Para saber quem é Jorge Luis Borges

Enquanto os comentaristas discutem se o poema anteriormente publicado aqui é ou não é da autoria de Jorge Luis Borges (1899/1986), vamos aproveitar para postar outra obra do genial escritor e poeta argentino, porque a poesia é necessária, já dizia Rubem Braga.

Jorge Borges

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SOU

Sou o que sabe não ser menos vão
Que o vão observador que frente ao mudo
Vidro do espelho segue o mais agudo
Reflexo ou o corpo do irmão.
Sou, tácitos amigos, o que sabe
Que a única vingança ou o perdão
É o esquecimento. Um deus quis dar então
Ao ódio humano essa curiosa chave.
Sou o que, apesar de tão ilustres modos
De errar, não decifrou o labirinto
Singular e plural, árduo e distinto,
Do tempo, que é de um só e é de todos.
Sou o que é ninguém, o que não foi a espada
Na guerra. Um esquecimento, um eco, um nada.

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