Pai de vítima criou instituto para denunciar vídeos de incentivo ao suícidio

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Todos os games perigosos devem ser denunciados

Deu no Estadão

Há três anos, o empresário Demétrio Jereissati encontrou o filho Dimi, de 16 anos, sem vida. O adolescente tinha um cinto em volta do pescoço e foi vítima do jogo do enforcamento. Após a experiência trágica, Jereissati criou o Instituto Dimicuida, que denuncia vídeos desse tipo, além de fazer a prevenção.

“Ná época em que isto aconteceu, nós tivemos pouca ou nenhuma informação sobre o assunto”, conta o empresário. Então fomos tentar identificar a dimensão do problema com o que vinha sendo feito em outros países, tanto de prevenção quanto à criação de entidades como a nossa”, explica.

AJUDA AOS PAIS – A proposta do instituto é oferecer ajuda aos pais, monitorar as páginas, trabalhar com ações preventivas com educadores e também denunciar conteúdo impróprio sobre o tema. “Houve um crescimento absurdo desses vídeos. Em 2010, eram só cerca de 500 (de vídeos na internet que estimulam agressões e automutilação)”, afirma. Hoje, são aproximadamente 19 mil.

Jereissati buscou o Ministério Público Federal para tentar criar um filtro maior dos vídeos, além de um alarme que possa alertar as autoridades em caso de acesso aos jogos perigosos. “Vivemos em uma realidade em que adultos não sabem lidar com o que os filhos acessam, por isso é importante que exista um controle maior.”

Ele ressalta também a necessidade de rever a política de remuneração dos youtubers que lucram com a divulgação destes vídeos. “Há interesses econômicos profundos. Quanto mais curtidas, mais visibilidade. Quanto mais visibilidade, mais dinheiro. Ninguém quer restringir a liberdade de expressão, mas há vidas sendo colocadas em risco”, critica.

PROLIFERAÇÃO – “O que temos visto é uma propagação avassaladora de vídeos e desafios, com youtubers fazendo grande promoção de práticas e alto risco para a saúde do corpo e emocional do jovem”, afirma a psicóloga Fabiana Vasconcelos, também do Dimicuida.

O público é de crianças e adolescentes, entre 11 e 17 anos, sem distinção de gênero ou perfil. “Queremos que este tipo de vídeo seja visto como criminoso. O Código Penal já fala em casos de indução à morte.” Fabiana cita um canal famoso, com mais de 6 milhões de inscritos, como um dos principais propagadores da prática. “Se eu, jovem, vejo que um adolescente ganha mais dinheiro incentivando práticas de risco na internet, vou segui-lo e fazer igual.”

RESPONSABILIDADE – Segundo a advogada Camilla Jimene, especialista em direito digital, a responsabilidade legal do Google é permitir a identificação dos usuários que produzem os conteúdos, mas não há obrigação de removê-los do ar sem antes receber denúncias.

“Quem vai responder pelo conteúdo do vídeo é o próprio usuário”, explica a advogada do Opice Blum, Bruno Abrusio e Vainzof Advogados. O Marco Civil da Internet é considerado dúbio em relação a quem pode fazer denúncia. “O Marco fala em remoção do conteúdo assim que a empresa for notificada. Mas alguns defendem que é preciso notificação judicial. Outros, que basta denúncia de usuário. O ideal é que a empresa desenvolva tecnologias para remover mais rapidamente conteúdos considerados impróprios, já que o volume de vídeos é muito grande.”

A lei prevê que, com objetivo de impedir a censura, o provedor – o Google, por exemplo – só pode ser responsabilizado civilmente por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros se, após ordem judicial, não tomar medidas para removê-lo, dentro dos limites técnicos e no prazo fixado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O game suicida Baleia Azul foi um boato útil, porque despertou interesse sobre a existências desses jogos eletrônicos altamente negativos e perigosos. Espera-se que as autoridades intervenham, mas é provável que tenhamos de esperar sentados (ou deitados). (C.N.)

