Pantagruel e Gargantua

Carlos Chagas

Em 1532 Rabelais fez a França gargalhar com a criação do gigante Pantagruel, que comia duzentos bois de uma só vez e secou o rio Sena, bebendo toda a sua água. Era filho de Gargantua, outro exagerado, ainda que tivesse nascido primeiro que o pai, nos livros. A alegoria que Paris inteira lia e comentava exprimiu profunda crítica à monarquia e à religião, mas o autor não foi punido, pelo ridículo que a punição encerraria.

Guardadas as proporções, e com todo o respeito, estamos diante da repetição do romance referido, cheio de episódios mirabolantes e fantásticos. O Pantagruel brasileiro é o Congresso. O governo fica sendo o Gargantua. Fazem o diabo, pai e filho, em matéria de excessos. Ainda agora os presidentes da Câmara e do Senado continuam voando em aviões da Força Aérea como se tratassem de suas propriedades particulares, voando para compromissos pessoais, diversões e sucedâneos.   Oferecem suntuosos jantares em seus palácios, tudo pago com dinheiro público.  Do outro lado, ministros também se refestelam  em ágapes variados e continuam cruzando os ares em jatinhos oficiais. Dispõem, com poucas exceções, de cartões corporativos que cobrem despesas de toda ordem, entre as necessárias e as supérfluas.

Quando a população vai para as ruas em manifestações que seriam pacíficas não fosse a presença de vândalos e  de bandidos, está protestando também contra a orgia dos detentores do poder.

CISÃO INEXPLICÁVEL

Nada menos do que 27 deputados do PT assinaram nota de protesto contra a designação do colega  Candido Vaccarezza para chefiar a Comissão da Reforma Política. Defenderam Henrique Fontana, que há tempos trata da questão. Preferências são comuns e até necessárias, dentro dos partidos, mas uma declaração de guerra como essa dá bem medida da crise entre os companheiros. Sobrou para o presidente da Câmara,  que designou Vaccarezza. Não sabiam, os deputados insurgentes, que Henrique  Eduardo Alves atendeu o pedido do ex-presidente Lula. Ou sabiam?

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