Papa Francisco diz que a Cúria sofre de ‘Alzheimer espiritual’

http://imagens5.publico.pt/imagens.aspx/760905?tp=UH&db=IMAGENS

Papa criticou duramente os cardeais

Deu na France Presse
O papa Francisco elaborou nesta segunda-feira (22/12) uma lista de doenças que ameaçam a Cúria, entre elas o que chamou de “Alzheimer espiritual”, em um discurso de uma severidade sem precedentes, no qual condenou a as rivalidades, as calúnias e as intrigas. Em seu discurso anual aos membros do governo da Igreja, o Papa afirmou que, “como qualquer corpo humano”, a Cúria sofre de “infidelidades ao Evangelho” e de “doenças que precisa aprender a curar”.Depois anunciou que vai divulgar “um catálogo” das doenças e necessidade para que a Cúria “seja cada vez mais harmoniosa e unida”. O Papa citou 15 doenças, usando expressões fortes como, além de “alzheimer espiritual”, “terrorismo do falatório”, “esquizofrenia existencial”, “exibicionismo mundano”, “narcisismo falso” e “rivalidades pela glória”.”A cura é o fruto da tomada de consciência da doença”, concluiu o Papa, pedindo que os bispos e cardeais se permitam que o Espírito Santo inspire suas ações, invés de confiar apenas em suas capacidades intelectuais.

“Os padres são como aviões. Estão na primeira página quando caem”, acrescentou. Depois deste discurso, recebido como uma ducha fria, Francisco saudou um a um todos os cardeais, em um ambiente tenso, apesar das amabilidades de fachada.

10 thoughts on “Papa Francisco diz que a Cúria sofre de ‘Alzheimer espiritual’

  1. A Igreja Católica Apostólica Romana, uma organização religiosa que beira dois mil anos de existência, chegou a este tempo pela seu metodismo, liturgia, hierarquia, obediência aos cânones estabelecidos, e total dedicação de seus representantes ao redor do mundo para o seu líder, o Papa, e a Santa Sé.
    A sociedade nos últimos vinte, trinta anos, tem solicitado que a Igreja se renove, sem explicar de forma mais detalhada o que seria esta reforma, este aperfeiçoamento, entretanto, mover esta engrenagem pesada e complexa, que é o Vaticano, há necessidade de especialistas em engenharia mecânica, de gente que saiba entender a planta do mecanismo que faz a roda girar em sentido favorável ao desenvolvimento, e não fazê-la retroceder.
    Pois sempre esteve na Cúria da Basílica de São Pedro, o grande entrave para que esse mecanismo fosse mais rápido, diante de tradições e costumes que o principado católico construiu em torno de si.
    O impasse são os cardeais, os conservadores, os que não admitem mudanças, que desejam a Igreja mais hermética e distante do povo.
    Eis que o argentino Bergoglio é eleito, trazendo consigo a manha do latino e a picardia argentina, percebendo imediatamente onde estaria o problema da Igreja, que a fez perder fiéis para os evangélicos e demais religiões:
    Nela mesma, na Igreja.
    Sem nada a perder, mas disposto a mudar o comportamento de seus representantes, mas não a essência da Igreja, Francisco se mostra como corajoso, um homem de fé, destemido, um legítimo apóstolo.
    E botou o dedo na ferida, alertando aos inimigos na trincheira que ele os conhece, e que não vai deixar passar em branco a conduta dos príncipes que impedir as mudanças que propõe, a limpeza da máquina, e seu consequente azeitamento para permitir maior velocidade ao que pretende.
    Inegavelmente, o Papa Francisco se inscreve como revolucionário, aguerrido, combativo, e com a força do seu carisma e sorriso contagiante, simplicidade e crença inabalável em Cristo, aos poucos vai abrindo as portas de uma nova Igreja, mais próxima dos sofredores, mais perto dos países que necessitam de interlocutores, mais sincronizada com os ensinamentos de Jesus!
    Grande Chico, respeitosamente, claro, mas estou me sentindo íntimo deste sacerdote, que não tem segredos, consigo, cujos gestos largos e face simpática, demonstram dedicação ao próximo, e a devida importância ao tão desvalorizado ser humano!

