Pandemia acelera a perda de autoridade e a desmoralização do presidente Bolsonaro

Bolsonaro espalha o Covid - Nando Motta - Brasil 247

Charge do Nando Motta (site 247)

William Waack
Estadão

Já é lugar comum afirmar que o maior efeito da pandemia ao redor do mundo foi o de acelerar ou agravar problemas já existentes. No caso do Brasil, ela escancarou a falta de governo, além da desigualdade, miséria e ignorância, mazelas bem antigas. No Brasil, a pandemia não “inventou” a má gestão pública nem o desperdício de recursos. Ela ensinou que não há governo efetivo sem capacidade de liderança política – outro problema do qual padecemos há tempos.

A extraordinária incapacidade de Jair Bolsonaro para liderar e coordenar criou com a pandemia um fenômeno novo na política brasileira.

CADA UM POR SI – Entre os entes da Federação, é cada um por si, com a instituição da dupla de primeiros-ministros nas figuras dos presidentes das casas legislativas. Em linguagem militar, talvez ainda familiar a alguns ocupantes do Planalto, o Estado Maior da crise não está como deveria estar na Casa Civil e no Ministério da Saúde (instâncias do Executivo sob o comando nominal de generais) mas, na prática, foi para o Congresso.

É nas casas legislativas que se decide agora o essencial para se tentar minorar os devastadores efeitos da maior tragédia da nossa história recente. É para lá que correm prefeitos e governadores na linha de frente do combate ao vírus. É lá que se negocia a aprovação de um mínimo de ajuda que impeça pessoas de morrer de fome. É lá que existe pressa e urgência para flexibilizar e acelerar a aquisição de imunizantes por quem quer que seja, incluindo empresas privadas. O arcabouço jurídico foi criado pelo STF, que transformou um de seus integrantes em virtual ministro da Saúde.

Um resultado evidente dessa situação cujo alcance Bolsonaro não parece ter percebido ainda é a profunda desmoralização política associada a um governo visto como incompetente.

SARNEY, COLLOR E DILMA – Presidentes anteriores já foram desmoralizados por eventos abrangentes em parte piorados por eles mesmos, como ocorreu com Sarney/Collor (hiperinflação) e Dilma (recessão). No caso de Bolsonaro, além do estelionato econômico eleitoral do qual Paulo Guedes está se tornando cúmplice, é a pandemia que acelera perigosa desmoralização.

A confluência de crise econômica, tragédia de saúde pública e incapacidade de liderança política (com seus graves riscos de populismo fiscal) compõe a “tempestade perfeita” mencionada por agências de classificação de risco ao publicarem no começo da semana cenários a curto prazo para o Brasil.

O agravamento da crise de saúde pública faria as demandas sociais crescerem em ritmo mais rápido do que o “tempo político” necessário para a aprovação de medidas de contrapartida à continuidade da ajuda emergencial, trazendo ainda mais insegurança aos agentes na economia.

BUSCAR “CULPADOS” – Bolsonaro está no modo de sempre, dedicado a buscar culpados e livrar-se de responsabilidades. A aparente tranquilidade com que enfrenta um quadro que se agrava nitidamente vem de dois fatores proporcionados por sua estreita visão da realidade.

O primeiro é a percepção de garantia política dada pela dupla de primeiros ministros – que, na verdade, mal controlam as próprias casas, como ficou demonstrado no episódio da PEC da imunidade ou impunidade dos parlamentares.

O segundo é o aparente conforto trazido pelo aparelhamento das instâncias superiores do Judiciário – nomeações “casadas” para o STJ e STF, em estreito entendimento com os movimentos políticos evangélicos.

RESTA A DESMORALIZAÇÃO – Percalços jurídicos policiais de curto prazo em relação à família do presidente estão afastados, ao mesmo tempo em que não existe nada remotamente parecido à presença de uma Lava Jato para criar dificuldades políticas agudas para o atual governo (como aconteceu com Dilma).

Desmoralização é um fenômeno político forte e de difícil reversão, que costuma nascer e se propagar primeiro nos vários componentes de elites (administração pública, setores empresariais e financeiros, profissionais liberais, elites culturais em sentido amplo). A perda de autoridade de Bolsonaro já se fazia sentir antes da pandemia, fato demonstrado pela maneira como o Legislativo e o STF encurtaram seu poder. A pandemia, como se diz, acelerou o que já existia.

15 thoughts on “Pandemia acelera a perda de autoridade e a desmoralização do presidente Bolsonaro

  1. WW depois que foi expelido da G. lixo continua a mergulhar nas hipóteses negativas ao país e PR.

    O ESP, antes grandioso, só está definhando e logo irá para RP. É só ver a tiragem e número de inserções nos cadernos.

    • How much are they paying you, my friend.
      Tem que ser pago para defender o lixo Bolsonaro, porque racionalmente não dá para defender as suas atitudes e o seu governo de milicos interessados nas benesses de um emprego extra.

  2. Segue à risca os mandamentos de Joseph Goebels. Propaganda aliada à mentira. Descoberta diária de inimigos. Shows diários sempre com novo assunto. Muitos deslocamentos. Provocações de baixo nível. Etc…
    E sempre tem seguidores cada vez mais convencidos de que ele é um Mito.
    Mas qtos aqui da TI o auxiliaram a chegar a este ponto?

    • Quem usou Bolsonaro como arma de vingança, somente, agora, descobriu que ele dispara pela culatra.
      DISCERNIMENTO CHULO: há 28 anos, Jair Messias já vinha demonstrando de modo honesto e transparente, um escopo prévio do que seria ele, como chefe da nação.
      – Até quando: vamos ficar culpando pelas nossas falhas, as autoridades responsáveis pelo nosso monitoramento e encabrestamento, porque piscaram ou deram o nó frouxo?
      –O eleitorado brasileiro é do tipo que alimenta e se alimenta com o que há de mais podre. Depois ele mesmo, cinicamente, recursa-se a tragar as merdas excretadas das suas próprias entranhas!

  3. Sr. William Wack, porque o senhor acha que Bolsonaro colocou general Heleno e Skaf no conselho da república? Porque Bolsonaro esta questionando o STF no tocante a pandemia? O presidente de burro não tem nada não é mesmo?

    • Na minha opinião ninguém é burro. A imbecilidade presente nas atitudes e falas do Bozo é devida á falta de educação no lar e na escola, uma ambição cavalar descontrolada e uns neurônios estragados. Não há remédio pra ele; pra nós há: temos que expelir esse câncer na próxima eleição.

  4. Ainda precisamos de muito mais.
    Quando tudo estiver se “esfacelado” e o tecido social apodrecido, necessitaremos de “força” para reconstruir tudo.
    Aí vem a pergunta: Quem tem os canhões?!!!
    Então para o imaginário de um “tosco”, o caminho é este mesmo; colocar a culpa do resultado de seu negacionismo nos outros e explorar em um futuro muito próximo o seu resultado.

  5. Negacionismo e maus exemplos para uma sociedade ignara.
    Meu voto colocou no poder a solução para o Brasil.
    PS: Nosso querido país será a escória do planeta e exemplo de como não fazer.

  6. WWaack foi defenestrado da Globo como “racista”; restou-lhe atirar-se nos braços dos quadrilheiros tucanos, por quem sempre torceu. Suas críticas ao Presidente são o pedágio que paga aos seus empregadores.

    Pelo menos ele reconhece que o STF e o Congresso são cúmplices na armação que resultou no sequestro dos poderes constitucionais do Presidente. Mas não revelou o nome do facinoroso ministro do STF que usurpou a função de “ministro da saúde”, sabe que não se trata de um só, mas de onze sequestradores.

  7. Um ser, pode mascarar sua Verdadeira entidade por um tempo, em alguns casos por um longo tempo, nunca para sempre. Tudo dependerá dos olhos do observador.

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