Caso dos PMs e Bombeiros não têm solução, porque seus salários são irredutíveis

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Charge do Edra (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagem de Marcelo Correa, Leo Branco e Gabriel Martins, em O Globo de segunda-feira, revela e destaca que as despesas com policiais militares inativos e com os aposentados do corpo de bombeiro superam a folha de pagamento dos que se encontram em atividade em 14 estados da federação. Sendo que as maiores diferenças encontram-se nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

O levantamento foi feito pelo economista Pedro Nery e a matéria do jornal deixa uma dúvida se a comparação foi em relação a gastos restritos nas duas corporações ou então de modo geral. Mas Pedro Nery esclareceu que o cotejo fica restrito às duas forças auxiliares do Exército.

FAIXAS DE RISCO – Antes de mais nada devemos reconhecer que se trata de servidores que operam em amplas faixas de risco. Mas não é somente esse aspecto, já por si bastante sensível. Os bombeiros arriscam-se nos casos de incêndios e outras calamidades, como no caso de Brumadinho, por exemplo. Os integrantes da Polícia Militar dentro de suas escalas enfrentam diariamente criminosos de todos os tipos, como assaltantes, assassinos, ladrões e espancadores de mulheres. Profissão extremamente difícil.

Mas não é apenas esta questão. Como na voz de Dorival Caymmi, esse caso não tem solução. Não tem solução porque não se pode reduzir vencimentos, de acordo com a Constituição do país. Os governos, podem, isso sim, daqui para frente desvincular os pagamentos existentes para os ativos e os pagamentos a serem feitos para os inativos, porém não é possível fazer retroagir qualquer regra. O exemplo não se restringe àqueles que usam fardas, o princípio estende-se a todos os funcionários sejam federais, estaduais ou municipais de todo o país.

IRREDUTIBILIDADE – O que quero acentuar é que não existem alternativas rechaçadas pelo princípio constitucional da irredutibilidade. Isso de modo geral, inclusive porque a irredutibilidade de vencimentos é cláusula pétrea da lei maior brasileira.

Não podendo assim pressionar para baixo os pagamentos de pessoal, aprovada a reforma, mesmo aquela prevista no substitutivo Samuel Moreira, a equipe de Paulo Guedes tem de partir para uma outra solução. Porque o quadro nacional é limitativo no que se refere aos salários dos servidores e dos trabalhadores de modo geral.

Paulo Guedes teve seu anteprojeto fortemente emendado pelo autor do substitutivo, na medida em que retirou de cogitação as duas peças básicas projetadas pelo Ministro da Economia. Assim, a possível vitória da reforma representa também a derrota do governo que foi obrigado a ceder ponto-chave para não perder totalmente na votação. Na vida humana todos nós temos que agir até o limite do possível. O limite de Paulo Guedes era simplesmente impossível.

Responda uma pergunta: A quem interessa a campanha para destruir Moro e a Lava Jato?

Charge do Son Salvador (Charge Online)

Carlos Newton

Se ainda estivesse vivo, o jornalista Alberto Dines estaria estarrecido. Trabalhamos juntos na criação do programa “Observatório da Imprensa” em 1998, ao lado do diretor paulista Eduardo Abramovay, uma grande figura, que voltou para São Paulo depois de comandar esse projeto conjunto TVE/TV Cultura. Dines achava que, para aperfeiçoar o país, antes era preciso limpar a imprensa, fazendo com que pelo menos parte dela passasse a trabalhar em prol do interesse público. Dines manteve o programa no ar durante 20 anos, mas morreu em 2018 sem ver seu sonho realizado.

O fato concreto é que a imprensa está regredindo de uma maneira impressionante, como fica demonstrado no caso das denúncias do The Intercept Brasil, comandadas pelo jornalista americano Glenn Greenwald.

QUADRO SURREAL – É um massacre impressionante, com apoio de praticamente toda a mídia. Com base em supostas mensagens de origem criminosa, o juiz Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato estão sofrendo uma campanha perversa, que tem objetivos claros. Uma das principais finalidades é anular as condenações de criminosos abjetos como Lula da Silva, Eduardo Cunha, José Dirceu, Paulo Preto, João Vaccari, Marcelo Odebrecht e “tutti quanti”, como dizem os italianos, e até Sérgio Cabral e Geddel Vieira Lima também querem embarcar nessa onda.

Ao mesmo tempo, a campanha visa a evitar a prisão de Michel Temer, Aécio Neves, Romero Jucá, Rocha Loures, Renan Calheiros, Jáder Barbalho, Moreira Franco, Eliseu Padilha e outros caciques do MDB, do PSDB e de outros partidos envolvidos em corrupção.

Tudo isso está mais do que claro. Qualquer jornalista deveria se envergonhar de tentar defender esse tipo de gente. Mas não é isso que se vê nos maiores órgãos de imprensa, que decidiram apoiar oficial ou oficiosamente a campanha do The Intercept.

ALIANÇA IMUNDA – É muito triste ver a Folha de S. Paulo, a Veja e a TV Band se emporcalharem ao dar força total ao movimento do The Intercept, e o fazem prazerosamente, sob alegação de que estão defendendo a moralização da Justiça e a liberdade de imprensa, quando estão fazendo exatamente o contrário, pois na verdade foram cooptados a destruir a Lava Jato, sob o mesmo esquema de desmoralização que demoliu a Operação Mãos Limpas na Itália, nos anos 90.

O pior é ver o mesmo fenômeno se reproduzir em O Globo, no Estado de S.Paulo e até no Valor Econômico e no Correio Braziliense, que vinham trilhando um caminho mais ético.

A manipulação chegou a tal ponto que agora a mídia simplesmente despreza e não menciona as explicações claras e objetivas de Moro e dos procuradores. Ou seja, a imprensa chegou à perfeição em seu lado mais sujo e perverso.

NA HORA ERRADA – E o que faz o ministro Moro? Ao invés de permanecer na trincheira e enfrentar o fogo inimigo, resolve tirar uma semana de licença não-remunerada para ficar com a mulher e os filhos. Foi uma decisão mais do que idiota.

Mesmo nesses dias de “férias”, digamos assim, Moro precisa estar atento e se fazer presente na mídia para continuar a responder esse tipo de ataque.

Os argumentos do The Intercept não podem ser levados a sério. Sabemos quanto custa uma campanha desse vulto, que mobilizou grande número de hackers e de jornalistas para montar e manipular as denúncias. É muito dinheiro a mobilizar um lobby de tal envergadura.

Mas é fácil imaginar quem está financiando a campanha. Basta fazer como sugere o ex-presidente do Supremo, Carlos Velloso, e procurar saber a quem interessa a destruição da Lava Jato e a impunidade de todos os corruptos. Simples assim.

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P.S. – Jamais imaginei que um dia eu pudesse ter vergonha de ser jornalista. Mas parece que está chegando esse dia. (C.N.)

“Moro é o símbolo do Batman contra o Coringa”, sintetiza o general Heleno

Augusto Heleno

General Heleno se junta a Bolsonaro na proteção de Sérgio Moro

Leonardo Augusto
Estadão

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, defendeu nesta segunda-feira, dia 8, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e disse que o vazamento de conversas ilegais se deu porque o ex-juiz é o “símbolo do Batman contra o Coringa”.

“Um homem desses ser colocado na parede por gente que tem pavor dele? O cara quando ouve falar em Moro quer morrer, né?”, disse Heleno, sem citar nomes. “Aquilo ali é o símbolo do Batman contra o Coringa. E os caras querem ver o Batman na parede. E começam a inventar que a conversa dele com o procurador é ilegal. Um juiz não pode conversar com um procurador, mas muitos podem conversar com o advogado de defesa, receber em casa para jantar”.

PALESTRA – Heleno, que falou a empresários em palestra em Belo Horizonte, se referia aos diálogos divulgados pelo site The Intercept Brasil, que passou a publicar supostas trocas de mensagens entre Moro e procuradores da Lava Jato em Curitiba. Essas mensagens sugerem a intervenção do então juiz federal na condução da operação, inclusive com a indicação de possíveis testemunhas.

Ao falar sobre a importância do projeto anticrime proposto por Moro e a criminalidade no País, Heleno citou período em que morava no Rio de Janeiro e fazia percurso diário entre São Cristóvão e Realengo. “Avisei ao meu motorista, se acontecer alguma coisa, se defenda, porque eu vou me defender. Não chego na delegacia fardado de general e digo ‘fui roubado’”, contou.

O general negou ser o principal conselheiro do presidente Jair Bolsonaro, e disse que a imprensa exagera neste sentido. “Tenho a vantagem de ser o mais velho. O Brasil é muito grande. Há vários conselheiros”.

