Paciência e tolerância deveriam ser virtudes de quem está no cume

Acílio Lara Resende (O Tempo)

É fácil dizer que a tolerância e a paciência devem ser obrigações (ou virtudes) primeiras de quem alcançou as alturas ou o cume. Um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) alcançou, com certeza, na profissão do direito e, também, no seu país, o cume. Só chegou lá porque fez por merecer, embora essa regrinha nem sempre seja observada por quem o indicou, o nomeou e, enfim, o aprovou. Diga-se que, no STF, são raríssimas, com certeza, as nomeações indevidas.

O ministro Joaquim Barbosa, porém, que tem sido objeto, e com toda a razão, de elogios sem conta em todo o país, chegou ao STF por merecimento. É inegável o seu conhecimento jurídico, como é inegável o cuidado que tem com a coisa pública, que, não raras vezes, está em jogo nos processos que julga. Sem dúvida, sua vida serve de exemplo aos jovens, sobretudo àqueles que vieram das classes mais sofridas e, por isso, ainda discriminadas. Merece os melhores elogios.

Mas o ministro Joaquim Barbosa é um ser humano, como qualquer de nós. Foi feito do mesmo barro. Apesar dos talentos que acumulou ao longo da vida, tem lá os seus limites, as suas fraquezas, como qualquer de nós, insisto. Há anos vem se dedicando, como relator, à Ação Penal 470, talvez a mais badalada de todas quantas já passaram pela Corte Suprema. Em seu relatório final, demonstrou sua total dedicação ao caso. Foi seguro e minucioso nos seus argumentos. Tão dedicado e seguro que, no fim, viu-se acolhido pela maioria dos seus pares. Sua estrela, então, brilhou pelo país afora.

Escrevo estas linhas depois do inútil e desagradável desentendimento que houve na semana passada entre Joaquim Barbosa, ministro relator, e Ricardo Lewandowski, ministro revisor. Ficou bem visível que ambos tiveram, na condução do processo, desde sua fase inicial, não só discordâncias jurídicas, mas quase que animosidades pessoais motivadas por alfinetadas recíprocas.

ANÁLISES

Li análises de jornalistas experimentados sobre o desagradável episódio, como Ricardo Noblat, por exemplo, que conheço desde os tempos em que substituía Carlos Castelo Branco em sua coluna diária, publicada durante muitos anos no inesquecível “Jornal do Brasil”.

De todas as análises que li (e não foram poucas), a que mais se aproxima do que penso sobre o “affaire” é a da jornalista Míriam Leitão. Assim como ela, admiro a trajetória do ministro Joaquim Barbosa, mas isso não quer dizer que concordo com o tratamento dispensado ao seu colega do STF. “Chicana” talvez seja uma palavra muito forte, mas é preciso repetir, à maneira da colunista, que “demorar-se em falas excessivamente longas, que nada acrescentam de novo, e, na maioria das vezes, para acompanhar o relator, é um hábito que o ministro Lewandowski deveria abandonar. Isso protela o que já foi exaustivamente discutido”.

Cito Míriam Leitão, cuja especialidade é a economia, para dizer, também, que discordei da coluna de Ricardo Noblat (“Fora do eixo”), na última segunda-feira, no jornal “O Globo”. Noblat primeiro contesta o saber jurídico do ministro Barbosa (“Falta a Barbosa grande conhecimento de assunto de direito”) para, depois, dizer que “há negros que padecem do complexo de inferioridade”, embora haja “outros que assumem uma postura radicalmente oposta para reagir à discriminação”.

Noblat foi infeliz.

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5 thoughts on “Paciência e tolerância deveriam ser virtudes de quem está no cume

  1. Putz, que babação de ovo desse cara meu, a prancha do quinzão e do gurgel ja caiu de maduro, até a empresa em que o filho de trabalhava recebeu dinheiro da firma do Valério, e foi tudo colocado em segredo de justiça para que essa farsa de mensalão não vere uma pizza, e esse infeliz vem elogiar a urubu da Mirian Leitão, Só faltou falar bem do FHC.

  2. Não vejo nada de mais no fato de o Joaquim Barbosa se irritar diante de — convenhamos! — irritantes afrontas à inteligência e à dignidade dele e — de todos os brasileiros que clamam por justiça — cometidas por gente como o Levandowsky e alguns advogados!

  3. Afinal de contas Joaquim Barbosa é humano.
    Aliás, devíamos parar de considerar políticos como sendo seres acima dos outros seres. Devíamos considerá-los como o que realmente são: servidores públicos com o dever de servir ao povo que os elege.

  4. Não foi nada demais levando whisky ser acusado de fazer chicana; ele esta fazendo muito pior. Esse individuo deveria ser impedido, afastado, preso, banido, apedrejado, tamanha sua falta de ética. Tamanha sua canalhice.

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