Papai Noel abre o Congresso em pleno recesso para dar posse ao ficha-suja Jader Bardalho, um dos maiores corruptos do país.

Carlos Newton

Era só o que faltava. A Mesa Diretora do Senado vai mesmo se reunir em pleno recesso parlamentar para dar posse a Jader Barbalho (PMDB-PA), barrado pela Lei da Ficha Limpa e liberado depois que o Supremo Tribunal Federal decidiu que a norma não deveria ter sido aplicada nas eleições de 2010 nem atingir aqueles que renunciaram ao mandato para não serem cassados, como ocorreu com ele.

O Congresso está praticamente parado desde a quinta-feira, dia 15, mas só entrou oficialmente em recesso na quinta-feira passada, dia 22. A posse de Barbalho deve ocorrer esta terça-feira, 27, e ele anda em altas comemorações. Já foi festejado pelo PMDB com um jantar de risoto de lagosta e vinho, depois viajou e ganhou recepção festiva no aeroporto de Belém.

Segundo o primeiro-secretário, Cícero Lucena (PSDB-PB), o Senado vai seguir o regimento e primeiro notificou a senadora Marinor Brito (PSOL-PA), que ocupa a vaga do peemedebista. Ela terá cinco dias para apresentar sua defesa ao comando da Casa. E já se sabe que a argumentação, seja qual for, será negada. A senadora também recorreu ao Supremo, pedindo a revisão da decisão que liberou a posse de Jader, mas também será negada.

A volta gloriosa do político paraense mostra a que ponto baixou o nível do Legislativo e do Judiciário, que competem duramente com o Executivo para que se descubra qual dos três poderes é o mais apodrecido. Isso não se sabe ao certo, é difícil avaliar. Mas o que todos entendem é que, se o Judiciário não fosse podre e fizesse seu trabalho com rapidez e eficiência, os dois outros poderes entrariam imediatamente na linha.

A chegada de Jader reforça o grupo do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) e do líder do PMDB, Renan Calheiros, mas nem tudo está perdido. No Senado, o PMDB enfrenta um racha. Dos 17 peemedebistas em atuação, oito senadores, o chamado G8, se declaram “independentes” e já se movimentam para dificultar a recondução de Calheiros à liderança do partido.

Quanto a Romero Jucá, líder do governo no Senado, este é indestrutível e está destinado a permanecer eternamente nessa condição, não importa quem estiver no poder. Jucá é líder do governo desde 1995, no início do primeiro mandato de FHC, vejam só que competência ele tem.

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