RELAÇÃO CLARA – Ao longo da palestra, no entanto, o general relatou vários momentos em que fica clara a relação entre os dois. Foi convidado por Bolsonaro para almoçar, quando o então deputado federal decidiu disputar o Palácio do Planalto, além de ter sido consultado sobre o convite que o então presidente eleito fez a Moro para o cargo.

Nos últimos dias, no episódio mais recente, Bolsonaro conversou com o general sobre a ida ontem, dia 7, ao Maracanã, para a final da Copa América. “Se perder, você vai virar o Mick Jagger da política”, disse Heleno, em alerta que afirma ter dado ao presidente. Jagger ganhou a pecha de pé frio ao comparecer em estádios e ver perder equipes para as quais torce ou que são dos locais onde o jogo está sendo realizado.

FUNDAMENTAL – O ministro classificou a reforma da Previdência como fundamental para o Brasil. “Já ouvi de parlamentares essa barbaridade: ‘se votar a Previdência com essa economia que o Paulo Guedes (ministro da Economia) tá pedindo, Bolsonaro está reeleito’. Heleno disse ter retrucado:

“Você está pensando em reeleição do Bolsonaro em vez de pensar no seu País? Pensa nisso depois. Depois derruba o Bolsonaro. Primeiro, aprova a Previdência”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os brasileiros devem fazer como o compositor Hyldon e jogar suas mãos para o céu, porque o general Heleno ganhou a guerra contra o escritor Olavo de Carvalho e está levando Bolsonaro para o rumo certo, que é o caminho do meio. Bolsonaro ainda reluta, mas logo irá se convencer de que só existe esse caminho. Podem apostar. (C.N.)

 

Ministério Público do Trabalho vai apontar dolo eventual da Vale em Brumadinho

Homem caminha sobre a lama em Brumadinho — Foto: Reprodução / TV Globo

A conclusão é de que a Vale sabia que poderia haver uma tragédia

Matheus Leitão
G1 Política

O Ministério Público do Trabalho (MPT) vai anexar até esta terça-feira (dia 9) novas provas compartilhadas pela Polícia Federal e pela Polícia Civil que, segundo o órgão investigador, comprovam o dolo eventual (quando se assume o risco de matar) da mineradora Vale no rompimento da barragem de Brumadinho.

A informação foi repassada ao blog pelo procurador Geraldo Emediato de Souza, coordenador do grupo especial de atuação finalística do MPT, que cuida do caso vale Brumadinho.

MAIOR CONDENAÇÃO – Segundo ele, o Ministerio Público do Trabalho deve pedir o aumento do valor da condenação da empresa se comprovar dolo eventual na ação trabalhista que tramita na 5ª Vara de Betim (MG).

Procurada pelo blog, a Vale informou que tem apresentado, “desde o momento do rompimento da barragem, todos os documentos e informações solicitados e, como maior interessada na apuração dos fatos, continuará contribuindo com as investigações”.

O procurador explica que laudos e depoimentos disponibilizados pelas polícias permitem constatar que a empresa sabia da instabilidade da barragem, e que não havia assertividade na segurança. Ainda assim, teria permitido que o centro administrativo e o refeitório ficassem embaixo de um empreendimento que estava prestes a romper.

NOVAS PROVAS – Ao juntar as novas provas, o MPT vai reforçar, no primeiro momento, o pedido de dano moral coletivo no valor de R$ 2 bilhões e a indenização de R$ 5 milhões para cada grupo familiar atingido pelo desastre, com o valor mínimo de R$ 1 milhão para cada membro da família atingida.

“Os laudos vão reforçar o nosso pedido de dano moral coletivo de R$ 2 bilhões para a comunidade e de R$ 5 milhões para cada grupo familiar. Para indenização, depende culpa. Acidente de trabalho é responsabilidade objetiva. Mas é preciso demonstrar que, para além da responsabilidade objetiva do empregador, ele agiu com culpa, negligência, imperícia e até dolo eventual”, afirma Geraldo Emediato.

PRECEDENTE – Segundo o MPT, há um precedente jurídico em Paulínia, São Paulo, com condenação de R$ 622 milhões contra a Basf e a Shell porque, à época, teria sido comprovado o nexo causal entre a doença dos trabalhadores e o agente químico que estava sendo jogado na água.

O procurador explica que esta é a maior condenação da Justiça do Trabalho até agora, após a morte de 60 pessoas. “Nós postulamos um pedido de R$ 2 bilhões porque esse precedente de Paulínia tem que ser levado em conta. No caso de Brumadinho podemos ter 270 óbitos”, explica o procurador.

Mais Um Corpo – Na quinta-feira passada(4), os bombeiros responsáveis pelas buscas na região do rompimento da barragem encontraram uma vítima soterrada no rejeito de minério no complexo de mineração da Vale.

Quase cinco meses após o rompimento, o corpo foi encontrado praticamente intacto. Até o momento, 246 mortos foram identificados e 23 pessoas continuam desaparecidas.

Herdeiro da empresa OAS sofre infarto durante depoimento ao juiz da Lava Jato

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Cesar Mata Pires Filho é réu e chegou a ser preso no ano passado

Aguirre Talento
O Globo

Herdeiro da empreiteira OAS, o empresário Cesar Mata Pires Filho, 41 anos, sofreu um infarto durante depoimento à 13ª Vara Federal de Curitiba na tarde desta segunda-feira. O empresário dava explicações sobre um caso em que é acusado pela Lava-Jato de pagar propinas ao PT e a agentes públicos na construção de um prédio da Petrobras em Salvador.

Cesar estava respondendo perguntas do juiz Luiz Antonio Bonat, quando começou a se sentir mal. Diante da gravidade do caso, funcionários da Justiça Federal acionaram uma unidade da Samu para prestar atendimento médico de urgência. A audiência foi suspensa diante do incidente.

O empresário chegou a ser preso no fim do ano passado e foi solto após pagar uma fiança de R$ 28 milhões.  O pai dele, Cesar Mata Pires, fundador da OAS, morreu em 2017 aos 67 anos vítima de um infarto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O pai, fundador da OAS, era genro do ex-governador Antonio Carlos Magalhães. Quem conduziu a construtora nos últimos 20 anos foi Léo Pinheiro, que fez a ligação da empresa com o petista Jaques Wagner, que ao governo da Bahia em 2007, e a partir daí a OAS se transformou em aliada de primeira ordem do poder estadual. Quando a polícia chegou ao apartamento de Léo Pires para prendê-lo, encontraram o advogado da OAS, que parecia aguardar a chegada dos agentes. Pinheiro estava em Salvador e foi preso no Hotel Pestana, na Praia do Rio Vermelho. Na prisão, tornou-se um dos maiores delatores da Lava Jato. Mas o dono da empresa era o herdeiro Cesar Mata Pires Filho, que ainda vai a julgamento.
(C.N.)

Dependência digital: todos nós sabemos de alguém que “passou mal” sem o celular

Dependente digital também está sujeito a crise de abstinência

Ilustração reproduzida da Folha de S. Paulo

Ruy Castro
Folha

Um dependente químico é alguém que não consegue ficar certo tempo sem consumir sua droga, seja ela álcool, cocaína, crack, inalante, maconha ou o que for. Esse tempo varia com o dependente —um dia, duas horas, 30 minutos. Mas qualquer pessoa que precise usar tal produto para não sentir os efeitos físicos e psicológicos de sua ausência será dependente. Isso o levará a negligenciar a família e os amigos, tornar-se errático e inconfiável no trabalho e, em algum tempo, apresentar sintomas ligados à intoxicação.

É uma escalada. Seguem-se, pela ordem, o desemprego, a falência, a depressão, a subnutrição, outras doenças, a loucura e a morte.

NOVA DEPENDÊNCIA – Os mesmos sintomas assolam hoje um novo tipo de dependente: o que não consegue passar certo tempo desconectado do smartphone, tablet, notebook ou computador. É o dependente digital. O aparelho o acompanha, ligado, durante suas refeições em casa, com a família, ou na rua, a negócios ou a prazer; na conversa com os amigos; no cinema ou no teatro e, inevitavelmente, no trabalho.

Como na dependência química, chega-se a um estágio em que tudo que não diga respeito à droga se torna intolerável, como o casamento, o emprego, atender a compromissos, pagar as contas e até tomar banho. A droga se apossa. Por ela, o dependente abole o mundo ao redor.

HÁ SÍNDROME – Todo mundo hoje sabe de alguém que, tendo seu celular quebrado, perdido ou roubado, “passou mal” por ficar sem ele. Chama-se a isto síndrome de abstinência. É o que acontece com o dependente químico —a simples ideia de não ter a droga à mão para a próxima dose é aterrorizante.

