A recuperação da economia não passa pela Bolsa

Ontem, quarta-feira, a Bovespa subiu 4,96% e movimentou pouco mais de 6 bilhões. Foi o suficiente para o jornalão colocar na Primeira: “Alta na Bolsa com grande volume, onde está a crise?”

Primarismo e fortes interesses. A Bovespa chegou ontem, quase a 6 bilhões e meio, mas nos tempos áureos, faturava 9 ou 10 bilhões. Quanto ao  índice, já chegou a 74 mil. Quer dizer: se subir 48 por cento, chegará aos 74 mil do ano passado. E o volume precisa subir mais de 50 por cento.

Não atingirá nem uma coisa nem outra. Hoje, com 3 horas de pregão, 0,2% em 51 mil , 434 pontos.

O dólar no mesmo patamar de ontem, mais 0,2%. Faltam 4 horas de jogo, não está tão verde quanto o meu vale.

A importantíssima CPI das Ongs

É das mais destacadas, e já deveria estar funcionando há muito. Existem 250 mil delas no Brasil. Só na Amazônia, 100 mil ONGs. Quem explica ou justifica o fato?

Outra coisa que não convence ninguém: ONG, quer dizer, Organização Não Governamental. Mas uma parte enorme delas, “vive” de recursos ou dinheiro público. Se essa CPI desvendar os dois fatos, enorme serviço prestado.

O novo Senado

Wilson Figueiredo

Desde que deixou de ser abrigo histórico de políticos idosos _ sobreviventes de derrotas dignificantes e vitórias retumbantes, ex-presidentes, ex-governadores e demais credores de reconhecimento público _ o velho Senado tomou o rumo equivocado assim que o AI.5 saiu de circulação e lhe abriu passagem. O caso do Senado e da Câmara começou com a mudança de endereço da capital federal: longe da opinião pública, o Congresso deu as costas à ética política e perdeu o senso ao se mudar para o Planalto Central. A livre multiplicação da mordomia parlamentar abalou o sentimento republicano até a raiz. O voto direto, de peso majoritário no Senado, é a armadura dignificante da autoridade especial que a eleição confere aos senadores, por cima das divergências. Mas, usado como moeda de troca de favores, passou a ser péssimo investimento da cidadania.

Nos últimos tempos no Rio, contornando a ida para Brasília, os senadores, para ganhar tempo,  prolongaram o viço crepuscular que fez o encanto final do palácio Monroe. Os últimos senadores daquele período _  de 1946 a 1964 _  fecham o álbum de família que incorporou, até ali, o presente ao passado brasileiro. O saldo das leis a que o Senado deu  aval valeu por uma bênção cívica, mas não mais imuniza personagens de menor estatura histórica. Dissipou-se o eco dos debates que sustentavam, no plenário e na repercussão nacional, o prestígio da oratória, complementada com pequenos escândalos, como a licença privilegiada de importação de automóveis antes do advento da indústria que democratizou a oportunidade. A decadência atual tem outra natureza e criatividade maligna, como as decisões secretas para que os eleitores não venham a saber. Ganhou dinâmica suicida. Desfez-se, da noite para o dia, a ilusão de que seja possível esconder história suja por muito tempo.

A mudança da capital para Brasília não correspondeu, na política,  ao múltiplo efeito favorável nas suas conseqüências e benefícios. Na tradição das intervenções políticas com alegações éticas rapidamente esquecidas, fez-se, a partir de 1964,  de um golpe de Estado, como era praxe,  uma ditadura, obviamente sem prazo, ao custo da dívida moral que ainda está sendo paga em escândalos de intermináveis prestações. De um Congresso  proibido de legislar e calado com favores de vários tamanhos, não se podia esperar nada melhor do que tem sido servido aos brasileiros a título de atividade parlamentar.

Com a ida para Brasília, foi-se a época dos alentados discursos, com duelos de qualidade política, fosse para divergir ou convergir. Apenas um punhado de sobreviventes faz as honras do contraste entre o que foi e o que pode vir a ser um Novo Senado, desde que a opinião pública tape os ouvidos e não confunda o fim do dia no Planalto Central com o fim dos tempos. É apenas um novo começo. Sem se levar em consideração que o espetáculo não precisa durar mais para realçar as diferenças, não é  possível entender o que se passa em Brasília. Elas são óbvias. A conta política cobrada pela cidadania cria a oportunidade para reconstruir uma nação politicamente carente de ética pública, sem a qual as leis morrem de inanição. O que passou, não apenas passou como não pode continuar sem conseqüências, à margem da ordem legal em que os cidadãos transitam e os costumes se regeneram.

