Para onde ir?


Luiz Tito

Passada a primeira etapa do julgamento da Ação Penal 470, que gerou as manchetes, escreveu os jornais, pautou o noticiário das rádios, TVs, blogs, portais e as conversas das mesas de bar nos últimos meses, sem muito ou nada mudar, o país tem que voltar a se debruçar sobre suas questões práticas. O mensalão, que não influenciou negativamente os resultados e as vitórias do PT nas últimas eleições, não deverá também modificar o cenário político do próximo ano. Passou da hora e o povo seguirá escolhendo aqueles que, no seu juízo, melhor fizeram para suas alegrias e seu futuro, ainda que esse horizonte seja o da semana em curso.

A corrupção continuará sendo denunciada, mas abertamente praticada pelos mesmos de sempre. Escândalos vão pipocar em todo Brasil, o Código Penal será sempre consultado para tipificar o ‘trabalho’ de membros dos três poderes, mas o erário parece inesgotável. Sobram recursos para serem desviados para contas privilegiadas. Onde há poder público, a corrupção estará na antessala, esperando ser convidada para entrar e sentar-se à mesa.

Num de seus momentos de impaciência, mas conhecendo bem o país em que vive, o senador Pedro Simon certa vez chegou a dizer que se a venda de drogas fosse liberada sobrariam recursos para se aplicar nas obrigações constitucionais do Estado, como saúde, segurança e educação.

O senador denunciava o que sempre se gastou com a repressão à droga, pago pela sociedade em detrimento daquilo que o poder público deveria estar investindo no custeio de ações destinadas ao bem-estar de um universo mais amplo e promissor. Se é opção do viciado, dizia o senador, o uso da droga, pelo menos que não se seguisse injetando recursos na polícia corrupta, por ineficaz que é. Não vamos a tanto, mas parece que não há solução ou esperança em nada, nada que tenha pelo meio o poder público.

GESTÃO DESASTROSA

Na saúde pública, na previdência, no transporte público, na educação pública, nas estradas públicas, até nos banheiros públicos, a gestão do Estado é desastrosa, cara, ineficiente, muitas vezes burra e quase sempre nela estão, vigorosamente, a corrupção, o desleixo, o desperdício, a inércia. Dessa realidade resulta a ausência das soluções, próprias do Estado. No mundo moderno, os segmentos que tiveram estatais privatizadas e serviços públicos concedidos, desde que com controles e rígida regulamentação, cresceram, mostraram-se mais presentes, democráticos e econômicos.

Se há desvios, corrupção, furtos, má administração, a conta é do acionista da empresa concessionária, que escolheu seus administradores. Na semana passada, o excessivo intervencionismo do poder público na concessão para privatização de rodovias, a exemplo a BR–262, no trecho que liga Minas ao Espírito Santo, desmotivou o aparecimento de qualquer interessado na sua licitação. As rodovias têm que ser modernizadas, para diminuir o número de mortes de seus usuários e torná-las eficientes na nossa infraestrutura de transporte; a rede pública de saúde é uma vergonha, pelo perfil atrasado de seus serviços e nessa mesma modelagem todos os serviços do Estado.

Não seria a hora de nos dedicarmos a uma concepção mais moderna de administração, de prestação de serviços e racionalização dos gastos públicos?(transcrito de O Tempo)

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2 thoughts on “Para onde ir?

  1. Como este blog, infelizmente, não disponibiliza um endereço de email para o qual os leitores possam enviar sugestões de matérias, sou obrigado a “piratear” o post do Luiz Tito para recomendar aos moderadores que leiam a nota do “Estado de Minas” sobre a decisão do novo procurador geral da República permitindo aos membros do MP viajarem em classe executiva quando viajam para o exterior:
    http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2013/09/24/interna_politica,452501/decisao-de-janot-sobre-voo-em-classe-executiva-beneficia-2-100-procuradores.shtml
    ou, em versão encurtada,
    http://tinyurl.com/orouvlr
    Ressalto que não estou questionando aqui se eles devem ou não viajar de executiva, mas sim a infeliz declaração do subprocurador geral da República, Brasilino Santos, para justificar a medida:
    “Ou é procurador da República ou é descamisado. Tem que separar as coisas”, afirmou Santos, ao destacar que a medida visa a proteger a “dignidade” da função”.
    Se esta é a opinião que o MP tem sobre os demais cidadãos brasileiros, gostaria de lembrá-los que isso juridicamante se chama “desacato”.

  2. “Não seria a hora de nos dedicarmos a uma concepção mais moderna de administração, de prestação de serviços e racionalização dos gastos públicos?”

    Perguntar não ofende:não era essa “a concepção mais moderna de administração, de prestação de serviços e racionalidade dos gastos públicos ” do governo tucano?