Já há no Rio e em São Paulo institutos de “desintoxicação digital”. Clientes não faltarão: segundo pesquisas, o brasileiro fica conectado, em média, nove horas e 14 minutos por dia. É o terceiro país do mundo nessa estatística, atrás apenas da Tailândia e das Filipinas —por enquanto.

Aprovação de Bolsonaro se estabiliza em 33% e consolida divisão política do país

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Charge do Sinfrônio (Charge Online)

Igor Gielow
Folha

Pesquisa do Datafolha indica a consolidação de uma divisão política do país após seis meses do governo de Jair Bolsonaro (PSL). O Brasil está rachado em três. Para 33%, o presidente faz um trabalho ótimo ou bom. Para 31%, regular, e para outros 33%, ruim ou péssimo. Com variações mínimas, é o mesmo cenário que se desenhou três meses atrás, no mais recente levantamento do instituto.

A pesquisa atual foi feita em 4 e 5 de julho e ouviu 2.860 pessoas com mais de 16 anos, em 130 cidades. Ela tem uma margem de erro de dois pontos percentuais.

PIOR AVALIAÇÃO – Com isso, Bolsonaro se mantém como o presidente em primeiro mandato com a pior avaliação a esta altura do governo desde Fernando Collor de Mello, em 1990.

Aos seis meses na cadeira, Collor tinha uma aprovação igual à de Bolsonaro (34%), mas 20% de rejeição. Todos os outros presidentes em primeiro mandato desde então se deram melhor.

A cristalização dos números se dá num momento em que Bolsonaro promoveu mudanças na cozinha do Palácio do Planalto e reduziu o poder dos militares que integram sua gestão. De abril para cá, houve duas manifestações de rua convocadas por bolsonaristas em apoio ao governo. Na mais recente, no domingo retrasado (30), a motivação central era a defesa do ministro da Justiça, Sergio Moro, acossado pelas revelações de conversas com procuradores da Lava Jato quando era juiz.

BASE DISPERSA – No Congresso, o presidente segue sem base de apoio fixa. Conseguiu, após concessões, ver o relatório de sua reforma da Previdência aprovado em comissão na Câmara na semana passada, mas a tramitação ainda enfrentará obstáculos.

Sua maior vitória se deu no campo externo, com a finalização do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia. Foi um trabalho de 20 anos acelerado na gestão anterior, de Michel Temer (MDB), mas os louros ficam com quem o assina. É um tema, contudo, bastante etéreo para apreciação popular.

A estabilização de Bolsonaro sugere um piso de seu eleitorado. Menor do que aquele que o elegeu no segundo turno em 2018, mas semelhante à fatia usualmente associada aos apoiadores de seu maior rival, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

EXPECTATIVA – Na mão inversa, vem caindo a expectativa positiva em relação a seu governo. De abril para cá, foi de 59% para 51% a fatia de entrevistados que preveem uma gestão ótima ou boa. A ideia de que será regular subiu de 16% para 21%, enquanto o pessimismo ficou estável na margem de erro (23% para 24%).

Isso espelha a percepção das realizações do presidente. Para 61%, ele fez menos do que o esperado, enquanto 22% consideram o desempenho previsível. Já 12% avaliam que ele superou a expectativa. Há três meses, os dados eram semelhantes.

No período, piorou a imagem do desempenho de Bolsonaro como mandatário. O percentual daqueles que creem que ele age como um presidente deveria se comportar caiu de 27% para 22%. Já os que acham que ele não tem tal comportamento oscilou de 23% para 25%. Acham que na maioria das vezes ele segue a liturgia do cargo 28% (27% em abril), e 21% (20% antes) o reprovam sempre.

PERFIL DO APOIO – O perfil de quem aprova o presidente segue as linhas divisórias do eleitorado, já evidenciadas na disputa do ano passado. Ele é mais apoiado por brancos (42% o aprovam, ante 31% dos pardos e 25% dos negros, para ficar nos maiores grupos) e homens (38%, ante 29% de mulheres).

 O presidente angaria maior aprovação entre os mais ricos e os mais escolarizados. Como seria previsível dado ao apoio histórico à liderança de Lula na região, o Nordeste continua sendo um castelo oposicionista. Lá, Bolsonaro é ruim ou péssimo para 41%. Já o Sul segue sendo o bastião bolsonarista, com aprovação de 42% dos entrevistados.

Num corte partidário, um dado se sobressai como problema para um dos principais rivais potenciais de Bolsonaro em 2022, o governador paulista, João Doria (PSDB). Entre os tucanos, apenas 17% acham o governo ruim ou péssimo, enquanto 35% o aprovam. No proverbial muro associado ao partido, a maioria dos simpáticos ao PSDB (48%) o acha regular.

SATISFEITOS – O Datafolha aferiu melhora geral entre os que se dizem animados, felizes e tranquilos com o país, em relação aos números apurados antes do segundo turno, em outubro.

Ainda assim, não é exatamente um cenário róseo. Todos esses grupos têm taxas pessimistas expressivamente maiores do que as otimistas: se dizem tristes com o país, por exemplo, 65%, ante 33% de quem se diz feliz.

 E houve aumento entre os que afirmam ter medo do futuro (58%, ante 53% em outubro), e estabilidade entre os que têm mais medo do que esperança no país (de 51% antes para 53% agora).

DIZEM AS MULHERES – Nesses itens as mulheres são muito mais pessimistas do que os homens. Nada menos do que 71% delas se dizem desanimadas com o Brasil; entre eles, são 55%.

Ao elencar de forma espontânea os problemas que estão a alcance do Executivo, em relação ao que era registrado em dezembro, antes da posse de Bolsonaro, houve uma queda expressiva na preocupação com a corrupção.

No levantamento anterior, 20% diziam que o tema era prioritário. Agora são 7%. Já quem mais subiu no ranking foi a educação, passando de 10% para 15%. A lista é seguida pelos assuntos segurança (19%) e saúde (18%). O desemprego (14%) e a economia (8%) são os outros pontos de destaque na lista.

Quando se trata de economia, o presidente Jair Bolsonaro pode ser tudo, menos ingênuo

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Charge do Iotti (Zero Hora)

João Domingos
Estadão

Entre vários dos dirigentes partidários e do Congresso existe hoje o entendimento de que as relações com Jair Bolsonaro vão piorar muito no segundo semestre. Acham que o presidente começará a sentir seu poder pessoal aumentar, principalmente depois de demitir um nome respeitado como o do general Santos Cruz, esperar algum ruído da ala militar e perceber que ele não veio. Ou participar de uma reunião do G-20, responder com pedras às pedradas que poderia receber da chanceler alemã Angela Merkel e do presidente francês Emmanuel Macron, e ver que não houve reação.

Pelo contrário. Bolsonaro saiu da reunião com um acordo assinado entre Mercosul e União Europeia, acordo cujas conversações tiveram início em 1999, ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso, mas que só veio a ser fechado no atual governo. Então, por que não atribuir a si tão grande feito?

PREVIDÊNCIA – Finalmente, dizem líderes partidários, Bolsonaro tenderá a dizer que outros tentaram, mas só ele conseguiu uma reforma da Previdência abrangente como a atual. E sem negociar cargos com os partidos, estabelecendo o presidencialismo sem coalizão, para usar uma expressão do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Pode ser que as lideranças estejam certas e as relações entre Congresso e presidente entrem mesmo num campo de choque. Afinal, quem é que pode dizer alguma coisa sobre o futuro? Mas é pouco provável que um choque forte ocorra. Mesmo que seja chamado de “ingênuo” pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e admita que é mesmo, quando se trata de economia, Bolsonaro pode ser tudo, menos ingênuo.

Ele sabe, e Rodrigo Maia também sabe, tanto é que já admitiu isso publicamente, que no presidencialismo sem coalizão a tendência é de que lideranças do Parlamento sejam fortalecidas. E ninguém pode dizer que Maia não se fortaleceu muito nestes seis meses de governo de Jair Bolsonaro.

APOIO EXPRESSIVO – Maia tem hoje a seu lado líderes partidários como Baleia Rossi (MDB), Arthur Lira (PP), Elmar Nascimento (DEM), Wellington Roberto (PL), André de Paula (PSD), Paulo Pimenta (PT), Carlos Sampaio (PSDB) e Tadeu Alencar (PSB), para citar alguns. Em resumo, a influência de Maia vai da direita à esquerda, sendo muito forte no centro.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também não faz nada sem conversar antes com Maia. O fato de serem do mesmo partido facilita as coisas. Mas não é só isso. Maia empresta a Alcolumbre a experiência que o presidente do Senado não tem.

