José Serra e seu medo maior

Carlos Chagas

Do que José Serra mais tem medo? Da transformação das eleições presidenciais em plebiscito entre os governos Fernando Henrique e Lula. Com a saída de Aécio Neves da disputa , ressurge a tentativa, por parte do governo, do PT e aliados. Não querem, os detentores do poder, um confronto entre Serra e Dilma Rousseff, muito menos voltado para programas de governo. Preferem resumir tudo num cabo de guerra onde, numa ponta, ficaria o presidente Lula, com suas realizações e números de sucesso. Na outra, os oito anos do sociólogo, que já vão longe.

Posta a sucessão nesses termos, mesmo sem a certeza da transferência de votos, a tendência óbvia do eleitorado seria ficar com Dilma, quer dizer, com Lula.

O objetivo do governador de São Paulo é desligar-se da imagem de Fernando Henrique, mesmo sem ofender o seu ego, até por razões ligadas à memória nacional. Não parece fácil, dada a prevalência dos paulistas no ninho dos tucanos. Aécio Neves, se fosse candidato, disporia de muito melhores condições para travar a tertúlia com a chefe da Casa Civil com os olhos voltados para o futuro.

Serra não pretende antecipar o debate, mas, quando começar a campanha, fará tudo para levar a chefe da Casa Civil a apresentar um elenco não de realizações efetuadas pelo Lula, mas de seus planos para o mandato, se vencedora. Nada de obras do PAC, em andamento ou paralisadas. A eleição exigiria um embate entre promessas e concepções a ser implantadas a partir de 2011.

Resta saber se Lula e Dilma estarão dispostos a abrir mão de seu carro chefe, as realizações do governo, desde 2003. Pelo jeito, não.

Aplaudido de pé

Ponto para o presidente Lula, na última sessão da Conferência do Meio Ambiente, em Copenhague. Foi interrompido três vezes pelos aplausos do plenário, inclusive quando anunciou estar o seu governo decidido a injetar dinheiro no fundo para o combate a poluição. Ao final, os delegados dos demais países aplaudiram-no de pé.

Com Barak Obama foi diferente, porque recebeu as palmas protocolares apenas ao encerrar seu pronunciamento, ainda que prometesse boa parte dos 100 bilhões de dólares a ser reunidos e distribuídos.

De qualquer forma, o mundo continuou frustrado, pois foram pífios os resultados da reunião. Quase que só intenções.

Batendo de frente

Apesar de haverem entrado de férias na quinta-feira, 17, um dia depois os ministros do Supremo Tribunal Federal reagiram às palavras do ministro da Justiça, Tarso Genro, para quem a mais alta corte nacional de justiça transformou-se numa “loja de conveniências”. A referência foi para o fato de Tarso acusá-los de terem mudado de decisão “na calada da noite”. Para os meretíssimos, o presidente Lula está agora obrigado a cumprir os termos do acordo de extradição com a Itália. Estaria compelido a mandar Cesare Batistti para seu país natal, coisa com a qual o ministro não concorda.

Por conta do Natal, do Ano Novo e das férias, estão adiadas as escaramuças, mas quando fevereiro chegar a temperatura vai subir, em Brasília.

Mais um

O cavalo branco da imaginação parece solto no campo das indicações para a vice-presidência da República dos pré-candidatos já indicados para a presidência. Apesar da maioria do PSDB esperar que Aécio Neves acabe se tornando o companheiro de chapa de José Serra, e da alternativa de que o DEM só dispõe do nome do senador Marco Maciel para preencher a lacuna aberta por José Roberto Arruda, há quem suponha novos rumos no vôo dos tucanos. Caso o PMDB não se acerte com a candidatura Dilma Rousseff e sua convenção decida deixar cada grupo seguir seu destino, que tal o senador Jarbas Vasconcelos para vice de José Serra? Pernambuco exultaria, assim como os adversários mais ferrenhos do presidente Lula. Do jeito que as coisas estão, pode ser…

Chapa Dilma-Temer

Ela tem chance remota de ser candidata à sucessão (?) de Lula. Perdão, remota, não, remotíssima.  Temer não tem nenhuma de ser vice. Dela ou de qualquer um. Quércia já “fechou” com o governador de São Paulo, será senador.

E o PMDB, para ficar contra Serra, (este, se ficar livre do xeque-mate de Aécio) perderá pelo menos 50 por cento dos “líderes”. Ha!Ha!Ha!

Arruda pode renunciar

Está examinando a questão. Se for possível trocar 1 ano que falta de mandato, e ficar na expectativa para depois de 2010, sairá. O que não quer é perder os direitos por 8 anos. É muito tempo, até ele mesmo reconhece. Aguardem.

Roriz pode não concorrer

Depois que deixou o governo, pela primeira vez, viajou para os EUA, afirmou: “Não volto mais ao Brasil”. Voltou, disputou, ganhou. E aproveitou a reeeleição comprada por FHC. Agora não sabe o que fazer. Está certíssimo. Depois de renunciar a quase 8 anos no Senado, sabe que tudo pode acontecer.

Andrade: contrato de 160 mil, aposentadoria apenas de 10 mil

Muita gente do Flamengo, (alguns até se julgando grandes personagens) estranharam que o Flamengo pagasse “tanto a Andrade, com carteira assinada”.

E alguns me diziam: “Ele é funcionário, ganhava 10 mil mensais, se aposentaria com isso, agora receberá uma fortuna, quando parar”.

