Para manter o foro privilegiado, senadores preferem a eleição para deputado

A tática para manter o foro

Aécio, Renan, Lindbergh e Gleisi abandonam Senado

Ary Filgueira
IstoÉ

Enquanto o Supremo condenou apenas cinco políticos envolvidos na Operação Lava Jato, as instâncias inferiores já mandaram para a cadeia 116 acusados. Esse balanço explica por que vários políticos desistiram de tentar a reeleição no Senado e preferiram se candidatar à Câmara. Eles acreditam que têm mais chance na eleição proporcional do que na disputa majoritária. E, caso eleitos deputados federais, vão manter uma condição essencial para continuarem em liberdade: o foro privilegiado, exatamente a prerrogativa de serem processados pelo STF. Sem o escudo do mandato parlamentar, serão alvo da Justiça Comum. Ali, os processos correm mais rápido.

Com o receio de não conseguir se reeleger para o Senado, os petistas Gleisi Hoffmann (RS), Lindbergh Farias (RJ) e Humberto Costa (PE), além do tucano Aécio Neves (MG) e do peemedebista Renan Calheiros (AL) decidiram disputar um cargo de deputado federal em outubro, abrindo mão de novo mandato na Alta Casa. Sabem que, processados na Lava Jato, teriam muita dificuldade em obter milhões de votos. É mais fácil buscar alguns milhares e garantir a vaga na Câmara.

ASSUSTADÍSSIMOS – Os três petistas estão assustadíssimos com o risco de perderem direito ao foro privilegiado. Eles estão atolados na lama da Lava Jato, mas seus processos correm a passos lentos no STF. Segundo a assessoria do Supremo, apenas Humberto Costa ainda não é acusado.

A investigação está nas mãos da PF, mas deve subir logo para o crivo dos ministros do tribunal. Gleisi, que é também presidente do PT, está prestes a acertar as contas com a Justiça. A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu ao Supremo a condenação da senadora por ter recebido propina de R$ 1 milhão no esquema de corrupção na Petrobrás.

Lindbergh foi denunciado por suspeita de corrupção passiva por ter recebido propina da Odebrecht entre 2008 e 2010.

RENAN ENROLADO – O ex-presidente do Senado, Renan Calheiros, é alvo de 17 inquéritos abertos com a autorização do STF e sabe que dificilmente repetirá a mesma votação que o elegeu em 2010, quanto obteve 840 mil votos para o Senado. Outro que vai disputar cadeira de deputado federal é o ex-presidente do PSDB, Aécio Neves (MG). De postulante à Presidência da República em 2014, o senador chegou a ser afastado de suas funções após pedir R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista.

A tática, no entanto, pode ter vida curta. O ministro Dias Tóffoli pediu vistas no processo que determina a restrição do foro privilegiado aos crimes de parlamentares relacionados ao exercício do mandato em vigor. Os demais crimes competem à Justiça Comum. Qualquer que seja o voto de Toffoli, a decisão do STF já está tomada por 8 a zero. O privilégio está com os dias contados. 

14 thoughts on “Para manter o foro privilegiado, senadores preferem a eleição para deputado

  1. “A Câmara é a representação do povo. Os deputados não são santos porque o povo também não é santo”

    (Bonifacio Andrada, que está em seu DÉCIMO mandato de deputado federal)

  2. Olhem as urnas eletrônicas. Essa corja continua no poder com essas malditas urnas . Uma bic e um pequeno envelope com o numero do candidato resolve essa palhaçada. Deposita o envelope e faz a p!@#$ do voto eletronico igual ao do envelope.
    Se não bater , auditoria!!!

  3. O( stf ) é uma instituição ignóbia , respaldado por uma constituição falcatruada , criado para tutelar delinquentes que ascenderam ao poder .

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