Quanto a Bolsonaro, mesmo que ele venha a se sentir o dono do mundo por causa do acordo Mercosul/União Europeia, por ter enfrentado Macron e Merkel, ou pela afinidade ideológica com Donald Trump, é o Brasil que ele preside. Pode demitir um ministro forte como Santos Cruz sem maiores problemas. Ele é o presidente. E num presidencialismo sem coalizão. Mas, quando se trata da relação com o Congresso, não tem outra opção a não ser negociar. Melhor: não tem outra opção a não ser negociar com Maia.

HÁ EXEMPLOS – Foi o que ocorreu em relação aos decretos que facilitavam a posse de armas. Se Bolsonaro não tivesse recuado, seriam todos derrubados, assim como foi derrubado o decreto que aumentava o número de pessoas aptas a dizer o que era documento secreto e ultrassecreto.

Em relação à reforma da Previdência, ela só andou tão bem porque o Congresso a adotou como parte de sua agenda positiva. Se tivesse ficado na dependência da articulação do governo, talvez hoje ainda estivesse esperando pelo exame de admissibilidade da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara a não já pronta para ir ao plenário.

Bolsonaro, como dito acima, não é ingênuo. Ele depende do Congresso para governar. Mesmo que na cadeira presidencial se sinta muito forte.

Sem ligar para as “acusações”, Sérgio Moro tira licença e viaja com a família

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Uma das raras fotos da família de Sérgio Moro, reunida com Pelé

Adriana Mendes
O Globo

O ministro Sergio Moro (Justiça) vai se afastar do cargo entre 15 a 19 de julho. Segundo despacho do presidente Jair Bolsonaro  publicado nesta segunda-feira no “Diário Oficial da União”, o ministro vai tratar de “assuntos particulares”. O retorno está previsto para o próximo dia 22.

A assessoria de Moro esclareceu que o ministro não pode tirar férias, e que estará de licença não remunerada na próxima semana para viajar com a família. O secretário executivo Luiz Pontel responderá interinamente pelo ministério no período.

POPULARIDADE – O ministro integrou ontem a comitiva do presidente Jair Bolsonaro para assistir a final da Copa América, no Maracanã, em um teste de popularidade. Reportagens do Intercept, do jornal “Folha de S.Paulo” e da revista “Veja” afirmam que as supostas conversas no aplicativo Telegram mostram que Moro orientava ações da Operação Lava-Jato.

Moro e procuradores da Lava-Jato não têm reconhecido as mensagens divulgadas. Em entrevistas e depoimentos no Senado e na Câmara, o ministro afirmou não ter nada a esconder sobre as conversas atribuídas a ele e aos procuradores da Lava-Jato.

Pesquisa Datafolha divulgada no último sábado apontou que 63% dos entrevistados tomaram conhecimento dos diálogos atribuídos pelo site “The Intercept Brasil”. Desses, 58%  disseram que a conduta do ex-juiz foi inadequada. Já 31% dos entrevistados aprovam a postura de Moro e 11% não souberam opinar sobre o assunto.

PROVA ESQUECIDA – De acordo com a “Veja” e o The Intercept, em conversa de 28 de abril de 2016, Moro teria orientado os procuradores sobre prova em um processo. Diálogos divulgados na última sexta-feira revelam que Dallagnol teria avisado à procuradora Laura Tessler que o então juiz o avisou sobre a ausência de uma informação — um depósito a um funcionário da Petrobras — na denúncia do réu Zwi Skornicki, representante do estaleiro Keppel Fels, operador de propina do esquema e, posteriomente, delator na Lava-Jato.

“Laura no caso do Zwi, Moro disse que tem um depósito em favor do [Eduardo] Musa e se for por lapso que não foi incluído ele disse que vai receber amanhã e dá tempo. Só é bom avisar ele”, teria escrito Dallagnol.

“Ih, vou ver”, teria respondido Laura.

DENÚNCIA ACEITADA – De acordo com a revista e o site, o comprovante do depósito de US$ 80 mil, feito por Skornicki a Musa, foi incluído no dia seguinte à peça pelo MPF.

Moro aceitou a denúncia e, para isso, citou o documento. Em nota, Moro afirmou que não tem como “confirmar ou responder pelo conteúdo de suposta mensagem entre terceiros”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A grande mídia está forçando a barra para incriminar Moro, de qualquer jeito. O ministro já esclareceu que o documento não era prova contra Skornicki e Musa, e isso era facilmente comprovável, pois os dois foram inocentados pelo então juiz. Mas não adianta, a mídia continua caluniando, comportando-se como se Moro ainda não tivesse esclarecido a situação. E ainda chamam de “jornalismo” esse tipo de trabalho manipulado. (C.N.)

Enquanto Bolsonaro se atrapalha, o Senado é que vai dar rumo à reforma da Previdência

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Charge do Thomate (Arquivo Google)

Eliane Cantanhêde
Estadão

Quanto mais se aproxima o recesso parlamentar e mais a reforma da Previdência avança na Câmara, mais os holofotes atravessam o Salão Verde do Congresso para se concentrar no Senado, que costuma ter políticos mais experientes e fazer menos barulho, mas já impôs três derrotas ao governo Jair Bolsonaro.

O plenário derrotou os “cacos” no Código Florestal e os dois projetos de armas, depois retirados da Câmara pelo Planalto para evitar nova derrota pessoal de Bolsonaro. E o presidente, Davi Alcolumbre, devolveu a medida provisória que empurrava a demarcação de terras indígenas justamente para a Agricultura. É inconstitucional editar MP sobre tema já derrotado no Congresso no mesmo ano.

ANTI-RENAN – Alcolumbre é uma dupla surpresa. Assim como Bolsonaro se elegeu presidente da República como o anti-PT, ele se elegeu presidente do Senado como o anti-Renan Calheiros, graças ao apoio do chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, do baixo clero do qual fazia parte, da divisão do MDB e do racha das esquerdas (PT ficou com Renan). Ninguém dava um tostão pelo sucesso dele. Um engano.

Apesar do apoio do Planalto, Alcolumbre não admite o desdém de Bolsonaro pela política e as instituições e assumiu, com Rodrigo Maia e Dias Toffoli, a trincheira da resistência. Continua próximo de Onyx, mas tem lado, o lado do Parlamento. Mesmo sendo um inexpressivo senador do distante Amapá, ou talvez exatamente por isso, ele circula bem na direita, na esquerda, entre governistas e oposicionistas, entre caciques e índios. Sabe ouvir, negociar, decidir.

PAUTA LIBERAL – O Senado será fundamental no segundo semestre e seu presidente está alinhado com a pauta liberal e a reforma da Previdência – que pode ser aprovada na Câmara em julho. Mas também está atento às questões indígenas, ambientais e de costumes, ameaçadas pelo novo governo.

Enquanto a Previdência não chega, o Senado busca alternativas para as pautas de Bolsonaro. Na última quinta-feira (dia 4), uma sessão articulada pelo novato Alessandro Vieira (Cidadania-SE), delegado de carreira e relator do projeto das Armas, debateu um projeto digerível, que flexibilize mais a posse, menos o porte.

CUIDADO – E é preciso cuidado com pautas do próprio Legislativo, como a que aumenta o repasse federal para o Fundo de Participação dos Estados (FPE), aprofundando o rombo da União. O autor é Lucas Barreto (PTB), do Amapá, como Alcolumbre, e famoso chef de cozinha. Toda semana, ele chega com um isopor cheio de camarões e de carne de búfalo do estado. Seus jantares são memoráveis. “Quem diz não para um projeto dele?”, indaga um senador. Pode ser só brincadeira, mas o projeto que impacta as contas federais já passou pela CCJ e a pergunta passa a ser outra, nada engraçada: “Quem terá coragem de votar contra verbas extras para seu próprio estado?”

Quem entra em ação é Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), líder de um governo avesso ao Congresso, que desarticulou a rede de assessores parlamentares dos ministérios e cujo partido, o PSL, é cheio de novatos. Como Soraya Thronicke, autora de projeto exigindo que condenados paguem por sua estadia nas prisões. Presídios de três, quatro ou cinco estrelas?

DEPENDÊNCIA – O Planalto, assim como depende de Maia na Câmara, está na mão do independente Alcolumbre, do leal Fernando Bezerra, dos experientes Tasso Jereissatti, Esperidião Amin e Jarbas Vasconcellos, daqueles em ascensão, como Simone Tebet, e da oposição sensata, liderada por Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que até grita, mas não é radical e tem responsabilidade, inclusive com a Lava Jato e Moro.

Enquanto Bolsonaro se atrapalha com filhos, armas, índios, santuários ecológicos e, pasmem!, até com trabalho infantil, é este Senado que vai pegar a reforma da Previdência a unha e, apesar de estar sob tiroteio da opinião pública, dar rumos à bagunça. Com Rodrigo Maia ainda no centro da cena.