Deviam pelo menos ter estudado a questão. Apesar do novo contrato, Andrade continua com a aposentadoria de funcionário. A “profissão” de treinador não é reconhecida oficialmente, por isso o contrato é separado e diferente.

Foi colocada multa contratual, até não muito elevada, no caso de Andrade ser despedido ou ele mesmo se transferir para outro clube em 2010. Vai acabar nos países árabes, onde todos fizeram fortuna, até o Parreira.

Temer-Quércia

Desesperado, o presidente da Câmara tenta de todas as maneiras conversar com o ex-senador e ex-governador de São Paulo. Telefona para Quércia, este não atende nem liga de volta. Se for vetado por ele, Temer não consegue nada. Por que não pede ao governador Requião para interferir e pedir a Quércia para conversar?

Copenhague não passou de uma blague

Perderam quase duas semanas, não discutindo sobre a salvação do planeta e sim sobre o sexo dos anjos. Lula chegou a dizer, “acredito em Deus e em milagre”. Mas isso só no último dia, quando chegaram os personagens principais, Presidentes e Ministros, Chefes de Estado e de Governo.

Decidiram fazer uma reunião de madrugada, (de quinta para hoje) para irem embora rapidamente. Os dois últimos oradores: Lula e Obama. O presidente brasileiro falando de improviso e aplaudido. Obama lendo e recebido silenciosamente.

Lula, contrariando o habitual, decepcionou os brasileiros. Demonstrou e exibiu uma humildade dilacerante e decepcionante. Textual: “Nunca imaginei participar de uma reunião como esta, com tanta gente importante, lembro dos meus tempos de líder sindical”.

Não precisava tanta humildade, é impossível deixar de citar Nelson Rodrigues: “O brasileiro tem complexo de vira-latas”. Por que esse “ofuscamento” de Lula, que vinha se realizando precisamente pelas posições conclusivas? Uma pena.

Saíram correndo, quase nem se despediram, não houve nenhuma decisão. Também, 2020, por que tão longe? E muitos não falavam publicamente, mas confidenciavam: “Dentro de 11 anos, quantos estarão aqui?”. Deviam querer saber como estaria ou estará o planeta.

Joseph Blatter, presidente da Fifa. Salário de 2 milhões e 400 mil dólares anuais. Plano de Saúde ETERNO, de 1 milhão e 200 mil dólares. Aposentadoria, (anterior), de 25 mil dólares mensais. Viaja pelo mundo inteiro, não paga nada, nunca, tudo é a FIFA

Era um burocrata acomodado, que, imitando o “presidente” Médici, dormia a sesta antes do almoço. Depois, à tarde, descansava do trabalho que não fizera, muito justo.

Vivia de um divórcio “amigável”, muito bem conduzido por ele mesmo. Não dava para fazer nenhum exibicionismo tipo Eike Batista, (seu pai não presidia estatal de minérios, vale para alguém, para ele não) mas se apresentava bem e sempre ordenadamente. Foi assim até 1998, quando ganhou a megasena, sem comprar bilhete e sem morar no Brasil.

Nesse ano, João Havelange, que transformara a Fifa de um pardieiro numa potência, e construíra espetacular edifício sede na Suíça, resolveu não se candidatar mais. Tendo ganho 5 eleições sem adversários, (1978, 82, 86, 90 e 94) cumpriu o que sempre dizia. “Quando perceber que chegou a hora, vou embora”.

Em 1998, na França, numa famosa e exclusiva entrevista ao jornalista Rodolfo Fernandes, quando este perguntou, “por que a Copa de 2002 em dois países, o senhor que não quis juntar nem a Bélgica e a Holanda?”, respondeu: “SACANAGEM com o João Havelange”. Saiu assim e e ele saiu do cargo.

12 dias antes da eleição, Havelange se rendeu à realidade, viu que ganharia fácil, mas o empecilho intransponível: as candidaturas precisavam ser registradas 30 dias antes, e ele já lançara precisamente Joseph Blatter. O presidente da Uefa, que sempre sonhara em presidir a Fifa, mas não tinha coragem de enfrentar Havelange, se registrou.

Disse a amigos: “Do Blatter eu ganho brincando”. Blatter venceu no primeiro turno, passou a ser presidente da maior organização esportiva (e até não esportiva) do mundo. Que além de tudo, controla a fascinante paixão coletiva do mundo, o futebol. A Fifa tem mais países filiados do que a ONU.

Naquela época a posse era durante a Copa, o presidente se elegia e se empossava nos trinta dias dos jogos. Blater se reelegeu em 2002 e em 2006. Só que neste ano, já dominando tudo, prorrogou o próprio mandato, a eleição passou para o ano seguinte. No caso, 2007.

Está eleito até 2015, quer dizer: no calendário dele, não existe o ano de 2011, Blater é o Papa Gregoriano dele mesmo. E nada surpreendente que em 2019, no fim do mandato, fique prorrogado novamente, até 2023. (Isto é expectativa, o certo é ficar até 2019).

Salários e bonificações
do Presidente da Fifa

Como jornais da Europa e correspondentes de jornais brasileiros, dizem, “quanto ganha Blatter como presidente da Fifa é um segredo guardado a sete chaves” (textual) vou revelar o que sei sobre o assunto.

