Pagando os excessos num país quebrado

Vittorio Medioli

Que o Brasil estava quebrado, rumo à desintegração, era fácil de entender ao longo de 12 anos marcados por aumentos sistêmicos de custeio da máquina pública, muito acima do crescimento do Produto Interno Bruto.

Em qualquer época há quem ganha e quem perde. Nos primeiros meses de 2015 todos os setores produtivos (menos a agricultura) sofreram, e continuam sofrendo, queda histórica de atividades, turbinada pelo denominado ajuste fiscal.

No comando das medidas que aumentam impostos e juros apenas se conseguiu diminuir a arrecadação da União, dos Estados e dos municípios ampliando absurdamente a dívida pública, das empresas e do cidadão. Nada do que estava nos anúncios iniciais vem se realizando, e as previsões do período de crise se dilatam a cada semana. Já se pensa em mais três ou quatro semestres. Quer dizer, a fórmula não deu certo. O conteúdo da panela não dá para ser servido.

Precisa recomeçar com novos ingredientes. Temos aí, assim, a recessão em nível estúpido.

FECHANDO EMPRESAS

Na condução disso tem um grupo de financistas emprestados pelos maiores bancos e chefiado por Joaquim Levy (Bradesco). Fecharam-se indústrias, lojas, vagas de trabalho em volume assombroso, os setores estruturantes da economia em agonia, criando-se uma camada glacial de desempregados. Em contrapartida, o sistema bancário nacional, especulativo, contabilizou o semestre mais rentável desde a época do Descobrimento.

A presidente, que no seu primeiro mandato abusou de medidas eleitoreiras e frívolas, tentou corrigir com outro excesso, em sentido contrário, de ortodoxia e apertos. Acreditou nos banqueiros. Mais, acreditou que a vara pode se dobrar indefinidamente sem quebrar.

Sabia-se (aqui escrevi centenas de vezes nos últimos dez anos) que a economia não aceita desaforos, que as contas econômicas precisam manter o norte da “sustentabilidade” e do equilíbrio. Sem ele, é a ruína. Amanhã, depois de amanhã, levará à ruína uma família, uma empresa, um país.

MÁGICAS E PEDALADAS

Doze anos de mágicas e pedaladas, represando rombos gerados por conta de desperdícios, corrupção e equívocos gigantescos. O comércio se expandiu com as importações, possibilitadas pela moeda artificialmente valorizada, que condenou a indústria nacional a encolher e zerar sua competitividade. Perder ainda possibilidade de renovação e de inovação.

Verbas bilionárias se vaporizaram no petrolão. O país não alcançou a autossuficiência energética de baixo custo. Investiu tudo que não podia na miragem de um petróleo que, ao contrário de aumentar de preço e chegar a US$ 200 por barril, despencou para um valor abaixo de US$ 40. A esbórnia do pré-sal arrebentou a Petrobras; a ressaca é dura, e, para manter as contas da estatal, continua-se importando grande volume de gasolina, mais barata que o petróleo que se extrai e se refina do pré-sal.

SETOR PRODUTIVO

O ajuste nunca se deu atacando as ineficiências, tapando ralos e rachaduras do sistema. A galinha dos ovos de ouro, o setor produtivo, que mantém uma estrutura socioeconômica de pé, gerando empregos e arrecadação, foi a mais prejudicada.

A palavra para compreender a crise em que se afundou o governo Dilma: EXCESSO.

Excessos em todos os sentidos, nas previsões absurdamente deslumbradas, nas medidas perdulárias do primeiro mandato. Incapacidade de compreender o momento, de tomar medidas corretas. Depois outros excessos no ajuste econômico, uma overdose que está colocando o Brasil em agonia.

Os ministros escalados, se não forem incompetentes, são mal-intencionados, servem apenas aos bancos que os empregam.

COMADRES NO PODER

No primeiro mandato a presidente abusou das “comadres da Alvorada”, Miriam Belchior (ex de Celso Daniel), Ideli Salvatti, Gleisi Hoffmann e Graça Foster. Esse grupo ditou a política que arruinou o sistema energético nacional, já debilitado pelo antecessor, Petrobras e Eletrobras estão quebradas, e as contas sendo pagas a caro preço em tarifas insuportáveis para a maioria da população e das empresas. Inventaram as comadres descontos mirabolantes nas tarifas de luz, confisco de hidrelétricas, escolhendo no menu de medidas mais desestruturadoras possíveis. Vários setores que dependem de energia elétrica foram levadas sumariamente a fechar as portas e milhares de vagas. Nenhuma medida compensatória foi proposta. Ainda a maioria dos empréstimos do BNDES financiou os larápios do petrolão e se perdeu na corrupção que deixou para trás um punhado de cinza.

Embora Dilma se encontre a enfrentar o pedido de impeachment que a classe média pede nas ruas das metrópoles, indignada com as roubalheiras, poderá ser atingida e atropelada apenas quando o desemprego e as dificuldades chegarem à mesa das classes menos abastadas. E já começou a chegar.

AJUSTE DE LEVY

Acreditar que as medidas de Levy tenham capacidade de consertar a crise é pouco provável. Mas, tanto para Dilma como para quem possa sucedê-la, precisará manter claro que se aumenta arrecadação e o desenvolvimento não com torniquete e burocracia, mas preservando a capacidade de produção e de trabalho.

A forma de sair da desgraça em que precipitou está no plano de “conversão ambientalmente correta, do fóssil para o renovável”, ainda na limpeza do ar, das águas e do planeta Terra, do Brasil em especial. Exatamente o contrário do que representam pré-sal e escolhas que serviram de pretexto para o maior esquema de corrupção do planeta.

uma enorme dificuldade também deriva da ocupação dos ministérios e das estatais por figuras sem expressão, à disposição de planos de poder partidários, sem compromisso com a nação.