9 thoughts on “Pai de vítima criou instituto para denunciar vídeos de incentivo ao suícidio

  1. Carlos, não trate o Baleia Azul como um boato, apesar do artigo republicado pelo Bendl aqui na TI. Você é leitor do “O Tempo”, entre lá e faça uma busca por “baleia azul” e você encontrará notícias de alguns casos já comprovados em Minas por familiares dos suicidas. Entre também no Estado de Minas. As notícias originais russas podem ser boatos, mas parece muito provável que pessoas inescrupulosas estejam se aproveitando disso aqui no Brasil. Assim como dos diversos desafios que giram pela Web.

    • Penso que o Baleia Azul é um enigma perigoso, simbólico ou não.
      Não o vejo como um jogo formal e instituído por grandes corporações industriais; ao que parece. foi criado por um grupo popular e tem tido repercussão entre os jovens.
      O fato de não ser um jogo formal não retira seus efeitos destrutivo e perverso. A histeria coletiva dá vida a este jogo. Ontem assisti uma matéria sobre isso na Record e os dados que ligam comportamentos autodestrutivos a este jogo são alarmantes. Também vi uma matéria da Band afirmando categoricamente que não passa de boato.
      Realmente o lado positivo é poder poder tratar o suicídio para além de um tabu intocável,. o que trará benefícios à população. Precisamos apenas cautela, promover debates educativos para não alimentar a histeria.

    • 1) Concordo plenamente Wilson:

      2) No ano passado dois alunos, na Baixada Fluminense, RJ, em ocasiões diferentes me mostraram seus braços arranhados.

      3) Perguntei como aconteceu e me responderam:

      4) “Baleia Azul, é um jogo…”

      5) Não entendi nada. Agora começo a ligar os pontos…

      6) Cinco anos atrás um jovem adolescente de uma família de classe média, em Vila Isabel, RJ, jogou-se do alto da escadaria de um shopping… morreu …

    • Wilson, meu caro amigo,

      Quando o Newton postou esta reportagem, eu o elogiei pela sensibilidade e pela preocupação que a existência deste desafio me causava.

      Publiquei duas opiniões a respeito deste jogo, A Baleia Azul:

      A primeira com o parecer de um psiquiatra da USP e, a segunda, um artigo de uma especialista em pedagogia, ambas as opiniões formuladas por gente séria e conhecedora do tema.

      Assim, conforme publicas, dá a impressão que sou eu quem alega ser boato este jogo de origem russa, ao passo que especialistas dizem se tratar mais de boato que realidade, justamente em face da quantidade de casos existentes e que não devem causar perturbações exageradas na população.

      Inclusive disseram que os pais devem ficar atentos aos filhos quando estes se fecham em seus quartos com seus amigos, e qual o tipo de comunicação mantida entre eles.

      Quanto ao suicídio de jovens não é um assunto novo, pelo contrário, pois o Japão em dado momento era o país que mais acontecia o jovem dar cabo da sua vida, e muito antes de se cogitar sobre A Baleia Azul.

      A minha intenção com o blog foi colaborar, e não apresentar um certo desprezo por algo que pode se transformar em problema grave, onde uma das causas exatamente desta mudança seria o exagerado interesse pela matéria, e se saber até que ponto os casos de Minas se relacionam com este desafio mencionado, se, lá pelas tantas, os pais não estão querendo aliviar as suas responsabilidades porque negligenciaram os cuidados que deveriam ter com seus filhos!

      Por último, inegavelmente seria interessante que se pesquisasse o número de suicídios nos últimos anos e que tenham sido praticados por jovens, e confrontar com o advento desse jogo russo que causa um certo furor nas redes sociais.

      Não me culpes pelo que não fiz ou que eu tenha postado na TI opiniões que não se coadunam com a verdade, quando a minha intenção foi apenas apresentar o contraponto e por especialistas nesta área, e não curiosos ou palpiteiros.

      Um abraço.
      Saúde e paz.

      • Amigo Chicão, eu seria a última pessoa a culpar você por algo que você não fez. O que eu fiz foi alertar o Carlos para que os artigos do psiquiatra e da pedagoga, que você postou, tenho certeza, de boa fé, não batem com os resultados das investigações policiais aqui em Minas a respeito de alguns suicídios e tentativas que ocorreram no meu estado nos últimos dias.
        E, pelo comentário do Antonio, vejo que não está acontecendo só aqui.
        A nota da redação do Carlos foi quem falou em boato, não você. E ele, que é um jornalista da mais alta credibilidade, consciente e experimentado, certamente também foi induzido a isso pela leitura dos artigos do psiquiatra e da pedagoga. Que eu deixei bem claro que você republicou, não escreveu. Por isso o meu alerta.

  2. Pois que monitorem os….. Pais !

    Quem gera, quem patrocina, quem divulga?
    Adultos, os jovens estão só imitando…

    E que no Brasil não aparece muito, mas nos países onde já houveram guerras, os adultos grisalhos e seus descendentes estão completamente doutrinados na violência e matança.
    Acredite, se quiser….

    Experimente passar uma hora sentado num saguão de edifício governamental, ambiente rígido, ríspido, segurança pra todo lado, a todo momento, e ai, cansado da espera pega seu celular pra jogar um jogo, pilotar carro por exemplo….
    Passa o segurança e cochicha: voce precisa jogar Sniper 3d Assassin …

    Os baroes, os lulas, nunca aparecem, até ser tarde demais…

    A Grande lacuna social brasileira…
    E os pais continuam achando que o smartfone faz bem aos filhos e a familia…

  3. Desanimador tratar este assunto como boato, que minimiza algo que certamente possui estruturas complexas agindo anonimamente e promovendo o terror entre pais e adolescentes. Pensem bem, para elaborar, manter e divulgar algo assim, é necessário um grupo de pessoas concatenadas, recursos financeiros e infra-estrutura computacional para implantação e manutenção. Com certeza é um caso requer ação especializada e enérgica do Ministério Público e da Polícia contra crimes cibernéticos. Se o jogo começou no exterior e tem 50 fases ou tarefas, quem traduziu? quem informou o conteúdo das 50 tarefas? as tarefas são semelhantes às estrangeiras na versão em português? se sim, quem informou aos “tradutores” brasileiros as 50 tarefas e sua sequência? quem traduziu jogou e portanto ficou sabendo das 50 tarefas ou foi informado sobre elas sem jogar? se nada disso é verdade, então não existe “versão brasileira”, mas sim um jogo feito aqui e divulgado aqui. Os provedores sabem para quem estão pagando pelos acessos. São muitas as perguntas que podem ser feitas e que certamente não serão feitas e muito menos respondidas, se o jogo ou os vídeos forem tratados como sendo apenas boatos.

  4. “Espera-se que as autoridades intervenham, mas é provável que tenhamos de esperar sentados (ou deitados). (C.N.)”

    Amigos, cada vez que delegamos às autoridades (estado brasileiro) a defesa de nosso filhos, só fazemos reforçar a deficiência, irresponsabilidade e falta de acompanhamento dos pais/mães.
    Ora, não vivemos numa nova sociedade que procria sem educar?
    Quero apenas registrar que, diariamente nos jornais e matérias na internet, verifica-se que, a maior demanda nos municípios é pelas escolas infantis.
    Faz muito os filhos deixaram de ser e ter a prioridades daqueles que os produziram!
    Todos querem liberdade total. Crianças com 4-5 anos já são donas de seus narizes e de suas vontades. Para atender seus filhos e não se incomodarem muito com eles, transformaram desejos em direitos.
    Agora pedirão para o estado podre cuidar e defendê-los?
    Reitero: muitas crianças estão jogadas a própria sorte.
    Fallavena

    • Exatamente, Fallavena. Muito bem colocado. Nada pode substituir o papel dos pais na educação dos filhos para a vida. E quando se “terceiriza” este papel, vemos o que acontece hoje, pais que também não foram educados e não cuidam da educação dos filhos, e assim por diante.

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