Padre pede que a tese do Estado laico seja levada até as últimas consequências

Padre Demetrius pede que a Cruz seja respeitada

Leonardo Boff

O Estado brasileiro, como a maioria dos Estados modernos, é laico. Quer dizer: respeita todas as religiões e seus símbolos, sem aderir a nenhuma delas. Garante-lhes a liberdade de seu exercício, logicamente, dentro do quadro legal do país. Veja a coragem deste frade face ao fato de o Ministério Público Federal de São Paulo haver ajuizado uma ação pedindo que os símbolos religiosos sejam retirados das repartições publicas.

O frade Demetrius dos Santos Silva, corajoso, reagiu positivamente a esta decisão da Procuradoria com estas palavras verdadeiras:

Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas.

Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião. A Cruz deve ser retirada!

Aliás, nunca gostei de ver a Cruz em Tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são barganhadas, vendidas e compradas.

Não quero mais ver a Cruz nas Câmaras legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte.

Não quero ver, também, a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados.

Não quero ver, muito menos, a Cruz em pronto-socorros e hospitais, onde pessoas pobres morrem sem atendimento.

É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa das desgraças, das misérias e dos sofrimentos dos pequenos, dos pobres e dos menos favorecidos.

25 thoughts on “Padre pede que a tese do Estado laico seja levada até as últimas consequências

  1. Interessante a posição do autor: acha um acinte símbolos da sua religião estarem presentes em lugares que lembre corrupção e desigualdade. No entanto, é torcedor doente do PT e defende o Lula um Ladrão Cachaceiro. Hipocrisia é o nome disso.

  2. Estou de acordo com Leonardo Boff por dois argumentos distintos, que abaixo explicarei.

    O primeiro argumento, citado por Boff, é a profanação da Cruz, que é um símbolo cristão, colocada ostensivamente nas paredes de tribunais corruptos, nas delegacias, cadeias e quartéis onde os pequenos são constrangidos e torturados, bem como em pronto-socorros e hospitais onde pessoas pobres morrem sem atendimento, o que é, repito, uma profanação ao maior símbolo cristão.

    O segundo argumento, não citado por Boff, é que o Estado é laico. Todavia, o Estado, no Brasil, não tem a neutralidade de um Estado laico. O que temos, em todos os poderes e repartições citados acima é um Estado revesso. A laicidade do Estado é apenas um sonho a ser alcançado, sabe-se-lá quando, que apenas está colocado no papel oficial. E Estado revesso não pode ser chamado de laico.

    Mas, sim, por todos esses motivos, concordo que a Cruz deve ser retirada de todas essas revessas repartições acima assinaladas.

  3. Não seria somente emblemático o símbolo cristão, a cruz, mas também a permanente lembrança de sofrimento, injustiça e dor.

    A cruz representa exatamente o quanto o ser humano é falho, incompetente, incapaz, que se deixa levar pela corrupção, vaidade, dinheiro e poder.

    A vida de Cristo foi assim, combatendo a dissimulação, as falsas autoridades, o poder humano em comparação à força divina, que está dentro de cada um de nós.
    Portanto, concordo com o padre Demetrius quanto à análise que faz do símbolo cristão em locais que não deveria estar ostentado.

    Se reza a Constituição que o Estado é laico mesmo que em tese, a lei que rege um país e seu povo precisa ser acatada, pois ela não proíbe o professar de várias religiões ou filosofias ou seitas, justamente pela liberdade que o indivíduo tenha sobre a sua vida com relação a fé.

    E, a cruz, é exatamente o contrário de liberdade, pois uma das piores maneiras de se prender alguém através da tortura hedionda, e ser morto pelas ideias que apresentava às demais pessoas, e que contrastavam com o pensamento à época.

    Cristo subverteu a ordem, a tradição, a autoridade reinante na Palestina.
    E pagou com a sua vida a transformação que imaginava realizar, pois evidente que não queria a morte, ainda mais esta de ser crucificado.
    Jesus era homem, um ser humano que sofria, alegrava-se, vivia a sua vida ao lado de seus seguidores e de sua amada, Maria Madalena.

    Mas, tentou mudar a mentalidade arraigada pela tradição, e não pela crença, pela fé pelo acreditar no Deus verdadeiro.
    As mentes obsoletas, limitadas, entenderam que perderiam poderes e autoridade sobre o povo, caso aquele rebelde continuasse a dizer para a população como ela deveria alcançar o Reino dos Céus.

    A morte de Jesus teve muito mais o cunho político que religioso.
    Justamente o modo que Boff encontrou de se aproximar do pobre, e este povo sofrido compreender que seria através da religião que encontraria a sua recompensa, e não nesta vida.

    Este foi o erro crasso da Teologia da Libertação, ao confundir a mente simplória do povo misturando religião e política:
    O pobre era o escolhido de Deus, logo, antecipadamente perdoado de seus pecados;
    A política do PT, através de Lula, um ex-metalúrgico, pobre, retirante do Nordeste, encaixava-se muito bem com a figura de Cristo, porém o líder petista era real, verdadeiro, poderia ser visto.

    E, nos seus esforços de “melhorar” a vida das pessoas necessitadas e carentes, usou não do poder divino, mas da corrupção, do roubo, da mentira, do engodo.
    Boff foi um dos agentes do PT para iludir, enganar, dizer que se sentia um deles, dos miseráveis, mas a sua atitude, o seu comportamento não estava em sincronia com aquilo que divulgava.