Carlos Bolsonaro aproveita a onda de frio para questionar o aquecimento global

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Carlos Bolsonaro quer saber como de diz quando há resfriamento…

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O vereador Carlos Bolsonaro, filho ‘número 2’ do presidente da República, aproveitou o tempo frio da manhã deste domingo ( dia 7) para questionar o aquecimento global. O fenômeno climático é rejeitado por parte do governo de Jair Bolsonaro.  Famoso pelas polêmicas no Twitter, Carlos escreveu: “Quando está quente a culpa é sempre do possível aquecimento global e quando está frio fora do normal como é que se chama?”.

Ainda sábado (dia 6), o irmão Eduardo Bolsonaro também se pronunciou sobre o assunto e defendeu “proibir previsões climáticas” sobre o que ocorrerá com o planeta daqui a 100 ou 200 anos se a população não reduzir sua emissão de poluentes. “Os xiitas ambientalistas, ecoterroristas e ecochatos fazem isso de propósito porque sabem que daqui a 100 ou 200 anos não estarão aqui, então podem falar qualquer besteira”, emendou.

PRESERVAÇÃO – Já o pai Jair Bolsonaro havia escrito no Twitter que “o Brasil é exemplo para o mundo na preservação ambiental. ONGs, artistas, “Raonis” não mais influenciarão em nossa política externa”.

Em reunião do G20 no último dia 28, em Osaka, no Japão, o presidente Jair Bolsonaro disse que, em conversa com a chanceler alemã, Angela Merkel, falou para ela que o Brasil é alvo de uma “psicose ambientalista”. Ele ainda afirmou que convidou o presidente francês, Emmanuel Macron, para conhecer a Amazônia e verificar com os próprios olhos que o desmatamento não é tão grande quanto o que é propagado.

“Falei para ele [de fazermos] uma viagem de Boa Vista a Manaus. É pouco mais de duas horas. A gente poderia até voar a uma altura mais baixa, demoraria mais tempo, em um avião da Força Aérea, para ele ver que não existe o desmatamento tão propalado,” afirmou o presidente.

MANIPULAÇÃO – Ainda no último dia 3, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general da reserva Augusto Heleno, afirmou, em entrevista a BBC News, que os índices de desmatamento na Amazônia são “manipulados”.

“A Amazônia é brasileira e quem tem que cuidar dela somos nós. Esses índices de desmatamento são manipulados. Se você somar os porcentuais que já anunciaram até hoje de desmatamento na região, a Amazônia já seria um deserto. No entanto, nós temos muito mais da metade da Amazônia intocada. E os países que nos querem cobrar o comportamento que eles acham correto nunca seguiram esse comportamento. O maior preservador de ambiente do mundo é o Brasil,” concluiu.

Os últimos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontam um aumento de 88% no desmatamento da Amazônia comparando junho de 2019 com junho de 2018. O retrato vem de imagens de satélites, em tempo real. 

Witzel se aproxima de lideranças do Rio em articulações para ampliar a base política

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Witzel está de olho nas articulações de Doria na política do Rio

Bernardo Mello
O Globo

Eleito na esteira da popularidade do então presidenciável Jair Bolsonaro, o governador do Rio, Wilson Witzel, tem construído uma rede de aliados dentro e fora do estado para forjar musculatura própria, de olho nas eleições municipais do ano que vem e também na conjuntura política de 2022. Depois de ensaiar uma ruptura com o PSC no fim do ano passado, Witzel se consolidou como um dos líderes do partido com as bênçãos do pastor Everaldo Pereira, reeleito no fim de junho para o comando da executiva nacional.

Alinhado a Everaldo, Witzel fortaleceu sua presença em Brasília e se aproximou de lideranças locais e nacionais.

ARTICULAÇÕES – Enquanto o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), articula uma chapa tucana forte para o Rio, buscando palanques no estado para a disputa presidencial, Witzel tem angariado apoios de lideranças de outras siglas, inclusive do próprio PSDB. O ex-deputado Otávio Leite, presidente estadual da legenda até ano passado, já ensaiou um movimento para o PSC de Witzel. Leite continua com aliados na direção tucana no Rio, mas se afastou para assumir a secretaria estadual de Turismo e é próximo ao governador.

Outro parceiro de Witzel é o deputado estadual Rodrigo Amorim, escolhido na sexta como candidato do PSL de Jair Bolsonaro à Prefeitura do Rio em 2020. Antes, Amorim chegou a ser sondado por Witzel sobre uma eventual filiação ao PSC. Integrantes do PSL e do PSC não descartam uma chapa com os dois partidos, que teria ainda o apoio do PSD do senador Arolde de Oliveira.

PRESIDENCIÁVEL – Procurado pelo GLOBO, Witzel não se manifestou oficialmente sobre seus planos políticos. Mesmo um alinhamento em 2020 não significa que Witzel permanecerá perto da família Bolsonaro na próxima eleição presidencial. O deputado federal Otoni de Paula, que colocou seu nome à disposição do PSC para ser candidato à prefeitura da capital no próximo ano, reconhece o desejo de Witzel de se lançar à Presidência, e considera algo “que ninguém pode tirar”. “É o desempenho dele como governador que poderá credenciá-lo a isso” — afirmou Otoni.

Pastor Everaldo, que foi presidenciável em 2014, também incentiva o sonho distante presidencial do governador do Rio, embora evite antecipar uma disputa com a família Bolsonaro.

“É legítimo esse desejo para qualquer governador, de qualquer estado. Mas tenho, como prática de vida, não colocar o carro na frente dos bois. O PSC está preocupado, no momento, em aprovar as reformas que podem destravar o Brasil. O presidente Bolsonaro pode contar conosco para isso“— desconversa Everaldo.

NACIONALIZAÇÃO – Witzel foi aclamado presidente de honra do PSC na última convenção nacional. A sugestão partiu de Wilson Lima, governador do Amazonas, o único estado além do Rio sob comando da legenda.

A nacionalização do nome de Witzel incluiu a criação da Secretaria Extraordinária de Representação do Rio em Brasília, em maio. A prática, adotada por alguns estados, elevou o status do escritório na capital federal.

O escolhido para assumir a nova secretaria foi o ex-deputado André Moura (PSC), que atuou como líder do governo do ex-presidente Michel Temer na Câmara.

EM BRASÍLIA – André Moura vinha desempenhando papel semelhante para prefeituras do Sergipe, seu reduto eleitoral, em caráter informal. Segundo Moura, a missão principal é acompanhar o andamento de convênios do Estado do Rio com o governo federal, além de estruturar projetos para que os municípios recebam verbas de emendas parlamentares:

“Tenho conversado com a bancada federal, por orientação do governador, sobre a reforma da Previdência, por exemplo. Mas minha missão é voltada para o Rio”, explica o assessor.

Onyx diz que o governo terá 330 votos na Câmara a favor da reforma da Previdência

Ministro da Casa Civil conversa com a imprensa após se reunir com Rodrigo Maia na residência oficial da presidência da Câmara — Foto: Guilherme Mazui, G1

Onyx acha melhor não rever os equívocos citados por Bolsonaro

Guilherme Mazui e Fabiano Costa
G1 — Brasília

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou neste domingo (dia 7) que mapeamento do Palácio do Planalto aponta que a proposta de reforma da Previdência deve ser aprovada em primeiro turno no plenário da Câmara com cerca de 330 votos.

Para ser aprovada pelos deputados, a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Previdência precisa obter, no mínimo, 308 votos, em dois turnos de votação, número correspondente a 60% dos 513 parlamentares da Casa. A estimativa divulgada pelo chefe da Casa Civil prevê uma margem de segurança para que o texto passe para o segundo turno.

REUNIÃO – Onyx foi na manhã deste domingo à residência oficial do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para alinhar a estratégia para colocar a PEC em votação nesta semana. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e o secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho, também participaram da reunião.

A expectativa do governo e de Maia é de que o parecer do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) aprovado na última semana pela comissão especial comece a ser analisado pelos deputados a partir de terça-feira (dia 9).

No sábado, depois de conversar com líderes do Centrão na residência oficial, o presidente da Câmara demonstrou otimismo de que a PEC será aprovada com “boa margem” de votos, mas preferiu não projetar um placar para a votação da reforma no plenário.

330 VOTOS – “A gente tem um cálculo assim, vamos dizer, realista, com pé bem no chão, e a gente caminha para ter algo em torno de 330 [votos], que poderá ser até mais do que isso. É uma margem que a gente acredita ser possível”, declarou o chefe da Casa Civil a jornalistas, ao deixar a casa de Rodrigo Maia no final da manhã deste domingo.

O ministro da Casa Civil relatou que, na reunião deste domingo, eles trataram dos procedimentos da votação da PEC em primeiro turno. É possível que essa seja a última atuação de Onyx como articulador político de Bolsonaro.

