Para evitar o impensável calote dos EUA aos credores, Obama aposta seu futuro e a estabilidade da economia mundial na proposta da chamada “Gangue dos Seis”.

Carlos Newton

Com a rejeição do Senado americano à proposta republicana de cortes no Orçamento e elevação do teto da dívida aprovada pela Câmara dos Deputados, o presidente Barack Obama agora joga seu futuro, o futuro dos Estados Unidos e o futuro do mundo na alternativa da chamada “Gangue dos Seis” – três senadores republicanos, três democratas.

A proposta alternativa, que inevitavelmente será aprovada, permite ao governo esticar sua dívida, mas o obriga a eliminar do Orçamento US$ 3,7 trilhões (25% do PIB) em dez anos. Assim, de cada US$ 3 economizados, US$ 2 viriam de cortes e US$ 1 da arrecadação. Analistas conservadores e parte dos republicanos exortam a Câmara a aceitar essa conta.

Para eles, seria uma vitória dos que querem enxugar programas federais como a seguridade social e o Medicare (assistência pública à saúde), em troca de um preço modesto: o fim da demagógica isenção tributária promovida pelo então presidente George W. Bush, que não pode prevalecer numa situação tão adversa.

A rejeição da proposta anterior de cortes no Orçamento e elevação do teto da dívida, como se sabe, demonstra apenas o acirramento antecipado da campanha presidencial do ano que vem.  A decisão já era esperada, visto que o Senado é controlado pelos democratas, que haviam alertado que derrubariam a proposta republicana se passasse pela Câmara dos Deputados, controlada pela oposição.

O plano previa cortes severos em gastos sociais e limites às despesas do governo, além de obstáculos ao aumento de impostos, justamente o ponto de confronto com os democratas, que querem somar cortes de gastos e aumento na arrecadação.

Batizado de “corte, restrinja e equilibre”, o projeto republicano pedia ainda que o governo limite seu gasto a menos de 20% do PIB, hoje em quase US$ 15 trilhões, e condicionava aos cortes a autorização para elevar o teto da dívida em US$ 2,4 trilhões.

A dívida americana, hoje avaliada em ao menos US$ 14,3 trilhões, atingirá seu teto em 2 de agosto. Sem um acordo bipartidário, o governo não teria mais dinheiro a gastar e poderia ser obrigado a declarar moratória, suspendendo o pagamento aos credores internos e externos, entre os quais se destaca a China.

Os líderes democratas e republicanos têm tentado assegurar aos mercados que um default (moratória) será evitado, e agora a única saída é a proposta da Gangue dos Seis”, que terá de ser aprovada, para o bem de todos e acomodação da crise econômica mundial, que é da maior gravidade.

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