  2. A turma da inversão revolucionária qualquer dia vai olhar um pássaro, discordar de seu vôo, e iniciar uma campanha cultural para que o mesmo passe a viver debaixo d’água.

    Efeito Concílio Vaticano II.

  3. Caro CN … a declaração de Francisco Pedro simplesmente cumpre as PROFECIAS MARIANAS …
    http://www.segundavindadejesus.com.br/Pagina/39/A-ADVERTENCIA-DE-AKITA com:

    “… ” Como eu lhe falei, se os homens não se arrependem e se melhoram, o Pai infligirá um castigo terrível a toda humanidade. Será um castigo maior que o dilúvio, como nunca se terá visto antes. Fogo cairá do céu e exterminará uma grande parte de humanidade, tanto bons como maus, não poupando nem padres e nem crentes. Os sobreviventes, diante da calamidade invejarão os mortos. Empunhe sempre o Rosário, ele é o grande recurso oferecido por meu Filho. Cada dia, recite as orações do Rosário. Reze pelo Papa, pelos bispos e pelos padres. O Diabo se infiltrará até mesmo na Igreja de tal um modo que haverá cardeais contra cardeais, e bispos contra bispos. Serão desprezados os padres que me veneram e terão opositores em todos os lugares. Haverá vandalismo nas Igrejas e altares. A Igreja estará cercada de asseclas do demônio que conduzirá muitos padres a lhe consagrar a alma e abandonar o serviço do Senhor.
    ” O demônio especialmente dirigirá sua ira contra almas consagradas a Deus. O pensamento da perda de tantas almas é a causa de minha tristeza. Se os homens aumentarem ainda mais seus pecados em número e gravidade, já não haverá nenhum perdão para eles “. … ”
    … … …
    Destaco: “Reze pelo Papa, pelos bispos e pelos padres. O Diabo se infiltrará até mesmo na Igreja de tal um modo que haverá cardeais contra cardeais, e bispos contra bispos. Serão desprezados os padres que me veneram e terão opositores em todos os lugares.”
    … … …
    É a luta contra a SERPENTE!!! !!! !!!

  4. Sinceramente acho esse Papa muito pouco espiritualizado para o meu gosto, mas não me custa esperar até que ele acabe a faxina na Igreja Católica, onde as questões mundanas, infelizmente, ainda são maioria.

  5. Froes,
    Na minha concepção, a espiritualidade que tu abordas não traz resultado prático.
    Explico:
    Podemos, eu e tu, ficarmos rezando por cem anos, pedindo a Deus que atenda quem tem fome.
    Não vai acontecer nada. Não cairá o maná dos céus, e o pessoal faminto continuará sem alimento.
    Agora, se eu e tu, somarmos o dinheiro que tivermos no bolso, mais o que estaria sobrando em nossas casas, mesmo que pouco, não importa, pelo menos duas ou três pessoas deixariam de passar fome!
    Acho que Deus quis dar a entender que o homem tem poderes para resolver ss problemas humanos. Temos condições para tal, basta a famosa “boa vontade”.
    Lembra, Froes:

    “35 Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;
    36 Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver.
    37 Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?
    38 E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos?
    39 E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?
    40 E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.”

    O Papa Francisco não é o Sumo Pontífice de graça!
    Bergoglio sabe o que faz, e esta sua inquietação, a pressa em sanar os problemas internos e minimizar os externos, certamente deixa o principado apreensivo e incomodado, pelo simples fato de que muitos terão de sair da sua zona de conforto, e terão de trabalhar, mostrar serviço.

    • Bendl, a espiritualidade não passa pelo provimento de alimentos físicos, atributos dos governos, mas sim espirituais. Pelo menos é assim que eu a entendo e foi a esta que eu me referi.