Após sofrer uma série de derrotas no Legislativo nos primeiros seis meses de governo, o presidente da República decidiu tirar a interlocução com o parlamento do rol de atribuições do ministro da Casa Civil. Na última semana, a articulação política saiu das mãos de Onyx e passou para o gabinete do novo ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, um general do Exército que é amigo de Bolsonaro.

COM MAIA – Em seu primeiro ato como articulador político do Planalto, Ramos compareceu neste sábado à residência oficial de Maia para participar da reunião com líderes partidários da Câmara.

Onyx Lorenzoni informou que, na manhã de terça-feira, haverá uma nova reunião com governadores para negociar uma eventual inclusão de estados e municípios no texto que vai ser votado em plenário pelos deputados. Por pressão do Centrão, Samuel Moreira deixou de fora do relatório final os servidores estaduais e municipais.

Questionado sobre se o governo defenderá mudanças no texto aprovado pela comissão especial na semana passada, o ministro da Casa Civil disse que “quanto menor o número de alterações, melhor”. Ele ponderou, entretanto, que podem ocorrer alterações pontuais durante a apreciação da proposta no plenário.

E OS EQUÍVOCOS? – Na última sexta-feira (5), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o texto que será submetido ao plenário da Câmara tem equívocos e que podem ocorrer alterações no plenário da Câmara para corrigi-los.

Bolsonaro diz que ‘equívocos’ da reforma da Previdência serão corrigidos no plenário. Na ocasião, o presidente não mencionou diretamente quais pontos ele considera que estão equivocados, porém, nas últimas semanas – após ser alvo de protestos de categorias policiais – ele passou a defender regras mais brandas de aposentadoria para integrantes das carreiras de segurança pública.

No entanto, apesar do lobby do presidente da República, os integrantes da comissão especial que analisou a PEC da Previdência preferiram não flexibilizar o regime de aposentadoria previsto no texto do próprio governo para policiais e agentes penitenciários.

SEM MUDANÇAS – Desconsiderando o esforço de Bolsonaro para que os deputados revejam no plenário as mudanças propostas pelo próprio governo para os integrantes de carreiras policiais, o ministro da Casa Civil afirmou que a intenção do Executivo federal é que o parecer de Samuel Moreira não seja desidratado para que a previsão de economia de R$ 987 bilhões em 10 anos seja mantida.

“Já há um consenso bastante forte entre as bancadas no sentido de que a manutenção do texto que saiu da comissão é o cenário desejável”, enfatizou Onyx na manhã deste domingo.

Na tramitação da PEC na comissão especial, os integrantes do colegiado operaram mudanças que já reduziram a estimativa de economia para a próxima década em mais de R$ 200 bilhões. “O governo trabalha para que não acha desidratação [do projeto]. Vai ficar nesse volume [de R$ 987 bilhões”, complementou Onyx.

Não ouse pensar que o Poeta é um bêbado sem rumo, avisa Carmen Cardin

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Carmen Cardin divulga a Poesia fazendo recitais

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

A professora, artista plástica e poetisa Carmen Cardin, garimpeira das palavras e pós graduada em sonhos, ao escrever um de seus mais de cinco mil poemas, “Tese”, comete a ousadia de tentar limitar em escassas palavras a universalidade da mitológica criatura que – entre outras – eventualmente reside na alma de todo ser: O Poeta. E Carmen se saiu bem.

TESE
Carmen Cardin

Não ouse pensar que O Poeta
É um bêbado, andarilho sem rumo
Ele é, do vernáculo, o atleta
A fantasia de uso e consumo.

O Poeta tem o compromisso sério
De profetizar em tom etéreo
De filosofar além do erudito.
O Poeta é a chave do cofre. O servo
À mercê da paixão. O indecifrável verbo,
Que encarnou-se e está escrito.

O Cavalheiro que conduz, extraordinário,
As rédeas do Sonho, o lendário,
Adorado e odiado ser trovador.
O Poeta é aquele que, alheio a tudo,
Grita com o coração n’um canto mudo,
Sofre com a emoção do mundo, a dor!

Não ouse pensar que O Poeta
Imagina, pretensioso, ser Deus…
Ele é, apenas, a certeira seta
Que atinge o alvo dos sonhos seus!

Pergunta da Datafolha “conduziu” a resposta negativa contra atuação de Moro

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Os jogadores brasileiros comemoraram mais um título invicto

Pedro do Coutto

A Folha de São Paulo manchetou a edição de domingo destacando o que seria manifestação da opinião pública contrária às ações do ministro Sérgio Moro, quando juiz dos processos relativos à corrupção verificada através da operação Lava Jato. A pesquisa foi do Instituto Datafolha e a matéria que a interpreta foi de Igor Gielow. A pergunta-chave foi a seguinte: “Você acha as conversas do então juiz com procuradores da Lava Jato são inadequadas e, comprovadas irregularidades devem levar a revisão das sentenças?” O texto não fala sobre ilegalidades optando por irregularidades.

A Folha ressaltou que 58% acharam que sim contra 31% que pensam que não. A meu ver, acostumado a interpretar pesquisas há mais de 50 anos, desde o tempo do Correio da Manhã, jornal que ficou na névoa do tempo, me causou certa surpresa diante da indagação colocada. Isso, porque ela parte de um condicionamento que a mim parece que de alguma maneira influiu no resultado.

HOUVE INDUÇÃO – É muito claro, porque, se forem comprovadas irregularidades… Ora, as pessoas entrevistadas foram de maneira indireta induzidas a uma resposta decorrente da colocação contida na expressão “se forem comprovadas as irregularidades”.

Com certeza, se forem comprovadas irregularidades ou ilegalidades, evidentemente que as decisões de Sérgio Moro estariam comprometidas. Mas não foi esse o ângulo central da pergunta, o que levou a resposta de 58%. Melhor seria acrescentar paralelamente outra indagação, porque a condenação do ex-presidente Lula, destacada na manchete do jornal não foi decorrente apenas da condenação por Sérgio Moro. O recurso do ex-presidente da República foi rejeitado por unanimidade pelo Tribunal Regional Federal. Seus advogados recorreram ao Superior Tribunal Federal e o condenado perdeu novamente.

MATÉRIA DIRIGIDA – A reportagem da Folha de São Paulo restringe-se ao caso político que tem Lula como parte da questão. Portanto, a matéria não se estende aos casos de Eduardo Cunha, Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco, Marcelo Odebrecht etc. E para ficarmos apenas com este bloco emblemático, incluo mais um que estava esquecendo: Leo Pinheiro da OAS. Esta, para mim, é a primeira parte da questão.

A segunda parte refere-se ao plano em que a pesquisa  se estendeu. A própria Folha de São Paulo, com base no Datafolha chama atenção para o fato de que apenas 63% da opinião pública afirmaram ter conhecimento das conversas vazadas entre Moro e Dalton Dallagnol. Portanto, 58% acharam inadequado o procedimento, porém são 58% de 63%, o que vai assinalar que a rejeição a Moro no caso das conversas oscila em torno de 36 ou 37%. Isso de um lado. 

PRISÃO JUSTA – De outro, a maioria dos entrevistados considera justa a prisão do ex-presidente Lula. Portanto, ao mesmo tempo em que a maioria relativa ache basicamente imprópria a conduta de Sérgio Moro, a maioria também defende a condenação do ex-presidente. Aparentemente uma contradição. Mas realmente uma negativa de que Sérgio Moro tenha infringido a lei.

Este resultado claro do episódio é marcado e acentuado pela própria reportagem da Folha de São Paulo, escrita por Igor Gielow, que até recentemente era Editor de Política.

COPA AMÉRICA – Brasil foi o grande campeão da Copa América, ganhando com folga. Logo após o resultado dos 3 x 1 de ontem, escrevi este artigo. E acrescento que a seleção brasileira cumpriu excelente atuação sobretudo porque na maior parte do segundo tempo atuou com 10 homens. Mas praticou um futebol solidário atacando e defendendo e assim relembrando tempo de ouro do escrete. Acrescentou uma página às jornadas heroicas de 58, 62, 70, 94 e 2002.

Agora vamos rumar para a classificação que vai conduzir o acesso à Copa do Mundo de 22. Antes de 22 temos pela frente as Olimpíadas de 20 no Japão.

Exigência do TCU a Guedes e Coaf sobre sigilo de Greenwald é tipo Piada do Ano

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O ministro Dantas, do TCU, caiu numa esparrela do procurador

Carlos Newton

A informação de que o ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União, determinou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, responda em 24 horas se o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) está analisando as movimentações financeiras do jornalista Glenn Greenwald é uma prova da esculhambação institucional que reina no país.

CÓPIA DO PROCESSO – O ministro Bruno Dantas fez idêntico pedido ao Coaf, exigindo  que seja enviada ao TCU uma cópia do processo, se ele existir, e os fundamentos de uma eventual análise do caso.

A solicitação partiu do procurador Lucas Furtado, sob alegação de que uma eventual análise das contas do jornalista pelo Coaf seria uma “retaliação à divulgação de mensagens”. Logo, um “flagrante desvio de finalidade”, e com uso de recursos públiocs.

DIZ O MP – “Pelo teor das notícias jornalísticas [que noticiam o pedido de investigação das contas de Greenwald], a finalidade concreta da atuação, neste caso, pelo Coaf seria, aparentemente, constranger o jornalista Glenn Greenwald e fragilizar a liberdade de imprensa garantida constitucionalmente em nosso país”, aponta Furtado.

Dessa forma, o procurador pede que o TCU apure a “ocorrência de ilegalidades” relacionadas a Glenn Greenwald, alegando que  uma eventual investigação seria uma tentativa de retaliação a Greenwald. Ele é um dos fundadores do site The Intercept Brasil, que está divulgando supostas mensagens de Sergio Moro com os procuradores da Operação Lava Jato.

CITANDO RENAN – O mais curioso da petição do procurador Lucas Furtado é que ele diz se basear numa entrevista transmitida pela TV, em que o senador Renan Calheiros (MDB-AL), um dos políticos notoriamente mais corruptos do país, manifesta sua preocupação com a liberdade da imprensa.

“É preocupante a possibilidade de dois órgãos públicos, Coaf e Polícia Federal, possam estar sendo manipulados para intimidar jornalistas e ameaçar a liberdade de imprensa. Se for verdade, Moro acrescenta problemas muito graves à pilha de ilegalidades já exposta. É o caso do típico desprezo repugnante à democracia, às leis e pode caracterizar obstrução da investigação do escândalo que envolve o próprio ministro. A Polícia Federal e o Coaf não podem permitir isso”, alegou o imaculado Renan no vídeo citado como argumento pelo procurador.

VIROU PIADA – Como o Brasil é o país da piada pronta, não se pode levar a sério o procurador, nem o ministro do TCU nem o senador Renan, por vários motivos.

  • Não cabe à Procuradoria de Contas fiscalizar o que faz o Coaf, porque o próprio TCU não tem essa atribuição.
  • O ministro deu 24 horas ao ministro Guedes para responder. E o prazo conta a partir desta segunda-feira, quando for recebida a intimação. E daí? Se Guedes não responder, o que acontecerá? Nada. Guedes não e subordinado ao Tribunal de Contas, que é um órgão do Poder Legislativo. Não tem a menor obrigação de obedecer ordem do TCU.
  • Além disso, Guedes não tem ascendência sobre a Polícia Federal e não pode interferir nem divulgar investigação em curso.
  • A Polícia Federal tem direito de requisitar dados ao Coaf, sempre que surgir necessidade, como é caso, pois é preciso saber se o jornalista Glenn Greenwald foi “contratado” para destruir a Lava Jato, libertar Lula, Cunha, Dirceu etc. e impedir a prisão de Temer, Aécio, Renan. Jucá, Moreira, Padilha e tutti quanti.
  • Nessa confusão, qualquer personagem que surgir querendo proteger os corruptos e destruir a Lava Jato, seja por que motivo for, tem de ser enquadrado no rol dos suspeitos.

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P.S.
Por fim, tem de ser incluída nessa Piada do Ano a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que também anuncia que vai oficiar ao Coaf para confirmar a investigação sobre as movimentações financeiras do jornalista norte-americano Glenn Greenwald. Afinal, o que a OAB tem a ver com isso? E por que está sempre contra a Lava Jato e a favor dos corruptos? (C.N.)

Bebianno critica Bolsonaro e diz que ele sonha com um poder absoluto e tirânico

Gustavo Bebianno é ex-ministro de Jair Bolsonaro Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo

De volta à política, Bebianno critica Bolsonaro e seu filho Carlos

Janaína Figueiredo
O Globo

Na mesma casa que já foi um dos quartéis-generais da campanha do presidente Jair Bolsonaro, o ex-secretário-geral da Presidência Gustavo Bebianno fala com preocupação sobre a situação do homem que durante mais de dois anos foi seu projeto de vida. No endereço do empresário Paulo Marinho — outro dissidente do bolsonarismo e hoje presidente estadual do PSDB no Rio na gestão liderada pelo governador de São Paulo, João Doria — Bebianno mantém a calma, mas é enfático. Sobre o futuro, assegurou que sua intenção é fazer um alerta para que o governo se recomponha, sem confirmar se pretende ter um papel na política.

Como o senhor, que durante a campanha promoveu uma aproximação entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o então candidato Jair Bolsonaro, está vendo o ambiente de tensão entre Executivo e Legislativo?
O presidente conhece melhor do que nós todos as engrenagens da Câmara. Ele tem muito mais tempo de Câmara do que a vida dele no Exército. Ele viveu 28 anos dentro da Câmara e, com essa experiência tão larga, ele tem uma visão das engrenagens da Câmara, que representa o povo brasileiro, suas virtudes e seus defeitos. Acho engraçado quando se ataca o Congresso como se as pessoas que o compõem tivessem vindo de Marte. São todos brasileiros, eleitos pelo povo brasileiro. Ao se diagnosticar um problema num órgão, num estômago, vai fazer o que, tirar o estômago?

O estômago seria o Congresso?
Talvez, estou usando uma figura de linguagem. Você não tira o estômago, você trata o estômago. Todo processo pela via democrática é lento, exige trabalho, perseverança, conversa, acordos. O que me preocupa hoje é perceber uma tendência do governo federal de se buscar rupturas institucionais. Parecem que existem flertes hoje com futuras rupturas institucionais. O presidente fez uma visita ao Comando Militar do Sudeste onde ele diz que deve lealdade ao povo e somente ao povo, não às instituições. Disse que quem manda é o povo, mas o povo se organiza por meio das instituições. Se as instituições forem enfraquecidas, suprimidas, vamos viver o quê, uma anarquia? Sem as instituições sobram dois caminhos, a anarquia ou um poder absoluto. Sabemos que todo e qualquer caminho absoluto tende a descambar num regime tirano. Hoje me preocupa um pouco essa colocação de salvador da pátria.

Como foi a relação de Bolsonaro com Maia durante a campanha?
O presidente Rodrigo Maia, desde a fase do primeiro turno, já se mostrava simpático ao projeto econômico apresentado pelo ministro Paulo Guedes. Para ele foi um alento. Conversamos e ele sempre se mostrou disposto a trabalhar em forma empenhada pela aprovação das reformas. As conversas foram comigo e com o ministro Guedes. O que o presidente Rodrigo Maia mostrava era uma certa preocupação exatamente com o que está acontecendo hoje, apanhar gratuitamente e ser agredido gratuitamente por uma ala mais radical e ideológica.

O senhor está se referindo ao olavismo e aos filhos do presidente?
Sim, Maia já demonstrava preocupação com isso e vontade muito sincera de unir o Congresso ao governo federal no sentido de aprovar as reformas necessárias para o Brasil. O presidente Rodrigo Maia conhece a política, o Brasil, e sabia que era o momento para a mudança. A reforma da Previdência é uma pauta comum a todos, tirando a esquerda. Havia boa vontade, compromisso de caminhar de mãos dadas. O que houve depois foi uma certa perplexidade por certas agressões gratuitas.

O senhor está em contato com Maia?
Falamos raramente… esporadicamente.

O presidente da Câmara percebeu a oportunidade, mas também os riscos…
Ele foi percebendo a vontade popular por uma mudança, por algo novo. Mas já mostrava certa preocupação com posições radicais, mostrava um certo receio. Ficou muito perplexo quando começaram as tentativas de jogar a população contra o Congresso. Isso é um equívoco.

O senhor vê, por parte do Planalto, uma intenção de jogar a população contra o Congresso?
O que eu vejo pelos jornais, pela imprensa, é no mínimo uma falta de habilidade muito grande. Todos nós sabemos que a aprovação de qualquer medida relevante num Congresso com 500 e tantos deputados é um caminho difícil. Não será com agressões que se chegará a algum lugar.

A tensão atual poderia impedir a aprovação das reformas?
Não acredito que a reforma da Previdência não será aprovada. Mas poderia já ter sido aprovada, com muito menos desgaste. Por que tanto desgaste, se o caminho já estava pavimentado? O governo errou com certas indicações, como na liderança da Câmara. A escalação do time foi muito ruim por parte do Planalto e querer botar a culpa no Congresso não é razoável.

O senhor vê possibilidade de ruptura entre o presidente e Rodrigo Maia?
Acho que já estão rompidos. Já há um grau de desconfiança muito grande que é muito ruim, na Câmara baixa como na alta não se confia mais no presidente.

E isso, na sua avaliação, é consequência dos erros do governo?
Da inabilidade política do governo. Há certas posturas que causam insegurança, indas e vindas, frituras públicas desnecessárias. Ataques gratuitos por parte de familiares do presidente, sem que o presidente tome a frente e dê um basta.

O último conflito foi entre o general Heleno e o vereador Carlos Bolsonaro…
O Carlos é uma pessoa que não tem equilíbrio emocional, tem uma visão paranoica da vida e enxerga em tudo teorias da conspiração.

Como era, na campanha, a relação entre os militares e o que o senhor chama de a ala mais radical do bolsonarismo?
Essa ala nunca participou muito na campanha, o próprio Carlos nunca veio aqui (na casa de Paulo Marinho). A preocupação dos militares era sobre a gestão, sobre como gerir os problemas que o Brasil precisava enfrentar. Ninguém esperava que o governo fosse perder tanto tempo e energia com assuntos irrelevantes como esses levantados pelo Olavo de Carvalho.

E como o senhor vê hoje a relação dos militares com o governo?
O cristal rachou, duvido que haja confiança por parte da tropa. Os militares olham e se perguntam quem será o próximo. Essa agressão gratuita ao general Heleno é mais uma demonstração disso. O que surpreende é que as crises se sucedem com um intervalo muito curto. O afastamento do general Santos Cruz se viu com grande perplexidade.

Essa saída teve impacto entre os militares?
Tenho certeza absoluta.

O senhor conversou com militares?
Tenho certeza… converso com várias pessoas e o sentimento de indignação é desconfiança é grande. Ninguém entende como o presidente permite esses processos de fritura em público com profissionais, pessoas sérias.

Pela sua convivência com Bolsonaro, como o senhor analisa a participação do presidente nessas crises?
Ele sempre demonstrou muita preocupação com esse tipo de crise. Sempre disse que se um ministro pisasse no pé de um deputado podia abrir uma crise. Me causa estranheza perceber que não se tenha esse tipo de cuidado. O governo mostrou um grande desprezo pelo seu próprio partido.

Já tem gente falando em Doria 2022, o senhor aceitou alguma proposta?
Não. Faltam três anos e meio, e agora temos de torcer para que o governo Bolsonaro dê certo. Fui afastado do governo, me ofereceram outras funções, embaixadas, mas saí do jeito que entrei. Hoje, não estou engajado em projeto político algum, tenho olhado para o Rio de Janeiro e vejo com preocupação a falta de rumo nas esferas municipal e estadual.

O senhor poderia ser candidato a prefeito?
Não sei, há convites, mas nada decidido. Não é hora de falar em candidaturas, é hora de torcer. Espero que o presidente aprenda de seus erros. Acho que o governo é legítimo e vai concluir seu mandato. As relações precisam ser recompostas urgentemente, o que eu acho muito temerário são os ataques sucessivos às instituições brasileiras. Quando se diz, de forma até populista, que o povo é que manda. O tempo é curto, o presidente precisa acordar e entender que ninguém quer separá-lo dos filhos. Mas acredito que vai cumprir seu mandato, a não ser que ele próprio crie uma situação de ruptura.

Outra das tensões no governo envolve o ministro Sergio Moro e as denúncias sobre sua suposta ingerência na atuação da operação Lava-jato. Como o senhor vê essa situação?
Tenho grande respeito pelo ministro Moro, acho que ele tem um papel muito importante. Não tive acesso à documentação. Como advogado, posso dizer de forma conceitual e genérica, não falo especificamente do caso, o juiz deve se manter sempre equidistante entre as partes. O Ministério Público é parte num processo criminal, um juiz orientar uma das partes compromete a distância necessária para um julgamento imparcial. Acho que o presidente hoje tem dois alicerces no governo: os ministros Guedes e Moro. Se faltarem, o governo sofrerá um baque muito grande. Daí a necessidade de defender ambos e aprovar suas iniciativas. São como se fossem dois avalistas do governo federal, a ausência de qualquer um dos dois pode comprometer a estabilidade do governo.

O senhor disse, em relação às denúncias sobre laranjas no PSL, que talvez tenham sido cometidos alguns erros. Que erros?
O que eu posso garantir é que esquema não houve. Um esquema é todo aquele conluio estabelecido entre um grupo de pessoas para alcançar um objetivo ilícito. Com um único argumento eu demonstro que não houve esquema: não havia dinheiro. O MDB recebeu em torno de R$ 260 milhões, o PT recebeu cerca de R$ 240 milhões. O PSL recebeu R$ 9 milhões para fazer a campanha no Brasil inteiro. O que pode ter havido, não posso jurar que não houve, algum problema isolado. Se alguém errou que esse alguém pague. Mas se aconteceu foram problemas pontuais, esquema de laranja não existiu no PSL.

Este lugar foi o centro da campanha de Bolsonaro e hoje, seis meses depois, a situação mudou completamente. Como se sente?
Foram dois anos de trabalho exclusivo, eu acreditava no projeto de renovação, de interrupção de quatro mandatos sucessivos do PT. Nunca pedi nada ao presidente, saí como entrei. O que me magoou na época foi a falta de motivo, não houve explicação e a forma covarde como foi feita. Tentativa de fritura pública, isso eu não admiti.

Mantém contato com funcionários do governo?
Tenho bons amigos, e essas pessoas estão preocupadas. Não se pode atirar num soldado próprio pelas costas ou abandoná-lo. O presidente me deu o apelido de para-raios, todos os problemas eu matava no peito e trazia uma solução. Depois de eleito ele mudou, se esqueceu de tudo o que vivemos juntos. Não quero que o navio afunde, minha posição é de crítico, como de qualquer brasileiro. Se pretende concorrer à reeleição ele precisa entregar, a fase de promessa já passou. Para isso os ânimos precisam estar arrefecidos.

Que gesto sugeriria ao presidente?
Acho que o governo perde tempo com questões menores, brigas, picuinhas e fofocas e deixa de atacar aspectos que estão ao seu próprio alcance. A Casa Branca tem 270 funcionários, o Palácio do Planalto 3.200. Você sabia que no subsolo do palácio existe um hospital para atender os funcionários, com cinco consultórios odontológicos completos. O cidadão banca essa mordomia. Na garagem tem 240 carros. É dinheiro público que vai pelo ralo e para mexer nisso o governo não precisa do Congresso. Tentei armar um projeto, mas não deu tempo.

Guedes ainda não foi notificado sobre a investigação de Greenwald pelo Coaf

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Procurador do TCU quer blindar o sigilo bancário de Greenwald

Luci Ribeiro e Adriana Fernandes
Estadão

O Ministério da Economia informou neste domingo, dia 7, por meio de sua assessoria, que somente depois de ser notificado é que o ministro Paulo Guedes responderá ao Tribunal de Contas da União (TCU) se o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) está ou não investigando possíveis movimentações financeiras atípicas do jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil, responsável pela divulgação de supostas trocas de mensagens por celular entre Sergio Moro, então juiz da Lava Jato, e procuradores da operação.

Na sexta-feira à noite, o ministro do TCU Bruno Dantas deu um prazo de 24 horas para que Guedes esclareça o assunto ao tribunal. No entanto, esse prazo só deve começar a correr nesta segunda-feira.

SÓ NA SEGUNDA – Como Guedes é ministro de Estado, quem subscreve o expediente é o presidente do TCU, José Mucio Monteiro, e, segundo antecipou o Estadão com fontes, Mucio deve encaminhar o pedido a Guedes somente nesta segunda-feira (dia 8).

“Nós teremos prazo para responder após a notificação. A informação que temos é que ainda não houve expedição da notificação”, disse a assessoria da pasta na tarde deste domingo. 

O despacho de Bruno Dantas foi motivado por representação proposta pelo subprocurador-Geral do Ministério Público de Contas (MP/TCU), Lucas Rocha Furtado. O entendimento da representação é de que a suposta investigação teria como motivação intimidar o jornalista, mediante perseguição e abuso de poder, resultando em mau uso de recursos públicos. O despacho do ministro Bruno Dantas também dá 24 horas para que o presidente do Coaf, Roberto Leonel de Oliveira Lima, se manifeste.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Conforme declarou neste domingo o ex-ministro Medina Osório, a interpelação feita pelo TCU é uma maluquice, porque esse tipo de procedimento não é função do tribunal, muito pelo contrário. Segundo o jurista, o ministro da Economia e o presidente do Coaf não têm obrigação de atender a exigência, que significa um desrespeito entre os Poderes da República, pois não cabe ao TCU, órgão do Legislativo, interferir em ações do Executivo, a não ser que a esculhambação tenha se instaurado em definitivo. (C.N.)