Para evitar o afastamento de Dilma, PT prepara a “ocupação” do Senado

Paim abriu a sessão e chamou Esquivel para difamar o país

Carlos Newton

Por orientação do ex-presidente Lula da Silva e da direção do PT, o senador gaúcho Paulo Paim armou um esquema destinado a ocupar o Senado, tumultuar os trabalhos e evitar que se realize a sessão convocada para votar o afastamento da presidente Dilma Rousseff, a ser iniciada às 14 horas desta quarta-feira. Nas últimas semanas, Paim tem convocado sucessivas sessões da Comissão de Direitos Humanos para denunciar o “golpe” contra Dilma, com transmissão ao vivo pela TV Senado. E agora sua estratégia culmina nesta terça-feira com a ocupação do Senado por militantes petistas e dos movimentos sociais custeados pelo governo federal com uso de recursos públicos.

Há dois meses, Paulo Paim anunciou que estava deixando o PT, indignado com o escândalo da corrupção. Mas sua revolta era uma farsa. Logo voltou atrás, alegando atender aos pedidos de seus correligionários, e não teve escrúpulos em usar indevidamente as instalações do Senado como palco de manifestações para preservar no poder o partido responsável pela corrupção que o próprio Paim dizia não aceitar, vejam a que ponto chega a desfaçatez desse parlamentar.

AUDIÊNCIA PÚBLICA

A reunião “extraordinária” da Comissão de Direitos Humanos, sob o tema “Democracia e Direitos Humanos”, foi convocada por Paim na forma de “Audiência Pública” e “será realizada em caráter interativo, com a possibilidade de participação popular”. Com isso, Paim pretende liberar a entrada dos militantes do PT e dos movimentos sociais, para ocupar o Senado e impedir que se realize a votação do impeachment na quarta-feira, conforme denunciou o blog O Antagonista.

Para compor a mesa, Paim convidou notórios defensores dos governos petistas: Roberto de Figueiredo Caldas, presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos; Luis Almagro Lemes, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos; Aldo Arantes, ex-deputado; Alexandre Bernadino Costa, da Universidade de Brasília; Sueli Bellato, advogada; Hugo Cavalcanti Melo Filho, presidente da Associação Latino-Americana de juízes do trabalho; Patrick Mariano, da Rede de Advogados Populares, e Cristiano Paixão, da Universidade de Brasília.

AUDÁCIA IMPRESSIONANTE

Reeleito sucessivas vezes por levantar uma suposta defesa dos aposentados, Paulo Paim demonstra uma audácia impressionante. Há três semanas, não teve dúvidas em abrir a sessão vespertina e convidar o arquiteto argentino Adolfo Pérez Esquivel a se sentar à Mesa da Senado, concedendo-lhe a palavra para que denunciasse a ocorrência de um “golpe” no Brasil, destinado a destituir ilegalmente a presidente da República.

Jamais se viu nada igual em toda a História da República, com o país sendo difamado por um cidadão estrangeiro em plena sessão do Senado Federal, com transmissão de TV ao vivo, por iniciativa de um parlamentar que nem é integrante da Mesa Diretora.

Agora, é preciso que o Senado aborte esta nova manobra urdida pelo parlamentar e evite a participação de militantes petistas e dos movimentos sociais nesta audiência pública “extraordinária”. Mas o que podemos esperar de um senador chamado Renan Calheiros?

Como se vê, Paim não tem honrado os votos do eleitorado gaúcho, que já lhe garantiram uma aposentadoria vitalícia superior a R$ 30 mil mensais. Nada mal, não é mesmo?

4 thoughts on “Para evitar o afastamento de Dilma, PT prepara a “ocupação” do Senado

  1. O Paulo Paim já garantiu a sua aposentadoria, mas a promessa de melhorar a vidas dos demais aposentados só foi lábia de campanha. Aqui no RS não pega mais nem 30% dos votos. Pode encerrar a carreira.

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