      De qualquer maneira, Francisco está fazendo o que há muito deveria ter sido feito. Claro, ele pode optar por continuar dessa maneira, sendo mais político que transcendente, e vir a se tornar uma figura importante nessa área, mas aí eu vou continuar achando que lhe faltaram as tais elevação e sublimidade necessárias à espiritualidade exigida de um líder religioso.

  6. Fróes,
    Claro que te entendi e não discordei do teu comentário sobre a espiritualidade, que admito ser fundamental para um líder religioso.
    No entanto, o estágio atual da Igreja exije mais um trabalhador braçal que um Papa dotado de grande religiosidade.
    Tanto fiéis do mundo inteiro quanto às questões internas no Vaticano, precisam de uma atuação mais consistente e incisiva do Sumo Pontífice, por exemplo:
    Pedofilia;
    O Banco Vaticano;
    O conservadorismo dos Cardeais;
    Homossexualidade;
    Divórcio;
    Aborto;
    Conflitos políticos internacionais.
    Pois, o Chico arregaçou as mangas, e está fazendo a necessária faxina interna, ao mesmo tempo que vestido com o seu paramento papal, destina o seu tempo para colaborar com as nações se reaproximarem e inaugurar uma nova fase em suas relações comerciais e diplomáticas, interrompidas de forma irracional.
    Não, Froes, não estou te contestando, apenas imaginando o tipo de atuação que Bergóglio tenha optado que, a meu ver, é a certa diante do momento de perda de católicos e da fé, exatamente pela inércia da Igreja em temas cruciais aos seguidores, que a desejam ver mais atuante e participativa, e menos contemplativa.
    Um abraço, Fróes, um dos comentaristas mais inteligentes e perspicazes que tem a Tribuna da Internet, e que a enriquece sobremaneira a cada comentário teu postado.

  7. Caros CN, Ricardo Froes e Francisco Bendl … Bom dia!

    http://br.radiovaticana.va/storico/2013/11/26/primeira_exorta%C3%A7%C3%A3o_apost%C3%B3lica_de_papa_francisco;_texto_na_%C3%ADntegra_de_e/bra-750057 tem:

    Home / Documentos Vaticanos … Primeira Exortação Apostólica do Papa Francisco … 26/11/2013SHARE:
    Cidade do Vaticano (RV) – Segue, na íntegra, a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium do Papa Francisco.

    AO EPISCOPADO, AO CLERO ÀS PESSOAS CONSAGRADAS E AOS FIÉIS LEIGOS … SOBRE O ANÚNCIO DO EVANGELHO NO MUNDO ATUAL
    1. A ALEGRIA DO EVANGELHO …

    … Mãe do Evangelho vivente, manancial de alegria para os pequeninos, rogai por nós. Amen. Aleluia!

    Dado em Roma, junto de São Pedro, no encerramento do Ano da Fé, dia 24 de Novembro – Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo – do ano de 2013, primeiro do meu Pontificado. [Franciscus PP]
    … … …
    Tal Exortação foi considerada como Programa do Pontificado de Francisco Pedro.

  8. Um ano após a Exortação … temos este discuso que vale a pena ler a íntegra … nem preciso lembrar que a Cúria Romana é o Ministério da Santa Sé … assim como cada Diocese tem sua Cúria, a de Roma é especial em função do Ministério Petrino confiado a Pedro e seus sucessores.

