Pai herói (a nova biografia de Luiz Carlos Prestes)

Lucas Ferraz
Folha

O pai foi o maior líder comunista que o Brasil já pariu, coletando êxitos e fracassos em uma atuação pública –ainda que em alguns momentos clandestina– que se estendeu por sete décadas, consolidando-o como um dos brasileiros com maior projeção internacional no século 20.

A filha, fruto de uma incendiária relação com a agente comunista alemã Olga Benario, nasceu em um campo de concentração nazista e só foi conhecer o pai aos nove anos. Mais tarde, se tornariam praticamente inseparáveis, construindo uma relação (ela seria também sua secretária por 32 anos) que só terminou com a morte dele, em 1990.

Historiadora por formação e aspirante a revolucionária comunista no século passado, por herança familiar, Anita Leocadia Prestes, 78, apresenta na próxima semana o seu “Luiz Carlos Prestes – Um Comunista Brasileiro” (ed. Boitempo), livro em que trabalhou por mais de três décadas e que classifica como uma biografia política.

ADMIRAÇÃO E CRÍTICAS

Evitando destrinchar detalhes da vida pessoal de Prestes, alguns deles espinhosos para a própria autora, como a ruidosa relação com a segunda e última mulher do pai, Maria do Carmo Ribeiro, Anita refaz a trajetória do personagem com uma inegável admiração que enfatiza a imagem mitológica do Prestes herói, embora também não o poupe de críticas.

“Mesmo quem não gosta dele reconhece que ele foi uma das lideranças mais importantes do século 20. Não dá para negar isso”, afirma a historiadora à Folha.

Calcada em pesquisa documental e inúmeros depoimentos gravados no fim da vida de Prestes, a biografia aborda o período que moldou o Brasil moderno, que começa nas primeiras revoltas tenentistas, no início dos anos 1920, e termina na eleição de 1989, a primeira após a redemocratização, quando o comunista, ainda que relutante com o PT, declarou apoio a Lula no segundo turno da disputa contra Collor.

SEM ILUSÕES COM O PT

“Se há alguém que nunca se iludiu com o PT foi Prestes. Ele nunca considerou o PT um partido socialista ou revolucionário, ele achava o partido burguês. Inclusive o Lula, em quem ele reconhecia talento e inteligência, mas dizia a ele que era preciso estudar, pois só talento, sem conhecimento, não resolve nada”, diz.

Segundo a historiadora Anita Leocadia Prestes, foi intencional a sua opção por ignorar aspectos da vida pessoal do pai, biografado em “Luiz Carlos Prestes – Um Comunista Brasileiro”.

“Só entrou o necessário da vida pessoal para montar o quadro da participação dele em determinados episódios. Prestes não se distingue por ter sido, por exemplo, um excelente pai de família”, diz.

Anita e as tias nunca tiveram boa relação com a segunda mulher de Prestes, que a conheceu nos anos 1950, durante um período em que vivia na clandestinidade. Ela iria acompanhá-lo até o fim da vida. Nas 560 páginas, Maria do Carmo Ribeiro só é citada uma vez – ela ao menos aparece em uma das fotos. “No meu livro, [ela] não interessava muito. Mesmo sobre Olga, minha mãe, só falei o indispensável”, conta.

COM VARGAS

Fatos polêmicos da vida política de Prestes também foram ignorados, como a participação do comunista em um ato político em São Paulo, em 1947, no mesmo palanque de Getúlio Vargas.

Na década anterior, ao liderar o fracassado levante comunista que tentara derrubar Getúlio, Prestes foi preso e condenado, enquanto sua mulher – alemã, judia e grávida– fora enviada por determinação do então presidente a um campo de concentração na Alemanha de Hitler. Olga morreu anos depois do nascimento de Anita.

A historiadora afirma que, ao escrever, optou pelos momentos mais importantes. “Prestes nunca fez aliança com Getúlio, nunca apertou sua mão. O que houve foi uma contingência política. Cirilo Júnior era candidato a vice-governador em São Paulo e era apoiado por Getúlio, líder maior do PTB, e por Prestes, líder do PCB. Eles apareceram juntos. Não achei que houvesse necessidade de escrever esses detalhes”, ressalta a filha, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora de outros livros sobre o pai (como um que aborda a Coluna Prestes) e a história do comunismo no Brasil.

JUSTICIAMENTO

Anita, contudo, critica a atuação de Prestes em certos episódios, como no justiçamento realizado pelos revolucionários, em 1936, contra a namorada de um dirigente do Parido Comunista. Prestes foi um dos defensores da punição, e a jovem falsamente acusada pelos camaradas acabou executada.

“Meu objetivo era deixar registrada para as futuras gerações a atuação dele durante quase todo o século 20. Ser filha me ajudou a ter acesso a ele, mas fiz o livro como historiadora”, defende-se.

Anita, pelo menos, não escreve em nenhum momento na primeira pessoa – forma utilizada em algumas poucas notas biográficas, segundo ela, por solicitação da editora.

(artigo enviado pelo comentarista Mário Assis)

17 thoughts on “Pai herói (a nova biografia de Luiz Carlos Prestes)

  1. Esse tal de comuniz será uma nota de pé de página nas enciclopédias do futuro. O quanto matou-se, quantos morreram em nome dessa ideologia?!

  2. Sob o ponto de vista histórico deve ser uma obra merecedora de toda a atenção.
    A autora é uma historiadora renomada,que herdou do pai,a cultura e a inteligência,que é reconhecida,até mesmo,pelos,que como eu,discordam veementemente de sua ideologia política.Vou comprar e ler atentamente,guardando a devida distância emocional dos fatos.
    Parabéns à Anita Leocádia pela bela e densa homenagem à memória de seu pai!

  3. por Janer Cristaldo

    De 1964 para cá, uma insólita mania tomou conta do país, o culto a assassinos como se fossem heróis. Desde Che Guevara a Lamarca, Marighela e Luís Carlos Prestes.

    Leio na Zero Hora de hoje (5/10) que está prestes a ser concluído, em Porto Alegre, o memorial de Luís Carlos Prestes. A inauguração está prevista para ano que vem. A gauchada, tão ciosa de suas tradições libertárias, passará a contemplar uma ode de Tarso Genro ao assassino stalinista.

    Em 1935, Stalin enviou ao Brasil Olga Benario, uma apparatchik alemã, oficial do Exército Vermelho, junto com Arthur Ernest Ewert e mais uma vintena de agentes comunistas, com a missão de transformar o país em uma republiqueta socialista ao estilo de Moscou. Os anos 30 foram de grande excitação bolchevique, Stalin investia não só no Brasil mas também na China e na Espanha. Como marionete desta equipe vinha o gaúcho Luís Carlos Prestes, o grande herói das esquerdas tupiniquins – o ídolo de Tarso Genro – disfarçado como marido de Olga.

    A título de curiosidade: o herói foi deflorado pela judia alemã aos 37 anos de idade. Alguém concebe o Cavaleiro da Esperança só conhecendo mulher já nel mezzo del camin di nostra vita? Curioso que tais anomalias a ninguém causem espécie.

    Em 45, Jorge Amado – a prostituta-mor das letras nacionais, que antes de ser comunista foi nazista – é eleito deputado federal pelo Partido Comunista e publicou Vida de Luís Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança, uma apologia ao líder comunista gaúcho e membro do Komintern. O panfleto, encomendado pelo Kremlin, foi traduzido e publicado nas democracias ocidentais e nas ditaduras comunistas, como parte de uma campanha para libertar Prestes da prisão, após sua sangrenta tentativa, em 1935, de impor ao Brasil uma tirania no melhor estilo de seu guru, o Joseph Vissarionovitch Djugatchivili, mais conhecido como Stalin. Para Amado, Prestes, é o “Herói, aquele que nunca se vendeu, que nunca se dobrou, sobre quem a lama, a sujeira, a podridão, a baba nojenta da calúnia nunca deixaram rastro”.

    Prestes preso, segundo o escritor baiano, é o próprio povo brasileiro oprimido: “Como ele o povo está preso e perseguido, ultrajado e ferido. Mas como ele o povo se levantará, uma, duas, mil vezes, e um dia as cadeias serão quebradas, a liberdade sairá mais forte de entre as grades. ‘Todas as noites têm uma aurora’, disse o Poeta do povo, amiga, em todas as noites, por mais sombrias, brilha uma estrela anunciadora da aurora, guiando os homens até o amanhecer. Assim também, negra, essa noite do Brasil tem sua estrela iluminando os homens, Luís Carlos Prestes. Um dia o veremos na manhã de liberdade e quando chegar o momento de construir no dia livre e belo, veremos que ele era a estrela que é o sol: luz na noite, esperança; calor no dia, certeza”.

    Já que falo de falsas biografias, é bom lembrar a ode à Olga Benario, ópera de autoria de Jorge Antunes, apresentada em outubro de 2006, no Theatro Municipal de São Paulo. Santa Olga acabou morrendo em um campo de concentração. Sua extradição do Brasil e morte na Alemanha lhe conferiram uma aura de santidade e martírio. Quando na verdade nunca passou de uma bandoleira internacional, enviada por Stalin como segurança pessoal de Prestes. A moça mereceu inclusive uma hagiologia de Fernando Morais, escritor que vende sua pluma a quem paga melhor. Começou sua fortuna louvando a ditadura de Castro em A Ilha e continuou com Olga. Louvar o comunismo sempre rendeu bem no Brasil. Aliás, em todo Ocidente.

    Getúlio Vargas, ao enviar Olga para a Alemanha, ficou como o vilão da história, embora Luís Carlos Prestes o tenha apoiado mais tarde, em sua candidatura à Presidência da República. Condena-se em Getúlio o gesto de tê-la entregue a Hitler, após um pedido de extradição da Alemanha nazista. O que se esquece é que Olga obedecia às ordens de outro grande assassino de judeus, Stalin.

    Fora a estupidez da Intentona Comunista, Luis Carlos Prestes carrega nas costas o assassinato da irmã de um militante comunista, Elza Fernandes. Que, em verdade, chamava-se Elvira Cupelo Colônio e convivia com os comunistas que visitavam seu irmão, Luiz Cupelo Colônio. Aos 16 anos, tornou-se amante de Antonio Maciel Bonfim, secretário-geral do PCB, mais conhecido como Miranda. Presos os conspiradores de 35, Elvira – também conhecida como a “garota” – tornou-se suspeita de colaborar com a polícia e foi condenada à morte por um “tribunal revolucionário”, do qual participava Prestes. Ante a hesitação de alguns dos “juízes”, o Cavaleiro da Esperança é taxativo:

    Fui dolorosamente surpreendido pela falta de resolução e vacilação de vocês. Assim não se pode dirigir o Partido do Proletariado, da classe revolucionária.” … “Por que modificar a decisão a respeito da “garota”? Que tem a ver uma coisa com a outra? Há ou não há traição por parte dela? É ou não é ela perigosíssima ao Partido…?” … “Com plena consciência de minha responsabilidade, desde os primeiros instantes tenho dado a vocês minha opinião quanto ao que fazer com ela. Em minha carta de 16, sou categórico e nada mais tenho a acrescentar…” … “Uma tal linguagem não é digna dos chefes do nosso Partido, porque é a linguagem dos medrosos, incapazes de uma decisão, temerosos ante a responsabilidade. Ou bem que vocês concordam com as medidas extremas e neste caso já as deviam ter resolutamente posto em prática, ou então discordam mas não defendem como devem tal opinião.

    Elza foi estrangulada e teve seu corpo quebrado, com os pés juntos à cabeça, para que pudesse ser enfiado num saco e enterrado nos fundos da casa onde foi assassinada. Consta que um dos executores chegou a vomitar.

    Amado, contra todas as evidências, nega a responsabilidade de Prestes na execução. Escritor a soldo de Moscou, era pago para mentir. É espantoso que, quase oitenta anos depois da Intentona, duas décadas após a queda do Muro, os gaúchos tenham de conviver com uma homenagem ao assassino que Tarso Genro cultua como herói.

    • Prezado Ednei Freitas,
      “. A gauchada, tão ciosa de suas tradições libertárias, passará a contemplar uma ode de Tarso Genro ao assassino stalinista.”
      Nós, os gaúchos, somos mesmo difíceis de entender.
      Tanto amamos a liberdade e ideias libertárias, quanto aceitamos a democracia, por mais que ela nos diga ao contrário, como o comunismo.
      Convivemos com as diferenças, razão pela qual sabemos como poucos o preço das guerras e o muito que se ganha com a paz.
      Não importa o monumento em homenagem a Prestes e a sua ideologia, causadora de tantos sofrimento e mortes por onde tentou ser implantada a fero e fogo, e de forma totalitária.
      Prestes levou adiante o seu objetivo com tanta determinação, que este seu espírito empreendedor deve ser exaltado porque depois dele somente Brizola conseguiu algo parecido, de reunir multidões em torno daquilo que pregava e aludia como essencial ao povo, fundamental para suas vidas.
      Prestes, assim como o PT, usou os pobres, os necessitados, os miseráveis, prometendo-lhes um mundo melhor.
      Evidente que não conseguiu lograr êxito nesta sua intenção porque o comunismo jamais se preocupou com os problemas populares, mas explorar este contingente para que meia dúzia de pústulas permaneçam no poder indefinidamente e, neste revezamento, vivem nababescamente bem, como reis, e em paraísos particulares.
      O povo que morra de fome e frio, sede e doenças, e caso desobedecer às ordens dos chefes, a morte!
      Rússia, China, Cuba, Coréia do Norte, Laos, Camboja … são países que nos trazem os exemplos mais deprimentes registrados com relação às vidas ceifadas em nome de um regime que somente beneficia alguns, mas faz padecer milhões.
      Prestes tentou, e jamais passou de tentativas, ser uma espécie de guerreiro comunista, de ser até mesmo autoritário, de mandar matar alguém cujo comportamento colocou em risco o movimento, uma atrocidade, ao mesmo tempo que atestava ser o comunismo uma ideia maligna, um conceito polítoco calcado exatamente nas diferenças que tanto apregoava aplainar, porém, na prática, aumentava mais ainda esse desnivelamento social.
      Nós, os gaúchos, convivemos com uruguaios, argentinos, brasileiros, que também somos, e com muito orgulho e escolha!
      O monumento a Prestes deve ser considerado como homenagem à estupidez, ao pesadelo, que será um dia posto ao chão da mesma forma que fizemos com os militares que nos comandaram durante a ditadura, uma besteira, mas Prestes terá o mesmo rumo, pois em seguida deixará de ser novidade e o povo se dará conta de estar engrandecendo uma pessoa que lhes queria ver pequenos, fáceis de comandar, usar e explorar.
      Então é assim que somos, Ednei, não somente de ideias, mas de práticas libertárias e libertadoras, de democracia plena e sem censura, pois se esta terra tem dono, definitivamente não somos nós, os homens, seus proprietários, mas Deus, justamente quem os comunistas não acreditam, razão pela qual, creio eu, sua ideologia jamais deu certo, continua errante pelo mundo, atraindo somente aqueles que se espelham no sofrimento alheio, na desesperança, na ilusão que criam aos incultos e incautos, haja vista que a vida particular que possuem contrasta com o que apregoam, principalmente os líderes comunistas brasileiros de hoje ou seus defensores, modeles por excelência de cinismo e hipocrisia!

      • Prezado Bendl,

        Fiz questão de publicar aqui este artigo de Roberto Freire, porque aqui não se trata de uma ode a Prestes, mas do restabelecimento da verdade para a História do Brasil. Goste-se ou não de Luiz Carlos Prestes, ele foi um político e militante comunista de muita influência no passado histórico do Brasil e do PCB, com seus acertos e erros. Só o tempo, dono da verdade, veio mostrar que o PCB estava enganado, mas muitos homens probos, que queriam um melhor futuro para o Brasil nele ingressaram de boa vontade, muitos morreram por esta causa assassinados tanto pela ditadura de Vargas quanto pela ditadura começada em 1964. Freire e o PPS estão dizendo com este documento que não se envergonham de sua história, não têm nada a esconder, assim como não se furtam, nem se furtaram, em fazer as correções programáticas depois que ficou evidente que o comunismo quer seja estalinista quer seja trotskista foi uma experiência terrível e nefasta para os governos e povos que os adotaram.

        Entendo sua aversão quase fisiológica, ou mesmo fisiológica pela esquerda em geral e pelos comunistas em particular. Mas o documento de Freire não é para seduzir ou doutrinar, e sim para resgatar a história, assim como para falar da canalhice do PCdoB em querer incorporar como seus nomes de brasileiros notáveis que lá nunca estiveram, mas sim no PCB. É preciso resgatar a História antes que o PCdoB a distorça colocando nela suas mentiras estalinistas.

        O que Freire fez foi postar em sua página artigo do jornalista Roberto Pompeo de Toledo, publicado na revista Veja logo após a saída de Orlando Silva, no qual ele comenta essas distorções. Em seguida, o deputado fez um comentário:

        “No momento em que no país se comemora, neste 25 de março, os 90 anos da fundação do Partido Comunista, e que quase todos os movimentos comunistas brasileiros buscam se vincular a chamada raiz partidária de 1922, é de bom tom não esquecer os ensinamentos de um grande jornalista – Roberto Pompeu de Toledo – para não se excederem e se perderem historicamente nas homenagens” O texto do jornalista Roberto Pompeu de Toledo é aquele que pode ser lido após este comentário de Freire. Tem valor por ser histórico e por colocar a verdade, em vez das mentiras contadas pelo PCdoB, este sim, um câncer. Ele avisa (Freire) em seu comentário, que o texto de Roberto Pompeu de Toledo serve para que não se venha a exceder e a se perder historicamente nas homenagens. É claro feito água o que Freire está querendo dizer. Desde reconhecer que Prestes não pode ser esquecido na história do PCB por seus acertos e muitos erros, até colocar em praça pública um busto de Luiz Carlos Prestes passa-se a se exceder, e mesmo a se perder historicamente nas homenagens. Prestes não merece um busto. Ele foi lá colocado por influência do PCdoB, provavelmente com a influência que tem o PCdoB com o ex-governador Tarso Genro, para propaganda do PCdoB e para um culto à personalidade imerecido e já caído em desgraça, enquanto culto à personalidade, na desestalinização da antiga União Soviética e na China de Mao. O culto à personalidade permanece em governos estalinistas como o da Coréia do Norte.

        Você, ao colocar no mesmo saco o PCB, o PCdoB e o atual PPS todos identificados com o comunismo e como se tudo fosse igual, ignorando a evolução das idéias evidenciado pelo PPS, confunde sua análise e cria um rancor até de um partido de esquerda, o PPS, que vem democraticamente, à diferença do PCdoB, tentando colaborar para que o Brasil saia desta miséria e desta repetição de governos corruptos que só vêm nos infelicitando.

        Você é livre para fazer as escolhas políticas que quiser, mas quando você falar com impropriedade do papel do PPS em nossa vida atual, serei obrigado, como agora, a lhe pedir que observe mais um pouco e reflita mais demoradamente.

        Leia mais desapaixonadamente, com o seu já perceptível senso de justiça, o texto de Roberto Pompeu de Toledo que mostra a retidão do PPS em não renegar a sua história, mas ao mesmo tempo mostra que o PCdoB é tão torpe, que “se há uma coisa em que manteve a coerência, é no vezo stalinista. Stalin mandava cortar das fotos dirigentes do partido caídos em desgraça. O PCdoB inclui em suas fileiras gente que lhe foi alheia. Pelo avesso, chega ao mesmo fim de falsificar a história”

        Com meus melhores cumprimentos,

        Ednei Freitas.

  4. Uma grande virtude desse livro foi a de desmentir de cabo a rabo as inverdades comtidas no ” grande livro ” , do igualmente ” grande , historiador Daniel Aarao Reis.

  5. O presidente nacional do PPS, deputado federal Roberto Freire (SP), disse, nesta quinta-feira, que todos têm o direito de contar sua história e lembrar as próprias raízes. “Só não distorçam os fatos”, advertiu. Na véspera de o PCB/PPS completar 90 anos, Freire se referia ao programa do PCdoB levado ao ar logo após a demissão do ministro do Esporte, Orlando Silva, no qual o partido toma como seus alguns dos mais ilustres militantes do PCB, a começar por Luís Carlos Prestes e Olga Benario.

    Freire postou em sua página artigo do jornalista Roberto Pompeo de Toledo, publicado na revista Veja logo após a saída de Orlando Silva, no qual ele comenta essas distorções. Em seguida, o deputado fez um comentário:

    “No momento em que no país se comemora, neste 25 de março, os 90 anos da fundação do Partido Comunista, e que quase todos os movimentos comunistas brasileiros buscam se vincular a chamada raiz partidária de 1922, é de bom tom não esquecer os ensinamentos de um grande jornalista – Roberto Pompeu de Toledo – para não se excederem e se perderem historicamente nas homenagens”. Leia, abaixo, a íntegra do artigo.

    À moda stalinista

    “Pouco antes de jogar a toalha, na semana passada, e entregar a cabeça do ministro do Esporte, Orlando Silva, o PCdoB tentou reinventar seu passado. No programa de propaganda obrigatória que foi ao ar no dia 20, apresentou como emblemas do partido Luís Carlos Prestes, Olga Benario, Jorge Amado, Portinari, Patrícia Galvão (a Pagu), Oscar Niemeyer e Carlos Drummond de Andrade. Era uma fraude similar às operações do programa Segundo Tempo. Dos sete, os seis primeiros pertenceram ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), o arquirrival do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). O sétimo, o poeta Carlos Drummond de Andrade, não foi nem de um nem de outro. O partido tentava, num programa de TV em que jogava as últimas fichas para safar-se do escândalo no Ministério do Esporte, pegar carona num casal de ícones da história brasileira (Prestes e Olga) e em algumas das mais queridas figuras da cultura do país.

    O caso menos grave é o de Oscar Niemeyer, o único vivo do grupo. Apesar de ter sido militante do PCB, já apareceu em programas anteriores do PCdoB, do qual aceita as homenagens. O mais grave é o de Prestes. O PCdoB surge, em 1962, do grupo que, no interior do PCB, discordou da denúncia do stalinismo promovida na União Soviética após a morte do ditador. O PCdoB, com um curioso “do” no meio da sigla, será daí em diante o guardião da pureza stalinista. Os outros são a “camarilha de renegados”. E o renegado-mor, claro, é Prestes, o líder do PCB. No verbete “PCdoB” da Wikipédia, escrito num tão característico comunistês que não deixa dúvida quanto à sua procedência oficial, Prestes é tratado de “revisionista” (insulto grave, em comunistês) e acusado de ter “usurpado a direção partidária”. Também se diz ali que “abandonado à própria sorte, em idade avançada”, Prestes “dependerá de amigos como Oscar Niemeyer para sobreviver”. Eis colocadas na mesma cloaca da história (o comunistês é contagiante) duas figuras que agora o PCdoB alça ao altar de seus santos.

    Entre os outros casos de usurpação biográfica, a alemã Olga, primeira mulher de Prestes, foi fiel soldado das ordens de Moscou. Morreu muito antes de surgir o desafio do PCdoB, mas é de apostar que essa não seria a sua opção. Portinari e Pagu morreram, no mesmo 1962 do cisma comunista, ele fiel à linha de Moscou, ela convertida ao trotskismo, portanto inimiga do stalinismo. Jorge Amado na década de 60 já tinha o entusiasmo mais despertado pelo cheiro de cravo e pela cor de canela do que pela causa do proletariado. Em todo caso, sua turma era a de Prestes, o “Cavaleiro da Esperança” que cantara num livro com esse título.

    O caso mais estapafúrdio é o de Drummond. Nos anos 1930/1940 ele praticou uma poesia de cunho social e filocomunista. Chegou a colaborar com o jornal Tribuna Popular, do PCB. Mas nunca se filiou ao partido. Cultivou a virtude de nunca ser firme ideologicamente. O namoro com o comunismo, dividia-o com a fidelidade ao Estado Novo, ao qual serviu no Ministério da Educação. No pós-guerra, mitigava o comunismo com a sedução pela UDN do amigo e mentor Milton Campos. Em 1945 votou para senador em Luís Carlos Prestes, do PCB, e para presidente em Eduardo Gomes, da UDN. E, em 1964, apoiou o golpe militar. “A minha primeira impressão foi de alívio, de desafogo, porque reinava realmente, no Rio, um ambiente de desordem, de bagunça, greves gerais, insultos escritos nas paredes contra tudo. Havia uma indisciplina que afetava a segurança, a vida das pessoas”, explicou numa entrevista, transcrita em livro recente (Carlos Drummond de Andrade Coleção Encontros). Agora vem o PCdoB dizer que Drummond foi um dos seus!?

    Desconcertante história, a desse partido. A defesa do stalinismo levou-o a festejar o grande timoneiro Mao Tsé-tung e, quando o timão do chinês emperrou, buscar inspiração na Albânia do “Supremo Camarada” Enver Hoxha. Arriscou uma aventura guerrilheira nos barrancos do Araguaia. E, em anos recentes, encantou-se pela UNE e pelo monopólio da carteirinha de estudante, declarou ao esporte um amor insuspeitado em quem associava o partido à figura franzina do patrono João Amazonas (1912-2002) e recrutou, para reforço de suas chapas, jogadores de futebol (Ademir da Guia, Muller) e cantores (Netinho de Paula, Martinho da Vila) em quem nunca se suporia inclinação pela causa da foice e do martelo. Se há uma coisa em que manteve a coerência, é no vezo stalinista. Stalin mandava cortar das fotos dirigentes do partido caídos em desgraça. O PCdoB inclui em suas fileiras gente que lhe foi alheia. Pelo avesso, chega ao mesmo fim de falsificar a história.

  6. O PC do B rompeu com Prestes e o deixou “ao tempo e ao vento”. Usa de solércia usando a imagem e o nome de Prestes, de Olga, e também de outros personagems. Tanto o PCB de Roberto Freire e o PC do B de Aldo Rebelo “escantearam Prestes que já estava muito idoso”. Quem o acolheu por uma questão sentimental, já que seu pai José Brizola lutara em 1923 nos provisórios de Leonel Rocha, caudilho maragato que dera apoio a Prestes em 1924 quando do início da “Coluna Prestes”, foi Leonel Brizola que o elegeu “Presidente de Honra do PDT”. Isso é histórico. Desculpem, tem muita gente deturpando a história, inclusive a Anita filha de Prestes. Esse é o segundo livro que escreve sobre seu pai. Somente por isso é que desculpamos.

  7. A área de comentários esta um Luxo. Muitos poderiam ser artigos.

    Pergunta para Leocadia o que seria do Brasil se o pai dela tivesse obtido sucesso.
    Seriamos a Romênia, talvez a Albânia, ou Cuba, com 200 milhões de habitantes.

    Nunca soube de um comunista que pedisse desculpas pelo peixe envenenado que vendeu.

    Mas a História de Prestes ainda não foi contada, e certamente não será.
    O Cabo Anselmo contou a dele.

  8. Antonio Henrique, não coloque o marinheiro primeira classe chamado de cabo Anselmo em destaque nunca mais. Esse indivíduo é um pilantra, covarde, mentiroso, que a serviço dos americanos se fez passar por revolucionário. Em entrevista em 1980 ao famoso jornalista investigativo conhecido por “Pena Branca”, aparecendo com o rosto desfigurado por uma operação plástica, se vangloriava de ter contribuido para a morte de 200 companheiros. Fez acôrdo com o torturador Fleury. Pensa que todos morreram . Eu conheci bem esse indivíduo. Quando chegou na Marinha eu lá já estava desde 1950. Tira esse sujeito de tuas considerações. É UM TRAIDOR QUE NÃO HESITOU DE ENTREGAR PARA SER MORTA SUA MULHER GRÁVIDA. CONTA MUITA MENTIRA; LAMENTAVELMENTE TEM GENTE MAL INFORMADA QUE ACREDITA.

  9. Não há que se demonstrar preconceito com episódios biográficos de fatos interpretativos.Só o tempo poderá dizer de sua dimensão! O idealismo com honestidade seja de que lado for é bom!O pior é ideologia corruptiva e anti nacional!O entreguismo é o maior dos males.Prestes nunca foi entreguista e lutou por ideias e ideais que acreditava .A dimensão histórica de um homem não se faz por posições políticas e sim por seus feitos e coragem!Julio césar,Alexandre o Grande e inúmeros foram os algozes e bandidos que permanecem na história universal como homens de grandes feitos e criadores de fatos.Por que hostilizar quem defendeu o comunismo? Não digam que o comunismo não deu certo.É uma afirmativa burra e estupida.A união soviética não caiu por problemas economicos e sim por guerras de etnias.mas a China é um idiotice dizer que não é comunista.é muito mais que a própria União soviética.Foram feitas correções por Mao na denominada Revolução Cultural e já no ano que vem será a economia maior do mundo..Por que, se o comunismo não funciona, há um medo doentio de alguns incultos e indecisos idiotas políticos que adoram colocar clichês sem sentido nas pessoas que contrariam seus falsos e covardes poucos e errôneos argumentos! Estudem Marx sem medo e sem preconceitos! Talvez vejam que não é de todo errado! Preconceitos e medo do conhecimento não!

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