Salário mensal: 200 mil dólares, livre de imposto. Portanto, 2 milhões e 400 mil dólares por ano. Apenas para comparação e estarrecimento: o presidente dos EUA ganha 430 mil dólares POR ANO, POR ANO, sujeito a imposto de renda.

Outra comparação: os executivos das grandes empresas, principalmente americanas, ganham de 4 a 5 milhões de dólares de bonificações de fim de ano. Fora o que recebem em ações. As empresas que foram beneficiadas pelo governo, (depois do que se chamou de crise) não podem passar de 1 milhão, fora todo o resto.

Um exemplo entre centenas: o representante do Banco da Suíça no Brasil, (São Paulo) recebeu em 2007, de “bonificação pelos resultados”, 10 milhões de dólares. Em 2008 e agora, 2009, essa bonificação foi reduzida, não consegui saber para quanto.

Aposentadoria – Blatter se aposentou em 1998, pouco antes da posse. Era funcionário antigo, embora jamais entrasse nos seus sonhos chegar a presidente da Fifa. Foi relativamente modesta, correspondente a 25 mil dólares, logicamente mensais. O salário pela presidência, completamente separado, como acontece com qualquer cidadão que se aposenta e continua a trabalhar. Na mesma empresa (no caso a Fifa) ou em outra qualquer.

Plano de Saúde – O do presidente Blater foi feito com empresa especializada, se chama de ETERNO. Quer dizer: paga uma vez, para sempre e cobre tudo, até que o cliente não precise mais. Custou 1 milhão e 200 mil dólares, pode parecer elevado, mas não é.

Façamos cálculos simples. Um Plano de Saúde razoável, para um homem com a responsabilidade de Blater, não custa menos de 8 mil dólares, portanto 13 mil reais mensais ou 96 mil dólares anuais. Como Blater já tem esse Plano há 11 anos, já teria gasto mais de 1 milhão de dólares. Está “no lucro” nesse tempo, e nos tempos que virão, todos esperam que sejam longos.

Viagens – Antes de ser presidente, Blatter morava em Zurique, hoje vive no mundo. Não usa talão de cheque nem cartão, corporativo ou não. Tudo é cobrado diretamente da Fifa. Suas viagens são agendadas por várias secretárias, sempre no melhor hotel, seja onde for. Não existem diárias normais ou taxas extras, ele nem sabe o que é isso.

* * *

PS – Além de todas as viagens oficiais, Blatter tem uma diversão, que pratica duas vezes por semana, lógico, quando tem tempo. Mora na Suíça, acorda cedo, telefona para um amigo em Paris, Londres, Roma, pergunta: “Vamos almoçar?”. Como a resposta é sempre positiva, manda preparar o jatinho, vai e volta no fim da tarde.

PS2 – Detalhe sobre o Plano de Saúde. Paga 1 milhão e 200 mil dólares adiantados. A empresa investe, Blater entra no hospital de qualquer país, é tratado pelos melhores médicos e operado sempre pelo mais importante cirurgião. Tudo incluído.

Que candidato enfrentará a violência?

Carlos Chagas

Inveja da China, propriamente, não devemos ter, por conta de que, lá, aplica-se com frequência  a pena de morte para crimes hediondos e não hediondos. Afinal, a vida é um dom que não cabe ao poder público tirar de ninguém. Mas ficamos perto de um sentimento de frustração quando vemos, no noticiário só nesta semana, serem lembrados ou praticados crimes daqueles imperdoáveis, a exigir no mínimo a prisão perpétua para seus autores,  sem direito a qualquer regalia.

O que fazer com o padrasto que, ajudado por duas feiticeiras, enfiou quarenta agulhas no corpo de um bebê de dois anos?

Ou com aqueles animais que torturaram e mataram uma criança de cinco  anos por  ter ela protestado quando roubavam frutas no quintal de sua casa?

Dá para perdoar o casal que jogou a filha pequena  do quinto andar de um prédio, em São Paulo? Ou os bandidos que invadem   hospitais  para eliminar adversários feridos ou roubar equipamento médico nos próprios centros cirúrgicos onde os médicos lutam para salvar vidas?

Nem há que falar do jornalista que atirou pelas costas na namorada, já se vão sete anos, e continua fora da cadeia por artimanhas de seu competente advogado.

Outros tipos de monstros também deveriam estar fora das benesses da lei, como os ladrões de colarinho branco, responsáveis pela apropriação de dinheiros públicos e pelo recebimento de altas  propinas. O que dizer dos traficantes que utilizam o tal “forno de micro-ondas” nas favelas do Rio, queimando desafetos e adversários em pirâmides de pneus velhos? E de assaltantes que matam vítimas em suas próprias casas ou nos semáforos das grandes cidades?

A violência desmedida tornou-se rotina no Brasil de hoje, mas o singular é que, em pleno ensaio geral da sucessão para presidente da República, nenhum dos pré-candidatos referiu-se até hoje ao que pretendem fazer. Pelo contrário, o máximo que  anunciam é  continuar mantendo e ampliando o bolsa-família, criando empregos, preservando o interesse dos bancos e salvando a Amazônia.

Entrará com vantagem na reta final da disputa pelo palácio do Planalto aquele candidato que prometer medidas efetivas para isolar pelo resto da vida os autores de crimes hediondos.  Seja no recôndito da floresta, seja numa ilha   ao largo do litoral, precisariam estar enjaulados em nome dos direitos humanos, no caso, do cidadão comum hoje impedido de sair à rua,   exposto à prisão em sua própria casa.

O saco vai ficando cheio

Papai Noel já cuida de escolher os presentes que distribuirá na  próxima semana. Do Pólo Norte chegam informações sobre alguns pacotes já acomodados no grande saco prestes a ficar logo   cheio.

O governador de Brasília, José Roberto Arruda, receberá um jogo de algemas.  Para os dezenove deputados distritais que o apóiam, pijamas listados. O deputado Michel Temer será agraciado com dentes de vampiro,  para fazer jus ao apelido que não merece. José Serra vai ganhar um facão especial para cortar indecisões. Aécio Neves, a biografia do avô. Dilma Rousseff, um título de sócia-atleta do PT, capaz de permitir-lhe entrar no secreto recinto dos companheiros. Ciro Gomes, um maço de cigarros para restabelecer-lhe a serenidade perdida quando deixou de fumar. Marina Silva,  um manual que lhe permitirá discernir ONGs fajutas de ONGs sérias.

Nos próximos dias saberemos de outros  presentes em vias de chegar a Brasília.

Mateus, primeiro os teus

O Senado  acaba de aprovar projeto limitando em 2.5% o reajuste real do funcionalismo público, por ano. Isso depois que o Congresso concedeu 25% de aumento para seus próprios funcionários e quando o Supremo Tribunal Federal exige 56.4% para o Judiciário.

Quer dizer, fora as chamadas categorias especiais e com as exceções de sempre, o sacrifício só será exigido dos servidores do Executivo.  Os “barnabés” que se arranjem, olhando de longe os privilégios de seus primos-ricos.

De cabeça para baixo

Continua a ebulição em torno dos  candidatos à vice-presidência da República. A lista tríplice exigida do PMDB pelo presidente Lula está sufocando a candidatura antes pacífica de Michel Temer. No partido, surgem as indicações alternativas de Edison Lobão e Henrique Meirelles, com Nelson Jobim correndo por fora. Há quem suponha reviravolta ainda maior, com o convite de Dilma Rousseff  ao governador Roberto Requião. Caso o PMDB refugue e insista com Michel Temer, não parece afastada a hipótese de o presidente Lula buscar o candidato em outro partido. Que tal o deputado Ciro Gomes?

No ninho dos  tucanos, tinha-se como certa a formação da velha aliança com o DEM, que indicaria quem quisesse. Falou-se até no governador de Brasília, José Roberto Arruda. Com o escândalo do mensalão local, deu-se o dito pelo não dito.  Voltou   a emergir a proposta da chapa-pura, com José Serra para presidente e Aécio Neves para vice.  Aliás, uma dupla quase imbatível, daquelas para  ninguém botar defeito, unindo São Paulo e Minas. Por enquanto o  governador mineiro não pode nem pensar na proposta, que enfraqueceria suas pretensões ao palácio do Planalto, por sinal diminuindo a olhos vistos.  Corre no Congresso que uma saída poderia ser a indicação de  Itamar Franco, por Aécio. O ex-presidente da República é do PPS, partido aliado do PSDB.

Jogadores continuam vendendo ações

Isso vem se repetindo. Nos últimos três dias as quedas foram maiores. Hoje: antes dos leilões, queda de 2,40. O Índice veio abaixo de 67 mil.

O dólar tem mantido alta, contrariando Mantega e Meirelles, que por sua vez se hostilizam nas análises. Dólar em alta de 1,70% em 1,78 e meio.

Pânico de Quércia

Temer não gosta de confessar. Mas começa a tremer quando ouve o nome do governador Quércia. Teme de verdade. E isso não é jogo de palavras, é a tradução da realidade.

A propósito: o ex-governador, é o famoso “disque Quércia para a corrupção”. Se estiver ocupado, ligue e peça informações ao governador Requião.

“Especialistas” em Bolsa, mistificam os cidadãos

Há uma semana a Bovespa chegou a 69 mil e 680 pontos, começaram a badalar: “É a recuperação completa da economia”. Ora, jogatina, nada a ver com economia ou recuperação.

Depois, continuando a enganar os ingênuos, afirmaram: “2009 fechará na casa dos 80 mil pontos”. Faltava pouco, realmente tão pouco quanto eles sabem. Há 10 dias a Bovespa vem num retrocesso maior até do que os 80 anos em 8 de FHC. Hoje, às 14 horas, já vinha para 67 mil  e 500 pontos, bem diferente.

Sobre o dólar diziam: “Deve fechar o ano abaixo de 1,60”, que era o Índice do dia em que falavam. Começou a subir, no momento em que posto a nota, está em 1,78, alta de 1,43%, só hoje. Como acreditar nesses jogadores?

Serra, vingativo, derrota José Aníbal

Eleito governador, quis logo derrubar o deputado que “não morria de amores pela sua candidatura”. A disputa era pela liderança do PSDB na Câmara. Serra jogou duro, perdeu, não esqueceu.

O mandato terminou agora, Serra vinha “azeitando” a bancada com favores extra-territoriais, extra-eleitorais, extra-sensoriais. José Aníbal lançou um paulista para o cargo, recebeu o informe: “Com um paulista você não ganha”. Aníbal disse que não podia recuar.

O governador com a mesma advertência, não teve dúvida, optou por um deputado da Bahia. E nem escondeu, “meu interesse pessoal está acima do estado”. E ganhou.

Serra e Dona Dilma, o mesmo perfil de truculência, “ninguém me atinge”, “quem manda sou eu”. É essa a escolha que preparam para o futuro do país e do cidadão?

Ciro e o PSB

O partido que tem mais cacique do que votos, se reuniu: “Nosso candidato a presidente é o ex-governador, tem no mínimo 15 por cento dos votos”. Em 2002, Ciro parecia que tinha isso, estava na frente, desandou, não foi nem para o segundo turno.

Garotinho tinha mais votos

Governador do Estado do Rio, podendo se reeeleger facilmente, tinha mais de 80 por cento nas pesquisas, não quis, se candidatou a presidente. Pelo mesmo PSB. Teve 15 milhões de votos, não é para desprezar. E por um partido que ninguém sabia o que era.

(No interior, a palavra socialista era inteiramente ignorada. Os adversários, para prejudicar ainda mais o candidato, faziam jogo de palavras, explicavam: “É assim, você só se alista mas não vota”)

Agora, Ciro se presta a essa tumultuada luta de bastidores, não tem nenhuma chance por um partido inexistente. E nem sabe o que fazer. Comparando, eleitoralmente, é o mesmo que Dona Marina.

Quércia: “Temer vice Presidente?” E cai na gargalhada que não termina

É um homem realizado. Foi senador, governador, se elege e se reelege sempre presidente do PMDB de São Paulo. Riquíssimo, dono de terras vastíssimas, maiores que a ilusão de Temer.

Quem tem voto e prestígio em SP é ele, que já fechou acordo com Serra. Será senador, ficará rindo de Temer, que nunca foi nada precisando do voto popular.

Para entendimento com Lula, Temer precisa do aval paulista, ou seja, de Quércia. Não haverá de jeito algum. A idéia de Lula, pedindo publicamente uma “lista tríplice” para escolha do vice dentro do PMDB, foi de Quércia. Que Lula achou ótima.

Dona Dilma oferece
cargos que não tem

Alguns ministros ou conselheiros, que nunca fizeram política partidária, jamais disputaram eleição, são os únicos que apóiam a Chefe da Casa Civil. Quem não tem votos, atrai quem também não tem. Mas a explicação é outra.

Se Lula não disputar nenhum cargo, em 1º de janeiro de 2011, estarão desempregados. A “sorte da vida” seria a vitória de Dona Dilma. Vitória para quê mesmo?

Punição lamentável

Jorge Alvarenga Moreira
Helio, desculpe, pensei que fosse ler hoje, uma nota das tuas, com a marca da insatisfação, como sempre, a respeito da punição do meu querido Coritiba. Estou revoltado, 30 jogos fora de casa, algum clube já sofreu punição como essa? Está de acordo? Duvido. Acompanhando você anos e anos, sei que não admite essa discriminação. Naturalmente são tantos assuntos, mas aqui no clube, muitos me pediram para te escrever.

Comentário de Helio Fernandes
Fez muito bem em estranhar a minha omissão, Jorge. O que fizeram com o Coritiba, é um crime que merece e merecia punição para o próprio tribunal. Ficar 2 anos sem jogar em casa, punindo o clube, sócios e torcedores, lamentável. Como qualquer clube joga em casa 15 ou 20 vezes por ano, a punição será exatamente por 2 anos, todo 2010 e 2011.

Punir os baderneiros, os desordeiros, os que vão aos estádios apenas para brigar, muito justo. Mas o clube, o que tem com isso? Não entraram em campo, não brigaram, não autorizaram a violência nem participaram dela e são punidos com violência? O recurso do Coritiba tem que ser aceito e a punição anulada.

Carlos Minc, alvo da intriga palaciana

Tem tido atuação excelente, enfrentado grupos poderosos e contrariando interesses colossais. Numa dessas tentativas de vingança, o também Ministro, (dos Transportes), ia sendo demitido porque tentou derrubar o Ministro carioca.

Como Alfredo Nascimento é senador, voltaria para o Senado, o suplente amicíssimo de Lula (João Pedro) perderia a posição antidemocrática. (O que dizer de um “senador” sem voto e sem eleição?). Agora inventaram “irregularidades” que não praticou para demiti-lo. Por trás dessas ameaças e intimidações, a própria Chefe da Casa Civil.

Durval Barbosa, o homem chave da
Corrupção: “Voltarei com Roriz”

Não esconde o que diz ser um “fato”. Como trabalhou 7 anos com o ex-governador, o que garante não parece bravata e sim realidade. Na verdade, Durval e Roriz têm o mesmo perfil.

Só que o ex-governador nem deve ser candidato, seu registro tem que ser negado. Quem teve que “renunciar” a quase 8 anos de mandato de senador, para não ser cassado, pode voltar? Já foi cassado pelo povo e por ele mesmo. Roriz, nunca mais.

Sarney pode voltar

Jorge Antonio Garcia
Meu caro Helio, no artigo revelação de hoje, você disse, “Sarney pode voltar”. Mas não explicou. Teríamos mais esse desprezo pelas nossas vontades e opiniões? O que fazer? Obrigado.

Comentário de Helio Fernandes
No caso de se concretizar mais essa violência contra a alternância de Poder, aconteceria o seguinte.

1 – Lula teria que renunciar em 31 de março. 2 – José Alencar, que tem ficado dezenas de vezes como interino, seria efetivado até 1º de janeiro de 2011.

3 – Como entra e sai de hospitais numa luta heróica pela vida, numa delas, poderia passar o cargo. 4 – Assumiria o presidente da Câmara. Mas como Temer ficaria incompatibilizado e não poderia ir buscar um novo e precário mandato de deputado, recusaria.

5 – O cargo então iria para o senador José Sarney, sem incompatibilidade política ou eleitoral, seu mandato vai até 2014.

6 – Restaria o desgaste moral, quem liga para isso? 7 – Parece difícil, mas se Lula fechar a candidatura a “vice”, o resto acontecerá normalmente.

A sucessão de 2010, ainda está distante. Ou melhor, foi jogada para bem longe. Sabendo que Lula admite até ser vice de Dona Dilma, (a Constituição não proíbe) Serra ficará mais 4 anos governador. Lula só terá que sair, Sarney pode voltar

Agora todos fazem projetos de longo prazo. Acreditando nas pesquisas a respeito da LONGEVIDADE, acreditam mesmo que o amanhã não tem a precariedade que tinha.

Em 2002, Serra afirmou: “Estou com 60 anos, minha vez é agora, depois já será tarde”. Já admite ser governador até 2014, e aí então ser presidente até 2018. Sairia com 76 anos.

Depois de perder para presidente, foi prefeito, disse, “ficarei até o fim do mandato”. Saiu logo, exerceu apenas 15 meses dos 48 OBRIGATÓRIOS. E continuando no excesso de velocidade, foi feito governador. Cometeu então duas transgressões, no Brasil não acontece nada.

E o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que se preocupa com a chamada FIDELIDADE PARTIDÁRIA, não se incomodou com as transgressões de José Serra. Esse importante TSE, tira o mandato de um governador, acusando-o de “comprar votos”, e coloca no cargo o PERDEDOR. Como se ele fosse puro e insuspeito. TODOS COMPRAM VOTOS? Ou quase todos? Quem quiser que responda, principalmente ministros do TSE.

Os que quebram a FIDELIDADE PARTIDÁRIA são punidos. E a INFIDELIDADE pode ser aceita e proclamada? Para ser eleito governador pelo PSDB, Serra preferiu apoiar para o seu lugar na Prefeitura, o senhor Gilberto Kassab, do DEM. Como o TSE classifica isso? Já fulminou a Fidelidade Partidária, agora perdoou a INFIDELIDADE? Nem se diga que era por temor de derrota eleitoral.

O candidato do seu partido para substituí-lo era o senhor Geraldo Alckmin, duas vezes governador, candidato a presidente da República, que no segundo turno contra Lula teve mais votos do que o próprio Serra, na mesma oportunidade. E o senhor Kassab? Apenas “disputou”, (as aspas são indispensáveis) a vice, atrelado ao próprio José Serra. Num sistema político-eleitoral, dominado por partidos legítimos e verdadeiros, o senhor José Serra nem teria espaço para essa escolha clamorosa e traidora.

Depois da violentação da Constituição praticada pelo senhor FHC em benefício próprio, o que era um caos, se transformou em calamidade. Agora vale tudo. A fraude partidária e constitucional, ganhou um reforço suculento e sedutor: a longevidade.

Já não existe mais o limite da idade, fazem absurdas ou esdrúxulas combinações, que são submetidas apenas à ambição ou ao delírio do Poder. Que ataca a todos nos diversos partidos, mas sem aval ou referendo partidário.

Ninguém quer deixar o Poder, municipal, estadual ou nacional. Lula sabe que CONSTITUCIONALMENTE não pode obter o terceiro mandato. Apesar disso, tinha três opções para continuar. 1 – O novo mandato, pura e simplesmente. FHC eleito para 4 anos, ficou 8. Lula eleito para 8 pretende 12. Proporcionalmente o mesmo crime eleitoral do antecessor.

2 – Prorrogação dos mandatos do Executivo, Legislativo e Judiciário, até 2012. Aí então, “limpariam a pedra” de todos, não haveria mais reeeleição para ninguém. Mas quem estivesse fora de qualquer cargo nesse ano poderia disputar o mesmo cargo. O de presidente passaria para 5 anos, uma vez só.

(Traduzindo para que esse item fique bem claro. Lula ganharia mais 2 anos, até 2012. Aí se desincompatibilizaria, disputaria a presidência por mais 5 anos, sairia em 1º de janeiro de 2018. Nessa altura teria 74 anos, o improvável não conta para ninguém. Se derrubam o IMPOSSÍVEL, por que ficariam embaraçados com muito menos, que é esse IMPROVÁVEL?)

A reforma de FHC, apressada e aprovada para servi-lo imediatamente, ficou capenga, destruiu o princípio de QUEM PODE O MAIS PODE O MENOS. Dessa forma, FHC e Lula se reelegeram no Poder. Mas se pretendessem um cargo menor, teriam que deixá-lo para concorrer.

3 – Agora então, nessa lista de violações, Lula está alimentando, (por enquanto apenas alimentando, embora a fome de Poder continue) uma outra possibilidade. Seria vice de Dona Dilma. Aí não perderiam de jeito algum, nem eu tenho dúvidas. Pode ser?

A Constituição, emendada (ou remendada?) por FHC não diz nada. Se não proíbe, tudo deixa de ser problemático para se transformar em realidade.