    http://www.radiovaticana.va/proxy/portuguese/noticiario/2014_12_23.html

    A íntegra do discurso de Francisco à Cúria Romana

    Cidade do Vaticano (RV) – Publicamos abaixo o discurso integral proferido pelo Papa à Cúria Romana em 22 de dezembro de 2014.
    “Tu estás acima dos querubins, tu que transformaste a miserável condição do mundo quando te fizeste como nós” (Santo Agostinho)
    Amados irmãos,
    Ao final do Advento, encontramo-nos para as tradicionais saudações. Dentro de alguns dias teremos a alegria de celebrar o Natal do Senhor; o evento de Deus que se faz homem para salvar os homens; a manifestação do amor de Deus que não se limita a dar-nos algo ou a enviar-nos uma mensagem ou alguns mensageiros, doa-se-nos a si mesmo; o mistério de Deus que toma sobre si a nossa condição humana e os nossos pecados para revelar-nos a sua Vida divina, a sua graça imensa e o seu perdão gratuito. É o encontro com Deus que nasce na pobreza da gruta de Belém para ensinar-nos a potência da humildade. Na realidade, o Natal è também a festa da luz que não é acolhida pala gente “eleita”, mas pela gente pobre e simples que esperava a salvação do Senhor.
    Em primeiro lugar, gostaria de desejar a todos vós – cooperadores, irmãos e irmãs, Representantes pontifícios disseminados pelo mundo – e a todos os vossos entes queridos um santo Natal e um feliz Ano Novo. Desejo agradecer-vos cordialmente, pelo vosso compromisso quotidiano a serviço da Santa Sé, da Igreja Católica, das Igrejas particulares e do Sucessor de Pedro.
    Como somos pessoas e não números ou somente denominações, lembro de maneira especial os que, durante este ano, terminaram o seu serviço por terem chegado ao limite de idade ou por terem assumido outras funções ou ainda porque foram chamados à Casa do Pai. Também a todos eles e a seus familiares dirijo o meu pensamento e gratidão.
    Desejo juntamente convosco erguer ao Senhor vivo e sentido agradecimento pelo ano que está a nos deixar, pelos acontecimentos vividos e por todo o bem que Ele quis generosamente realizar mediante o serviço da Santa Sé, pedindo-lhe humildemente perdão pelas faltas cometidas “por pensamentos, palavras, obras e omissões”
    E partindo precisamente deste pedido de perdão, desejaria que este nosso encontro e as reflexões que partilharei convosco se tornassem, para todos nós, apoio e estímulo a um verdadeiro exame de consciência a fim de preparar o nosso coração ao Santo Natal.
    Pensando neste nosso encontro veio-me à mente a imagem da Igreja como Corpo místico de Jesus Cristo. É uma expressão que, como explicou o Papa Pio XII “brota e como que germina do que é frequentemente exposto na Sagrada Escritura e nos Santos Padres”. A este respeito, São Paulo escreveu: “Porque, como o corpo è um todo tendo muitos membros e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo” (1 Cor 12,12).
    Neste sentido, o Concílio Vaticano II lembra-nos que “na edificação do Corpo de Cristo há diversidade de membros e de funções. Um só è o Espírito que, para utilidade da Igreja, distribui seus vários dons segundo suas riquezas e as necessidades dos ministérios (cf. 1 Cor 12,1-11)”. Por isto “Cristo e a Igreja formam o «Cristo total» – Christus totus -. A Igreja é una com Cristo».
    È belo pensar na Cúria Romana como sendo um pequeno modelo da Igreja, ou seja, um “corpo” que procura séria e cotidianamente ser mais vivo, mais sadio, mais harmonioso e mais unido em si mesmo e com Cristo.
    Na realidade, a Cúria Romana è um corpo complexo, composto de muitos Dicastérios, Conselhos, Departamentos, Tribunais, Comissões e de numerosos elementos que não têm todos a mesma tarefa, mas são coordenados para um funcionamento eficaz, edificante, disciplinado e exemplar, não obstante as diversidades culturais, linguísticas e nacionais dos seus membros.