    LÚCIA FLEXA DE LIMA – VIDA PRIVADA E VIDA PÚBLICA

    Laerte Braga

    A “embaixatriz” – título indevido – Lúcia Flecha de Lima é dona de sua vida, de seu corpo e deles faz o que bem lhe aprouver desde que não os transforme, o corpo principalmente, em instrumento de ganhos em grandes negociatas com dinheiro público.

    Aí, a própria expressão se auto define. O dinheiro é público. A “embaixatriz” protagonizou episódios vergonhosos durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, apogeu de seu falecido marido o embaixador Flecha de Lima. O caso com ACM facilitou muito mais que embaixadas de alta relevância para o marido. Foram grandes os “negócios” envolvendo um banco nas Bahamas do qual o senador era sócio junto com o banqueiro Ângelo Calmon de Sá – Banco Econômico, liquidado por fraudes diversas – e obras para a construtora OAS de um ex-genro de ACM, mas que nunca perdeu as ligações com o antigo sogro.

    A sigla OAS chegou a ser aquinhoada com o epíteto Obras do Amigo Sogro. E não foram poucas as vezes que a “embaixatriz” foi chamada a desembaraçar debaixo dos lençóis situações que poderiam favorecer concorrentes da empresa, tanto no Brasil, como no exterior.

    Quando a diplomacia não alcançava êxito a “embaixatriz” entrava em cena.

    Lúcia Flecha de Lima é irmã do deputado estadual Ademir Lucas, do PSDB de Minas Gerais, ex-prefeito de Contagem e foi uma das protagonistas mais poderosas em muitas das privatizações feitas no governo de FHC. Tinha uma concorrente direta e poderosa, a mulher do ex-colunista social Wilson Frade – ESTADO DE MINAS – mãe de Paola, mulher de Pimenta da Veiga, ministro das Comunicações feito debaixo dos lençóis, em substituição a Mendonça de Barros. A sogra de Pimenta da Veiga representava os interesses da ANDRADE GUTIERREZ, empreiteira com sede em Belo Horizonte – o marido também tinha vínculos indiretos com a empresa – e a ANDRADE GUTIERREZ foi uma das participantes do consórcio com a família Jereissati e a Telefônica de Portugal na formação da TELEMAR.

    Registre-se que numa conversa telefônica divulgada pelo jornal FOLHA DE SÃO PAULO, logo após a reeleição de FHC, num episódio em que o ministro Mendonça de Barros foi pego com a boca na botija enrolado em propinas da Telefônica Espanhola, o economista André Lara Resende chamou a TELEMAR de “telegangue”, advertiu FHC dos riscos do grupo comprar o lote a ser privatizado – incluía a TELEMIG – e o ex-presidente, que debaixo dos lençóis e com a sogra de Pimenta da Veiga já havia definido a negociata, foi monossilábico nas respostas, até quando Lara Resende afirmou que “estamos entrando nos limites da irresponsabilidade”.

    Lara Resende não sabia que FHC estava sendo lacônico pelo fato de já haver decidido. Além dos lençóis e da sogra de Pimenta da Veiga estava no meio da história o senador Tasso Jereissati. À época a mídia divulgou que Tasso estava brigado com seu irmão Carlos por conta de “negócios”. Despiste para isentá-lo de eventuais responsabilidades, ou irresponsabilidades como disse Lara Resende, que porventura pudessem vir a acontecer.

    A TELEMAR ganhou o lote que disputou sob os lençóis. Pimenta da Veiga virou ministro das Comunicações por indicação da sogra, feita sob os lençóis. E brigado ou não Tasso está nos “negócios” da família.

    Não existe privacidade nesses episódios e nem em tantos outros envolvendo a “embaixatriz” e tampouco a sogra de Pimenta da Veiga. Esse tipo de comportamento proliferou no governo FHC e era o método preferido por ACM para acumular o que hoje é um patrimônio de dois bilhões de reais em disputa judicial. Lúcia quer parte do botim.

    Resolveu largar de lado o pudor.

    Se prestarmos atenção todos esses fatos envolvem tucanos, referem-se ao governo de FHC e José Serra está pronto para reimplantar o modelo caso seja o vencedor das eleições de 2010.

    É da gênese tucana esse tipo de podridão. É o jeito FIESP/DASLU de ser. Não tem nada a ver com a DASPU. Ali existe um código de dignidade e essa gente não tem a menor idéia do que seja isso.

    No título “embaixatriz” fizeram e fazem uma pequena confusão. E meretriz. No máximo cortesã, mais adequada, já que próxima dos reis, príncipes, banqueiros, empreiteiros, deputados, senadores, embaixadores, etc, etc, além de ter sido amiga da princesa Diana.

    Num dos comícios do irmão Ademir Lucas em Minas Gerais , Contagem, a senhora em questão, no palanque, no máximo do circo, proclamou que se o irmão vencesse iria trazer Diana ao Brasil e especialmente a Contagem. E embora tenha sido prefeito de Contagem duas vezes Ademir perdeu uma das eleições, justamente essa.

    Não existe vida privada nesse tipo de ação. A conta vem para o brasileiro comum que é induzido diariamente pela mídia a acreditar que a corte britânica é um padrão de vida a ser seguido. E que episódios com o que envolveu Bil Clinton e uma estagiária no salão oval da Casa Branca se resolvem com desculpas.

    Tudo bem se a conta não viesse cá para baixo e se esses fatos todos não fossem os fatores determinantes das grandes negociatas nos anos FHC.

    Simples de entender. Quando o ex-presidente colocou o Brasil a venda os apetites do mundo dos “negócios” se aguçaram de tal forma que na absoluta amoralidade e aética, virou o jogo do vale tudo. Lúcia Flecha de Lima, como a sogra de Pimenta da Veiga e outras menos votadas entram na história por aí, debaixo dos lençóis. Tornaram-se eficientes funcionárias nesse jogo de eu fico com a telefonia, você fica com a energia, eu levo a VALE, eu não aceito menos que vinte por cento e por aí afora.

    O problema da “embaixatriz” é a gula. Quando viu o tamanho do patrimônio do senador ACM no inventário já objeto de racha familiar entendeu de querer a sua parte, pois sentiu-se mais que caso do senador, mas parte das “empresas”. E era de fato.

    O que está trazendo esse tipo de fato a tona, a discussão, não é o comportamento da “embaixatriz” que meio mundo sabia e a outra metade tinha certeza. Mas a própria forma da senhora em questão lidar com o assunto.

    Continua arguta e viva nos “negócios”, quer o seu.

    À época que explodiu o escândalo do Banco Econômico FHC tentou diminuir o poder de ACM nos “negócios” e apareceu uma tal “pasta vermelha”. ACM, ciente que a pasta faria um estrago sem tamanho em sua quadrilha, ameaçou céus e terras e devolveu a ameaça – “se eu abrir a boca, contar o que sei cai a República”. E a pasta sumiu. Dia desses, por conta da demora da Justiça em resolver o problema do Banco Econômico, outra negociata, o banqueiro Ângelo Calmon de Sá saiu da incômoda posição de devedor, para credor. Recebeu alguns bilhões, tudo no esquema juros para lá, juros para cá, propinas aqui e propinas ali.

    Deve ser culpa do delegado Protógenes, com certeza. Dele e sua mania de investigar banqueiros.

    Lúcia Flecha de Lima não passou só sob os lençóis de ACM Não. Para atender aos desígnios do “chefe”, trabalhou arduamente em lençóis de governantes e ministros estrangeiros, funcionários graduados de governos onde a OAS quisesse plantar suas máquinas e “intermediou” no escurinho do cinema muitas transações do Banco Econômico e do banco que Calmon de Sá e ACM tinham nas Bahamas.

    O diabo desse trem é que o “escurinho dos cinemas” eram as assombrosas recepções que a senhora em questão promovia nas embaixadas onde o marido pontificava – se é que pontificou em alguma coisa – feitas todas com dinheiro público, inclusive o hábito de se pagar a alguns colunistas sociais – de forma indireta – por notas destacando os méritos da dama chamada muitas vezes de locomotiva do Brasil no exterior. O jornal ESTADO DE MINAS vive até hoje desse tipo de expediente, chantagem com governantes.

    Aí, insisto, não há vida privada. Há um imenso esgoto por onde correm tucanos, seus “negócios” e as equipes de “vendedoras”.

    Lúcia vendia esses “negócios” sob os lençóis e por ser considerada uma eficiente operadora, além de muito bem relacionada, virou ícone desse mundo sórdido que durou oito anos, o mandato do repugnante e abjeto Fernando Henrique Cardoso.

    Já que citei o senador pastel Eduardo Azeredo no primeiro artigo que escrevi sobre o assunto, explico porque. Muitas vezes o palácio do governo de Minas foi usado como motel nos acordos e acertos dessas patrióticas operações. A TELEMAR passou por ali. O governador à época era ele, mas o governo era exercido por sua mulher e o deputado (renunciou para não ser cassado) Fernando Brant.

    Onde tem vida privada nisso? Pagamos o preço até hoje. A polícia nesses casos não recolhe “embaixatrizes” aos costumes, mas protege.

    Postado por República Vermelha

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    Perfil do Tião Lucena

    Tião Lucena, nascido e criado no Sertão, é jornalista desde 1975, tendo começado em A União como repórter e trabalhado em O Norte, no Correio da Paraíba, no Jornal O Momento e no jornal de Agá. Nos três primeiros desempenhou as funções de repórter, editor político, editor do interior, chefe de reportagem e secretário de redação. Também foi vice-presidente da API e diretor do Sindicato dos Jornalistas. Cansou de trabalhar em jornais, cansou de patrões e resolveu criar um espaço somente seu na internet, onde pretende fazer um jornalismo sem cabresto e sem censura.

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