Ao confinar a representação política ao exercício do mandato vazio, a inversão da ordem dos fatores democráticos ressaltou a perfídia: a ditadura, quando fechou os olhos,  deixou apenas a decadência representativa como legado. O  sinal dos tempos é a falsa legitimidade de senadores sem votos, vestidos com sofismas arrogantes que não lhes cobrem as vergonhas.Na revelação das misérias ocultas, não houve sequer um suspeito com a dignidade de assumir a culpa e se explicar no julgamento. A presunção de inocência se tornou privilégio dos culpados irrecuperáveis, para os quais o voto é mercadoria paga com dinheiro do contribuinte. O resto se chama conivência. Ainda bem que as liberdades enchem os pulmões da cidadania. A absolvição de culpados é o esgoto de uma época da qual nada de bom se poderá aproveitar, como se vê mais de perto a cada dia.

Entre o Velho Senado, que Machado esculpiu com mão fina, para durar mais do que a vida de cada um dos senadores que o habitavam, e outro que é esperado, chega a oportunidade democrática a ser aproveitada antes que a mão pesada da História desça sobre as instituições que precisam ser salvas, e não destruídas a título dar lugar a outras. Os pecados da mordomia não resistem à luz do dia e os seus beneficiários, não demora, vão passar  pelo voto  dos cidadãos. Não há alternativa.

54 senadores, em 2010, sem mandato?

É mais do que um dilema, é encruzilhada para dois terços do senado. 27 estão garantidos até 2014, 54 terão que enfrentar o povo, o que não fazem há 8 anos.

Diante do sucesso dos que estão no senado, sem voto, sem povo e sem urna, a pergunta que mais se ouve é esta: “Como é que eu me elejo suplente?”. 20 destes podem responder ou aconselhar. Que República.

A segunda Petrobras para o pré sal, assombro

Assim que se confirmaram as descobertas daquelas riquezas a mais de 4 ou 5 mil metros de profundidade, surgiu a ABERRAÇÃO de criar nova empresa para explorar esse pré sal. Quem veio a público propor isso, foi Edson Lobão Ministro, que República.

IMEDIATAMENTE, NA TRIBUNA DE PAPEL, FUI CONTRA E CONTINUO CONTRA CADA VEZ MAIS CONVENCIDO DE QUE É TRAIÇÃO DOS QUE MANIPULAM O MINISTRO, E BURRICE DELE MESMO.

A Petrobras se prestigiou no mundo, exatamente pela competência e capacidade de ir buscar petróleo. As plataformas da empresa estão lotadas de técnicos estrangeiros, que chegam para aprender.

Demitam o ministro, mas não destruam a Petrobras, com essa empresa fantasma, com objetivos FANTÁSTICOS.

Os “pizzaiolos” reagiram, ainda bem

Cada vez mais arrogante, Lula se enche também de pretensão, e joga essa palavra altamente hostil, ofensiva e desprezível, em cima dos senadores. Felizmente eles reagiram, embora tivessem 90 por cento de culpa do que está acontecendo.

Essa ofensiva contra o Parlamento não é nova. No passado já afirmou, todos lembram, dos “300 picaretas do Congresso”.

Agora é ele que patrocina a subida dos suplentes. Como contei com exclusividade, foi o próprio Lula que indicou e elegeu o suplente João Pedro para presidir a CPI da Petrobras.

O segundo suplente Paulo Duque, é patrocínio de Renan, mas com aval do próprio Lula.

Esportivas, sem emoção, mas com amargura

1. O Cruzeiro entrou em campo vitorioso, de faixa e engalanado, que palavra, mas é a verdadeira. E embalado pelo primeiro time de colunistas, prontos para festejar.

2. Esqueceram que o Estudiantes era tri de verdade, ganhou a Libertadores em 1968, 69 e 70. E quem estava em campo? Um jogador com a classe e a raça do Veron, cujo pai ganhou esses três títulos.

3. Frustraram 64 mil no estádio e centenas de milhares em casa, não existiam ingressos. Foi tristeza pura, achavam que o zero a zero da Argentina fora sensacional e positivo.

4. Pior ainda: o treinador Adilson Batista que faz um bom trabalho, provavelmente será demitido. O Cruzeiro tem algum interino mais barato?

5. A “orientação” dos clubes agora, é gastar menos com os treinadores. Melhor exemplo: Luxemburgo ganhava 700 mil, (mensais, mensais) ficou o interino, que ganha 40 mil, menos de 10 por cento.

6. Esse interino, Jorginho, vem “agradando” os dirigentes, por três motivos: ainda não perdeu, o clube está em segundo lugar, e não fala em aumento.

7. Essa fórmula que começou ontem no Fluminense, foi decepcionante, é duro suceder Parreira, o “tetra” de um título só.

8. Além do mais, pagaram uma fortuna ao Fred para jogar mal ou não jogar (sinônimos), foi expulso pela segunda vez seguida. Como não acontece nada, vai repetir. O Fluminense afundando nos últimos lugares.

9. Tem “companheiros” ilustres. São Paulo, Botafogo, Cruzeiro, (lá se vai o Adilson) se a esta hora já não foi. Hoje, o São Paulo enfrenta adversário difícil. O Botafogo não joga, por malabarismos dos dirigentes.

10. Dessa maneira, em 2010, a série B será a nova atração. Podem até juntar o Vasco, que já está lá, reagiu com duas vitórias. Mas com jogador expulso aos 10 minutos de jogo, como acreditar?

Gay Talese: “jornalismo novo”, mais antigo e mais velho do que Gutemberg em 1460

O titulo destas notas já diz tudo, é completo, irreversível, irrevogável e indestrutível. Mas um homem que escreve um livro de 510 páginas e acrescenta cinco, que chama com alta criatividade de “posfacio” merece mais do que as 14 palavras que coloquei, antes de começar a analisá-lo.

“O Reino e o Poder” foi publicado em 1971 e o “posfacio” em 1992, o que parece mágica. Não é. O autor, muito mais tarde, percebeu (ou deve ter sido alertado), o que constatei logo que comecei a ler (e grifando, como sempre), que ele “não é uma “lenda viva”, como se julga, e sim o autor mas não o precursor, de um jornalismo chatíssimo, monótono, cansativo, e que precisava de uma explicação.

Gay Talese escreveu o livro em 1971. Tinha então 39 para 40 anos, hoje tem 77, que comemora diariamente, principalmente em países como o Brasil, que adora bajular os que já aparecem bajulados sem qualquer razão de ser. Essa identificação de “criador do novo jornalismo”, deve ter surgido de sua própria imaginação.

Talese trabalhou no Times, pouco tempo. Pois quando escreveu (ou publicou) o livro, ainda ia fazer 40 anos. E usar a palavra trabalhou é força de expressão, pois não deve ter tido tempo para se dedicar ao jornalismo, por esse motivo impressionante: citou nominal e pessoalmente, 384 pessoas que trabalharam no New York Times, desde o tempo do “fundado” (vá lá) Adolph Ochs, até o ultimo editor retratado, Daniel Clifton. Que mereceu 49 meias paginas no seu índice Remissivo. (Só quem ganhou mais espaço e citação foi Catledge Turner, também editor).

Esses 384 personagens ocuparam os mais diversos cargos no Times, como Talese chama quase sempre, usando apenas a ultima pagina do titulo do jornal.

Foram: Publisher, editor, editor adjunto (pelo menos 20 simultaneamente, segundo ele) copidesques, repórteres, redatores e 49 correspondentes que o Times mantinha nos mais diversos lugares, não apenas países, mas também cidades, pois o Times se dava ao prazer, satisfação e orgulho, de manter às vezes 5 no mesmo país. (Não esquecer: o livro foi acabado em 1966, quando a cobertura não era tão intensa quanto hoje).

Em relação a esses 384 personagens, Talese usa toda a sua mais do que visível arrogância, e um orgulho indisfarçável de estar fazendo a biografia do jornal, “e da família mais importante dos Estados Unidos”.

Escreve sobre todos, numa exibição de hipocrisia crítica, ninguém escapa da sua análise e do seu comportamento sem constrangimento. Ninguém recebe elogios sem receber a carga de restrições, a contrapartida é ainda mais verdadeira. Só se livram inteiramente Adolph Ochs, o fundador (que evidentemente não conheceu, morreu em 1935, Talese nasceu em 1932) e Daniel Clifton, editor que o abrigou por um tempo. Mas desconfio que Clifton foi salvo pelo fato de ter casado com Margareth Truman, que além de ser filha de presidente, era muito bonita. Apesar de se apresentar como rigorosamente independente, Talese adorava festas e relacionamento com poderosos.

* * *

PS- “O Reino e o Poder”, é impiedoso, mas como o próprio autor. Escreveu interminavelmente, mas baseado no seu livro, ninguém irá conhecer ou descobrir o que aconteceu durante esse tempo, nos EUA e no mundo. Além de 384 personagens dispersivos, Talese citou outros 400, (também do Times) que abandonei por falta de espaço ou de importância.

PS2- Espero que muitos que fizeram o exercício da vassalagem a Talese, (televisão, jornalões, Flip) usem essa matéria como arrependimento. O novo jornalismo começa há mais de 500 anos. A imponência de Gay Talese é sepultada nas 521 páginas que ele mesmo escreveu.

PS3- Não pode ser ressuscitado, literaria ou fisicamente. Embora, na segunda citação, faça uma força enorme para convencer que ainda existe.

Para distribuir renda, só vencendo a inflação

Pedro do Coutto

Reportagem de Geraldo Doca, O Globo de 15 de julho, com base na pesquisa que realizou na coluna que o presidente Lula assina semanalmente em jornais alternativos, revela que ele, em 2010, pretende reajustar os vencimentos dos aposentados e pensionistas do INSS que ganham mais que o salário mínimo em nível acima da inflação que for registrada. Pela primeira vez fará isso, já que os aumentos nominais desses segurados têm apenas empatado com as taxas inflacionárias. Empate é algo conservador. O que, embora pareça incrível, já constitui um avanço, pois no período FHC ficavam abaixo da escala do IBGE, Não importa que a motivação agora seja o ano eleitoral que se aproxima e Lula esteja empenhado no êxito da candidatura Dilma Roussef. Este é outro ângulo da questão.

Mas o fato essencial é que a única forma de redistribuição de renda, sempre exaltada, porém não praticada, é corrigir os valores do trabalho acima a inflação. Não há outro caminho. Pode ser até, logicamente, que tal superação esteja ligada à produtividade, de modo geral. Nem por isso deixa de ser indispensável. O INSS possui 26 milhões de aposentados e pensionistas, 50% em cada uma das duas categorias. Desse total, somente 8 milhões ganham mais que o piso. A proporção, portanto, é de três quartos contra um quarto, ou 75 a 24 %. Na administração Lula, o mínimo tem sido sem dúvida, reajustado acima do ritmo inflacionário.

Mas os demais vencimentos não. A começar pelos dos funcionários públicos. Esta defasagem acumulada no tempo representa um desastre social. Acrescenta, inclusive, velocidade ao processo de favelização que, indiretamente, amplia as bases da insegurança urbana. Como não existe ação sem reação, para que possa ocorrer uma descompressão social é preciso uma nova política trabalhista. Ela está tardando. Mas antes tarde do que nunca. O presidente Lula está pensando, segundo ele próprio disse e Geralda Doca registrou, em destinar um acréscimo 2,5 pontos acima da taxa do custo de vida. Se este subir 5%, como é esperado, o acréscimo seria de 7,5%. Importante a iniciativa como etapa. Afinal, só existem três meios de produção: capital, trabalho e tecnologia. A tecnologia não recebe salário. Seu dinamismo está contido ao mesmo tempo no trabalho e no capital. Portanto, a dualidade capital e trabalho é insuperável.

E vale acentuar a definição de Karl Marx: capital é trabalho acumulado. Seja ele físico ou intelectual, acrescento eu, para neutralizar qualquer preconceito com a cultura e os avanços e a produção que ele proporciona. Impõe-se um equilíbrio entre o capital e o trabalho. Não uma igualdade, pois isso é impossível. Mas limites essenciais entre o lucro e o esforço humano. Podem ser compatíveis. Basta o que não é fácil, conter a ganância e reduzir a corrupção que, disfarçadamente, é um crime com milhões de vítimas. Não é simples, porém vale a pena tentar. Não deixar tudo para lá e considerar a pobreza um fatalismo total. O apelo político, ao contrário, tem que ser um impulso construtivo. E só se pode construir qualquer coisa agindo-se com justiça. Inclusive social.

Quem examinar as estatísticas do IBGE de 95 para cá vai verificar a enorme discrepância entre os índices inflacionários e as reposições nos salários. Cada um, simplesmente, pode fazer as contas por si. Os números são estes: 22,4% em 95; 9,5 em 96; 5,2 em 97; 1,6, muito baixo em 98; 8,9 em 99; 5,9 no ano de 2000; 7,6 em 2001; 12,5 em 2002; 9,3% em 2003; 5,4 em 2004; 5,6 em 2005; 3,1 em 2006; 4,4 em 2007; 5,9 por cento em 2008. Sem calcular os montantes, a soma dá 107%. O que aconteceu com os salários? Ficaram para trás. Um absurdo.

“Renuncie com grandeza!”

Carlos Chagas

Hoje, início do recesso  parlamentar, o senador Pedro Simon estará no aeroporto de Brasília para pegar o avião. Para onde?  Ele não sabe. Está com vergonha de descer em Porto Alegre. E em qualquer outro lugar. Não tem para onde ir, como falou.

Na véspera, num de  seus  mais contundentes  discursos de uma vida parlamentar de quarenta anos, o   representante do Rio Grande do Sul emocionou os colegas ao afirmar que se sentia responsável por tudo o que acontece no Senado. Pelos escândalos denunciados  em cascata,  verificados há anos na Câmara Alta.  Como o mais velho dos senadores, já tendo completado oitenta anos de idade, pediu desculpas, apesar de ser um   dos poucos sobre o qual nada pesa, em termos de irregularidades.  Mas não fugiu à culpa de ter assistido há décadas, omitindo-se, o Senado transformar-se numa casa de horrores, onde todo o tipo de lambanças vem sendo praticadas. Disse que ninguém reagiu, inclusive ele, quando de três mil funcionários, o Senado passou a abrigar dez mil,  boa parte nomeados através do nepotismo e de facilidades de toda ordem. Calaram-se todos,  também,  quando os senadores passaram a utilizar dinheiro público para viagens por todo o mundo,  sem objetivo político. Ou quando os contra-cheques se viram  aumentados sob os mais variados pretextos, de auxílio-moradia a pagamentos de despesas extraordinárias, na capital federal e nos estados.

Foi longa a catilinária de Pedro Simon, detalhando o  enriquecimento de senadores e de funcionários através da aquisição de  mansões, propriedades diversas e da abertura de polpudas contas no exterior. Falou de negócios especiais e da conivência dos senadores com uma situação por todos tida  como normal.

Para Sarney, só a renúncia

“Chegamos ao limite”, explodiu o senador Simon,  centralizando as críticas em seu correligionário e até grande amigo, do qual foi ministro da Agricultura, José Sarney.  Exigiu que o presidente do Senado não mais se licenciasse, mas renunciasse em definitivo,  como fizeram em oportunidades  até menos  agudas Antônio  Carlos Magalhães, Jader Barbalho e Renan Calheiros.

Ainda que Sarney não estivesse presente para ouvi-lo, alinhou a maioria das acusações pesadas sobre ele.  A apropriação do antigo Convento das Mercês,  em São  Luís, para transformá-lo em mausoléu, propriedade privada dele e, após  sua morte, de sua mulher,  dos filhos, dos netos e demais descendentes de gerações futuras. Verberou a atitude do ex-presidente da República obtendo do Senado a revogação de lei estadual que devolvia o convento ao poder público, fato inédito na história do Brasil.  Horrorizou-se pela confissão do próprio Sarney de haver viajado para  a Itália às expensas de um banqueiro inescrupuloso,  que arcou com todas as despesas da viagem. Mais ainda, pelo fato de um dia antes de o Banco Santos quebrar e de seu proprietário ir para  a cadeia, haver sido  retirado depósito de milhares  de reais da conta de Sarney, enquanto os demais correntistas ficaram no prejuízo.

Simon não poupou o três vezes  presidente do Senado por haver permitido a um neto formado em Harvard e na Sorbonne locupletar-se “num negócio de quinta categoria”,  envolvendo  empréstimos  bancários para funcionários do Senado.  Lembrou o número de parentes e  afilhados de Sarney nomeados nos últimos anos e ainda recentemente para os quadros da casa. Citou a designação,  pelo senador maranhense,   de Agaciel Maia para a diretoria geral há quatorze anos, quando  atos secretos começaram a esconder tramóias de toda espécie. E mais a aquisição de mansão em área  nobre de Brasília sem declaração à Justiça Eleitoral.

Dirigindo-se a um José Sarney  ausente, exigiu dele um ato de grandeza, a renúncia, capaz de deixar sua família em paz. “Getúlio Vargas saiu da vida para entrar na História”, disse, “mas José Sarney sai da História para cair na vida…” Não  tem condições psicológicas para continuar presidindo o Senado.

Sobrou para o Lula

Em seu discurso, Pedro Simon também atingiu o  Lula,  por estar emprestando todo o respaldo a José Sarney. Exortou o presidente da República a ter mais respeito, porque de maneira ridícula estava imitando os generais da ditadura, usando o poder em causa própria. Acusou o chefe do governo de haver cometido um pecado   mortal ao determinar à ministra Dilma Rousseff que fosse à residência do presidente  do Senado hipotecar-lhe solidariedade.

Não vai acontecer nada

O fecho do pronunciamento do senador gaúcho foi profundamente pessimista. Concluiu que não vai acontecer nada  no Senado, que as coisas continuarão do mesmo jeito. “Ficará tudo como está, nós estamos no chão. Já vi de tudo em  minha vida política, mas nossa transformação em casa de escândalos, jamais.”

Referiu-se à constituição do Conselho de Ética, verificada pouco antes, acusando o líder do PMDB, Renan Calheiros, de  conivente com a situação por haver indicado companheiros para compô-la não pela capacidade de cada um, mas pela fidelidade ao acobertamento de tantos  escândalos, responsáveis pela  redução do Senado a zero. “Senado? Para que Senado?”

Mesmo assim, suas últimas palavras continuaram um apelo  dirigido  a Sarney: “renuncie com grandeza, meu amigo!”

Sarney, assustado, quase não preside hoje

Antes de começar a ordem do dia, (4 horas) o senador Sarney assume a presidência. Não é só ele, uma rotina, para deixar os membros da mesa presidirem e aparecerem nos seus estados.

Hoje, quase Sarney não presidia. Começaram a dizer que como era véspera de recesso, iriam pedir a renúncia dele ou não votariam a LDO. Como Renan não estava presente Sarney não queria sair de um de seus vários gabinetes. Parecia verdade.

Como foi instalada a Comissão de Ética para julgar precisamente o presidente do Senado, Sarney ficou com medo. Apesar dessa Comissão ser presidida por um SEGUNDO suplente, Sarney pediu garantias. Dois senadores renunciaram a essa Comissão, não havia número para nada. Sarney foi presidir. (Exclusiva)

Alta na cotação e no volume da Bovespa, crise continua

Na primeira postagem ao meio dia, escrevia: negociados 1 bilhão e 500 milhões, o maior total dos últimos 34 dias. No fechamento, movimentaram 6 bilhões e 500 milhões, a primeira vez que isso acontece nos últimos 34 dias.

A Bovespa subiu 4,96% bem razoável, ficou em 51 mil 296 pontos. Só duas ações das 157 negociadas, não subiram. As maiores altas, Vale e Petrobras.

O dólar trabalhou o dia todo em baixa. 1,94 alto, depois 1,94 médio, e finalmente, 1,93 bem baixo, queda de 1,50%.

Caminhos e descaminhos do Poder

Em Alagoas, na presença dos dois senadores, Lula retumbou: “Collor e Renan me sustentam”.

E em 2010?

Collor tem mandato até 2014, pode disputar o governo de Alagoas ou satisfazer ambições mais altas, digamos uma vice. A situação de Renan é muito mais difícil, embora ele seja espantoso malabarista político.

Seu mandato acaba em 2010. Precisa renová-lo, mas também gostaria de ser governador. Em 2010 (fora do Poder?) quem Lula estará “sustentando”, para usar sua palavra hoje?

Radio FM: Band – CBN

É uma disputa por audiência, que começa pela manhã bem cedo e vai adiante. Pela Band, o jornalista Ricardo Boechat, (que também comanda o jornal noturno da TV-Bandeirantes) vem levando nítida vantagem.

Essa vantagem provocou até reviravolta na concorrente. Observação: apesar do progresso contínuo da tecnologia, a rádio FM ainda mantém grande audiência.

Na Bovespa aventureiros faturam

Apesar das altas ou quedas das Bolsas (aqui na Filial ou lá na Matriz) não tenham a menor importância, é preciso manter o noticiário para não deixar que os amestrados fiquem absolutos.

Nesta primeira postagem do meio dia, jogaram mais do que nos outros. Desde o dia 12 de junho (mais de 1 mês) em duas horas de jogatina, não atingiam o 1 bilhão e 500 milhões de hoje.

E em alta ascendente. Abriu em 49 mil e 800, mais 1,57%. Às 11, subia 2,40% entrando na casa dos 50 mil. 11:37 avançava mais, alta de 3 por cento, exatos. Ao meio dia continuava subindo, chegava a 50 mil e 520 pontos, alta de 3,40%. Vamos ver nas 5 horas que faltam.

O dólar negociou na abertura a 1,95 baixo, queda de 0,80%. Embora também seja muito jogado, a sua cotação afeta principalmente exportação e importação.

No TRF/3ª Região recurso contra TV Record e Edir Macedo completou 10 anos

A venda da TV Record para o bispo Edir Macedo, que chefia a Igreja Universal do Reino de Deus, deve ser anulada, em decorrência de falsidade ideológica, utilização de recursos da igreja IURD) e outras ilegalidades?

Se você tiver interesse em acompanhar a tramitação desse processo, acesse o site www.trf3.gov.br . Clicando o número da apelação do Ministério Público Federal, você verá que o processo 1999.03.99.075971-9, da relatoria da desembargadora Sallete Nascimento, foi autuado em 13/08/1999 . Aguarda julgamento há exatos DEZ ANOS. Por que tamanha demora, desembargadora?

Sem dúvida, mais um caso de inexplicável morosidade a ser examinado pelo CNJ – Conselho Nacional de Justiça, que, ultimamente, vem procurando controlar a produção dos senhores desembargadores do maior Tribunal do País, o de São Paulo. E os outros?

Crivela sem mandato

Eleito de forma surpreendente em 2002, o já senador evangélico foi derrotado duas vezes para prefeito: em 2004 e 2008. Em 2010, não se reelege mesmo com o apoio do presidente Lula. Sergio Cabral (que pode não ganhar de Garotinho), fará tudo que Lula mandar. Mas haja o que houver, será “apoio contra”. (Exclusiva)

O favorecimento a Marcelo Crivela

Muitos não se surpreenderam com um suplente escolhido por Lula para presidir a CPI da Petrobras. Mas quase todos surpresos e sem entender a razão do próprio Lula ter fechado questão: “O vice tem que ser Marcelo Crivela”.

Explicação: Lula conversou pessoalmente com o senador evangélico. Este concordou, mas falou que estava em situação difícil para se reeleger. Lula disse logo: “Deixa que eu falo com o Sergio Cabral”. Ainda não falou, mas vai.

Surpreendente: por que Lula não disse “deixa que eu falo com o PT?”. É que Lula sabe muito bem que o PT-PT no Estado do Rio acabou quando ele e José Dirceu vetaram Wladimir que seria  governador. (Exclusiva)

A CPI interminável

A da Petrobras pode levar meses, como outras, que funcionaram por mais tempo. Se o Ministro Alfredo Nascimento (dono da cadeira do suplente que presidirá essa CPI) não sair agora, terá que deixar o ministério em 31 de março provavelmente com a CPI inacabada.

Não poderá reassumir, deixará a CPI sem presidente. Disse ao presidente Lula: “Não se preocupe, farei campanha (para governador) sem mandato”. (Exclusiva)

“40 anos, não”

Sarney tem dito na luxuosa residência do presidente do Senado (é um risco identificá-lo assim, pode já não ser), que muita gente pode pedir a sua renúncia, “mas não Pedro Simon, meu amigo de 40 anos”.

O senador do Rio grande soube, comentou: “40 anos é exagero. Mesmo que fosse, não posso deixar de insistir na sua renúncia. Nada pessoal. As instituições correm risco por causa dele”.

Sarney responderá? Ainda como presidente do Senado?