O momento requer grandes lideranças, motivação patriótica, união e propostas de superação. Circunstâncias difíceis e complicadas tanto pelos atores no palco quanto pela visão voltada apenas ao poder, ao interesse de setores isolados.

A presidente vem perdendo credibilidade e, por consequência, autoridade para exercer o papel de mediadora da crise. Os excessos a fragilizaram, e corrigir-se está ficando cada dia mais árduo.

2 thoughts on “Pagando os excessos num país quebrado

  1. Este excelente artigo resume o porquê do Brasil ter chegado no estado moral e econômico em que se encontra.
    Aproveito a oportunidade para lembrar que o estelionato eleitoral é um crime sem perdão por parte do povo. Collor fez o confisco da poupança após tomar posse, e na campanha dissera que Lula o faria. O povo sentiu o golpe. Desta vez a situação é um pouco diferente por que o povo está sentindo mais lentamente e indiretamente os efeitos do engano. Mas os números não deixam dúvidas e as pesquisas de opinião sobre o governo estão aí.
    Mesmo os mais radicais defensores dos pobres e desvalidos podem ver que, nesta massa disforme que é o governo atual do Brasil, os grandes vencedores são os banqueiros e o sistema financeiro. O pequeno investidor quando deixa aplicado seu raro dinheiro no banco não recompõe nem a inflação, mas o banco, que usa o capital alheio, obtém lucros recordes nestes tempos. Acho que a corda da injustiça está por demais esticada, e quando arrebentar bruscamente os dois lados que a puxam cairão. Todos vão perder nesta loucura fabricada por uma gestão incompetente e medíocre, liderada por uma presidente que se assemelha a um macaco com pistola carregada na mão ou bêbado querendo mamar no peito de onça pintada.
    Mas, felizmente, aqueles que pouco tem nesta vida sentirão muito menos e conseguirão se erguer com mais facilidade. A bolha financeira está crescendo, já está enorme e a física, inimiga da economia, não falha. O dinheiro acabou e não se tem de onde tirar. Com a palavra os economistas defensores dos bancos bilionários e dos governos corruptores.

  2. Tenho escrito vários comentários que afirmam ser o maior problema brasileiro o sistema financeiro, algoz do País e povo.
    Durante décadas que vivemos sob uma inflação destruidora e cujos beneficiários exclusivos foram os bancos, o Plano Real consegue finalmente debelá-la, e é entregue ao PT um Brasil que sentia pela primeira vez o agradável convívio de um período onde o dinheiro não era desvalorizado da noite para o dia.
    Entretanto,
    Os petistas e seus falsos programas sociais;
    O estímulo desenfreado ao mercado interno para compensar o externo, em baixa, após a crise de 2008;
    Gastos estapafúrdios de um governo desvairado e que se deslumbrava pelo poder;
    A corrupção que avançava inexorável e descontroladamente sobre o erário público;
    Mensalão, petrolão e péssimas administrações no âmbito da economia;
    Empréstimos concedidos para nações estrangeiras a fundo perdido, que nos custaram bilhões de dólares;
    Prejuízos ao País de outros bilhões através de contratos superfaturados e para pagar comissões a parlamentares;
    As despesas de mais bilhões de dólares com os gastos da Copa do Mundo e igualmente o aumento indiscriminado dos custos de obras viárias e dos estádios de futebol;
    As concessões salariais nababescas ao Legislativo e Judiciário;
    O aparelhamento do Estado;
    Juros extorsivos cobrados do cidadão;
    Carga tributária insuportável;
    O alto custo do Bolsa Família, que condenou milhões à miséria;
    Dinheiro precioso jogado fora através de obras inacabadas ou bloqueadas pelo TCU;
    O desvario de um governo que prometia céus e terras com o pré-sal, gastando antecipadamente a fortuna que imaginava com o preço do petróleo nas alturas;
    A maior estatal brasileira sendo assaltada de forma impiedosa, com a permissão deste governo traidor do povo e do País;
    O elenco apontado acima de erros clamorosos e crimes cometidos contra a Nação, evidentemente que ocasionariam os graves problemas que hoje nos defrontamos e sem qualquer perspectiva de solução ou realinhamento de nossa economia, pelo contrário, a crise tende a se agravar.
    Nesse meio tempo de insanidade e desonestidade instituídas, os bancos em treze anos registraram os maiores lucros da história, abarrotam seus cofres, e colaboraram criminosamente à manutenção no poder de um partido composto por ladrões, desonestos, que colocam o partidarismo acima do Brasil e sua ideologia retrógrada, superada, arcaica, prevalecendo sobre os ideais de um povo e de uma nação sedentos de desenvolvimento e progresso, respectivamente.
    O PT entregará o Brasil em 2018 falido, absolutamente quebrado, arruinado.
    Levaremos mais de dez anos para reencontrar o rumo do crescimento, que foi perdido irresponsavelmente pelo PT e, principalmente, reordenar o sistema financeiro, caso contrário, mesmo que se mude o governo continuaremos à mercê de um poder paralelo apátrida, malévolo, cruel, que vê no dinheiro motivos suficientes para explorar o cidadão, extorqui-lo, cobrar-lhe juros impagáveis, e que dificulta sobremaneira que o povo tenha melhores condições de vida e poder de aquisição.
    Enfim, continuar votando neste partido de ladrões e comprometido até a medula com os banqueiros, pois os petistas precisam alimentar o sistema que contribui decisivamente às suas reeleições, em seguida seremos uma Grécia, ali adiante uma Venezuela e, em seguida, uma Albânia, e cujo destino final um Sudão, Eritreia, Costa do Marfim, Burkina Faso, Iêmen … a escolher.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *