O ex-stalinista Alberto Goldman

Se Serra deixar o governo para ser presidenciável, pela primeira vez um comunista-carreirista (são tantos) assume o governo do maior estado da Federação. Só que isso não é o mais grave.

Pretende ser candidato à sucessão do próprio governador. Comunista, carreirista e péssimo analista. Não tem votos nem legenda para qualquer aventura.

Se Serra tiver cacife para a indicação, o candidato será Aloizio Nunes Ferreira. Se não tiver, será Geraldo Alkmin. Mas o sonho de Serra é o de colocar no seu lugar, o prefeito Kassab. Não é de seu partido? E Serra liga para isso? Não indicou e elegeu esse concorrente, preterindo o favorito do seu próprio PSDB? Por isso, ninguém tem confiança em Serra. Por isso e por muitas outras coisas.

O PT tem 10 candidatos e nenhum com charme ou votos

O PT está com uma lista enorme de possíveis, supostos ou presumíveis sucessores de Serra. Vão aparecendo e desistindo. Incluindo uma ex-Suplicy e um Suplicy derrotado em 1994. E que seriam derrotados agora. O PT se esfacela.

Mão Santa lidera no Piauí

Antigamente, senadores tinham a legenda garantida para renovar o mandato. Agora, nessa busca desenfreada por palanque, precisam do aval do próprio Lula. Foi o que aconteceu com Mão Santa, que teve que deixar o PMDB e ir para um partido pequeno. Mas lidera as pesquisas. O candidato do PT, aparece em terceiro.

Juíza Denise Frossard

Perdeu o governo em 2006, no segundo turno. Podia ter ganho muito bem, houve falha de campanha e excesso de dinheiro do outro lado. Foi lançada para prefeito, não aceitou, afirmou: “Vou disputar o Senado em 2010?” Só que desapareceu. Seu telefone toca, toca, ninguém consegue falar com ela. Desistiu, magistrada?

Dona Roseana em pânico

Perdeu a eleição, mas está no poder. Em plena campanha para o que chamam de “reeeleição”, vê seu nome desaparecer nas pesquisas. Recebeu o conselho: “Para ser eleita, precisa se desvincular do pai, se for possível, trocar até de sobrenome”.

Requião-Paes de Andrade

O governador do Paraná e o Presidente do Honra do PMDB, estão articulando, promovendo e lançando a candidatura própria do partido. Vão correr o Brasil inteiro, logo depois do carnaval. Os dois são adeptos intransigentes da candidatura presidencial, já têm quase maioria para isso. Começarão pelo Estado do Rio de Janeiro.

Eduardo Braga vice

Enquanto isso, a “base” de sustentação do governo, está assustada. E consideram que a melhor saída é “aumentar a lista de candidatos a vice”. Agora, surge o nome do governador do Amazonas, que ao mesmo tempo se prepara e pretende ser senador. Se o nome dele for lançado, será a primeira vez que um representante do Amazonas compõe chapa presidencial. É o efeito da campanha Paes de Andrade-Requião.

Nadal, sem condição física, desistiu o jogo para Murray

Não precisava nem conhecer tênis, gostar de tênis, ser admirador do jogador da Espanha. Quando venceu o terceiro jogo, com a maior dificuldade e perdendo um set para o adversário sem ranking, registrei aqui: depois da lesão e do problema no abdômen, Nadal não vai muito longe, completa 1 ano sem ganhar nada.

Às 9,37 da manhã (do Brasil) um Nadal irreconhecível se retirava, depois de perder um tiebreak por 7 a 1. Ou faz um tratamento severo, ou Nadal passará de número 1 do mundo a simples figurante ou coadjuvante.

As privatizações escandalosas de metrôs, trens, barcas e rodovias. O domínio monopolista dos ônibus. A tragédia de um país sem transporte

Falam muito que os serviços públicos não prestam, não funcionam, massacram a população. FHC criou a Comissão de Desestatização, que não melhorou nada, mas enriqueceu muita gente.

(E a CPI que investigaria esses enriquecimentos ilícitos?)

Agora se constata que os transportes privatizados, são os piores do mundo. As barcas, lentas, verdadeiras saunas, cada vez mais caras. Sempre atrasadas e sem explicação.

Metrô sem ar condicionado, sempre superlotado, sem que se saiba quando chegarão. Os trens com o mesmo abandono, desinteresse, desprezo pela coletividade. A mesma participação (?) da Supervia, que recebe antes pelo serviço, que aliás não presta. Não presta? Puxa, jamais duas palavras se completaram tão bem, e rimam na desarticulação e exploração do povo.

Quando Sacco e Vanzetti foram presos no mais rumoroso crime por volta de 1920, estavam no metrô de Boston, inaugurado em 1897. E os soviéticos, quando chegaram ao Poder, homenagearam os Romanoffes, andando no luxuoso metrô de São Petersburgo, inaugurado na mesma época do de Boston. (não quero nem fazer um jogo de palavras com o que acontece aqui).

O cidadão-contribuinte-eleitor tem problemas de toda espécie, negligenciados, esquecidos, não cuidados por governos, sejam federais, estaduais ou municipais. Mas se todos eles são importantes, necessários e imprescindíveis, nenhum é tão obrigatório, indispensável, e exigido quanto o transporte.

Milhões de pessoas precisam de condução para irem de casa para o trabalho, e do trabalho para casa, sofrem com o abandono e com o desprezo pela suas necessidades. (Já foi vastamente discutido aqui, com informações preciosas trazidas por seguidores, que as favelas (do Rio e SP) começaram e cresceram de forma espantosa, por causa da falta de transporte. E o problema se agrava cada vez mais).

São Paulo, a maior cidade do país, capital de um estado importantíssimo, tem mais ou menos 20 por cento do que deveria ter em matéria de metrô, o meio de transporte que mais cresce no mundo. Só que entra governador e sai governador, não há a menor providência para a construção de novas linhas.

Brasília, cidade planejada, e que Lúcio Costa criou para “não ter cruzamento nem sinal de trânsito”, hoje é um engarrafamento completo, com um sinal em cada esquina. E não apenas no Plano Piloto, a base de tudo.

Tendo quase 30 cidades-satélites altamente desenvolvidas, apenas 4 ou 5 delas têm metrôs, as outras completamente abandonadas. E diga-se: esses metrôs da capital podem ser construídos sem desapropriações, de superfície, apenas uma parte mergulhando.

O Rio capital, com mais de 6 milhões de habitantes fixos, sem falar os quase 2 milhões que se deslocam diariamente da Baixada, de Niterói, São Gonçalo, tem talvez, (proporcionalmente), o pior serviço de transporte coletivo do Brasil. E não há expectativa de melhora.

A não ser para a construção do Trem-Bala Rio-São Paulo. O diretor do Serviço Nacional de Transportes, indo depor numa Comissão Especial do Senado, (presidida pelo senador Fernando Collor) afirmou de maneira estarrecedora: “O Trem Bala Rio-São Paulo vai custar 76 BILHÕES DE REAIS”, enquanto transportes muito mais indispensáveis, não saem do papel.

E concluiu, com dados,números e detalhes: “A Ferrovia Norte/Sul, que trará desenvolvimento para o país inteiro, está prevista para custar 24 BILHÕES DE REAIS, mas espera sua construção pelo menos há 10 anos”. Inacreditável mas rigorosamente verdadeiro.

O Rio sofre ainda com a calamidade dos ônibus, controlados pela Fetranspor, um dos órgãos mais poderosos não só daqui mas de todo o país. Muita gente me pergunta por que esses ônibus quase sempre estão vazios, ou então com pouquíssimos passageiros.

Podem se estarrecer: há dezenas de anos, os ônibus, além de cobrarem dos passageiros, recebem da Prefeitura, POR QUILÔMETRO PERCORRIDO. Esse acordo foi feito há muito tempo, e dura até hoje. Motivo: a partir de determinada hora, geralmente 9 da noite, as empresas de ônibus recolhiam seus veículos, então quem precisava deles a partir daí, ficava sem transporte.

Como a Prefeitura sabia que tinha a obrigação de servir à população, fez essa combinação, e os ônibus voltaram a circular em determinados bairros. Mas como o negócio era muito bom, ou melhor, agradavelmente bom, foi estendido para outros lugares que não tinham tanta carência de ônibus.

Portanto, quando nós todos olharmos para os ônibus trafegando vazios ou com pouquíssimas pessoas, se lembrem: por trás de tudo está a Fetranspor.

* * *

PS – Os homens que exploram as barcas, trens, Supervia e o resto do pouco transporte, são os mesmos há anos. Os governadores e prefeitos, do passado, de hoje e do futuro, todos são cúmplices dessa tragédia que a Constituição chama de DIREITO DE IR E VIR.

Traçadas as linhas centrais da campanha

Pedro do Coutto

As matérias de Gerson Camaroti e Adriana Vasconcelos, O Globo, e Vera Rosa, O Estado de São Paulo, ambas publicadas na sexta-feira passada, forneceram bem a idéia básica de qual será, no lado do governo, a estratégia a ser adotada na campanha eleitoral deste ano pela presidência da República. Em primeiro lugar, o presidente Lula deseja que o PMDB forneça uma lista tríplice de nomes para a escolha do candidato a vice na chapa de Dilma Roussef. Logo, não é pacífica a aceitação do deputado Michel Temer. Pois se a indicação pertencesse exclusivamente ao PMDB não haveria necessidade de serem colocados três nomes na mesa de negociação governista. Isso de um lado.

De outro, o presidente da República quer conduzir no embate para o terreno plebiscitário, como sempre se calculou: não pretende o debate restrito entre a chefe da Casa Civil e o governador José Serra. Deseja a campanha, isso sim, no fundo da questão, entre o seu governo, iluminado pela popularidade, e a administração Fernando Henrique. Habilmente, deseja ser ele próprio o candidato subliminar embora sem que seu nome esteja na cédula, o que não acontece desde 1989. O desafio, para a oposição, é agir para não aceitar o confronto nestes termos. Afastá-lo de tal ângulo emocional. Porém tanto de um lado como de outro as articulações também vão depender dos elos entre os candidatos a presidente e aqueles que vão disputar os governos estaduais. A esse propósito já surgiu a primeira divergência na área oposicionista: o PSOL de Heloísa Helena não apoiará Marina Silva, no primeiro turno, se ela aceitar uma articulação independente com o PSDB em torno da candidatura de Fernando Gabeira a governador do Rio de Janeiro. Importante este fato porque o RJ é o terceiro colégio eleitoral do país e a divergência tem a aparência de se estender ao segundo turno. Mas não é este apenas o único complicador para a oposição. No pleito de 2006, o PSDB com Geraldo Alckmin venceu em todo o Sul, abrangendo São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Agora, neste ano, com a governadora Ieda Crusius o Rio Grande do Sul está perdido. A oposição não pode mais contar com o expressivo colégio eleitoral gaúcho. Lá as pesquisas estão apontando um empate em torno de 30% das intenções de voto entre o ministro Tarso Genro e oo prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, do PMDB. Não sobra assim espaço para o PSDB. Um dado a considerar.

Enquanto isso, Ciro Gomes desapareceu do noticiário político. Realmente se Lula empenha-se para que a eleição seja um julgamento entre o seu governo e o de FHC, o ex governador do Ceará perde importância em tal cenário. Para estabelecer a polarização que deseja, Ciro no máximo seria um coadjuvante à distância. Sua presença nas urnas destinar-se-ia apenas, no caso de disputar a presidência, assegurar o segundo turno. A menos que viesse a disputar o governo de São Paulo através de uma aliança PT-PSB, o que poderia fazer com que bases paulistas do Partido dos Trabalhadores se retraíssem na campanha. Como candidato a vice de Dilma, Ciro explodiria a coligação PT-PMDB. São dilemas, todos estes, que só o desenrolar da jornada poderá equacionar e resolver. Mas as linhas centrais já foram traçadas. Difícil mudá-las.

Um presidente “BomBril”

UM PRESIDENTE “BOM-BRIL”

O presidente Lula estará hoje em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, para participar do Fórum Social Mundial. Claro que acompanhado de Dilma Rousseff. No sábado irá a Salvador, prestigiando uma espécie de dissidência do FSM, chamada de Fórum Econômico Mundial, criação do governador da Bahia, Jacques Wagner. Da mesma forma, com a candidata a tiracolo. Espera-se a presença de alguns chefes de estado estrangeiros, como Hugo Chavez, da Venezuela, e Evo Morales,  da  Bolívia.

A pergunta que se faz é se o Lula, além dos inevitáveis improvisos, levará alguma proposta efetiva de seu governo para reformular a ordem econômica internacional. Ou se manterá, no Sul e no Nordeste,  a mesma coerência doutrinária a respeito da economia mundial.  Porque na próxima semana viajará para Davos, na Suiça, onde se reúne a antípoda desses fóruns, integrada pelos países mais ricos do planeta. Será homenageado como o estadista do ano. Precisará discursar, dessa vez aferrado a um texto escrito. Dona Dilma não deverá faltar.

Como conciliar as diferentes tendências e reivindicações  desses fóruns   numa só pessoa? Ou serão três pessoas,  num novo mistério?

Com todo o respeito, em matéria de teoria econômica, o nosso presidente assemelha-se ao Bom-Bril, aquele das mil e uma utilidades. Para cada plenário, uma mensagem distinta,   não raro conflitante, apesar do clamor por mudanças.

Na verdade, o Lula estará mesmo em campanha eleitoral. Uma  alta exposição, ele imagina, poderá ajudar a transferir sua imensa popularidade  para Dilma Rousseff.  Quanto aos que aguardam resultados concretos no plano das relações econômicas mundiais, que aguardem. De preferência, sentados…

O ENIGMA CIRO GOMES

Entre uma viagem e outra, do Rio Grande do Sul à Bahia, esta semana o presidente Lula pretende resolver o enigma Ciro Gomes. Vai reunir-se quinta-feira  com a cúpula do Partido Socialista, o governador Eduardo Campos à frente, para mais uma vez tentar levar  o ex-ministro da Integração Nacional a candidatar-se ao governo de São Paulo.  O que não quer é a candidatura presidencial de Ciro, obstáculo à unidade das  forças governistas  em torno de Dilma Rousseff.

Ignora-se a decisão final, ainda remota, mas a verdade é que enquanto isso vão ardendo   na frigideira os companheiros paulistas. Marta Suplicy, Eduardo Suplicy, Aloísio Mercadante, Antonio Palocci e outros menos cotados no PT aguardam no banco a oportunidade para entrar em campo. Pode ser que não entrem, mas se um deles for  convocado já no meio  da partida, entrará  desentrosado. Tudo em função da artilheira que, até agora, não marcou.

A MALDIÇÃO DA CAMISA

Virou moda de uns tempos para cá, no Brasil e lá fora, os clubes de futebol inventarem camisas novas para seus craques. Abandonam as cores tradicionais e chocam as torcidas com absurdos inexplicáveis. O Palmeiras, de verde, virou azul. Coincidência ou não, perdeu o Brasileirão na reta final. No fim de semana que passou, o Botafogo surpreendeu. Em vez das tradicionais listas verticais pretas e brancas, apareceu no estádio com uma fantasia de mau gosto, meio cinza, meio preta, sem a menor relação com suas tradições. Resultado: Vasco, seis a zero.

Essa aberração  do futebol se conta a propósito das  preliminares da sucessão presidencial. Condena-se a perder de goleada o  candidato que fizer campanha renegando suas origens e sua ideologia, quer dizer, sua camisa.

A CHUVA E O VOTO

Engana-se quem quiser, mas as sucessivas inundações que assolam São Paulo, se não pararem, terão reflexo nas eleições de outubro. Ainda bem para  Gilberto Kassab que o eleitorado não votará para prefeito, mas, mesmo assim, o que dizer de José Serra e Geraldo Alckmin? Este já foi governador e,  se tomou alguma providência para dragar  o leito do Tietê e  do Pinheiros, ninguém sabe, ninguém viu. Ou ninguém se lembra, tamanho o horror da atual temporada. Quanto a Serra, coisa parecida: quem governa o estado  tem que prestar atenção na capital. Não é de graça que Paulo Maluf botou o pescoço de fora e escreveu artigo na “Folha” criticando a política de juros e de cambio livre.  Não demora publicará outro, referindo-se às obras que fez contra as enchentes, quando prefeito.

Carlos Chagas

O presidente Lula estará hoje em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, para participar do Fórum Social Mundial. Claro que acompanhado de Dilma Rousseff. No sábado irá a Salvador, prestigiando uma espécie de dissidência do FSM, chamada de Fórum Econômico Mundial, criação do governador da Bahia, Jacques Wagner. Da mesma forma, com a candidata a tiracolo. Espera-se a presença de alguns chefes de estado estrangeiros, como Hugo Chavez, da Venezuela, e Evo Morales,  da  Bolívia.

A pergunta que se faz é se o Lula, além dos inevitáveis improvisos, levará alguma proposta efetiva de seu governo para reformular a ordem econômica internacional. Ou se manterá, no Sul e no Nordeste,  a mesma coerência doutrinária a respeito da economia mundial.  Porque na próxima semana viajará para Davos, na Suiça, onde se reúne a antípoda desses fóruns, integrada pelos países mais ricos do planeta. Será homenageado como o estadista do ano. Precisará discursar, dessa vez aferrado a um texto escrito. Dona Dilma não deverá faltar.

Como conciliar as diferentes tendências e reivindicações  desses fóruns   numa só pessoa? Ou serão três pessoas,  num novo mistério?

Com todo o respeito, em matéria de teoria econômica, o nosso presidente assemelha-se ao Bom-Bril, aquele das mil e uma utilidades. Para cada plenário, uma mensagem distinta,   não raro conflitante, apesar do clamor por mudanças.

Na verdade, o Lula estará mesmo em campanha eleitoral. Uma  alta exposição, ele imagina, poderá ajudar a transferir sua imensa popularidade  para Dilma Rousseff.  Quanto aos que aguardam resultados concretos no plano das relações econômicas mundiais, que aguardem. De preferência, sentados…

O enigma Ciro Gomes

Entre uma viagem e outra, do Rio Grande do Sul à Bahia, esta semana o presidente Lula pretende resolver o enigma Ciro Gomes. Vai reunir-se quinta-feira  com a cúpula do Partido Socialista, o governador Eduardo Campos à frente, para mais uma vez tentar levar  o ex-ministro da Integração Nacional a candidatar-se ao governo de São Paulo.  O que não quer é a candidatura presidencial de Ciro, obstáculo à unidade das  forças governistas  em torno de Dilma Rousseff.

Ignora-se a decisão final, ainda remota, mas a verdade é que enquanto isso vão ardendo   na frigideira os companheiros paulistas. Marta Suplicy, Eduardo Suplicy, Aloísio Mercadante, Antonio Palocci e outros menos cotados no PT aguardam no banco a oportunidade para entrar em campo. Pode ser que não entrem, mas se um deles for  convocado já no meio  da partida, entrará  desentrosado. Tudo em função da artilheira que, até agora, não marcou.

A maldição da camisa

Virou moda de uns tempos para cá, no Brasil e lá fora, os clubes de futebol inventarem camisas novas para seus craques. Abandonam as cores tradicionais e chocam as torcidas com absurdos inexplicáveis. O Palmeiras, de verde, virou azul. Coincidência ou não, perdeu o Brasileirão na reta final. No fim de semana que passou, o Botafogo surpreendeu. Em vez das tradicionais listas verticais pretas e brancas, apareceu no estádio com uma fantasia de mau gosto, meio cinza, meio preta, sem a menor relação com suas tradições. Resultado: Vasco, seis a zero.

Essa aberração  do futebol se conta a propósito das  preliminares da sucessão presidencial. Condena-se a perder de goleada o  candidato que fizer campanha renegando suas origens e sua ideologia, quer dizer, sua camisa.

A chuva e o voto

Engana-se quem quiser, mas as sucessivas inundações que assolam São Paulo, se não pararem, terão reflexo nas eleições de outubro. Ainda bem para  Gilberto Kassab que o eleitorado não votará para prefeito, mas, mesmo assim, o que dizer de José Serra e Geraldo Alckmin? Este já foi governador e,  se tomou alguma providência para dragar  o leito do Tietê e  do Pinheiros, ninguém sabe, ninguém viu. Ou ninguém se lembra, tamanho o horror da atual temporada. Quanto a Serra, coisa parecida: quem governa o estado  tem que prestar atenção na capital. Não é de graça que Paulo Maluf botou o pescoço de fora e escreveu artigo na “Folha” criticando a política de juros e de cambio livre.  Não demora publicará outro, referindo-se às obras que fez contra as enchentes, quando prefeito.

Quércia-Temer

Assim que for eleito senador, logo em 2011, o antigo governador de São Paulo, pretende ser presidente do PMDB. Justificativa que não esconde: “Já fui governador, senador, agora novamente senador. E o Temer se elege o quê?”. Nenhum favorecimento, mas Quércia não pode ser desmentido.

O PMDB da cúpula
assustado com Lula

O grupo que exige que o partido lance candidato próprio à sucessão, cresce cada vez mais. Não só em números, mas também em matéria de votos e de prestígio dos que repudiam a subserviência à base. Os adesistas apelam para o presidente, mas ele nunca tem tempo para recebê-los.

Torturador da Argentina

O coronel, grande participante da Operação Condor, Manuel Cordeiro, (que contradição), foi entregue com um espantoso currículo de mortes selvagens.

É que a ditadura de lá, das mais cruéis, acabou em 1983. (Foi também das mais rápidas, 1976 a 1983). Se participou desde o início, estava com 27 anos, e sua vocação para o assassinato covarde, era explícita. Não era tão jovem, mas já matava sem piedade.

55 anos do presidente
do Tribunal de Justiça

O Globo noticiou o aniversário dele, hoje. Mas não festejava o presidente, e sim o excelente informante conta um ex-grande amigo.

Bovespa sem jogatina

Imaginem Las Vegas fechada por causa de um feriado. É o que acontece hoje em São Paulo, fundação da cidade. Ué, se não houvesse a cidade, não haveria cassino.

Nenhum constrangimento, muita subserviência

Do insosso, insalubre e inócuo Michel Temer: “Dona Dilma levará o povo brasileiro ao paraíso”. Dona Dilma, emocionada, empolgada e entusiasmada: “Essa é a minha ambição, o objetivo de uma vida”. Onde fica o paraíso dessa gente?

O vice Michel Temer

Ele ameaça explodir a aliança do PMDB com o PT, se não for vice. Torço pela sua escolha. Afinal, já está na hora de encerrar uma carreira inútil. Quer dizer, menos para ele.

José Eduardo Dutra:
coordenador de campanha

Certíssima a indicação dele para chefiar a candidatura de Dona Dilma, que não vai ganhar. Era senador, não se reelegeu. Não se elegeu governador. Como “consolação” ganhou a Petrobras.

Com menos de 1 ano tiveram que demiti-lo. Tinha diploma de geólogo, “engavetado” há 30 anos.  A empresa não precisa de geólogo na Avenida Chile e sim nos poços.

19 anos de exílio, construção surpreendente

Agora, 25 anos da inauguração do Sambódromo. Não custa lembrar. Surpreendido e até um pouco constrangido, Brizola me disse: “Jamais imaginei que depois de tanto tempo de solidão fora do país, viesse construir e inaugurar uma passarela do samba”.

Brizola não estava contra nem lamentava o fato. Mas diante dos sonhos de grandeza e libertação do povo, considerava menor o que fazia.

João Lyra, usineiro

Está sempre nas manchetes, indiscutivelmente no lado menor e negativo. Na concepção, (anterior) e a de (hoje) de Lula, ele é HERÓI ou VILÃO? Nenhuma dúvida.

Obama no caminho certo

Na sexta-feira, fui o único (em jornal impresso ou internet) a registrar e elogiar o discurso de 1 hora e 4 minutos do presidente dos EUA. Entrou num terreno minado, tão poderoso quanto o que é dominado pelos lobistas.

Derivativos, não

Pretende impedir que os bancos, (não apenas os grandes) façam o que chamou de “apostas de riscos”. Identificou muito bem o fato, como “derivativos”. Este deviam ser PROIBIDOS, não apenas para bancos, mas ELIMINADOS de vez.

Sabem o que é D-E-R-I-V-A-T-I-V-O? É apenas jogatina, pano verde sem cassino, loteria sem bilhete, uma forma de infernizar o “mercado financeiro”. Apostam se haverá geada na Califórnia, e no caso de haver, o preço da laranja (e do suco) subirá. Não serve a ninguém. Outras apostas desse tipo são feitas, movimentando CENTENAS DE BILHÕES DE DÓLARES POR DIA. Para quê? Para nada, apenas jogatina.

Pânico na cúpula do PSDB

Têm conversado muito sobre o assunto. Consideram importantíssimo: Sérgio Guerra, Jereissati e Eduardo Azeredo podem não se reeleger. Certo mesmo que não volta é Azeredo. Foi “sacrificado” pela hipocrisia peesedebista,que exigiu sua saída da presidência do partido. Idéia de Jereissati, queria ser presidente, não conseguiu.

Curiosidade melancólica: Azeredo só responderia no Supremo, anos depois. Jereissati já respondia, desde 2001, faliu o Banco do Ceará, e 2002, se elegeu senador.

Dona Dilma protesta

O Ministro Helio Costa, está na frente, não muito acentuada, mas na frente nas pesquisas para governador de Minas. Quando falaram que podia ser vice de Dona Dilma, ficou furioso e disse: “Não me falem nisso”.

A Chefe da Casa Civil achou que foi veto frontal à sua candidatura, comentou com Lula. A oposição não soube explorar o fato. Oposição “babaca”. (Royalties para quem mesmo?)

Superpetroquímica

Os Geyer, que já foram riquíssimos e poderosos, (riquíssimos ainda são) venderam sua parte para a Braskem-Petrobras. Não têm herdeiros interessados no negócio, foi bom para o país.

Em 1965/66, surgia a “Frente Ampla”, que reuniria Lacerda-Juscelino-Jango, inimigos que pareciam irreconciliáveis. Sete das 9 reuniões preparatórias do manifesto que assinariam, se realizaram na casa deles, no Cosme Velho. Belíssima. Eles não sabiam de nada, nem que durante semanas estiveram lá, personagens como estes: Brigadeiro Teixeira, Editor Ênio Silveira, Diretor de Teatro Flávio Rangel, o ex-Ministro Wilson Fadul, e o já ex-governador Carlos Lacerda. Nenhum deles conhecia pessoalmente Lacerda, ficaram todos amicíssimos.

Esportivas, observadas e comentadas

Não há dúvida que 6 a 0 entre os chamados grandes, é surpreendente. Mas o Vasco mereceu e jogou sempre para fazer mais. 3 a 0 no primeiro tempo, outros 3 a 0 no segundo. Mas é bom não exagerar nos louvores ao técnico.

Na Austrália,
feras contra feras

Entre hoje e amanhã, se enfrentarão, Davidenko e Federer, Nadal e Murray, que estão até o quinto lugar. Roddick pegará Chilic que vem de vitória sensacional. Djokovic, ganhou três vezes jogando com adversários (?) distantes de qualquer ranking.

As Williams

Serena já está nas quartas, Venus caminha para lá, jogará hoje. Se vencerem, estarão nas semifinais, já jogaram contra tantas vezes. Se isso acontecer, uma delas estará na finalíssima.

Mediocridade e lamento

É bom não apostar muito no Fluminense. Fez 1 gol no Volta Redonda aos 5 minutos, os outros 85, “viajando”.

Uma pena que Ronaldinho Gaúcho tenha perdido pênalti. Fora isso, marcadíssimo, não podia nem andar.

Não tenho qualquer respeito e admiração pelos donos de órgãos de comunicação, os Rupert Murdoch brasileiros, mas não admito de forma alguma, CENSURA À IMPRENSA, restrição À INFORMAÇÃO E OPINIÃO. Na verdade, sempre manejaram contra mim. Os governos e os apavorados “jornalistas”

Começando, em tempo e propósito: conheço todos esses DONOS DE ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO, sei como enriqueceram, juntando todos eles, dizia sem poder ser desmentido: “Sou o único dono de jornal que sabe escrever e escrevo diariamente”. Combati abertamente a ditadura, nessa convicção, joguei tudo que tinha. Antes de ir para a Tribuna em 1962, fui sempre O MAIOR SALÁRIO DA IMPRENSA brasileira.

Apesar de tudo isso, SOU CONTRA QUALQUER CENSURA, LIMITAÇÃO, RESTRIÇÃO À OPINIÃO E À INFORMAÇÃO. Tudo isso que está no projeto de DIREITOS HUMANOS, não serve à coletividade.

Precisamos muito mais de uma “PRIMEIRA EMENDA” da Constituição americana, respeitada e admirada no mundo inteiro, do que restrições vingativas de terroristas de “esquerda”.

Única satisfação e certeza, como tenho dito: nada que está no projeto chamado pejorativamente de “Direitos Humanos”, é para entrar em vigor. Pelo menos isso.

Logo que surge uma questão polêmica mas que atraia votos e promova espaços na mídia, lá está o antigo servo, submisso e subserviente aproveitador da ditadura, Miro Teixeira.

Quando sinalizaram sobre a Lei de Imprensa, (certo ou errado) lá estava o senhor Miro, campeão do “teixeirismo”, opinando sem ser chamado.

Agora, quando o projeto de “Direitos Humanos”, propõe descaradamente a CENSURA À IMPRENSA, a devassa dos meios de comunicação, vem o senhor Teixeira e diz: “Nos meios de comunicação, existe concorrência, diversidade de veículos e opiniões”. Ha! Ha! Ha!

Esse “teixeirismo” é diferente do que ele pregava de 1970 a 1982. (Até mesmo entre 1974 e 1978, quando aparentemente estavam fora do governo). Por 8 anos, Chagas Freitas foi “governador” da Guanabara e do Estado do Rio. E na ante-sala, de avental branco, o senhor do “teixeirismo”, vendia à vista, os decretos que o “governador” assinaria a prazo.

Durante 12 anos, Chagas Freitas e Miro Teixeira “pertenciam” ao mesmo MDB do que eu. Durante 12 anos, a Tribuna da Imprensa NÃO PUBLICOU UM CENTÍMETRO DE PUBLICIDADE DO GOVERNO.

Enquanto isso, Chagas Freitas “governador”, que era dono de jornal, fez acordo com o Ministro da Fazenda, Mario Henrique Simonsen. (Depois Citisimonsen, quando deixou de ser ministro e passou a ser Executivo do Citibanque).

Chagas se dizia “constrangido em faturar publicidade de seu “governo”, para os próprios jornais”. Então ficou assim: Simonsen encaminhava toda a publicidade federal para os jornais de Chagas, e o faturamento do estado era distribuído da forma como o Ministro da Fazenda determinava, Miro Teixeira executava.

Foi o tempo financeiramente mais feliz de todos eles.

Em 1966 fui cassado 3 dias antes da eleição, festejaram. Chagas deixou o “governo” pela segunda vez, vendeu os jornais por preço “enlouquecido”, desapareceu. Miro Teixeira é deputado desde 1970. Já tentou ser governador, perdeu, a ditadura acabara. Quis ser prefeito duas vezes, derrotado.

Em 1982, candidato a governador, acusou o já morto ex-governador Carlos Lacerda, “de ter mandado jogar mendigos no Rio da Guarda”. Processado pela brava Sandra Cavalcanti, condenado.

Apelou então para mim, queria ser candidato a deputado, se Sandra impugnasse sua candidatura, não poderia concorrer. Amigo e admirador de Sandra, falei com ela, me respondeu: “Helio, diga a ele que pode ser candidato, não vou impugná-lo”.

Fui intermediário, sem ódio e sem vingança. Esses 12 anos sem faturamento estadual, se acumulam com os outros da PERSEGUIÇÃO FEDERAL.

* * *

PS – Acho que em vez de CENSURA e PERSEGUIÇÃO, o Congresso poderia IMPEDIR que donos de órgãos de comunicação TIVESSEM NEGÓCIOS fora desse setor.

PS 2 – Poderiam também fazer uma Lei, CONSTITUCIONAL, determinando que o faturamento com venda avulsa, PAGASSE PELO MENOS A DESPESA COM PAPEL. O jornal custa 2 reais,paga 35 por cento ao jornaleiro (70 centavos) e 5 por cento ao distribuidor (10 centavos).

PS 3 – Entra para a “casa”, 1 real e 20 centavos, longe de pagar a montanha de papel que usam diariamente. Toda a formidável despesa do RESTO, tem que ser paga com a publicidade visível e a invisível, que vem através do “sistema”.

PS 4 – Muito mais fácil e constitucional: em vez de VIOLÊNCIA, TRANSPARÊNCIA.

Jogo de xadrez, não luta de boxe

Carlos Chagas

O PMDB voltou para cima do muro ao antecipar para o próximo dia 6 a convenção nacional destinada a reeleger Michel Temer para sua presidência.  Porque além dessa mais do que óbvia decisão, o partido submeterá às suas bases a questão  fundamental  de ter ou não candidato  próprio às eleições para presidente da República, em outubro.

A estratégia de Temer e da cúpula  que dirige  o PMDB é evidente: rejeitar a proposta da candidatura própria caso o presidente Lula, antes, dê garantias de haver esquecido a iniciativa  de receber uma lista tríplice de indicados à vice-presidência na chapa de Dilma Rousseff, curvando-se à indicação única do nome do parlamentar paulista.

Caso contrário, não significa que o partido lançará imediatamente a candidatura de   Roberto Requião, mas que deixará a decisão final para a convenção nacional de junho, mesmo abrindo desde já condições para a campanha do governador do Paraná.  Haverá tempo para o jogo continuar.

Trata-se de uma delicada partida   de xadrez,   não de uma luta de boxe.  Depois de saber da antecipação da convenção que reforçará a liderança de Michel Temer, o presidente Lula reagiu e mandou dizer que insiste na lista tríplice.  Foi quando a  direção nacional  do  PMDB treplicou,  anunciando que será debatida, também, a questão da candidatura própria.

Aguarda-se o  próximo lance, mas fica claro o favorecimento de  Roberto Requião, já contando com o apoio de doze diretórios estaduais para sua candidatura.  A manobra de Temer e seus companheiros poderá favorece-lo ainda mais, se bem que o objetivo maior do deputado paulista continue sendo  apoiar Dilma Rousseff, mas só se for ele o companheiro de chapa.

Sem bispo não há rei

Para continuar no xadrez, vale aproveitar a lição  do rei Jaime I da Inglaterra, depois de deixar de ser Jaime IV da Escócia, dizendo que sem bispos não há  rei. Justificou assim sua submissão ao Papa e obteve a boa vontade do clero inglês, conseguindo governar.

Da mesma forma pode estar pensando o presidente Lula. Já não parece fácil emplacar a candidatura de Dilma Rousseff com o apoio do PMDB. Sem ele, a sucessão se transformará numa aventura, para o governo.

Sem medo de desmatar

Lembra o governador Eduardo Braga, do Amazonas, que as árvores,   como   tudo o mais, dispõem de um inexorável ciclo de vida.   Nascem, desenvolvem-se, frutificam e,   mais tarde, morrem. Devem ser cuidadas, aproveitadas,  mas jamais indefinidamente preservadas, porque também  acabam.  Assim, ele  rejeita a tese da transformação da  Amazônia  num imenso  jardim   botânico, intocável.  O importante é aproveitar as riquezas da região sem prejudicar o meio ambiente. Países como a Noruega,  a Suécia e a Alemanha são grandes exportadores de madeira porque, ordenadamente, plantam e abatem florestas.

Eduardo Braga criou, em seu estado, o bolsa-floresta, que dá ao  morador da imensa região um auxílio financeiro semelhante ao bolsa-família,  para tornar-se guardião e   defensor do meio ambiente, mas, de forma alguma, mero espectador da natureza.

Quanto aos perigos de internacionalização da  Amazônia,  reage com a afirmação de serem os brasileiros, caboclos, índios, seringueiros e agricultores,  os maiores defensores  da soberania nacional.  A Amazônia deve ser desenvolvida, jamais estagnada.

Vai insistir

Pelo que transpira no governo, se abriu mão de revogar a Lei da Anistia, o presidente Lula insistirá na preservação, dentro do Plano Nacional de Direitos Humanos,  da criação de um conselho destinado a examinar o conteúdo da programação de emissoras de rádio  e televisão.  Tratando-se de uma concessão pública, telinhas e microfones precisam estar submetidos a algum tipo de controle, tendo em vista o volume das baixarias que assolam o país.  Renovar as concessões precisaria subordinar-se a um mínimo de postulados éticos, em defesa da população.

A tese continua polêmica quando se atenta para o fato de que esse tal conselho poderia ser manipulado pelo poder público, capaz de sujeitar suas decisões à linha  editorial  das emissoras. Em outras palavras, à boa ou má vontade dos noticiários para com o próprio governo. Um perigo.

A suicida deformação do processo trabalhista

Roberto Monteiro Pinho

A partir do ano 2000, por falta de uma identidade própria, a Justiça do Trabalho se transformou num laboratório de pesquisas jurídicas, provocando uma deformação altamente nociva à manutenção das relações do capital/trabalho, tamanha a canibalização dos textos de lei, com o propósito de atender a prestação alimentar do trabalhador, encerrando a lide para prestar contas ao TST, que segue norma do CNJ no controle do prazo para solução do processo. Este capítulo não pode ser visto isoladamente das agruras que enfrenta o próprio judiciário na sua estrutura, eis que sua geografia é deveras deformada, debilitada. Corroída no seu eixo central a JT padece do mal administrativo que infesta a maioria dos órgãos governamentais e o próprio judiciário. Este esforço ao preço de praticas lesivas, cria agravante causando efeito colateral na economia do país,  quadro em que o governo por pressão da sociedade civil, iniciou a partir das criticas a morosidade, bem após os julgadores da JT, terem arquitetaram este modelo de justiça, desenhada no Encontro de magistrados, organizado pela entidade de classe Anamatra, na cidade de Salvador, no ano de 2001.

No ano passado o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com objetivo de desafogar o judiciário, lançou o programa Meta 2, para julgar todos os processos distribuídos antes do ano de 2006, que acabou ficando pela metade, eis que segundo dados do CNJ até o dia 18 de dezembro quando o judiciário entrou em recesso, o projeto atingiu 54% das ações previstas, quando foram julgados 2,3 milhões, longe da meta de 4,4 milhões. Há muito nos operadores do direito detectamos uma endêmica anomalia no judiciário brasileiro, a voz de 1,5 milhões de bacharéis, assessores e advogados, não consegue superar a determinação de uma minoria de magistrados e serventuários, de manter posição antagônica ao ensejo deste segmento e também da sociedade.

Com a mesma morosidade em que tratam os processo na justiça, os integrantes dos tribunais, sofreram alguns revezes, o nepotismo é combatido através de enérgica medida, começando pelos integrantes dos órgãos de governo, Câmaras Municipais, Assembléias Estaduais e Congresso, recente, com a medida que faz marte da Resolução 102 do CVNJ, a Justiça terá a partir deste ano que informar como gasta seu dinheiro.

A volúpia do poder também está impregnada no judiciário laboral, que infelizmente experimenta toda sorte de injunções e praticas absurdas no trato do direito e da relação com as partes, mal que atinge inclusive o seu âmago, o hipossuficiente. Capitaneado pela morosidade, o judiciário brasileiro, (o que lhe vale severas criticas da sociedade), com maior preocupação o judiciário trabalhista, onde a execução convalesce na orfandade de texto legitimo, e por conseqüência se tornou um aberratio juris, porque neste capitulo concentram as mais absurdas, estapafúrdias e incabíveis praticas, em flagrante arrepio a texto de lei, até mesmo a violação da Constituição Federal. A exemplo do que ocorre no trato da questão dos Direitos Humanos, onde o governo pretende, sob posição antagônica dos seus próprios integrantes, estabelecer regras contestatórias do ponto de vista jurídico, as questões das vias legais institucionalizadas nos textos da CLT (com 922 artigos, dos quais a metade inócuos), faz a clonagem de má qualidade do Código de Defesa do Consumidor (CDC), que protege o pequeno empregador, a Lei Fiscal e titulos da CF, em seu artigo 7°, a magistratura rebelde da JT, estabeleceu um código paralelo utilizado no processo trabalhista.

Por conseqüência, este desarranjo estrutural, derruba a virtude sociológica emprestada ao trabalhismo, mergulhando este modelo exemplar de justiça, no obscuro mundo da discórdia e rebeldia, tendo como efeito negativo, a retração acentuada dos níveis de emprego no segmento do micro e pequeno negócio, (informação com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais – Rais do Ministério do Trabalho). Com 20% dos empregos formais do país, 1% menor que o emprego público responsável por 21% das ocupações formais brasileiras, cujos privilégios são incontestáveis, tamanha a nomenclatura de cargos e comissões gratificadas a JT é um sacrilégio ao contribuinte. A imigração de mão-de-obra formal para a informalidade, e a fuga inapropriada no processo executivo, com utilização de expedientes inaceitáveis, para se defender de execuções abruptas e sufocantes, formam um conjunto que desqualifica este judiciário laboral, colocando-o na berlinda dos causadores da desestabilização econômica. Para a uma justiça extremamente protecionista, mesmo se tratando de questões dissidiais aprovadas, deliberadas em Dissídio, ignorar o escrito é ironicamente questão de interpretação.

Dados oficiais de 2008 informam que o Brasil tem uma população de 189,604 milhões, neste ano havia um contingente de 39,441 milhões de trabalhadores com carteira de trabalho registrada, a maior parte concentrada na região Sudeste (20,386 milhões), e no Estado de São Paulo (11,713 milhões), com 7,3 milhões distribuídos nas regiões mais pobres, justamente onde residem o maior número de crimes contra o trabalho, com exploração de mão-obra-escrava de crianças e mulheres. Enquanto as autoridades do Ministério do Trabalho, Justiça do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e Delegacias do Trabalho, privilegiam suas atividades nas duas regiões de maior número de formais, este mapa geográfico revela distorção da ação governamental, onde se verifica que a cultura de proteção ao trabalho é ostensivamente elitista, comodista e tem como visão o imediatismo da arrecadação fiscal, já que nessas regiões supra mencionadas, está o maior patamar de arrecadação de tributos do país. Na região desprotegida estão os tribunais nanicos da Justiça do Trabalho, alguns chegam a julgar no máximo 5 mil processos/ano. O resultado deste quadro anômalo é que a relação capital/trabalho é vista não como uma ação conjunta em prol do social e sim antagônica a este princípio, em razão da disseminação promovida pelos juízes trabalhistas, conforme comprovam as decisões processuais.

Excessos de leis e tributos contribuem para o caos

O fato é que o brasileiro está regulado por milhares de leis e artigos que desconhece e o resultado disso, na avaliação do presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, é uma grave contradição, pois o princípio básico do direito brasileiro diz que o cidadão não pode alegar desconhecimento da lei para se eximir de responsabilidade. Ele lembra que: “Além do esforço para consolidar a legislação, não podemos perder de vista a necessidade de tornar seu conteúdo compreensível“, para o dirigente o excesso de leis e códigos deixa o brasileiro confuso e o afasta da Justiça. Não bastando este fator, a sobrecarga de impostos cria um complicador de difícil equação, fazendo com que pequenos negócios operem sem condições de uma boa assessorai jurídica e tributária, se tornando refém de decisões do judiciário, e da gana fiscal. Assim conforme enfatizou o dirigente, “boa parte da morosidade da Justiça e dos conflitos jurídicos deve-se ao amontoado de textos legais”, e conforme nossa linha de texto, a ausência de um texto próprio para a o processo do trabalho, alem de permitir praticas delituosas ao bom direito, traz danos irreparáveis ao cidadão.

Relatório do Banco Mundial revela que vigoram no Brasil cerca de 3.000 normas tributárias, que são atualizadas com 300 modificações anuais, e em média, as empresas brasileiras pagam o equivalente a 71% do total do seu lucro líquido anual em impostos (22,4% em impostos diretos, 42,1% em tributos relativos à mão-de-obra e 7,2% em outras taxas e contribuições). Na América Latina uma das exceções é o Chile, onde a carga de impostos equivale a apenas 26% do total do lucro líquido aferido pelas empresas. No mesmo documento a revelação de que, “Brasil é o último lugar em ranking divulgado pelo Banco Mundial sobre o tempo gasto pelas empresas para manter em dia suas obrigações tributárias”. Segundo o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) as empresas brasileiras gastam cerca de R$ 20 bilhões ao ano para cumprir a burocracia exigida pelas autoridades fiscais no pagamento de mais de 60 impostos, taxas e contribuições a União, Estados e municípios, um melancólico “caos tributário”. Se por um lado o empregado enfrenta as agruras do governo, por outro na JT, experimenta o caos, tamanhas as práticas utilizadas neste judiciário.
Não foi de graça que o governo estimulou a aprovação EC n° 45/2004, ampliando a competência da especializada do trabalho, examinando seu texto este, trouxe um alento ao administrador público, desafogou a justiça federal, mas acabou inchando a JT com as novas execuções. Isso porque conforme determina: “VII – as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho; VIII – a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferi”. Na pratica equivale dizer que a estrutura que já era incapaz e com visível sinal de fadiga, após a EC 45, absorveu milhares de ações, que somadas às sentenças proferidas nas ações, acabou travando o andamento processual, aumentando os procedimentos e autuações. Muitos dos seus integrantes, apesar de saberem que este foi o meio político para sufocar um movimento pela extinção da justiça do trabalho, não diluem facilmente o fato de que o aumento da arrecadação do INSS, e a proximidade, (que antes não existia) dos membros do judiciário laboral com o governo federal, foi compensador, vez que hoje amargam a pecha de que são os responsáveis pela lentidão da JT.

Enquanto a magistratura do trabalho de forma geral, “pega pesado” contra o empregador, algumas questões de ordem celetista estão na pauta da discussão dos sindicalistas, a jornada de trabalho e da Ordem dos Advogados do Brasil OAB, o honorário de sucumbência, são questões periféricas. De acordo com a OIT, os coreanos figuram entre os que mais trabalham em todo o mundo, já os holandeses são os que menos horas dedicam à empresa. Na Espanha, trabalha-se acima da média européia, porém menos do que a média latino-americana, onde o México é o país com maior número de horas trabalhadas/ano, num total de 2.110 horas. De modo geral, os latino-americanos passam mais tempo trabalhando — 1.952 horas em média ao ano — do que os norte-americanos — 1.819 horas/ano no caso dos EUA. No Chile, esse número sobe para 1.974 horas anuais; em seguida, aparecem no ranking latino-americano a Colômbia (1.956), Venezuela (1.931), Argentina (1.903) e Brasil (1.841), que pode se igualar a França aprovando a jornada de 40 horas semanais. É bom lembrar que esta alteração no quadro de horas, deixará o empregador mais vulnerável quando enfrentar uma lide do trabalho, com o tópico de horas-extras.

Calúnia e difamação

Sergio Guerra e o PSDB anunciam: “Vamos processar a cúpula do PT, na esfera criminal”. É um direito, mas não obterão sucesso. O PT é que perdeu a chance de levar o presidente do PSDB ao tribunal criminal.

Motivo: o senador (que não gostou de ser chamado de jagunço, se julga intelectual), disse que no governo, “iremos reduzir os juros”. Como é que farão isso? Com FHC esses juros CHEGARAM A 44 POR CENTO, agora estão em 8,75. Mentindo deliberadamente e utilizando MENAS verdade.

Nova briga Minc e Ministra Dilma

Não é outro capítulo da luta entre o Ministro do Meio Ambiente e a Chefe da Casa Civil. Esse Minc é a sigla do Ministério da Cultura, que tenta refazer a “Lei Rouanet”. Como tudo que passa pela Casa Civil, é polêmico, incerto, duvidoso, mas autoritário.

Dois momentos de grande humorismo

Do “senador” Salgado, que nunca disputou eleição: “Qualquer decisão do PMDB, tem que passar por Temer”. Do ainda senador, correndo risco, Renan Calheiros: “Temos que fazer chapa única, aproveitando a unidade do PMDB”. Para os dois: Ha!Ha!Ha!

“Os odores do Haiti”

Quem publicou artigo com esse título foi José Sarney. Depois da Polícia Federal revelar que o grupo do senador “levava propina”, acreditei que seu artigo viesse com o título: “Os odores do Maranhão”. Os do Haiti têm o tom da tragédia, os do Maranhão, da farsa.

Zelaya-Celso Amorim

Foi assinado acordo entre Honduras e República Dominicana. Motivo: no dia 27, depois de amanhã, ele deixa a embaixada do Brasil, onde está “veraneando há quase 3 meses”. O acordo não saiu antes, porque o chanceler do Brasil queria que Zelaya ficasse na embaixada.

Esse Celso Amorim é o mesmo que presidiu a Embrafilme, nos anos 80. Nada parecido antes.