    Em todo o caso, sendo a Cúria um corpo dinâmico, ela não pode viver sem alimentar-se e sem cuidar de si. De fato, a Cúria – como a Igreja – não pode viver sem ter uma ralação vital, pessoal, autêntica e sólida com Cristo. Um membro da Cúria que não se alimenta cotidianamente com aquele Alimento tornar-se-á um burocrata (um formalista, um funcionalista, um mero empregado): um ramo que seca e pouco a pouco morre e é lançado fora. A oração diária, a participação assídua nos Sacramentos, de modo especial, da Eucaristia e da reconciliação, o contato cotidiano com a palavra de Deus e a espiritualidade traduzida em caridade vivida são o alimento vital para cada um de nós. Que todos nós tenhamos bem claro que sem Ele nada poderemos fazer (cf Jo 15, 8).
    Consequentemente, a relação viva com Deus alimenta e fortalece também a comunhão com os outros, ou seja, quanto mais estivermos intimamente unidos a Deus tanto mais estaremos unidos entre nós porque o Espírito de Deus une e o espírito do maligno divide.
    A Cúria está chamada a melhorar-se, a melhorar-se sempre e a crescer em comunhão, santidade e sabedoria a fim de realizar plenamente a sua missão. No entanto, ela, como todo corpo, como todo corpo humano, está exposta também às doenças, ao mau funcionamento, à enfermidade. E aqui gostaria de mencionar algumas destas prováveis doenças, doenças curiais. São doenças mais costumeiras na nossa vida de Cúria. São doenças e tentações que enfraquecem o nosso serviço ao Senhor. Penso que nos ajudará o “catálogo” das doenças – nas pegadas dos Padres do deserto, que faziam aqueles catálogos – dos quais falamos hoje: ajudar-nos-á na nossa preparação ao Sacramento da Reconciliação, que será um passo importante de todos nós em preparação do Natal.
    1. A doença do sentir-se “imortal”, “imune” ou até mesmo “indispensável” transcurando os controles necessários e habituais. Uma Cúria que não faz autocrítica, que não se atualiza, que não procura melhorar é um corpo enfermo. Uma visita ordinária aos cemitérios poderia ajudar-nos a ver os nomes de tantas pessoas, algumas das quais pensassem talvez que eram imortais, imunes e indispensáveis! É a doença do rico insensato do Evangelho que pensava viver eternamente (cf Lc 12, 13-21) e também daqueles que se transformam em senhores e se sentem superiores a todos e não a serviço de todos. Esta doença deriva muitas vezes da patologia do poder, do “complexo dos Eleitos”, do narcisismo que fixa apaixonadamente a sua imagem e não vê a imagem de Deus impressa na face dos outros, principalmente dos mais fracos e necessitados. O antídoto para esta epidemia è a graça de nos sentirmos pecadores e de dizer com todo o coração «Somos servos inúteis. Fizemos o que devíamos fazer» (Lc 17, 10).
    2. Outra doença: doença do “martalismo” (que vem de Marta), da excessiva operosidade: ou seja, daqueles que mergulham no trabalho, descuidando, inevitavelmente, “a melhor parte”: sentar-se aos pés de Jesus (cf Lc 10,38-42). Por isto Jesus chamou os seus discípulos a “descansar um pouco’” (cf Mc 6,31) porque descuidar do descanso necessário leva ao estresse e à agitação. O tempo do descanso, para quem levou a termo a sua missão, è necessário, obrigatório e deve ser lavado a sério: no passar um pouco de tempo com os familiares e no respeitar as férias como momentos de recarga espiritual e física; é necessário aprender o que ensina o Coélet que «para tudo há um tempo» (3,1-15).
    3. Há ainda a doença do “empedernimento” mental e spiritual, ou seja, daqueles que possuem um coração de pedra e são de “dura cerviz” (At 7,51-60); daqueles que, com o passar do tempo, perdem a serenidade interior, a vivacidade a audácia e escondem-se atrás das folhas de papel, tornando-se “máquinas de práticas” e não “homens de Deus” (cf Hb 3,12). É perigoso perder a sensibilidade humana necessária que nos faz chorar com os que choram e alegrar-se com os que se alegram! É a doença dos que perdem “os sentimentos de Jesus ” (cf Fl 2,5-11) porque o seu coração, com o passar do tempo, endurece e torna-se incapaz de amar incondicionalmente ao Pai e o próximo (cf Mt 22,34-40). Ser cristão, com efeito, significa ter os mesmos sentimentos de Jesus Cristo» (Fl 2,5), sentimentos de humildade e de doação, de desapego e de generosidade.
    4. A doença do planejamento excessivo e do funcionalismo. Quando o apóstolo planeja tudo minuciosamente e pensa que, fazendo um perfeito planejamento, as coisas efetivamente progridem, tornando-se, assim, um contador ou um comercialista. Preparar tudo bem è necessário, mas sem jamais cair na tentação de querer encerrar e pilotar a liberdade do Espírito Santo, que é sempre maior, mais generosa do que todo planejamento humano (cf Jo 3,8). Cai-se nesta doença porque «é sempre mais fácil e cômodo adaptar-se às suas posições estáticas e imutadas. Na realidade, a Igreja mostra-se fiel ao Espírito Santo na medida em que não tem a pretensão de regulamentá-lo e de domesticá-lo… – domesticar o Espírito Santo! – … Ele é frescor, fantasia, novidade».
    5. A doença da má coordenação. Quando os membros perdem a comunhão entre si e o corpo perde a sua funcionalidade harmoniosa e a sua temperança, tornando-se uma orquestra que produz barulho, porque os seus membros não cooperam e não vivem o espírito de comunhão e de equipe. Quando o pé diz ao braço: “não preciso de ti”, ou a mão à cabeça: “quem manda sou eu”, causando, assim, mal-estar ou escândalo.
    6. Há também a doença do “alzheimer espiritual”: ou seja, o esquecimento da “história da salvação”, da história pessoal com o Senhor, do «primeiro amor» (Ap 2,4). Trata-se de uma perda progressiva das faculdades espirituais que num intervalo mais ou menos longo de tempo causa graves deficiências à pessoa, tornando-a incapaz de exercer algumas atividades autônomas, vivendo num estado de absolta dependência das suas visões, tantas vezes imaginárias. É o que vemos naqueles que perderam a memória do seu encontro com o Senhor; naqueles que não têm o sentido deuteronômico da vida; naqueles que dependem completamente do seu presente, das suas paixões, caprichos e manias; naqueles que constroem em torno de si barreiras e hábitos, tornando-se, sempre mais escravos dos ídolos que esculpiram com suas próprias mãos.
    7. A doença da rivalidade e da vanglória. Quando a aparência, as cores das vestes e as insígnias de honra se tornam o objetivo primordial da vida, esquecendo as palavras de São Paulo: «Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses , e sim os dos outros» (Fl 2,1-4). É a doença que nos leva a ser homens e mulheres falsos, e a vivermos um falso “misticismo” e um falso “quietismo”. O mesmo São Paulo os define «inimigos da Cruz de Cristo» porque se envaidecem da própria ignomínia e só têm prazer no que é terreno» (Fl 3,19).
    8. A doença da esquizofrenia existencial. É a doença dos que vivem uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica do medíocre e do vazio espiritual progressivo que formaturas ou títulos acadêmicos não podem preencher. Uma doença que atinge frequentemente aquele que, abandonando o serviço pastoral, se limitam aos afazeres burocráticos, perdendo, assim, o contato com a realidade, com as pessoas concretas. Criam, assim, um seu mundo paralelo, onde colocam à parte tudo o que ensinam severamente aos outros e começam a viver uma vida oculta e muitas vezes dissoluta. A conversão è por demais urgente e indispensável para esta gravíssima doença (cf Lc 15,11-32).
    9. A doença das fofocas, das murmurações e do mexerico. Já falei muitas vezes desta doença, mas nunca è suficiente. É uma doença grave, que começa simplesmente, quem sabe, para trocar duas palavras e se apodera da pessoa, transformando-a em “semeadora de cizânia” (como satanás), e em tantos casos “homicida a sangue frio” da fama dos seus colegas e confrades. É a doença das pessoas velhacas que, não tendo a coragem de falar diretamente, falam pelas costas. São Paulo nos adverte: «Fazei todas as coisas sem murmurações nem críticas a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes» (Fl 2,14-18). Irmãos, guardemo-nos do terrorismo das maledicências!
    10. A doença de divinizar os chefes: é a dos que cortejam os Superiores, esperando obter a benevolência deles. São vítimas do carreirismo e do oportunismo, honrando as pessoas e não a Deus (cf Mt 23,8-12). São pessoas que vivem o serviço, pensando exclusivamente no que devem obter e não no que devem dar. Pessoas mesquinhas, infelizes e inspiradas só pelo seu próprio egoísmo (cf Gal 5,16-25). Esta doença poderia atingir também os Superiores, quando cortejam alguns seus colaboradores para obter a sua submissão, lealdade e dependência psicológica, mas o resultado final é uma verdadeira cumplicidade.
    11. A doença da indiferença para com os outros. Quando alguém pensa somente em si mesmo e perde a sinceridade e o calor das relações humanas. Quando o mais experto não coloca o seu conhecimento a serviço dos colegas menos expertos. Quando se chega ao conhecimento de algo e o esconde para si, ao invés de compartilhar positivamente com os outros. Quando, por ciúme ou por astúcia, se sente alegria ao ver o outro cair, ao invés de erguê-lo e encorajá-lo.
    12. A doença da cara funérea. Quer dizer, das pessoas grosseiras e sisudas que pensam que, para ser sérias, é necessário assumir as feições de melancolia, de severidade e tratar os outros – principalmente os que consideram inferiores – com rigidez, dureza e arrogância. Na realidade, a severidade teatral e o pessimismo estéril são muitas vezes sintomas de medo e de insegurança. O apóstolo deve esforçar-se por ser uma pessoa amável, serena e alegre que transmite alegria por toda parte onde quer se encontre. Um coração repleto de Deus è um coração feliz que irradia e contagia de alegria todos os que estão à sua volta: é o que se vê imediatamente! Não percamos, portanto, aquele espírito jovial, cheio de humor, e até autoirônico, que nos torna pessoas amáveis, mesmo nas situações difíceis. Quanto bem nos faz uma boa dose de sadio humorismo! Far-nos-á muito bem recitar muitas vezes a oração de São Tomás Moro: rezo-a todos os dias; me faz bem.
    13. A doença de acumular: quando o apóstolo procura preencher um vazio existencial no seu coração, acumulando bens materiais, não por necessidade, mas só para sentir-se seguro. Na realidade, nada de material poderemos levar conosco, porque “a mortalha não tem bolsos” e todos os nossos tesouros terrenos – mesmo que sejam presentes – jamais poderão preencher aquele vazio; pelo contrário, torná-lo-ão cada vez mais exigente e mais profundo. A estas pessoas o Senhor repete: «Dizes: sou rico, faço bons negócios, de nada necessito – e não sabes que és infeliz, miserável, pobre, cego e nu … Reanima, pois, o teu zelo e arrepende-te» (Ap 3,17-19). A acumulação só pesa e freia inexoravelmente o caminho! E penso numa anedota: um tempo, os jesuítas espanhóis descreviam que a Companhia de Jesus era como a “cavalaria leve da Igreja”. Lembro-me da mudança de um jovem jesuíta que, enquanto carregava num caminhão os seus muitos bens: bagagens, livros, objetos e presentes, ouvi um velho jesuíta, que estava a observá-lo, dizer com um sorriso sábio: e esta seria a “cavalaria leve da Igreja?”. As nossas mudanças são um sinal desta doença.
    14. A doença dos círculos fechados onde a pertença ao grupinho se torna mais forte do que a pertença ao Corpo, e, em algumas situações, ao próprio Cristo. Também esta doença começa sempre de boas intenções, mas com o passar do tempo, escraviza os membros, tornando-se um câncer que ameaça a harmonia do Corpo e causa tanto mal – escândalos – especialmente aos nossos irmãos menores. A autodestruição ou o “tiro amigo” dos camaradas é o perigo mais sorrateiro. É o mal que atinge a partir de dentro; e, como diz Cristo, «todo o reino dividido contra si mesmo será destruído» (Lc 11,17).
