Para proteger Pimentel, o Ministro da Justiça defende uma tese que reprovaria qualquer candidato no exame da OAB.

Carlos Newton

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, é muito compreensivo quando se trata de avaliar as falhas dos amigos. Ele insiste em defender o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, que recebeu R$ 2 milhões com sua empresa, a P-21 Consultoria e Projetos Ltda., em 2009 e 2010, prestando trabalhos de consultoria que jamais comprovou terem sido realizados, muito pelo contrário.

O posicionamento do ministro da Justiça, data vênia, é igual ao da presidente Dilma Rousseff e significa uma verdadeira aula de Direito às avessas. Cardoso alega que as acusações contra Pimentel estão relacionadas a atividades privadas e anteriores a chegada dele no governo federal, e por isso não devem ser levadas em consideração.

“Não vejo cabimento que se coloque isso pra frente. Não vi nada que pudesse macular a imagem do ministro (Fernando Pimentel), que é uma pessoa de uma história política intocável” – disse Cardozo, depois de participar da solenidade de posse da nova ministra do Supremo, Rosa Maria Weber.

Ora, se defendesse essa estranha tese no exame da Ordem dos Advogados do Brasil, Cardozo jamais teria conseguido a carteira da OAB e a licença para trabalhar no ramo. Pelo contrário. Dizer que irregularidades cometidas por um cidadão não depõem contra a honorabilidade dele significa defender a impunidade e, portanto, o próprio crime.

É chocante ouvir a presidente da República e o ministro da Justiça dizendo o mesmo disparate. Mas que país é esse, Francelino Pereira? Responda com urgência.

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FUGINDO DA IMPRENSA

O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), protocolou requerimentos de informação para Pimentel e o ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, sobre os compromissos que tiveram em Genebra, na Suíça.

O líder do PSDB cita o fato veiculado pela imprensa de que, para fugir dos jornalistas, Pimentel faltou às reuniões onde era esperado na Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio, na Suíça. Duarte Nogueira solicita nos requerimentos cópia da agenda dos ministros no evento, além de relatório das atividades, informações sobre a composição da comitiva, quem participou das conferências e os custos da viagem.

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