    O pobre continua pobre, o PT e seus dirigentes e parlamentares enriqueceram roubando o país e justamente aqueles que Lula se vangloriava de ajudar, mediante um serviço de propaganda contundente e incisivo, calcado, evidentemente, na fantasia, em dados manipulados, e retóricas abundantes e demagogas.

    Demetrius está certo, e eu o apoio integralmente.
    A cruz está sendo usada indevidamente;
    está sendo não um símbolo cristão, mas de mentiras, ilusões, más intenções e de muita má fé.
    Foram esses defeitos do ser humano que levaram Cristo a ser crucificado.
    Logo, a cruz perdeu a sua conexão, ao ser colocada em paredes de locais que vão de encontro aos ensinamentos cristãos, então precisa ser retirada, sim, dos locais públicos.

    Lula não ROUBOU o crucifixo do Palácio da Alvorada!!!???
    Algumas mulheres radicais do PT não usam a cruz para masturbarem-se nos protestos?
    Roubar uma cruz …. fazer a cruz de órgão sexual … mas é só coisa de petista!

    Muito bom o artigo porque pontual, adequado, e conforme o momento que se encontra a mente humana, absolutamente confusa, perdida, e sem saber para que lado deva se deslocar.

    Mais:
    Com as religiões sendo agentes de arrecadação de dinheiro, pois sem as doações e campanhas onde o fiel deve provar a sua fé, os representantes de Deus na Terra perderam muito desta condição que ostentavam antigamente.

  4. A Cruz é o simbolo maior do Cristianismo e sempre será respeitado por aqueles que entendem que Cristo Jesus morreu por nós e para que sejamos tolerantes.
    Não será nenhuma padre petista que dará ordem de retirar de onde estiver.
    O PT já fez muito mal à Igreja Católica Apostólica Romana com suas armadilhas eleitoreiras para eleger bandidos às custas de cristãos desavisados, porém agora todos estão muito avisados de quem é luiz inacio e sua gangue.

    • Uma opinião, ou crença até, nasce de informações, estudos, fatos. Houve gente que não acreditava que os americanos foram á lua. E discutiam ardentemente esse ponto de vista. Quem se informou mais seriamente sabe que a ida aconteceu, claro.
      Crença no papel exercido por Cristo depende mais até do que de informação – depende da idade em que a pessoa tem sua iniciação na religião e certamente no nivel de educação.
      Cristo não morreu por nossa causa. Cristo era um revolucionário, discípulo ou subordinado de João Batista, que o batizou (procedimento utilizado para o iniciante no movimento revolucionário). O motivo do movimento a que pertenceu era derrotar os romanos que subjugaram os judeus por centenas de anos. João Batista perdeu a cabeça e Cristo acabou na cruz. Eles criam que o seu Deus os ajudaria. Não ajudou e deu no que deu.

  5. Acordem católicos, sua igreja lhes foi roubada embaixo de vossos narizes. Enquanto vcs rezavam, os progressistas e socialistas a dominaram. A igreja católica acabou, virou uma ONG progressista.

  6. Morte ao Marxismo.

    Execração do comunismo.

    Liberdade e propriedade. Uma não existe sem a outra.

    Devemos a falar a verdade sobre o comunismo:

    É uma merda.

    Será que alguém ainda defende o Marxismo?

    Morte ao comunismo !

    Kill a commie, for momie. ( Ramones)

  7. Por falar em religião, eu, na infância ou pré-puberdade, já publicava poesias e era católico. Não sou mais, não tenho mais religião. Esta que vou apresentar, escrita aos meus 14 anos de idade, foi publicada originalmente no São Lourenço-Jornjal, edição de 23/11/1961, por ocasião do 3º aniversário da morte de meu avô Juca Dutra, atropelado na cidade de Belo Horizonte.

    Anos depois, mostrei a poesia publicada no jornal de minha cidade natal (São Lourenço – MG) ao Editor da Revista Oficina de Letras, em 2003, revista oficial da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (SOBRAMES-PE) , e o Editor pediu-me que o deixasse publicar na Revista, nº 20 , de março de 2003, e este poema está na página 19.

    A perda de meu avô foi o que houve de mais trágico em minha vida, pois eu era o neto preferido, meu pai não tinha recursos, e deixei de estudar em colégio particular de excelência de ensino, e tive de fazer todo o sacrifício para estudar em escola pública, migrar para Belo Horizonte, e residir em pocilgas, pois a mesada era pouca, até ser aprovado no Vestibular de Medicina, em Belo Horizonte. Sofri muito ! Eis o poema de meus 14 anos de idade:

    MEU AVÔ

    Ednei José Dutra de Freitas

    Ah!, que lembranças horríveis eu tenho
    Dos dias mais tristes de minha vida,
    Como agora, à capital mineira venho,
    Sentindo estar minha alma partida !

    Estava à morte meu segundo pai,
    Deus o havia chamado para si.
    Deixava a vida sem dizer um “ai”!
    Eu, mais fraco, logo estremeci.

    Não se intimidou com sua sorte
    Que qualquer um diria ser má;
    Ele não: abençoou a morte,
    Deus o chamara e ele ia para lá.

    Observei mais ainda sua fé,
    Quando o padre já tinha chegado:
    Vendo o pastor da Santa Sé,
    Clamou-o : Que Cristo seja louvado !

    Um dia depois ele subiu aos céus,
    Deitou meu avô no sono profundo,
    Perfumado, sereno, coberto de véus,
    Juntou-se com Deus, deixou este mundo.

    Todos choravam a triste alegria,
    A Páscoa precoce de meu benfeitor,
    Cristão, não sabia se chorava ou sorria,
    Receei imitá-lo e morrer por amor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *