E agora, o que acontecerá à Líbia?

Carlos Newton

Muamar Kadafi foi morto, enfim, dizem que atingido por um bombardeio da OTAN, que já devia até ter parado a destruição do país. E o que acontecerá à Líbia. Graças às suas ricas reservas de petróleo e gás natural, o país tinha um comércio exterior de US$ 27 bilhões por ano e um rendimento per capita médio de US$ 12 mil, seis vezes maior que o do Egito.

Apesar de fortes diferenças entre rendimentos altos e baixos, o padrão de vida médio da população da Líbia (apenas 6,5 milhões de habitantes, em comparação com os cerca de 85 milhões no Egito) é, portanto, mais elevado do que o do Egito e de outros países da África do Norte.

As riquezas do petróleo já estão sendo fatiadas pelo novo governo. Quanto a isso não há a menor dúvida. O que ninguém é o futuro do país. Haverá enfim a democracia ansiada pela tal primavera árabe? Podemos esperar sentados.

Delúbio, operador do mensalão, promove debate no PT para se dizer inocente.

Carlos Newton

Era só o que faltava. O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, homem  de confiança de José Dirceu, organiza para hoje um debate, na sede do PT de Goiânia, para expor sua defesa no Supremo Tribunal Federal sobre o esquema do mensalão. O convite para o evento é feito pelo site do ex-tesoureiro, com mobilização nas redes sociais da internet.

Segundo a repórter Andréia Sadi, da Folha de S. Paulo, no evento Delúbio vai apresentar também “O CD interativo para computador”, que já foi lançado em São Paulo no começo do mês.

O convite confirma a presença do ex-deputado a advogado Eduardo Greenhalgh, que, no lançamento do CD em São Paulo, negou a existência do mensalão e disse que tudo não teria passado de um esquema de caixa dois 2, boa desculpa, mas que não justifica, por exemplo, o fato de a mulher do deputado João Paulo Cunha ter ido à agência do Banco Rural para receber a mesada de R$ 50 mil, sob a justifica de “ir pagar a prestação da TV por assinatura”. Isso é caixa 2, Dr. Greenhalgh

O presidente do PT em Goiânia, Luiz Cesar Bueno, informou que o diretório promove toda semana um fórum de debates temáticos que norteiam o PT. “E a defesa do Delúbio no Supremo é tema que está na pauta do partido. É uma solicitação regimental que todo filiado pode pedir”, disse Bueno. Segundo ele, a capacidade do espaço vai de 150 a 200 pessoas.

Ainda segundo a repórter Andréia Soares, a assessoria de Bueno afirmou que o partido vai oferecer apenas o espaço, mas a organização do evento é responsabilidade do próprio Delúbio Soares.

O ex-tesoureiro do PT é apontado pelo Ministério Público como o operador do esquema. Se for condenado pelo Supremo Tribunal Federal, pode pegar até 111 anos de prisão pelos supostos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Mas é claro que isso jamais irá acontecer. As acusação vão acabar prescrevendo, como todos nós estamos cansados de saber. Ah, Brasil!

 

Após invalidar Ficha Limpa, STF garante posse de Cunha Lima no Senado

A repórter Mariângela Gallucci, de O Estado de S. Paulo, informa que o ex-governador da Paraíba Cássio Cunha Lima vai tomar posse em breve no Senado. Impedido de assumir uma cadeira no Congresso por causa da Lei da Ficha Limpa, Cunha Lima conseguiu quarta-feira uma decisão do Supremo Tribunal Federal que reconhece a validade dos votos recebidos por ele há um ano.

O STF havia resolvido em março que a Lei Ficha Limpa não poderia ter barrado candidatos em 2010 porque não foi aprovada com pelo menos um ano de antecedência à eleição.

A decisão será comunicada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que sejam tomadas as providências necessárias para a posse de Cunha Lima. O julgamento marcou a volta do ministro Joaquim Barbosa ao plenário do Supremo. Barbosa estava afastado do tribunal desde junho, quando foi submetido a uma cirurgia no quadril.

O próximo a ser beneficiado chama-se Jader Barbalho, um dos maiores fichas sujas da política brasileira.

Reflexões sobre a fase desmoralizante que vive hoje a política brasileira. Em outro país, o governo já teria sido derrubado.

Carlos Newton

A novela da fritura do ministro do Esporte, Orlando Silva, entra em seus capítulos finais. Na África, a cozinheira-mor Dilma Rousseff, atenta à temperatura do fogão, avalia que o depoimento de Orlando Silva no Senado não foi suficiente para afastar a pressão política pela demissao dele. Traduzindo: o ministro já pode ir esvaziando as gavetas.

A situação é paradoxal e muito reveladora. Em qualquer país que cultive práticas democráticas, se ocorressem tantos escândalos de corrupção em sequência, o governo estaria balançando, prestes a sofrer impeachment. Mas no Brasil é diferente. Não existe nenhuma pressão sobre a presidente Dilma Rousseff. Pelo contrário, seu prestígio é intocável. A pressão é exercida apenas contra o ministro corrupto, ou melhor, contra o quarto dessa série, que parece interminável.

Portanto, em meio a mais essa fritura, os chamados “cientistas políticos”  (seja lá o que isso signifique), têm um belo prato pela frente, para suas análises culinárias. Que país é esse? – poderíamos indagar a eles, imitando Francelino Pereira e Renato Russo. E o que esses cientistas nos diriam? Ora, só podem dizer o óbvio. A opinião pública brasileira já se acostumou a tal ponto com a corrupção que nem liga mais.

Realmente, todos sabem que essas fraudes e irregularidades fazem parte de nossa prática política contemporânea. Os homens de bem (como já dizia Ruy Barbosa, quase 100 anos atrás, quando o grande brasileiro se estarrecia ao ver triunfarem as nulidades) já nem se envergonham mais, não demonstram indignação, estão abúlicos e desalentados.

É uma triste constatação, quando nos vemos diante do nada. A geração que se revoltou contra a ditadura de 1964 e que naquela época demonstrava tanto idealismo, não há dúvida, decididamente fracassou. O PT, que nasceu e frutificou no embalo dessa indignação cívica, também fracassou. A prática que demonstra no poder desmente toda a sua antiga teoria. O PCdoB, último remanescente do comunismo no Brasil, já que o velho Partidão (PCB) não consegue eleger ninguém, também fracassou.

O próprio cidadão Luiz Inácio Lula da Silva, o mais surpreendente e extraordinário político popular de toda a História brasileira, também fracassou. Hoje é apenas um pastiche daquele líder sindicalista em que as pessoas confiavam.

Lula tornou-se um político como outro qualquer, um carreirista, um novo rico que sai pelo mundo, patrocinado por grandes empresários nacionais e estrangeiros, cobrando US$ 300 mil para fazer palestras escritas por seu eterno assessor Luiz Dulci, sem notar que seu prestígio está sendo usado para fins meramente comerciais.

Infelizmente, virou uma figura grotesca e caricata, cheio de si, que nem se dá à honradez de devolver ou rejeitar o salário mensal de R$ 13 mil que recebe do PT, com carteira assinada, férias, décimo terceiro salário e tudo o mais, por conta de uma suposta assessoria que deveria prestar ao partido, vejam a que ponto ele chegou, decididamente não é e nunca mais será aquele Lula, embora o povo continue a amá-lo.

É muito triste constatar que a política brasileira tenha se reduzido a isso, que situação e oposição se equivalham em nível tão baixo, que não tenhamos um líder em quem confiar, que estejamos vivendo no estilo da teoria francesa do “laisser-faire” (poderíamos traduzir livremente como deixa estar para ver como é que fica), que se tornou a expressão-símbolo desse neoliberalismo suicida e insensível.

Mas esta, desgraçadamente, é a nossa realidade hoje, enquanto os chamados “cientistas políticos” se calam, fingindo que não está acontecendo nada. O pior é que as manifestações que vêm sendo realizadas em algumas cidades, para que a sociedade supostamente organizada proteste contra a corrupção, na verdade pouco significam e não terão qualquer consequência.

A síntese de tudo isso é a seguinte: fracassamos, todos nós. Desgraçadamente.

 

Uma nação corrompida

Carlos Chagas
 
Importa  menos se  João Dias  for um bandido que  inventa e  acusa sem provas ou se  Orlando Silva vem sendo vítima de um complô entre a Fifa e Ricardo Teixeira,  por conta da Copa do Mundo. A verdade é que não dá  mais para o ministro permanecer. Seu desgaste pessoal só não é maior do  que o desgaste do governo. Da lambança restrita ao choque com o ex-policial, salta aos olhos o abuso que vem marcando o conluio existente entre o poder público e montes de ONGs fajutas e criminosas. Porque a farra não se limita ao ministério dos Esportes, como antes não   se circunscrevia ao ministério do Turismo. A metástese generalizou-se, vinda do governo Fernando Henrique, passando pelo governo do Lula e mantendo-se no governo Dilma. 

Inocente ou culpado, Orlando Silva lidera o noticiário e sofre  a indignação nacional diante desse expediente primário da criação de organizações-não governamentais  feitas para mamar nas tetas do tesouro público e irrigar os caixas  de partidos políticos, grupos próximos do poder, amiguinhos  e até simples espertalhões  empenhados em enriquecer. 
Se há ONGs sérias, que prestam serviço à sociedade, seu número parece infinitamente menor  do que as  arapucas infiltradas na administração federal, estadual e municipal. Dizendo-se não-governamentais, transformaram-se em penduricalhos do governo, sempre prontas a molhar a mão e o bolso das autoridades encarregadas de facilitar-lhes o assalto.

Raros são os ministérios onde  ONGs não são financiadas pela corrupção, existindo também os dedicados a falcatruas ainda maiores,  através das empreiteiras.  Quatro  ministros já foram triturados nas engrenagens que agora espremem  o titular dos Esportes, tornando-se uma questão  de tempo saber quando será expelido. Melhor faria se evitasse o espetáculo encenado por Antônio Palocci, Pedro Novais, Wagner Rossi e Alfredo Nascimento, que resistiram inutilmente antes de mergulhar nas profundezas. 
 
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MENSALEIROS EM AGONIA 
 
A cada novo escândalo denunciado no país, diminuem as chances de absolvição dos 39 mensaleiros em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Não se cometerá a perigosa ilação  de presumir o voto dos ministros  da mais alta corte nacional de Justiça, valendo apenas registrar terem sido raros os casos em que ela decidiu desligada da opinião pública. Os ventos que sopram na sociedade irrompem pelas  frestas e até pelas  janelas do Supremo, ainda que alguns de seus integrantes sustentem, teoricamente, a necessidade de  decisões calcadas exclusivamente na lei e na jurisprudência.

Estão os Meretíssimos atentos ao que se passa do lado de fora. A indignação nacional cresce a olhos vistos diante do espetáculo de corrupção encenado no país. Ficou para o primeiro semestre do ano que  vem o  julgamento dos réus implicados na mãe de todas as lambanças do governo Lula. É mais tempo para a descoberta de novas falcatruas, aumentando a reação nacional e levando os  mensaleiros à agonia. 
 
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ADEUS REFORMA  POLÍTICA

 
De forma lenta,  a reforma política sumiu do noticiário. Na Câmara e  no Senado arrastam-se bissextos debates e análises nas comissões técnicas, mas ninguém acredita  mais na mudança das diretrizes eleitorais  básicas. Até porque, passou o prazo para sua aplicação nas eleições do ano que vem, por impositivo constitucional. Como 2014 está distante e imperscrutável, senadores e deputados dedicam-se a deixar tudo como está, em termos institucionais. Até a mudança na data da posse dos novos presidentes da República ficou para um dia, no futuro…
 
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SUMIU
 
Mesmo sem integrar a comitiva da presidente Dilma à África, quem sumiu foi a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Nenhuma intervenção teve a ex-senadora  na crise porque passa o PCdoB, a partir das denúncias contra o ministro Orlando Silva. Não é com ela se os comunistas históricos viram-se substituídos por capitalistas ditos não-governamentais, encarregados de impulsionar suas ONGs.

Duas explicações surgem a respeito:  Ideli refluiu em sua atuação pela ausência de problemas político-partidários de vulto, nas relações da base parlamentar oficial com o governo, ou…   Ou a ministra resolveu adotar a máxima que Mussolini aplicava para a Itália na primeira  metade do século passado: “Administrar os italianos não é apenas impossível, é inútil”.

No Rio,estilhaços da morte vêm da omissão, da inércia, de corrupção

Pedro do Coutto

O título, creio, sintetiza a tragédia que atingiu o centro do Rio de Janeiro na manhã de quinta-feira passada, quando a explosão do restaurante Filé Carioca causou a morte de seres humanos, feriu várias pessoas, algumas em estado grave, a revelou o atual nível da administração municipal. Que pode dizer, ou pelo menos tentar dizer, o prefeito Eduardo Paes?

A reportagem monumental de O Globo no dia seguinte, com as fotos impressionantes e impressionistas de Marcia Foletto, trouxe consigo a força do drama e da verdade: os estilhaços da morte, reflexo da explosão, foram projetados pela pólvora da omissão, da inércia, da conivência, da corrupção.

O restaurante, desde 2008, funcionava com alvará provisório, renovado seguidamente sem análise rigorosa de suas condições. O que se pode pensar?Se o alvará era provisório, é porque o estabelecimento aguardava o definitivo, caso contrário não teria se mantido em atividade. É lógico. E se aguardava a decisão consolidada é porque, na ausência desta, não tinha cumprido as exigências legais. Uma delas, a mais importante no caso, a proibição de armazenar gás liquefeito do petróleo, o GLP.

Por que razões o responsável pelo Filé Carioca, ou o seu proprietário, rejeitaram a ligação de gás canalizado? Tem que haver uma explicação. Esta só pode se encontrar na diferença de preço. Visando a maiores lucros, lá se foram vidas humanas pelos ares. A própria imagem do Brasil foi atingida em face da repercussão no plano internacional. 

Internamente foi primeira página também da Folha de São Paulo e de O Estado de São Paulo, junto com O Globo, os principais jornais do país. Um desastre para a administração pública. A omissão, a inércia e a corrupção são instrumentos terríveis de destruição e de desabamento social. Afinal estamos falando do Rio, uma das maiores cidades do mundo. Foi administrada por Henrique Dodsworth, Carlos Lacerda, Negrão de Lima. O atual prefeito chama-se Eduardo Paes.

Não há desculpa possível para o que sucedeu. O alvará era renovado de seis em seis meses. Ninguém verificou as condições ilegais do armazenamento de gás? O Corpo de Bombeiros realizou uma vistoria em 2010. Nada percebeu. Nada de irregular? A Prefeitura diz que o problema é do Corpo de Bombeiros. Este sustenta que só intervém quando é acionado.

Ambos, Prefeitura e CB, afirmam incrivelmente que a obrigação de zelar pelo estabelecimento é do proprietário. Estão confundindo as situações.Uma coisa é vistoriar domicílios particulares. Outra observar os locais de acesso público. Se as autoridades não vistoriaram os restaurantes e as empresas, quem fará isso? Os donos? Não faz sentido. Pessoa alguma pode se tornar fiscal de si mesma.

Por uma coincidência, no mesmo dia da tragédia carioca – para citar a saga de Nelson Rodriguees – a presidente Dilma Rousseff publicava no Diário Oficial medida provisória, portanto considerou urgente o tema determinando a criação de um cadastro nacional focalizando as áreas propícias e processos geológicos a escorregamentos de grande impacto.

A medida provisória altera a lei 10257 de 2001 e estabelece – vejam só – a vistoria dos locais de risco para a integridade física dos que os ocupam e que podem afetar a vida de terceiros. Exatamente, como se vê, o que aconteceu com a explosão na Praça Tiradentes. A MP prevê, inclusive, a remoção de moradores e a obrigação dos municípios em obrigá-los para garantia de atendimento habitacional em caráter definitivo. Se tal princípio tivesse sido observado pela municipalidade do RJ, não teria ocorrido a explosão fatídica.

Além da tragédia, uma vergonha para a administração pública. Insensibilidade total para com a explosão e com a corrupção que, na verdade, a detonou.

O Amanhã tinha um nome

Sebastião Nery

No Recife, o aeroporto dos Guararapes estava vazio, na madrugada de 16 de setembro de 1979. Um táxi apenas. Entrei, conversei. Motorista de aeroporto é como propaganda de hotel:a primeira palavra no fim da estrada.

– Como está o tempo aqui? Vai haver sol hoje?

– Vai, sim. Vai fazer um dia bonito para a gente esperar o homem, o Arraes. Pernambuco já está com cara de festa pela volta dele. Derrubaram do governo, expulsaram do Estado e do pais, nunca apresentaram uma prova contra ele. Uma bruta injustiça. Por isso é a festa da chegada dele, em solidariedade a ele. É como se ele tivesse passado 15 anos na penitenciaria e de repente se descobre que era inocente. Uma questão de justiça. Hoje é o comício da justiça. Deus às vezes demora, mas sempre vem.

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ARRAES

O nordestino moreno, de cabelos grisalhos, querendo vingar a injustiça a Arraes, me deixou no hotel Miramar. Na véspera, às seis da manhã, no Galeão, no Rio, ainda não Tom Jobim, mais de mil pessoas haviam recebido Arraes que, anistiado, chegava de Paris. Lembro-me do senador Marcos Freire, do deputado Jarbas Vasconcelos, Antonio Callado, Chico Buarque, jornalista Paulo Antonio Carneiro, tantos outros.

À tarde, um jovem alto, testa larga, cabelos ainda pretos, Jarbas Vasconcelos, comandante do MDB, competente e bravo organizador do comício da volta de Arraes, e o vereador cassado João Bosco Tenório, me pegaram e à Beatriz, em um fusca, e fomos para Santo Amaro, onde enorme multidão, dezenas de milhares, se apinhava frente ao palanque.

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LULA

Quando Arraes chegou, subiu e acenou com as mãos, houve imensa comoção, muita gente chorando. A cada discurso, a multidão gritava em coro : – “Arraes Tá Aí”, “Arrasta Aí”! Era a festa do taxista do Guararapes.
O palanque era pequeno para tanta gente que subiu. Na hora da saída, muita confusão para descer. Embaixo, de calça jeans azul e camiseta branca, um rapaz forte, de barba preta cheia, sorriso grande, dava ordens :

– “Pula, que eu seguro”! Pulamos muitos, homens e mulheres, e ele aparando. Não deixou ninguem cair. Era Lula.

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GONZALEZ

Voltei rápido ao hotel, para escrever a tempo minha coluna da “Ultima Hora” (e outros jornais). Relembrei outra tarde de dois anos antes, em junho de 1977, também toda azul como as tardes azuis do Recife em setembro, no estádio superlotado de Madrid, a multidão estalando palmas e canções do PSOE (Partido Socialista Espanhol) e seu líder, o jovem Felipe Gonzalez, até há pouco “Isidoro” e clandestino, me apontando a multidão:

– Quando vocês vão conquistar o direito de falar ao povo nas praças?

– Deve demorar. Por enquanto, nossa luta, hoje, ainda é pelo direito de falar, escrever e ler, para conquistarmos a anistia e a Constituinte. Não sei, por exemplo, se tudo que vou contar desta tarde vão deixar sair lá.

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MACHADO

Bem em frente, no muro do estádio, em letras vermelhas iluminadas pela primavera espanhola, o verso do poeta Antonio Machado : – “El hoy que sera mañana, el ayer que es todavia”. (“O hoje que será amanhã, o ontem que é talvez”).

Estava ali o titulo da coluna : “Ninguem Cassa o Amanhã”. (A integra está em meu livro “Pais e Padrastos da Pátria”, Editora Guararapes).

Aquele amanhã do Recife de 1979 tinha nomes : Jarbas Vasconcelos e Eduardo Campos. 33 anos depois, os dois herdeiros políticos de Arraes são os principais lideres políticos do Estado.

Em boa hora, comentarista lembra o depoimento do deputado petista Arlindo Chinaglia sobre a denúncia do mensalão.

Paulo Afonso

Está nos jornais de 30/10/2009:

“O ex-presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) confirmou ontem, em depoimento à Justiça, que o presidente do PTB, Roberto Jefferson, revelou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que acreditava existir um esquema de compra de apoio ao governo no Congresso, antes de o caso vir à tona, conhecido como mensalão.

Chinaglia, que na época dos fatos, em 2005, era líder do PT na Câmara, disse ter tomado conhecimento do suposto esquema em dois momentos. Primeiro, segundo ele, quando Jefferson teria alertado o presidente Lula sobre a existência do esquema, em reunião na qual Chinaglia confirmou que estava presente.

Depois, o deputado disse ter tomado conhecimento por meio da imprensa. Foi aí que, segundo Chinaglia, surgiu o termo “mensalão”, que indicava um esquema no qual parlamentares supostamente recebiam dinheiro em troca de apoio a projetos do governo no Congresso.

“O momento principal [foi] quando a imprensa divulgou aquilo que o então deputado Roberto Jefferson denunciou. E faço referência a esse momento como principal, porque lá ele apelidou de mensalão. E ainda que ele fez um comentário ao presidente da República e, entre outros, eu estava presente”, afirmou Chinaglia.

Ele prestou depoimento à juíza Pollyana Kelly Martins Alves, da 12ª Vara Federal”. do Distrito Federal”.

Ministério do Esporte mostra que já não se fazem comunistas como antigamente. Pelo menos, no Brasil.

Carlos Newton

Grande novidade… Levantamento divulgado pelo site Contas Abertas mostra que o Ministério do Esporte tem contratos com outras não-governamentais ligadas ao PCdoB, partido do ministro Orlando Silva, além da ONG do milionário policial militar João Dias Ferreira, conforme a imprensa toda há meses já tinha publicado, inclusive aqui o Blog da Tribuna, que tem dado grande destaque ao palpitante tema.

O programa “Fantástico”, da TV Globo, dirigido pelo excelente jornalista Luiz Antonio Nascimento, fez seu papel no último domingo. Pegou as denúncias já divulgadas e comprovados pelos jornais, sites e blogs e as transformou em imagens, que valem mais do que mil palavras. Espera-se que o exemplo do “Fantástico” frutifique e o jornalismo investigativo reviva em todas as emissoras.

Chega a ser patético dizer que o Ministério Público de São Paulo suspeita que a ONG Pra Frente Brasil (criada pela ex-jogadora de basquete Karina Valéria Rodrigues, vereadora da cidade paulista de Jaguariúna pelo PCdoB) estaria desviado recursos públicos . Isso já está mais do que comprovado. E o que se pergunta hoje é apenas o seguinte: onde estão os R$ 28 milhões que recebeu nos últimos seis anos do Ministério do Esporte para o programa Segundo Tempo? Karina encestou essa grana, em certeiros arremessos de três pontos?

Ah, Oscar Schmidt, que diferença de comportamento, que honradez! Saudades da dignidade do Mão Santa!

Outra entidade que tem contratos com o ministério e está vinculada ao PCdoB é o Instituto de Cultura Ambiental (ICA), que recebeu R$ 5,5 milhões entre 2006 e 2011, também por meio do programa Segundo Tempo. A ONG tem como primeiro-tesoureiro Pedro Paulo Ribeiro, filiado ao PCdoB desde 15 de dezembro de 1995.

Ainda segundo o site Contas Abertas, o ICA tem um convênio com o ministério para a manutenção e renovação de núcleos de esporte educacional. O contrato, com previsão de término para o dia 3 de dezembro de 2011, prevê o repasse de R$ 3,3 milhões à ONG.

No quadro do convênio do ICA, o Instituto Master de Assistência e Treinamento para o Desenvolvimento Social (Imas) foi declarado apto a acompanhar a execução do convênio em todas as fases. O Imas é presidido por Julio Cesar da Silva Brandão, também filiado ao PCdoB do Rio de Janeiro. O site Contas Abertas tentou entrar em contato com o ICA e com Pedro Paulo, mas não conseguiu.

Outra ONG vinculada ao partido de Orlando Silva e que tem convênio com o Ministério do Esporte é o Instituto Contato. Também por meio do programa Segundo Tempo, a entidade já recebeu mais de R$ 20 milhões entre 2007 e 2011 e é presidida por Rui de Oliveira, filiado ao PCdoB desde outubro de1990. A administradora da instituição, Simone Fraga, entrou no partido quatro anos depois.

A relação entre a entidade e o PCdoB já tinha sido levantada pela mídia. Ainda assim, o Instituto Contato continua como o quarto maior beneficiário do programa Segundo Tempo em 2011, com R$ 3,1 milhões.

E a bola continua em jogo. O próximo a ser encestado é o próprio ministro Orlando Silva, acompanhado da equipe esportiva de seu partido, cujo comportamento faz Karl Marx, Friedrich Engels, Luiz Carlos Prestes e João Amazonas se reviverarem nos túmulos.

Com toda certeza, já não se fazem mais comunistas como antigamente, pelo menos no Brasil.

Depois de Iraque e Afeganistão, o Irã parece ser a bola da vez na fracassada primavera árabe.

Roberto Nascimento

A crise que assola o mundo ocidental é muito grave, em consequência algo precisa ser feito para que tudo continue na mesma, ou seja, preservar o status quo das grandes potências. O caminho mais curto é infelizmente a guerra. Os seres humanos não têm muita criatividade desde  as cavernas, então, é hora de muita reflexão e oração para que tenham piedade de nós.

O OCASO DA PRIMAVERA ÁRABE

A primavera árabe vai dando sinais de que as flores da democracia vão murchando mais rápido do que imaginávamos.

Os mesmos erros, as mesmas torturas, as mesmas barbaridades cometidas pelo ditador de plantão, um palhaço fantasiado de beduino verde, são agora segundo a Anistia Internacional também praticados pelos membros do Conselho da Revolução Líbia.

A GUERRA DO PETRÓLEO

E vão traindo os líbios como o governo anterior, vendendo sua maior riqueza (petróleo) para colonialistas europeus ávidos pelo ouro negro. São agora Sarkosy e Cameron, respectivamente presidente francês e primeiro-ministro britânico! E o que dizer dos bombardeios “cirúrgicos” da OTAN para tirar Kadafi do poder, se os outros parecem serem ainda piores?

A velha máxima continua de pé: Nada mais conservador do que um revolucionário no poder.

O INTERESSE DAS POTÊNCIAS

As grandes potências da Europa e os Estados Unidos, quando entram em uma guerra na casa dos outros, a pretexto de lutar pela democracia, sempre trazem mortes de inocentes, desagregação social, destruição da infraestrutura e desesperança nos jovens e crianças.

Iraque e Afeganistão são exemplos recentes, no passado o Vietnam também foi arrasado. Os países do Cone Sul tiveram ditaduras fraticidas nas décadas de 60, 70 e 80, apoiadas por americanos e europeus. De lá, com certeza não tem ninguém bonzinho disposto a ajudar os pobres países, o que querem são apenas a garantia de que terão minérios e petróleo para suas indústrias.

APROXIMA-SE A VEZ DO IRÃ?

A Líbia é o exemplo da atualidade. Para terminar, quando querem intervir qualquer pretexto serve, mas se não tiver, serão inventados.

O Irã está no olho do furacão para ser a bola da vez da invasão multimídia sem tropas e com muita tecnologia aérea. O furacão da primavera árabe no Oriente Médio vai virando uma ondinha que não serve nem para um pequeno mergulho.

 

A farra das ONGs continua. Já ganharam R$ 2,7 bilhões este ano. E o general acusado de criar ONG fraudadora continua no Dnit.

Carlos Newton

É a farra do boi. Os recursos do governo federal para entidades supostamente sem fins lucrativos vêm aumentando ano a ano. Segundo as repórteres Catarina Alencastro e Carolina Brígido, de O Globo, de 2004 a2010, as ONGs receberam dos cofres públicos um total de R$ 23,3 bilhões. Nesse período, os repasses aumentaram 180%.

Como se sabe, uma das ONGs envolvida em falcatruas foi criada em 2009 pelo atual diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), general Jorge Ernesto Pinto Fraxe. Trata-se do Instituto Nacional de Desenvolvimento Ambiental (Inda), que está envolvido no pagamento de propina de R$ 300 mil para fechar um contrato com o próprio Dnit, segundo denúncia da Veja.

Na época da criação da ONG, Fraxe ainda não dirigia o órgão, mas, como diretor de obras do Exército, tinha pleno conhecimento sobre como atua o departamento do Ministério dos Transportes.

A Controladoria-Geral da União (CGU), dirigida pelo ministro Jorge Hage, que continua dando belas demonstrações de eficiência e de respeito ao interesse público, instalou uma sindicância para apurar essas novas denúncias de irregularidades envolvendo o Dnit, mas o general Fraxe continua na direção do departamento. Diante da grande repercussão da notícia, o próprio ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, teve de também solicitar à Controladoria-Geral da União a apuração das denúncias. Mas está ficando tudo por isso mesmo. Daqui a pouco esquecem o general e a tal ONG.

O caso das entidades sem funs lucrativos é uma confusão danada, porque no meio de ONGs fraudadoras há entidades sérias, como a que figura no topo do ranking desde 2006. É a Fundaçâo Instituto Butantan, que produz vacinas e imunizantes amplamente usados pelo governo. Só em 2010 o Butantan recebeu R$ 879 milhões.

Outras que estão sempre entre as entidades que mais recebem dinheiro público são a Fundação de Seguridade Social (Geap), a Fundação Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPDQ), a Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Sincrotron e a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto.

A Controladoria-Geral da União (CGU) aponta que este ano tudo indica que haverá um decréscimo nos repasses. O órgão chama atenção, ainda, para o fato de que o universo de entidades sem fins lucrativos é bem mais amplo que o de ONGs, pois inclui, por exemplo, fundações de apoio a universidades e diversos fundos, inclusive o partidário.

Assim, além das ONGs, os partidos também entram no bolo das entidades sem fins lucrativos que recebem recursos governamentais. E tiveram, no período, um aumento crescente da verba embolsada, passando de R$ 112,6 milhões em 2004 para R$ 160 milhões no ano passado.

No ano passado, o PT foi o partido que mais recebeu recursos do Fundo Partidário, segundo dados da CGU. Foram R$ 28,3 milhões. O partido tem a maior bancada na Câmara, e o tamanho da bancada é justamente o critério para a divisão do fundo Em seguida aparece o PMDB, que recebeu em 2010 R$ 27,4 milhões. Os partidos de oposição PSDB e DEM receberam no ano passado, respectivamente, R$ 26,1 millhões e R$ 20,6 milihões. De acordo com a CGU, neste ano, até agora foram repassados R$ 2,7 bilhões para entidades sem fins lucrativos, incluindo os partidos políticos.

Fraudes no Ministério do Esporte começaram na gestão de Agnelo Queiroz, atual governador de Brasília

Carlos Newton

Não há novidades. A imprensa há tempos já vinha denunciando que as irregularidades no Ministério do Esporte vêm de longe, desde o primeiro governo Lula, na gestão de Agnelo Queiroz, que era do PCdoB e depois entrou no PT para disputar e vencer a eleição para governador do Distrito Federal.  

As irregularidades foram investigadas pela Polícia Federal e o inquérito encaminhado à 12ª Vara da Justiça Federal em Brasília, com um volume e sete anexos, após a constatação da participação de Agnelo nas fraudes em programas do Ministério do Esporte quando ele era ministro, entre 2003 e 2006.

Agora surge a informação de que a 12ª Vara já encaminhou o inquérito ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), para abertura de processo contra o atual governador do DF. O inquérito chegou ao tribunal na terça-feira da semana passada e foi distribuído para o ministro Cesar Asfor Rocha, que será o relator.

O nome do governador apareceu em uma investigação iniciada no dia 9 de junho deste ano pela Polícia Federal para apurar fraudes no programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte. O programa, de atividades esportivas em áreas carentes, foi descoberto pela Operação Shaolin, da Polícia Civil do Distrito Federal.

Os envolvidos são suspeitos de praticarem os crimes de estelionato e falsificação de documentos, entre outros. Entre os alvos está o policial militar João Dias Ferreira, que ficou milionário como diretor de duas ONGs que assinaram convênios com o Ministério do Esporte. Como se sabe, o policial acusa o atual ministro do Esporte, Orlando Silva, de receber verba desviada de convênios do ministério com ONGs. Silva é o sucessor de Agnelo.

O advogado de Agnelo Queiroz, Luis Carlos Alcoforado, disse que não poderia comentar o caso do inquérito no STJ. “Fico desconfortável de comentar um caso que está sob segredo de Justiça e que não nos foi franqueado o acesso em sua amplitude.”

Anteriormente, a assessoria do governo do Distrito Federal havia declarado que “o governador Agnelo Queiroz deixou o Ministério do Esporte há seis anos e não há qualquer ato na sua gestão à frente do ministério que tenha sido desaprovado pelos órgãos competentes”. Quanta desfaçatez.

Novela da queda do ministro Orlando Silva está cada vez mais emocionante, embora tenha cenas explícitas de comédia-pastelão.

Carlos Newton

O milionário PM João Dias Ferreira já está inebriado com a fama súbita e começa a extrapolar. Depois de alegar motivos de saúde (pneumonia) para não comparecer à Polícia Federal na manhã de ontem e prestar depoimento sobre as denúncias contra o Ministério do Esporte e o titular da pasta, Orlando Silva, o ex-militante do PCdoB de repente ficou bem disposto e atendeu a um pedido da oposição para se reunir com integrantes do PSDB, DEM e PPS no gabinete da liderança dos tucanos.

Ficou feio, pegou mal esse comportamento de quem faz acusações tão graves. Apesar dessa ressalva, deve-se destacar que durante a reunião, segundo o deputado ACM Neto (DEM-BA), Ferreira teria apresentado denúncias consistentes contra o ministério. Essa informação foi levada pelo deputado à Comissão de Fiscalização Financeira e Turismo da Câmara, durante o depoimento do ministro Orlando Silva, mas não foi divulgado que acusações o policial teria feito.

“O depoimento dele é estarrecedor. Traz detalhes e informações que não constam da imprensa. Demonstram a existência de provas materiais inegáveis contra o ministro e todo seu ministério. Nós aqui hoje não faremos questionamento do ministro. Dissemos que era necessário primeiro saber das provas do delator, para depois ouvir o ministro. Quero sugerir que essa comissão possa aprovar de imediato um requerimento para o depoimento do senhor João Dias”, disse ACM Neto à Comissão, segundo relato da excelente repórter Adriana Vasconcelos, de O Globo.

O policial seria ouvido de manhã pela Polícia Federal, mas alegou que ele está com pneumonia. Contou também após a reunião que há dois anos vem recebendo ameaças de morte.

Pela manhã, o Senado rejeitou os convites ao PM João Dias Ferreira e ao ex-ministro do Esporte e atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, mas aprovou convite para ouvir Orlando Silva amanhã, às 14h. O ministro confirmou que irá à audiência conjunta das comissões do Meio Ambiente, Defesa do Consumidor, Fiscalização e Controle; e de Educação, Cultura e Esporte. O convite foi proposto pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), do mesmo partido de Orlando Silva, que está um passo de ser demitido do cargo, sofrendo a mesma fritura imposta aos outros ministros recentemente afastados.

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BASE ALIADA FAZ PAPEL FEIO

Se o PM Ferreira procedeu mal ao deixar de prestar depoimento, preferindo se tratar com o pneumotórax político da reunião com os oposicionistas, a base aliada não ficou atrás. Os deputados governistas logo aproveitaram a debandada da oposição, cujos parlamentares preferiram ouvir o acusador do ministro. E a audiência pública conjunta da Câmara, convocada para ouvir o ministro do Esporte, Orlando Silva, somente serviu para tentar blindá-lo das acusações de corrupção.

Em quatro horas de depoimento, Orlando Silva praticamente não respondeu às denúncias publicadas pela revista “Veja” de que teria recebido suposta propina relacionada ao programa Segundo Tempo. A maior parte do tempo da sessão foi gasta com elogios e exortações de parlamentares do PCdoB e outros partidos governistas.

Que Congresso é esse? – perguntariam Francelino Pereira e Renato Russo, em uníssono. E ninguém responderia.

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ELOGIOS À ONG FRAUDADORA 

O ministro Orlando Silva (Esporte) gravou uma participação na propaganda institucional da ONG Pra Frente Brasil, alvo de denúncias de desvio de recursos repassados pelo ministério.

Em um vídeo, gravado para divulgação, o ministro Orlando Silva diz que a instituição dirigida pela ex-jogadora de basquete Karina Valéria Rodrigues, tem um “trabalho maravilhoso”. Segundo o ministro, a ONG trabalha “disseminando os valores para que a juventude tenha um futuro diferente”.

Segundo a Folha, diz ainda o ministro: “Aqui no Estado de São Paulo temos a Pra frente Brasil, uma ONG que a Karina dirige e que faz um trabalho maravilhoso, construindo parcerias com prefeituras e entidades privadas disseminando os valores para que a juventude tenha um futuro diferente. Muito obrigado, Pra Frente Brasil, obrigado Karina.”

De nada, nem precisava agradecer. A ex-jogadora Karina é que lhe deve agradecimentos pela generosidade, em função dos R$ 28 milhões recebidos nos últimos anos.

O vídeo foi encaminhado ontem ao gabinete do líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), de forma anônima. Não há registro de quando essa propaganda foi gravada.

Renúncia coletiva, uma solução

Carlos Chagas

Na dependência do que vier a acontecer no Esporte, ganhará corpo na Esplanada dos Ministérios uma proposta tão singular quanto  elogiável: por que todos os ministros, num gesto forma, não colocam seus cargos à disposição da presidente Dilma Rousseff? Se ela já deu sinais de promover  no começo do próximo ano  uma recomposição da equipe, melhor fariam seus ministros antecipando-se. Claro que não haverá uma substituição integral do ministério, é possível, até, que a maioria dos 38 ministros permaneça, mas a iniciativa engrandeceria todo mundo, se unânime.                                                        
Alguns  recalcitrantes poderão  alegar que seus cargos sempre estiveram à disposição da presidente, o que é verdade, mas,  sem dúvida, a renúncia coletiva teria o efeito de evitar constrangimentos. Deixaria Dilma mais confortável para livrar-se de uns tantos ministros que não escolheu,  engolidos como indicação dos partidos e do ex-presidente Lula.

Quanto aos novos, é evidente que serão objeto de sugestões da base partidária do governo,  ainda que de forma bem diferente da formação do primeiro ministério. Seria a oportunidade de a presidente selecionar opções com base nas duas exigências que não conseguiu concretizar quando de sua posse: probidade e capacidade.

Por enquanto, a renúncia coletiva é apenas uma idéia, mesmo vista de soslaio precisamente pelos que temem ser substituídos. Poderá prosperar, em especial se o ministro Orlando Silva não se aguentar, na hipótese de surgirem novas denúncias e acusações contra ele. 

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ABSURDO 

Desencadearam os juízes federais uma operação-padrão, paralisando o julgamento de ações  onde a União é autora. Trata-se do primeiro passo para a greve.  Reivindicam aumento de vencimentos e tentam, assim, constranger  o governo.  Convenhamos, é um  absurdo. Certas carreiras são incompatíveis com a greve, suas preliminares  e seus desdobramentos. O Poder Judiciário não tem o direito de apelar para a prerrogativa concedida aos assalariados em geral.  

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TIRANDO O QUE NÃO PODEM DAR

Vencedor dos gregos em Queronéia, Alexandre tornou-se rei da Macedônia com a morte do pai, Felipe. Preparava-se para conquistar o mundo quando, em Atenas, soube da existência de um sábio para ninguém botar defeito, famoso advogado que doara todos os seus bens e fora morar num barril, dando lições de ética e filosofia.  Alexandre quis conhecê-lo, postando-se diante dele com todas as reverências e  homenagens. Ofereceu-lhe tudo o que quisesse: palácios, tesouros, mulheres e poder.                                                        

Diógenes, sem levantar-se da abertura de sua singular residência, respondeu apenas: “Majestade, não me tires aquilo que não me podes dar”.  Alexandre verificou estar entre o filosofo e o sol. Tão chocado ficou que retirou-se sem mais uma palavra.

A historinha se conta a propósito da informação de que o PT prepara uma patrulha virtual para atuar em redes sociais, fazendo propaganda de seu programa e rebatendo todas as críticas sofridas por parte dos  meios de comunicação.  Os companheiros vão invadir twitters, face-books, computadores e toda a parafernália eletrônica atual. Entrarão como intrusos na vida de milhares de pessoas. É o caso de perguntar  se não estarão tirando de todos nós aquilo que não nos podem dar: tempo… 

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COMISSÃO DA VERDADE EM PONTO MORTO

Esbarra num obstáculo a votação da lei que cria a Comissão da Verdade: mesmo constituída para investigar a ação de agentes do poder público durante o regime militar, suspeitos de praticar tortura, violências variadas e até assassinatos, não haverá como os encarregados de tomar depoimentos evitem que os acusados deixem de referir-se ao outro lado.

Traduzindo:  ao defender-se, citarão ações  igualmente condenáveis  dos empenhados na luta armada contra a ditadura.  Vão dar nomes e expor situações, coisa capaz de complicar a vida de  muita  gente hoje no poder. Porque sequestros, assaltos e assassinatos também aconteceram por parte de seus adversários. A imprensa não deixará de reproduzir tudo, até mobilizando-se para ouvir réplicas e tréplicas.

Dilma sinaliza que nada tem com os réus do mensalão no STF

Pedro do Coutto

Em recente entrevista à imprensa em Porto Alegre, logo após assinar o Pacto Sul Contra a Miséria, a presidente Dilma Roussef afirmou que apoia as marchas contra a corrupção que se realizam no país. As manifestações, incluindo os protestos, são ao mesmo tempo consequência e elemento fortalecedor do regime democrático do Brasil – acrescentou.

A reportagem, importante, foi de autoria de Naira Hoffmeister.Importante porque, no fundo, revela um compromisso da presidente da República para consigo mesma e seu governo. Como acentuo sempre, não basta se ver o fato, mas principalmente identificar o que está implícito no fato. Se ela apóia  as concentrações contra a corrupção, deixa claro que a corrupção a incomoda, não passa ao largo dela, e, na medida em que condena a prática, está diretamente condenando seus autores.

A colocação é pertinente, sobretudo porque em seu governo já identificou vários episódios que culminaram com a demissão dos responsáveis. São os que têm volúpia para enriquecer de qualquer modo, legal ou ilegal, e, por isso mesmo, rompem com a ética e o direito. São perigosíssimos. A demissão, em tais casos, não deveria fechar as cortinas do espetáculo, mas – como costuma dizer meu amigo Humberto Braga – ensejar a entrada do Ministério Público no palco. Sim. Porque Roberto Gurgel, como Procurador Geral da República, representa toda a sociedade, não apenas a administração federal. O mesmo raciocínio se aplica às Procuradorias Federais nos Estados.

Um caso criminoso como o da explosão do restaurante Filé Carioca, no centro do Rio, merece investigação ampla, pois ao que os sintomas indicam a corrupção acendeu o estopim da tragédia, emitindo alvarás provisórios em sequência, esquecendo a licença definitiva. O que isso representa? Este é um lado da questão. Não o único. Existem muitos outros ângulos e episódios.

O processo do mensalão, o principal. Estourou em 2005 com a entrevista de Roberto Jeferson à jornalista Renata Lo Prete, da Folha de São Paulo. Acusou frontalmente o ministro José Dirceu, quem em consequência foi demitido da chefia da Casa Civil pelo presidente Lula e teve o mandato cassado. Mandato cassado teve também Roberto Jeferson. Este, numa atitude inédita, para afundar José Dirceu, atacou a si próprio. Claro. Pois sustentou ter recebido do ex-ministro 4 milhões de reais para a campanha eleitoral de seu partido, o PTB. Não revelou, pelo menos até agora, qual o destino do dinheiro. À luz da lógica, impossível sua absolvição. Confessou diretamente a prática de um crime.

Impossível a absolvição de Marcos Valério e Delúbio Soares, operadores e distribuidores dos recursos captados através de um sistema publicitário e de empréstimos bancários de fantasia. Demitido e cassado, impossível também a absolvição de Dirceu. Marcos Valério inclusive, chegou ao ponto de propor a inclusão do ex-presidente Lula no rol dos acusados. Duplamente impossível sob o prisma que adotou.

Em primeiro lugar a denúncia cabe ao Ministério Público. Não incluiu Lula. Em segundo porque se Marcos Valério nega a existência do mensalão, como pode propor a inclusão do ex-presidente no que diz não existir? Não há dúvida. Como também, agora com as declarações de Porto Alegre, Dilma não deixou dúvida de que não é de seu interesse, tanto pesoal quanto político, que o Supremo venha a adotar digamos, uma posição flexível na apreciação dos fatos. Pelo contrário. Os acusados têm razões para se preocupar.

A vitória de Kirchner

Sebastião Nery

Amaral Peixoto e Flores da Cunha, interventores no Estado do Rio e no Rio Grande do Sul, conversavam com Getulio Vargas no Rio. Flores da Cunha não sabia o que fazer para enfrentar a crise política lá.

– Volte, pare, pense o que seus adversários gostariam que você fizesse e faça exatamente o contrario.

Deu certo.

Há 60 anos não me engano nas eleições no Brasil ou na America Latina. Leio o Globo todos os dias. Fico sempre contra os candidatos dele e não erro. O Globo nunca acertou uma. Quem ele apóia, perde. Quem ele combate, ganha. Para conferir é só acompanhar a coluna do Segundo Caderno : – “O Globo Há 50 anos”.

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BANQUEIROS                                      

O meio fio da arrogância é o ridículo. O Globo pensa que o mundo é a rua Irineu Marinho. Sempre se mete aonde não é chamado. Não contando, noticiando, opinando, que é sua função e seu dever. Mas interferindo.  

Como o Globo manda no Rio e no Brasil, pensa que pode mandar também no pais dos outros. Intromete-se, imiscui-se. Nos últimos anos, perdeu as eleições na Venezuela, Equador, Paraguai, Peru, Guatemala, El Salvador. Até nos Estados Unidos. E Argentina nem se fala.

Servo, servil e serviçal, está sempre a serviço do FMI (Fundo Monetário Internacional), Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), banqueiros e grandes grupos internacionais, que têm ódio da  Argentina porque foram encoleirados, enfocinhados, dobrados, derrotadas e humilhados pela Argentina desde a vitoria dos Kirchner em 2003.

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CRISTINA

Agora mesmo o Globo  está cada dia mais grotesco, desgrenhando-se. arrancando os cabelos, porque a Cristina Kirchner vai ser reeleita domingo. Transforma em editoriais até friorentas reportagens turísticas lá na Patagônia,  matérias internas inteiras (“Por Dentro do Globo”):

1. – “Cristina Kirchner e o Poder da Ficção – Com a reeleição de Cristina Kirchner no dia 23 tida como certa, as atenções se voltam para os planos da presidente num segundo mandato. A maioria dos analistas aponta o risco (sic) de “aprofundamento do modelo”. levantando a hipótese de um reforço do combate kirchnerista à imprensa profissional independente”.

2. – “Turbulência na Economia Ameaça Segundo Mandato da Presidente – O governo vende aos argentinos, num clima de ficção, que o país vive no melhor dos mundos. E portanto não tem o menor interesse que os meios de comunicação quebrem esse encanto com o peso da realidade”.

3. – “O grande trunfo de Cristina e de seus partidários é o forte crescimento da economia, apoiado no estímulo ao consumo e nas exportações agrícolas. Em agosto , o PIB se expandiu a um ritmo anual de 7,3 % . Mas alguns analistas prevêem que o ritmo se desacelera devido à turbulência da crise mundial. Será difícil manter a ficção por muito tempo porque a inflação, por exemplo, é o dobro do que admite o governo, o que causa uma serie de distorções na economia”. (Globo, 14. 10. 2011).

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ARGENTINA

Se o Globo pudesse, a Argentina afundava de novo, como afundou em 2000 com seu querido e ladravaz parceiro Menem e sua política de “um peso um dólar” e “relações carnais com os Estados Unidos”. (O Brasil, a duras penas, cresce a 3,5%. A Argentina até 10 %).

E o Globo apela para um texto ambíguo, insinuando que a falência de 2000 foi culpa do Kirchner, que ainda era governador lá na Patagônia:

– “A pobreza que afetou o país nos piores anos da crise econômica continua a assombrar os argentinos. No entanto, além de poderosa e alvo de tantas acusações, a família de Cristina continua popular e aparentemente imbatível nas urnas”.

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ECONOMIA

Já que a ética profissional do Globo foi terceirizada, ele devia ao menos respeitar os assinantes (e eleitores de 60 anos, como eu) e lembrar que a Argentina só saiu do buraco porque o Kirchner chamou o FMI e os banqueiros e disse que a verdadeira divida do pais era de 25%, e pagou, e os outros 75% eram especulação, juros sobre juros, extorsão, e não pagou.

Os banqueiros estrebucharam, corromperam, subornaram e até hoje subornam jornais na Argentina e na America Latina, mas continuam de joelhos, “humilhados e ofendidos”, como no romance de Dostoievski. Tiveram que aceitar os 25%, tchau e benção. E a Argentina há 10 anos cresce entre 8% e 10%, sem interrupção. Tem gente de caráter no poder.

A Argentina fez o que a Grécia não teve coragem de fazer. O Globo não se conforma porque Kirchner se elegia e Cristina se elege. Devia perguntar ao marqueteiro norte-americano :  – “É a economia, estúpido!”

 Tem razão a mestra Rosiska Darcy de Oliveira: – “Esses escroques senhores até ontem eram o símbolo mesmo do poder e do sucesso”.

Por coincidência, ministro do Esporte comprou terreno em área que será desapropriada pela Petrobrás.

Polibio Braga

O ministro depôs nesta terça no Congresso, mas na mesma hora falou para a oposição, também no Congresso, o policial que o denunciou. A Petrobrás informou ao editor, ontem, que não desapropriará o terreno de Orlando Silva em SP, mas os documentos publicados não confirmam isto.

Se a reportagem de capa da revista Veja desta semana não conseguiu derrubar o ministro do Esporte,  Orlando Silva, com certeza esta devastadora  investigação da Folha de São Paulo era a pá de cal que faltava para enterrar o ministro do PCdoB.

Reportagem ou notícia de jornal ou TV que faz a denúncia e mostra as provas materiais e testemunhais, é mais do que arma letal. O site UOL desta terça-feira, pertencente aos jornais O Globo e  Folha de São Paulo, chegou ao requinte de disponibilizar o mapa da área, em Campinas, onde se encontra o terreno que o ministro Orlando Silva comprou no ano passado  por R$ 370 mil e que “coincidentemente” poderá ser desapropriado pela Petrobrás, porque por ali passa  um gasoduto.

Terrenos vizinhos já foram desapropriados e existem notícias de que a Petrobrás irá adiante. O Plano Diretor de Dutos da Petrobrás inclui o terreno na alça de mira da companhia. O ex-proprietário, um casal belga, tinha começado a conversar com a Petrobrás. A compra foi feita em dinheiro vivo (petistas e comunistas não gostam de usar cheque).

Ligadíssimo à Petrobrás é outro velho companheiro do ministro na área, mais especificamente no Conselho Nacional do Petróleo, o histórico comunista baiano Haroldo Lima. O lugar-tenente de Lima, é um ex-deputado do PCdoB do RS e ex-secretário da Smic, denunciado num escândalo sobre advocacia administrativa do qual não se fala mais nada.

Aliás, a Petrobrás enfiou R$ 30 milhões no programa Esporte & Cidadania, do ministério dos Esportes.

 O ministro do Esporte comprou o terreno em seu nome e da mulher, a atriz Ana Cristina Petta, que integra a Companhia do Latão, grupo teatral patrocinado pela Petrobrás. Tudo coincidência.

(Transcrito do blog de Polibio Braga)

Carta de um comentarista a seu filho, que lhe faz muita falta

José Reis Barata 

Newton, procurei um cantinho para incluir uma carta que gostaria de ter remetido para meu filho, que não vejo há mais de dez anos (RJ). Deixei no mural do abandonado facebook dele.

“À François A. C. Barata, meu Filho,
18/10/2011

Fica difícil dizer algo quando completas mas um ano de vida; não muitos, nem tantos quantos desejo que Deus te conceda o privilégio de viver.
A vida é bela. Por isto é que devemos insistir em vivê-la em todos os seus momentos, contornos, retornos, humores, odores, amores e contradições. É, ela é assim e nós somos assim, roseiras.
Dizer palavras não por dizer, e sim para acrescentar e palavras quando muito multiplicam ou dividem o que existe.
O que existe entre nós, ninguém, nem o tempo, nem a distância alterou. São nossas indevassáveis solidões que precisam ser respeitadas e vividas em suas felicidades interiores. Ficou e ficarão como nossas vivências, experiências que cada um de nós a cada lembrança, a cada recordação, a cada saudade, a cada lágrima, a cada solitário e silencioso apelo deve tentar tirar o melhor proveito esquecendo os defeitos.
Tijolos defeituosos não constroem um bom muro; uma boa relação, uma relação fraternal e amiga; uma vida feliz. Só o amor e com amor se constrói. Portanto, desprezemo-los.
Pouco convivi com meu pai, sabes disto. Criança, não muito diferente de ti, passou a me guardar e proteger de longe, sem retorno. Mas, ainda estou aqui, numa distância facilmente superável…
És, filho, um felizardo. Eu já não posso sequer dividir a brancura de meus cabelos com os de tua avó: educadora, trabalhadora, sofredora, mãe, santa. Nem por isto a deixo em paz com minhas súplicas. Filho – terás os teus – é isto, é solicitação contínua, eterna; mas é apego, é respeito, é presença, é carinho, é amor, é felicidade muito mais do que qualquer outro vínculo físico, material.
E pai? Bem, pai, pai é a mais árdua e difícil tarefa que se impõe sobre os ombros de um homem – de que se deve poupar as mães: é uma arte, arte de saber dizer não para um filho.
Nenhum fracasso ou sucesso me tirou a fé, a fé no amanhã de manhã; nenhum sonho deixei de sonhar. Contudo e sobretudo não fiquei no sonho; não permaneci dormindo; não permiti que se transformassem em pesadelos, mesmo nos mais terríveis quando teu irmão partiu,…foi e deve estar lá. Deus sabe o quê, como, quando e por que faz. Fez.
Sim, Deus, acredita, tem a fé nele que eu gostaria de ter e tanto preciso, peço e imploro. Se me deu tanto, por que me nega uma fé mais consistente, vigorosa, menos negociada, humana?
Pronto, minha bênção.
Multipliquei para ti o que eu fui e sou; só, teu pai, uma barata. Infelizmente, um flamenguista que gostaria, para teu gáudio, de ser botafoguense.
Beijo carinhoso, extensivo a teu e tua n ‘amor’ ada.
Aracaju, SE”

Acusador do ministro anuncia que tem duas gravações de reuniões feitas com ele.

O policial militar João Dias Ferreira anunciou que vai divulgar duas gravações que comprometem o ministro do Esporte, Orlando Silva, que lhe teria proposto um acordo, em março de 2008, para que não levasse a órgãos de controle e à imprensa denúncia sobre irregularidades no Programa Segundo Tempo.

Em entrevista ao repórter Rubens Valente, da Folha, o PM Ferreira protestou, na reunião que afirma ter tido, sobre ação do ministério que apontou irregularidades em dois convênios. Como o ministro nega o encontro com Ferreira em 2008 e diz que só se encontrou com o PM em 2004 e 2005, as gravações é que podem comprovar o que realmente aconteceu.

FolhaQue tipo de provas o sr. pretende apresentar a respeito dos fatos que o sr. narrou à revista “Veja”?
João Dias Ferreira – No momento certo, não sei ainda se no Ministério Público ou na PF, [os advogados] apresentarão dois áudios que nós temos e alguns documentos.

O ministro tinha conhecimento de irregularidades no Segundo Tempo?
Sempre soube, sabe até hoje. E isso funciona ainda. […] São empresas de familiares, de militantes. Então tudo é uma grande logística, é uma grande engrenagem.

Você chegou alguma vez a conversar sobre esse assunto com o ministro Orlando?
Já. Em março de 2008, foi nessa reunião que eu exigi a participação dele para homologar o acordo em que ele sanaria todos os problemas das minhas ONGs. Eu falei: “Olha, não concordo com o que foi feito. Vocês estão abusando, estão produzindo documentos, eu vou denunciar”. Eu pensei até que ele não sabia. Nessa época ficou evidente que ele sabia. Inclusive ele assumiu um acordo: “Olha, tudo bem, vamos sanar esse problema”.

Onde foi a reunião?
No gabinete dele. Ele já era ministro. A reunião foi feita extraoficialmente.

Quem participou da reunião?
Orlando Silva, Julio Filgueiras, que era o secretário nacional de esporte educacional, inclusive pediu exoneração logo em seguida em virtude das repercussões dos fatos noticiados na imprensa [sobre irregularidades em ONGs]. O corpo jurídico, salvo engano, era liderado pelo atual secretário-executivo Valdemar, a Milena, que era chefe de fiscalização.

Nessa oportunidade você narrou irregularidades?
Todas elas, e ninguém negou. O próprio ministro falou para mim: “Fique tranquilo que nós vamos regularizar a situação. Não precisa tomar parte ao Ministério Público, à imprensa, porque aqui eu tenho todas as condições legais para sanar os problemas”.

Você disse que iria procurar a imprensa e o Ministério Público se ele não solucionasse…?
Disse. E esse acordo foi da seguinte forma, que ele sanasse [os problemas da prestação de contas das ONGs de Ferreira], encerrasse minhas entidades. E nessa reunião ficou acertado que ele mandaria as duas entidades para o TCU para homologação.

Você não gravou a reunião?
Nessa, não, mas tenho outra, a posteriori, que se originou dessa. Onde estavam presentes o Adson, que era “subministro”, o Fábio, que é atual secretário, o Julio Filgueira, o Charles, que era chefe de gabinete do Adson. Essa reunião foi logo em seguida, provavelmenteem abril. Foi na calada da noite, no sétimo andar, na sala do Adson, no ministério.

Na reunião com o ministro, o que sr. pediu a ele, o que o sr. chama de sanar problema?
Tenho como provar. São problemas da seguinte natureza. Pediram 20% lá atrás…

Quem pedia?
Tinha uma comissão de captação. Era uma comissão grande, eles iam para impressionar. Tudo uma operacionalidade fraudulenta. “Olha, nós cobramos normalmente, entre 10 e 20%.” E eu concordei. Porque até então eu imaginei que estaria no cronograma de desembolso previsto. Só que não tinha. […] E eu me recusei a pagar. Aí começou a guerra. Eu paguei 1% [a uma empresa que dizia fazer consultoria], no valor de R$ 20 mil, e o documento está na 10ª Vara Federal.

O episódio da garagem, o sr. documentou?
Não. Em nenhum momento eu falei que eu vi o ministro receber. Eu falei que o braço direito dele, que é o Fredo [Ebling], falou para mim várias vezes que entregou.

Por que o sr. decidiu fazer as denúncias agora?
Estava aguardando o Ministério Público me chamar.

 

Denúncias de roubalheira no Ministério do Esporte respingam no Rio Grande do Sul

Polibio Braga

A denúncia da revista Veja contra o ministro do Esporte, Orlando Silva, é de que o ministério pode ter desviado algo como R$ 40 milhões através de ONGs ligadas a líderes do PCdoB. O dinheiro sempre saiu através do programa Segundo Tempo, criado pelo governo para incentivar crianças carentes a praticar atividades esportivas.

A Polícia Federal prendeu cinco pessoas acusadas pelo desvio. Duas delas, João Dias Ferreira e Célio Soares Pereira, confirmaram tudo. Eles informaram que entregaram a propina em caixas com cédulas de R$ 50,00 e R$ 100,00, na garagem do edifício onde mora o ministro do PCdoB.

“Era para fazer caixa para o Partido e tenho datas, horários, nomes e locais para revelar”, disse João Dias Ferreira, policial militar, ex-candidato a deputado pelo PCdoB. O dinheiro sujo serviu para a campanha de Lula 2007 e para eleições de candidatos do PCdoB no País.

O policial, dono de várias academias de ginástica em Brasília e Rio, revelou que foi abandonado pelos companheiros do PCdoB e por isso chegou a invadir o Ministério do Esporte para espancar Júlio Filgueira, então secretário nacional de Esporte Educacional

A roubalheira começou com o ex-ministro, Agnelo Queiroz, atual governador de Brasília, mas desde aquela época o tesoureiro era Orlando Silva.

Na noite de domingo, o programa “Fantástico” aprofundou as denúncias. Na Globo saíram imagens e entrevistas estarrecedoras sobre o desvio de dinheiro públicoem São Paulo.

O ministro dos Esportes, que estava no México, voltou ao Brasil, aparentemente a chamado do governo. O policial João Dias Ferreira reagiu na mesma hora e avisou: “O ministro é bandido. Eu provo. O PCdoB deve calar”.

Um dos homens mais citados na reportagem de Veja sobre a roubalheira no ministério dos Esportes é o comunista gaúcho Fredo Ebling. Ele foi chefe de gabinete de Aldo Rabelo quando este presidiu a Câmara, mas agora trabalha com o ministro Orlando Silva e seria uma espécie de gerente do balcão de negócios do PCdoB, o homem-chave no esquema do PCdoB.

Na Assembléia do RS, Fredo Ebling é lembrado pela atuação que teve no gabinete da então deputada Jussara Cony, atual secretária do Meio Ambiente de Tarso Genro.

A revista Veja fala assim sobre ele: “João Dias (o comunista que denunciou as malfeitorias) diz que Fredo Ebling era um dos camaradas destacados por Orlando Silva para coordenar a arrecadação entre as entidades. O policial relata um encontroem que Eblingabriu o bagageiro do seu Renault Mégane e lhe mostrou várias pilhas de dinheiro. “Ele disse que ia levar para o ministro”, afirma. Ebling nega.

Desde as eleições municipais de Porto Alegre em 2008, circulavam histórias nunca comprovadas sobre o ingresso de grosso dinheiro do PCdoB de Brasília na campanha da comunista Manuela D’Ávila.

Ninguém conseguiu apurar nada na época, mas diante das denúncias de roubalheira no ministério dos Esportes, cujo resultado visou financiar as atividades do PCdoB, o editor foi ao Tribunal Regional Eleitoral e levantou as contas de campanha da deputada.

Eis a lista dos seus cinco maiores doadores: Diretório Nacional do PCdoB, R$ 670 mil; Biolab Sanus Farmacêutica Ltda., R$ 400 mil; Diretório Estadual do PCdoB, R$ 225,9 mil; Granol, R$ 125 mil; Gerdau, R$ 100 mil.

Após denúncia de Veja, Manuela “destuítou” e saiu de cena. Neste final de semana a deputada Manuela D’Ávila fez greve no seu twitter. Tuiteira juramentada, a deputada saiu de cena depois da reportagem de Veja sobre as denúncias de roubalheira no ministério dos Esportes.