Palocci em inferno astral. Ministério Público abre mais um inquérito criminal contra o ex-ministro que enriqueceu rápido.

Carlos Newton

Além do inquérito criminal que está sendo aberto pela Procuradoria-Geral da República, Seção Distrito Federal, o ex-ministro Antonio Palocci é alvo desde o último dia 29 de mais uma investigação criminal, que apura a suspeita de seu envolvimento em uma operação de lavagem de dinheiro, no aluguel do apartamento em que ele morava na zona sul de São Paulo.

O novo inquérito é da iniciativa do Ministério Público de São Paulo e foi aberto depois da análise de documentos fornecidos pela Junta Comercial do Estado e cartórios de imóveis. A defesa do ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci, conduzida pelo advogado Jose Roberto Battochio, negou qualquer irregularidade no aluguel do apartamentoem que Palocci morava na cidade de São Paulo, pois ele já se mudou para o apartamento próprio, que custou mais de R$ 6 milhões.

Como se sabe, o patrimônio do ex-ministro aumentou em 20 vezes entre 1996 e 2010. Só no ano passado, quando conduzia a campanha eleitoral de Dilma Rousseff, o ex-ministro teria recebido R$ 20 milhões com contratos da sua consultoria Projeto. Como Palocci deixou de ser  ministro desde 7 de junho, não tem mais foro privilegiado.

Em recente entrevista à Folha, o ex-ministro afirmou que não revelou sua lista de clientes nem à presidente Dilma Rousseff, atribuiu as acusações a ele a uma “luta política” e disse que ninguém provou qualquer irregularidade na sua atuação com a consultoria Projeto.

Por óbvio,  se Palocci não revelou os clientes nem mesmo à presidente da República, isto significa que, se o fizesse, o ex-ministro estaria se incriminando por tráfico de influência. 

Em Brasília, a investigação  da Procuradoria-Geral da República foi conduzida pelo procurador Paulo José Rocha Júnior, que descobriu indícios de irregularidades nos negócios da empresa de Palocci. Reportagem de Jailton de Carvalho, de O Globo, mostrou que o procurador Rocha Junior chegou a essa conclusão após analisar contratos de consultoria, pareceres e a declaração de renda da Projeto. Em 8 de agosto, Rocha Junior  enviou ofício ao procurador-geral Roberto Gurgel para alertá-lo o sobre as novas informações.

Agora, com as novas provas encontradas, outro procurador da Seção Distrito Federal,  Gustavo Pessanha Velloso está abrindo o inquérito criminal para apurar fraudes em documentos da Projeto, empresa de consultoria do ex-ministro da Casa Civil. “Eu mandei o pedido de investigação para a área criminal porque encontrei indícios de crime. Mas não posso dizer quais são. A investigação está sob sigilo”, justificou Rocha Junior.

A consultoria Projeto foi criada em 2006, depois que Palocci deixou o Ministério da Fazenda do governo Lula, após a Caixa Econômica Federal ter quebrado ilegalmente o sigilo bancário do caseiro Francenildo  dos Santos Costa, que denunciara as ligações do ministro com um grupo de Ribeirão Preto que se reunia para orgias numa mansão em Brasília. 

O grande beneficiado de tudo isso é o advogado José Roberto Batochio, que defende Palocci e cobra muito caro por seus honorários. É mais um processo para responder.  E nem quis se pronunciar sobre o novo caso. Disse que aguardará a decisão do Ministério Público.

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