Ou o Brasil acaba com as ONGs, ou as ONGs acabam com o Brasil.

Carlos Newton

Era só o que faltava. A ministra Ideli Salvatti , das Relações Institucionais, apresentou duas emendas parlamentares, quando exercia o mandato de senadora pelo PT, em benefício de uma ONG ligada a um assessor seu no Senado. As emendas, no valor total de R$ 200 mil, foram incluídas na elaboração dos orçamentos de 2008 e 2010.

As verbas foram carimbadas para a entidade Cesap (Centro de Elaborações, Assessoria e Desenvolvimento de Projetos), sediada em Florianópolis. A ONG foi criada em 2003, e teve como sócio-fundador Claudionor de Macedo. Em 2004, ele assumiu o cargo de assessor parlamentar de Ideli no Senado, e pediu afastamento de suas atividades na organização. Mas agora está de volta à ONG.

As Organizações Não-Governamentais, nas quais se incluem as chamadas OS (Organizações Sociais), proliferam como coelhos. Hipoteticamente, teriam sido criadas para prestar serviços financiadas por empresas particulares ou por milionários filantropos. Mas na verdade o que se vê é que se transformaram em poderosas sanguessugas de recursos públicos, desviados para enriquecimento ilícito ou para defender interesses inconfessáveis, como ocorre com as incontáveis ONGs criadas a pretexto de “salvar a Amazônia”. Dizem que já são cerca de 200 mil.

Segundo a ministra, por meio de sua assessoria de imprensa, Claudionor seguiu “apenas como membro colaborador” da ONG durante o período em que trabalhou diretamente para Ideli no Senado. As emendas de Ideli para a ONG de seu assessor resultaram na assinatura de dois convênios. O primeiro foi assinado com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, em 31 de dezembro de 2008, no valor de R$ 158,5 mil. Dois anos depois, em 28 de dezembro de 2010, outro convênio foi assinado com a Cesap, desta vez com Secretaria de Políticas para as Mulheres, no valor de R$ 110.320.

Dos valores acertados, R$ 148 mil já foram pagos para a entidade. Na nota enviada por sua assessoria, a ministra nega irregularidades e afirma que as emendas beneficiaram centenas de famílias.

“Com os recursos destinados através das duas emendas foram criados 12 grupos voltados para ajudar mulheres chefes de família na geração de renda. O trabalho beneficiou indiretamente centenas de famílias das cidades de Itajaí, Tijucas e Palhoça”, afirma a nota. Você acredita nisso?

Parodiando Monteiro Lobato, poderíamos dizer que ou o Brasil acaba com as ONGs, ou as ONGs acabam com o Brasil.

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