Palocci leva mais um baque, com a quebra do sigilo de sua secretária

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Palocci não sabia da quebra do sigilo da secretária

Julia Affonso e Ricardo Brandt
Estadão

O juiz federal Sérgio Moro decretou a quebra do sigilo telefônico de Rita de Cássia dos Santos, secretária do ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma), na Operação Lava Jato. O raio-X nas ligações da secretária foi requisitado pelo Ministério Público Federal, pega um largo período de quase dez anos – de 1.º de janeiro de 2008 a 5 de abril de 2017 – e alcança três linhas utilizadas por Rita.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, Rita de Cássia ‘intermediava as negociações dos executivos da Odebrecht com Antonio Palocci’. O objetivo da Procuradoria da República é ‘melhor identificar os diversos contatos realizados para as tratativas ilícitas registradas nos e-mails’. Os investigadores identificaram a secretária ao resgatarem e-mail enviado pelo empreiteiro Marcelo Odebrecht pela secretária do executivo Darci.

AÇÕES PENAIS – Palocci foi preso em 26 de setembro do ano passado, na Operação Omertà, 35.ª fase da Lava Jato. O ex-ministro é réu em duas ações penais: uma por propina sobre contratos de afretamento de sondas da Petrobrás e outra, junto com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por supostas propinas de R$ 75 milhões da Odebrecht em oito contratos com a estatal, que teriam incluído terreno de R$ 12,5 milhões para Instituto Lula e cobertura vizinha à residência de Lula em São Bernardo de R$ 504 mil.

“A respeito da relevância da quebra do sigilo telefônico vinculado a Rita de Cássia, cumpre destacar que, além da secretária de Marcelo Odebrecht, o próprio executivo possuía em seu celular o telefone de Rita de Cássia como contato, circunstância que revela a possibilidade de o próprio presidente da Odebrecht ter mantido contato direto com Rita de Cássia para intermediar a entrega de documentos ou o agendamento de reuniões com Antonio Palocci”, explicou o Ministério Público Federal.

SIGILO TELEFÔNICO – O juiz federal havia decretado a quebra de sigilo telemático de um endereço de e-mail de Rita em 2 de agosto de 2016. Na ocasião, Moro não decretou a quebra do sigilo telefônico, segundo ele, ‘por um lapso’. A decisão foi tomada, então, em 11 de abril deste ano.

“Considerando a necessidade de identificar os contatos telefônicos da investigada no período dos fatos, acolho o pedido do Ministério Público Federal e decreto a quebra do sigilo telefônico de Rita de Cássia dos Santos, no período compreendido entre 1.º de janeiro de 2008 a 5 de abril de 2017”, ordenou Moro.

A reportagem não localizou Rita de Cássia dos Santos. O espaço está aberto para manifestação.

BATOCHIO RECLAMA – “Isso é uma coisa que não é própria dos regimes democráticos, mas muito comum nos regimes de força em ambiente de espionagem. O levantamento de dados telefõnicos é regido pela mesma lei. Os dados são sigilosos. Neste caso, como na interceptação telefônica, não se admite levantamento de dados até o infinito. Isso não é próprio da legislação brasileira. Não se coaduna com a nossa ordem jurídica e a nossa Constituição.”

“Não encontrei isso (a decisão do juiz Sérgio Moro) nos autos da ação penal. Suponho que isso possa estar num dos múltiplos procedimentos secretos que tramitam à sorrelfa, clandestinamente para a defesa.”

“As secretárias estão proibidas, agora, de receber recados e fazer agendas. Quero saber se em algum lugar do Brasil secretária não se dedica a essa tarefa. É fato novo dos tempos que estamos vivendo”, disse, acrescentando: “Castro Alves escreveu ‘estamos em pleno mar’. Eu digo: ‘estamos em pleno estado policialesco’.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Palocci é infantil. Com a libertação provisória de Dirceu, pensou que já tinha escapado da Justiça. Não percebeu que é agora que a corda vai mesmo apertar em volta de seu pescoço. Sua mulher, dona Margareth, não gostou nada desse recuo dele e vai retaliar. (C.N.)

5 thoughts on “Palocci leva mais um baque, com a quebra do sigilo de sua secretária

  1. “Isso é uma coisa que não é própria dos regimes democráticos”

    E por acaso roubar dinheiro igual a esta turma de petistas fizeram, é democrático?

  2. A REPÚBLICA 171 DO BRASIL, QUE NUNCA FOI CONSIDERADA SÉRIA PERANTE O MUNDO CIVILIZADO, DIGA-SE DE PASSAGEM, AGORA, FINALMENTE, encontrou a sua cara metade, ao que parece, e assim assumiu de vez a sua surrealidade perante o mundo como pátria da corrupção, governada por corruptos explícitos, delatados pelos próprios comparsas corruptores, respaldados por uma grande camarilha congressual de mãos suja$, eleita via caixa dois da Odebrecht e Cia. E pasmem, apoiados até mesmo nas forças armadas que se diziam anticorrupção e que, doravante, nessas condições institucionais catastróficas, tb estão postas na linha sucessória da dita cuja, à moda 1880 ou 1964m e tudo isso por medo da Revolução Redentora que está no ar, ou por paixão mesmo pela corrupção. E agora José, como tirar o Brasil do buraco negro em que se encontra metido pelo partidarismo-eleitoral e o golpismo-ditatorial, e seus tentáculos, velhaco$, inclusive os midiático$$, dos quais, no Brasil, somos todos vítimas e reféns há 127 anos. E agora, “quid juris”, qual será o melhor remédio : lutar contra os ditos cujos e implantar a Democracia Direta, com méritocracia eleitoral, aderir, ou continuar sendo apenas mais um rapaz latino-americano, sem dinheiro no bolso, vindo do interior…, à moda Belchior ?. http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/293676/Datafolha-para-73-dos-brasileiros-Temer-%C3%A9-corrupto.htm

  3. “As secretárias estão proibidas, agora, de receber recados e fazer agendas. Quero saber se em algum lugar do Brasil secretária não se dedica a essa tarefa. É fato novo dos tempos que estamos vivendo”
    Hilário este comentário de Batochio, mostrando, além de ignorância uma completa desconexão com a realidade, assim como seu cliente.
    Receber recados e fazer agendas continuará sendo tarefa das secretárias, assim como agendar pagamentos de propinas continuará sendo crime. Simples assim!

  4. Poucas coisas me enojam mais do que os argumentos usados por advogados incumbidos de defender corruptos. Em essência o que eles dizem é que não se pode investigar até o final seus representados, pois se fizerem isso ficará demostrado cabalmente suas culpas. Inocentes, ma non troppo…

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