Lula ficaria dominando inteiramente o Poder, governando como se fosse o motorista do assento de trás, para felicidade geral do PT e de Dona Dilma, que continuaria como Lula e Serra, procurando se acomodar nas poltronas do Planalto-Alvorada.

Ela só perderia o prazer de repreender os outros, manteria a ilusão de mandar alguma coisa. Como hoje. Para Lula aumentaria a perpetuidade em mais 2 anos. (Isso se a prorrogação geral não desse certo). Ficaria como vice até janeiro de 2015, depois presidente até 2020.

Além de ficar no Poder, Lula comandaria a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. (Dona Dilma pouco esportiva, não gosta mesmo de esportes). Nada disso é sonho ou especulação, vem sendo manobrado para que atinjam tempos imemoriais e incontáveis.

E existe ainda quem trabalhe para uma Constituinte, que é a pior das “soluções”. Um golpe fingidamente democrático. (Examinarei depois).

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PS – Serra está desconfiando de alguma coisa, por isso não se define. Se Lula conseguir concretizar um desses planos, Serra se aproveita dos males o menor: mais 4 anos como governador e nova disputada para presidente em 2014 ou 2015, dependendo.

PS2 – E ele, que jamais quis enfrentar Lula, agora aceitaria enfrentá-lo? Bom, aí, com 72 ou 73 anos, iria para o que chamam de “tudo ou nada”. Poderia dizer: “Fui até o último suspiro, não cheguei a presidente, mas perdi o desafio com as armas que escolhi”. E de acordo com o seu temperamento, confessaria: “O Aécio não pode dizer o mesmo”. Não pode?

Pior o dia seguinte do que a véspera

Carlos Chagas

Pior não poderia ficar. A Câmara Legislativa de Brasília, reunida de madrugada, aprovou o Orçamento para o ano que vem e, imediatamente, entrou de férias. Seria até normal esse procedimento, não fosse o fato de que tramitam na casa diversos pedidos de impeachment do governador José Roberto Arruda, que nem citado foi até agora, para apresentar defesa. Talvez nem seja,  depois das férias parlamentares,  porque dos 24 deputados distritais, 16 estão com ele e não abrem. Deverão desconsiderar a hipótese de cassar-lhe o mandato,  quando retornarem.

O grave na história é o desrespeito da maioria dos deputados para com a opinião pública. A capital pega fogo, com manifestações diárias de protesto contra a corrupção de Arruda e sua quadrilha, flagrados recebendo dinheiro vivo de empresas contratadas pelo governo local. Até a cavalaria da Polícia Militar  carregou sobre a multidão, sem falar nas sucessivas passeatas, carreatas e invasões do prédio da Câmara Legislativa. O mínimo a esperar seria a prorrogação dos trabalhos parlamentares para exame e deliberação sobre a crise. Sem falar que nove deputados, pelo menos, estão envolvidos  na lambança, também filmados ao botar dinheiro no bolso, na bolsa e na meia.

Uma vez mais sente-se o clamor geral: o caso é de intervenção federal em Brasília, mas encontrar o presidente Lula em seu domicílio obrigatório não parece fácil.

Esperem sentados

Deputados da direção nacional do PMDB insistem em obter do presidente Lula um pedido de desculpas por haver, dias atrás, sugerido que o partido apresente uma lista tríplice de candidatos a companheiro de chapa de Dilma Rousseff.   Sentiram-se ofendidos porque o indicado, para eles, é um só, o presidente da Câmara,  Michel Temer. Ameaçam até descumprir o acordo de apoio à chefe da Casa Civil, podendo bandear-se para José Serra ou para a candidatura do governador Roberto Requião.

Podem esperar sentados, porque o presidente Lula não tem a menor intenção de desmentir-se e, mais ainda, continuará esperando a lista tríplice.  Tudo indica a sinalização de que nem Dilma nem o presidente sentem-se satisfeitos com a indicação de Michel Temer. Gostariam de outro candidato do PMDB. Afinal, o parlamentar paulista não será, propriamente, um campeão de votos. Muito menos uma liderança popular.

No passado,  um candidato a presidente chegou a renunciar à candidatura, por conta de sua irritação com o vice que lhe tinham imposto. Foi Jânio Quadros, que ficou uma semana escondido até que a UDN retirou a candidatura a vice  do senador Leandro Maciel, de Sergipe, substituindo-o por Milton Campos. Não é o caso de Dilma fazer o mesmo, pois seus aliados poderiam aceitar a renúncia…

Defasagem

Pelo menos dez anos se passaram desde que o então presidente Fernando Henrique acenou para a Aeronáutica com a compra de uma esquadrilha de modernos aviões de caça. Entra ano,  sai ano, e a compra não acontece, fornecendo apenas notícia requentada para os jornais. É grande o desgaste para a corporação, desde aquela época atropelada pela presença de variados  ministros da Defesa pretendendo chefiar as Forças Armadas.

Enquanto isso sabe-se agora que o Exército, trabalhando em silêncio, acaba de  comprar duzentos tanques na Alemanha. Alguns já chegaram, ainda que não a última palavra em tecnologia. São carros de combate ultrapassados, que os alemães recondicionaram e puseram à venda, mas vão substituir  carroções do tempo da Segunda Guerra Mundial. Menos mal.

Vão ficar no banco

Estaria o presidente Lula decidido a convocar o que seus principais auxiliares chamam de uma “seleção de verdade” para substituir os dezenove ministros  candidatos às eleições do próximo ano. Cai a cotação da  fórmula de aproveitar os secretários gerais que hoje funcionam nos ministérios. Afinal, o último ano do mandato presidencial não poderia ser disputado com o time reserva. Mesmo sem poder aproveitar deputados e senadores que pleitearão a reeleição, nada impede o presidente Lula de recrutar luminares na sociedade civil e nos partidos. Um ano de gestão eficaz pode até contribuir para mais popularidade.

Corrupção engalanada, Assembléia Legislativa de Brasília, fechada

Não fiquem tão satisfeitos. Essa Assembléia com 8 acusados de roubo de dinheiros públicos, não foi FECHADA PARA SEMPRE.

Apenas entraram em recesso (remunerado, ninguém é de ferro, como diria o grande Ascenço Ferreira) por vontade deles mesmos. Estão certos, por que ficarem funcionando?

Não podem cassar os próprios mandatos, isso é a coisa mais natural. Também não podem votar o impeachment de Arruda, seria agressão contra um homem digno. E ingratidão com um governador que dividiu tudo igualmente, em nenhum momento tentou ficar com a parte maior.

Assim, como já não havia mesmo NÚMERO, por que obrigar a coletividade, a todo dia procurar saber notícias sobre o “arrudobromo”? É preciso ter a coragem de defender o que pensam. E mais do que coragem, esses deputados têm AUDÁCIA. E de que tamanho, Nossa Senhora.

Voltarão a funcionar quando retirarem as acusações os pedidos de impeachment. É justo, Sarney não continua presidindo o Senado? E hoje, espantosamente de terno branco.

Final do Mundial de Clubes

Deu exatamente o que eu esperava e acreditava: Barcelona contra Estudiantes. O primeiro, todos sabem, é da resistente, intransigente e belíssima cidade onde meu pai nasceu. O segundo, porque gosto muito do Verón, e já vi muitos jogos em Mar Del Plata, principalmente na Copa do Mundo de 1978.

(A Copa em que se enfrentaram as ditaduras daqui, já quase no fim, mas ainda torturadora. E a de lá, que duraria mais 5 anos e ganharia essa Copa nos Vestiários. Única diferença entre as duas: na de lá, todos foram punidos. A não ser os que tiveram a sabedoria de morrer antes do fim. Não deles, mas da mortandade torturadora).

Marina Silva: atração em Copenhague, desprezo partidário, total, no Brasil

É o destaque brasileiro na conferência do meio ambiente. Todos se voltam para ela, querem saber de suas possibilidades presidenciais. Enquanto isso, sem terem o que fazer, Dona Dilma e Minc brigam publicamente.

A bem da verdade, o Ministro defendeu suas convicções, foi REPREENDIDO pela quase (nunca) candidata. No vocabulário dela, REPREENDER aparece em todas as páginas.

Marina caminha para ser
uma lenda sem legenda

Nenhum partido com votos quer conversar com a ex-ministra. Então, será a Heloísa Helena de 2006, mas Dona Dilma desaparecerá logo. A não ser que Lula seja seu vice. (Como conto amanhã, em artigo especial sobre a obsessão de Lula de dominar ou comprometer a alternância de Poder).

Entrevista histórica

Vicente Limongi Netto
A excelente entrevista de Fernando Collor ao O Globo é marcante e histórica. Deve ser lida com atenção e isenção pelos brasileiros desprovidos de rancor e intolerância. Parabéns ao repórter Geneton Moraes Neto pela qualificada matéria. As explosivas revelações do ex-presidente passarão a fazer parte dos livros escolares e compêndios de história republicana. Collor deixa claro que ainda tem muito para dizer e revelar daqueles tempos sombrios e de agonia que viveu. Antes e depois do covarde e ilegal impeachment que o apeou da Presidência da República. Hoje, muitos daqueles atores canastrões que participaram daquela “pantomima”, como define o próprio Collor, cruzam e convivem com ele no Congresso Nacional. Alguns com remorso na alma, outros arrependidos e alguns com insônia, porque têm certeza que Collor sabe que não valem nada. Não honram as calças que vestem.

Comentário de Helio Fernandes
Meu artigo de hoje é precisamente sobre a entrevista do ex-presidente. Como eu digo: vi e ouvi, fiquei impressionado, principalmente pelas acusações, até contra ele mesmo. Mas as revelações superam tudo.

E as acusações, com nomes e sobrenomes, essas são realmente elucidativas. Ele explicou que seguirá o conselho de Thales Ramalho para saber a hora e a vez de publicar o livro.

Mas o importante mesmo é o que diz sobre Mercadante, outros morreram ou enriqueceram. Sobre o líder do PT, que era intimíssimo de Lula, (deixou de ser assim que se elegeu senador e podia ser um possível sucessor do próprio Lula) tenho certeza: Mercadante, hoje mesmo, da tribuna do Senado, vai negar a afirmação de Collor: “O CONFISCO era o nosso sonho de governo (Do PT). Mas achávamos que se fizesse isso, Lula seria derrubado, não governaria”.

Imaginem o ínclito, ilustre e insuspeito Mercadante APOIANDO O CONFISCO, vai desmentir. Não o fez até agora porque não havia visto a entrevista de Collor. Como costuma dizer o sábio Lula: “Não leio jornal, não ouço rádio, não vejo televisão”. Só segue o mestre que o obrigou a CONTINUAR COMO LÍDER. Do que mesmo?