    15. E a última: a doença do proveito mundano, dos exibicionismos, quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder e o seu poder em mercadoria para obter dividendos humanos ou mais poder; é a doença das pessoas que procuram insaciavelmente multiplicar poderes e, com esta finalidade, são capazes de caluniar, de difamar e de desacreditar os outros, até mesmo nos jornais e nas revistas. Naturalmente para se exibirem e se demonstrarem mais capazes do que os outros. Também esta doença faz muito mal al Corpo porque leva as pessoas a justificar o uso de todo meio, contanto que atinja o seu objetivo, muitas vezes em nome da justiça e da transparência! E vem-me aqui à mente a lembrança de um sacerdote que chamava os jornalistas para lhes contar – e inventar – coisas privadas e reservadas dos seus confrades e paroquianos. Para ele a única coisa importante era ver-se nas primeiras páginas, porque assim se sentia “potente e convincente”, causando tanto mal aos outros e à Igreja. Pobrezinho!
    Irmãos, estas doenças e tais tentações são naturalmente um perigo para todo cristão e para toda cúria, comunidade, congregação, paróquia, movimento eclesial e podem atingir quer em nível individual quer comunitário.
    È necessário esclarecer que só o Espírito Santo – a alma do Corpo Místico de Cristo, como afirma o Credo Niceno-Costantinopolitano: «Creio… no Espírito Santo, Senhor e e vivificador» – pode curar todas as enfermidades. É o Espírito Santo que sustenta todo esforço sincero de purificação e toda boa vontade de conversão. É Ele que nos faz compreender que todo membro participa da santificação do corpo ou do seu enfraquecimento. É Ele o promotor da harmonia: “Ipse harmonia est”, diz São Basílio. Santo Agostinho diz-nos: «Enquanto uma parte aderir ao corpo, a sua cura não è desesperada; mas o que foi cortado não pode nem curar-se nem sarar».
    O restabelecimento è também fruto da consciência da doença e da decisão pessoal e comunitária de tratar-se, suportando pacientemente e com perseverança a terapia.
    Somos chamados, portanto – neste tempo de Natal e por todo o tempo do nosso serviço e da nossa existência – a viver «pela prática sincera da caridade , crescendo em todos os sentidos, naquele que é a Cabeça, Cristo. È por Ele que todo o corpo – coordenado e unido por conexões que estão ao seu dispor, trabalhando cada um conforme a atividade que lhe è própria – efetua esse crescimento , visando à sua plena edificação na caridade » (Ef 4,15-16).
    Amados irmãos!
    Certa vez li que os sacerdotes são como aviões: só fazem notícia quando caem, mas há tantos que voam. Muitos criticam e poucos rezam por eles. É uma frase muito simpática, mas também muito verdadeira, porque delineia a importância e a delicadeza do nosso serviço sacerdotal e quanto mal poderia causar um só sacerdote que “cai”, a todo o corpo da Igreja.
    Portanto, para não cair nestes dias em que nos preparamos à Confissão, peçamos à Virgem Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, que cure as feridas do pecado que cada um de nós tem no seu coração e que ampare a Igreja e a Cúria a fim de que sejam sadias e saneadoras; santas e santificadoras para a glória do seu Filho e para a nossa salvação e do mundo inteiro. Peçamos a Ela que nos faça amar a Igreja como a amou Cristo, seu Filho e nosso Senhor, e que tenhamos a coragem de nos reconhecermos pecadores e necessitados da sua misericórdia e que não tenhamos medo de abandonar a nossa mão entre as suas mãos maternais.
    Os melhores votos de um santo Natal a todos vós, às vossas famílias e aos vossos colaboradores. E, por favor, não vos esqueçais de razar por mim! Obrigado de coração!
    (Tradução livre de João da Ponte Lopes)

Deixe uma resposta para L. Costa Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *