Palocci, o elo que faltava, e seu estranho percurso

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(chargesbenett.wordpress.com)

Clóvis Rossi
Folha

A oferta de Antônio Palocci ao juiz Sergio Moro de apresentar “nomes, endereços e operações realizadas” que, segundo o próprio Palocci, interessam à Lava Jato é a oportunidade para encaixar o elo que falta na imensa corrente de corrupção montada no país. É sabido que esquemas mafiosos, como o que as construtoras armaram com seus asseclas do mundo político, geralmente só são desmontados a partir do momento em que solta a voz alguém de dentro.

Foi o que aconteceu com os executivos da Odebrecht e de outras construtoras e com ex-diretores da Petrobras. Faltava o elo final: a delação de alguém, como Palocci, que esteve no governo e era figura chave no partido que deteve o poder de 2003 a 2016.

CONFISSÃO DE CULPA – De certa forma, a oferta do ex-ministro ao juiz Moro já é uma confissão de culpa. Se ele sabe de “nomes, endereços e operações realizadas” de interesse da investigação, é porque participou dos trambiques.

Aliás, a fala de Palocci contradiz frontalmente a carga que fazem os petistas e alguns aliados contra a Lava Jato, acusada de abuso de autoridade. Palocci disse, ao fim do depoimento, que contaria o que sabe porque a Lava Jato faz bem ao país. Se é assim, não há abuso mas uma investigação que dá resultados.

O que me intriga no caso Palocci é os motivos que o levaram a envolver-se nos atos que agora se dispõe a dar a público. O que levou um jovem trotskista a, primeiro, aderir ao neoliberalismo e, depois, à lama que está vindo à tona?

RELAÇÕES DIRETAS – Tivemos um relacionamento bastante cordial durante seu período como coordenador da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002 (depois da morte ainda cercada de sombras de Celso Daniel), e depois como ministro da Fazenda. Foi ele, aliás, quem me procurou primeiro, quando o normal é que repórteres tomem a iniciativa de fazer contato com fontes de informação.

Nossas muitas conversas nesses dois períodos foram igualmente fora do padrão (do meu padrão, pelo menos): eram verdadeiras discussões sobre política econômica, quando, em geral, eu me limito a fazer perguntas, ouvir respostas, eventualmente reperguntar, mas não debater com o interlocutor.

Com Palocci, uma vez, numa das indefectíveis sessões de pergunta e resposta (pingue-pongue no jargão jornalístico) para o balanço do ano (2004 ou 2005, já não me lembro), tivemos um bate-boca sobre o calote dado pela Argentina na sua dívida.

IMBUÍDO DA MISSÃO? – Pareceu-me, sempre, um médico (sua profissão original) do interior (Ribeirão Preto) transformado em homem público e imbuído da missão de trazer a política de seu partido de toda a vida (o PT) da esquerda para o liberalismo.

Se ele ainda continuasse revolucionário, como todo trotskista deve ser, eu até entenderia: inviabilizada a revolução no Brasil, fica a tentação de enriquecer, quaisquer que sejam os meios empregados. Mas, tendo se convertido à moderação, a ambição de enriquecer poderia ter se moderado igualmente, até porque, como político e consultor, acabaria enriquecendo de qualquer forma, talvez mais lentamente.

Tudo somado, eu gostaria de conversar com ele em Curitiba, não só para saber nomes e operações que ele se dispõe a delatar mas para viajar à cabeça de um homem público transviado.

4 thoughts on “Palocci, o elo que faltava, e seu estranho percurso

  1. Sempre foi assim. Comunista quando tem dinheiro para contar, é porque já mandou a ideologia para a casa do carvalho.
    Socialista só se é quando pobre, com o desejo de dividir a riqueza alheia. Quando se tem a própria, vira-se automaticamente capitalista, sem querer dividir o que se tem.
    Isto é tão antigo quanto quanto a vivência humana e também de outros seres vivos.
    A ganância nasceu com o ser humano, aqueles que são despojados, são considerados loucos.

    • Dia chegará em que, até por questão de sobrevivência segura, a inteligência terá que se sobrepor à ganância, à loucura por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$. Aliás, já existem até empresários, até norte-americanos, pasmem, doando grande parte do seu próprio patrimônio e lucros para o bem comum, muito além da avalanche de impostos e encargos que pagam ao Estado. Exemplos: Bill Gates, nos EUA, e Raduan Nassar, no Brasil, entre outros.

  2. EITA MULHER PORRETA, BRIOSA, VALENTE, SÓ NÃO SERÁ A MINHA VICE EM 2018 SE NÃO QUISER. Que bom ver esse novo despertar político da Luciana, reconhecendo a podridão do $istema político exaurido, e batendo de frente contra o dito cujo que urge pegarmos pelos chifres e espatifá-lo ao chão. Aliás, a bem da verdade, o ideal é que o Lula, enquanto representante máximo do velho que já morreu, se atreva mesmo a ser candidato em 2018, como já está lançado há décadas, para que desta feita seja pego de calças curtas e leve uma surra exemplar, histórica, retumbante, na sua própria praia eleitoral catimbeira, não de outros delinquentes do continuísmo da mesmice do $istema político podre, 171, dissimulado, camaleônico, que possivelmente virão fantasiados de novo, turbinados pelo capital velhaco e o establishment bandido como de costume, mas que Lula se depare desta feita, isto sim, com o novo de verdade que já nasceu e urge se estabelecer para o bem de todos e a felicidade geral da nação, como propõe a RPL-PNBC-DD-ME, há 30 anos, sob a égide da Democracia Direta, com Meritocracia Eleitoral, ou seja, que Lula se depare desta feita com o projeto novo e alternativo de política e de nação, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, o contraponto ideal ao velho continuísmo da mesmice, ou seja, a kriptonita do bem, contra a supremacia dos super-cueca$, mão$ suja$, do maligno $istema político podre, do velho que já morreu, com prazo de validade vencido há muito tempo, e seus tentáculo$ endemoniado$ que à moda Herode$ não deixam o novo crescer. A hora do basta chegou, tb nas urnas, com certeza. Chega dos me$mo$. Fora todo$. Evoluir é preciso. E se o velho $istema político podre que já morreu vencer outra vez, ai não haverá mais o que fazer senão o país se tornar 100% corrupto e cada um montar a sua própria quadrilha equipada com mídia, banqueiros, empresários bandidos, Odebrechts, línguas e canetas mercenárias, de aluguel, e tb tentar se locupletar, como, aliás, sugeriu Sérgio Porto, o inolvidável Stanislaw Pontepreta, há mais de 50 anos, com a frase lapidar: ” ou restauremos a moralidade pública neste país, ou nos locupletemos todos “. http://www.brasil247.com/pt/247/rs247/291730/Luciana-Genro-diz-que-Moro-n%C3%A3o-%C3%A9-santo-mas-defende-Lava-Jato.htm

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