante do sistema, aquele que deve ser explorado pelo capital, que dos parcos vencimentos pagos ao empregado esse dinheiro deve voltar às contabilidades empresariais através de consumo, constatou que essa sequência natural havia sido interrompida porque o explorado teria de ficar em casa.
    Logo, a culpa é da mídia militante e da oposição, que impediram com o distanciamento social, o país continuar “trabalhando”, e o capitalismo não sofresse qualquer problema!

    A falha gritante de Puggina, eu diria até mesmo a sua mentira escancarada, reside muito antes da pandemia e das medidas tomadas pelos governos estaduais e municipais, na proteção dos cidadãos:
    O desemprego e as dificuldades econômicas JÁ ERAM extremamente graves!

    Não foi a pandemia ou medidas que Puggina contesta, as causas dos problemas nos estados das Região Sul, como pretensamente quer dizer o articulista!
    Nossos aumentos de casos da pandemia residem exatamente na diminuição da temperatura no inverno, onde esta região é a mais afetada nesse período climático!
    O frio é o aliado mais importante para o COVID-19!
    A partir do momento que as vias áreas são contaminadas por infecções trazidas pela baixa temperatura, MAIS FRÁGEIS ficam os pacientes que contraíram o vírus!

    Mas, essa particularidade, SEMPRE FOI alertada pelos especialistas, que avisavam sobre os problemas que o inverno causaria no RS, SC e PR.
    E, se não fosse o distanciamento social determinado pelos governos estaduais, teríamos muito mais mortos contabilizados!
    Mas, o povo é descartável para Puggina e o capitalismo.
    O povo deve sobreviver como pode, porém o status quo, o stablishment, jamais poderão sofrer qualquer interrupção, e nessa proteção estão os capitalistas, a direita, o liberalismo econômico.

    Tenho criticado os textos de Puggina, mesmo através da minha ridícula estatura social, intelectual e cultural, em comparação ao autor do artigo em tela, reconheço.
    No entanto, quero lembrá-lo que os descartáveis, os que devem manter os níveis de ganhos e lucros do capitalismo, esse pessoal é humano.
    Precisamos nos alimentar, tomar remédios, trabalhar, ter um teto sobre nossas cabeças, independente de marquises, túneis, caixas de papelão ou de mercadorias, vestir, calçar … sobreviver.

    Sabemos e temos plena consciência que vamos morrer; pode ser hoje como no dia seguinte.
    Mas, repudiamos que usem a nossa vida para manter a economia do capitalismo, o liberalismo econômico, os ganhos, a direita no poder desta forma!

    Puggina postou um dos piores artigos que li nos últimos anos!
    A sua comprovação tácita que desconsidera as classes sociais inferiores à sua.
    O povo é para ser mesmo roubado, explorado, manipulado e, agora, como boi de piranha para o vírus!

    Lamento, profundamente, que Puggina seja meu conterrâneo.
    Ter nascido em um estado que sempre lutou pelos seus ideais, valores, tradição, e enalteceu o homem da terra, então o gaúcho se identifica como telúrico, enraizado ao solo, ao seu povo, à vida!
    O articulista adora poder, dinheiro, lucro.
    O bem comum desconsiderando-o totalmente ou jamais se preocupou no que significa!

  6. Lia com interesse os textos do Puggina na época pré-bolsonaro. Seus argumentos naquelas ocasiões eram muito convincentes.

    O tempo passou, votei no chefe da famiglia pelas mesmas razões dos que votaram nele e criou-se uma favorável expectativa.

    Contudo e em pouco tempo, o que era um céu limpo tomou outras cores e também sabemos por quê; filhos e aliados tornaram-se falsos a quem votou na troca.

    O posto ipiranga, os ministros da educação? (desconsidero damares) e o chanceler chocaram não apenas os brasileiros, mas o mundo. Tenho filhos que moram a décadas na Alemanha, e a paisagem brasil tornou-se ridícula.

    Espero ansiosamente uma auto-crítica do Puggina, mas é demais pra ele. Mas quem sabe, comenta de modo honesto o que pensa da famiglia bolsonaro, incluindo sua fortuna acumulada, suas ligações suspeitas com milicianos, as rachadinhas dos filhos e…bem.

    Chico, assino embaixo do teu texto. Abraço!

    • Céu limpo(?)
      Ahh vai…
      Desde antes das eleições era público as relações da familícia, os negócios imobiliários, os desvios com nomeações de fantasmas, as ameaças as instituições etc

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