Para sair da crise econômica, dependemos dos investimentos, que estão em passo de tartaruga

Wagner Pires

A população se endividou. E não foi só com o consignado, que é crédito livre; endividou-se também com o crédito vinculado – compra de veículos e imóveis. Mas não podemos falar, ainda, em bolha de crédito, pois, segundo o Banco Central, o nível de inadimplência está baixo.

A tendência de queda da inflação que estamos vendo comprova a redução da demanda. O nível de endividamento das famílias em 44,20% do orçamento anual familiar (um absurdo) fez a população frear o consumo. Os recursos estão sendo canalizados para pagamento de dívidas. A divulgação do PIB do primeiro trimestre de 2013 mostra que o consumo das famílias variou em apenas 0,01%. Ou seja, praticamente não houve crescimento.

O Produto Interno Bruto (PIB) é dado pela soma do consumo das famílias, consumo do governo, investimento, e saldo do balanço de pagamentos (exportações menos importações). Ora, o balanço de pagamentos está horroroso apresentando déficits seguidamente; os investimentos, por enquanto não se deslancharam e estão, praticamente, atrelados à política de concessões que só surtirá efeito a partir do ano que vem; o governo tem de melhorar seu gasto direcionando-o à infra-estrutura; o consumo das famílias parou. Então, para o PIB crescer, inclusive gerando emprego, basicamente, dependemos dos investimentos.

Espera-se que as concessões do governo petista surtam efeito a partir do próximo ano, porque em 2013 a única variável que pode mudar este quadro – investimento – caminha a passos de tartaruga. O país perdeu a quarta posição entre os países com destino de capital externo. Digo isso em relação ao investimento estrangeiro direto (IED) que, por enquanto, responde por 31% do nosso PIB e foi o responsável por tornar o Brasil a 6ª economia mundial. Este desinteresse pelo Brasil está sendo gerado pela pífia política econômica do governo petista que demorou a tomar as medidas de concessão e, de quebra, gastou mal os recursos públicos.

Crescemos apenas 0,6% no primeiro trimestre. Se anualizarmos isto, teremos um crescimento máximo de 2,4% em 2013. Como a inflação sinaliza ficar em torno de 6%, o crescimento se mostra insustentável já que a própria inflação se incumbe de corroer os ganhos da economia.

 

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9 thoughts on “Para sair da crise econômica, dependemos dos investimentos, que estão em passo de tartaruga

  1. ” DILMA ANUNCIA PACOTE DE BONDADES AOS PREFEITOS”.

    Por que tratam o repasse de recursos aos prefeitos e governadores como “bondade” da Presidente? Ora, os brasileiros vivem nas cidades e pagam os impostos e ninguém deve mendigar seu próprio dinheiro. Que refaçam essa “distribuição”.
    Já passou da hora de termos uma reforma tributária.
    Não está certo estados e municípios ficarem a mercê da boa vontade do Governo Federal.
    Necessitamos de mais autonomia.

  2. Senhores,

    Ora, se no governo passado eu comprei casa, carro e fazenda financiados em cinco anos, serão cinco anos de renda/salário comprometidos, sem comprar mais nada por não caber mais no orçamento!
    Some-se a esse comprometimento de renda/salário o aumento de preços originário da inflação e teremos muita gente bonita andando de carro caro, morando em baixo de luxo e com a corda no pescoço para não ficar inadimplente.

    Consumir?
    O bom senso avisa que é bom esperar até essas dívidas serem quitadas…

    Abraços.

  3. Como nos mostra o excelente artigo do Sr. Wagner Pires, a Demanda Global está crescendo pouco, devido a estarmos próximo do ponto de saturação do Endividamento. As notícias Econômicas Internacionais são ruins. Então o Investimento Privado, +- 16% do PIB, também fica estagnado. Dependemos estão do Investimento Público, +- 2,5% do PIB. A nossa Presidenta Dilma Rousseff, corajosamente baixou os Juros Básicos, o custo da Energia Elétrica, +- 20% a residencial e +- 32% a industrial, subsidia o Combustível, desonera alguns Impostos, etc, mas além de tudo isso, tem que frear o Custeio e expandir ainda mais o Investimento Público, dos atuais 2,5% do PIB, para 5% do PIB. As Concessões levam bastante tempo para atuar no Investimento, e nossa Presidenta precisa Investimento Público JÁ, pois 2014 está ali. Uma das maneiras seria elevar os Depósitos da Conta Bancária que o Tesouro tem no Banco Central, e com esses Recursos financiar Investimento Público ÚTIL, até atingirmos o Pleno Emprego. O Presidente JK fez muito isso, só que Investiu também muito em Investimentos NÃO ÚTEIS. Investindo em Investimento útil, não é INFLACIONÁRIO. A China só faz isso, e sua Inflação está quase sempre dentro da meta, 3%aa.
    Os EUA sempre fizeram isso a vida toda. E é de resposta rapidíssima. As Águias Financeiras é que não gostam muito dessa solução, porque os Títulos não passam pelo Open Market. Abrs.

  4. Os dados apresentados pelo articulista em seu arrazoado, nada a comentar, contudo, quando envereda pelo caminho das privatizações, que ele chama de concessões do serviço público como a panaceia que resolverá todos os entraves econômicos, então nesse particular ouso discordar frontalmente.

    O governo de FHC também utilizou o método de entrega dos ativos (privatização) das empresas estatais e de nada adiantou. O resultado daquela política vemos agora, pois tudo está ligado a tudo na interdependência universal.

    Na Inglaterra de Ministra Tactcher, as privatizações foram quase totais e no entanto, não foi suficiente para tirar os ingleses da grave crise que estão experimentando com certa gravidade, aliás em toda a Europa.

    Na verdade, a crise de 2008, que disseram tratar-se de marolinha, atinge os países emergentes, os BRICs de maneira contundente. Pensaram que surfaríamos na onda tsunamica global, mas, os reflexos do vendaval no primeiro mundo, principalmente Estados Unidos e Europa começa a replicar nos quatro cantos do globo. Lógico, que em um mundo global, quando as duas maiores forças econômicas se retraem, ou seja, diminuem as compras de commodities e de manufaturados, a balança comercial sofre um baque. Até a CHINA, que estava suprindo a demanda de exportação brasileira, também reduziu o consumo e as compras de nossos produtos, notadamente os minérios (ferro), o que reduziu o faturamento da Vale.

    Pois bem, caros comentaristas, o arrazoado em réplica contém fatos, dados e análise sem nenhum teor ideológico, entretanto, trata-se de opinião simplesmente, logo sujeito a contestação, pois não temos a pretensão do monopólio da verdade, seja ela relativa ou absoluta.

    Ao final, o debate livre das ideias só engrandece os leitores.

  5. Em primeiro lugar é preciso se conscientizar que não existe empresa em que o povo é dono.
    Existem empresas estatais que estão na mão de meia dúzia do governo e empresas privadas que estão na mão de seus donos.
    A Petrobrás está aí ainda demonstrando que é tudo, menos do povo. Fosse de seus donos de fato, ela não daria duas refinarias para a Bolívia e nem compraria refinaria de 300 por mais de 1 bilhão de dólares. Fora outras corrupções ainda não vindas a público.
    Posto isto e somado a excesso de regulamentos, impostos, péssima infra-estrutura, etc,etc,etc, nosso país é dos que menos atrai investimentos estrangeiros.

    Assim, mais uma vez o povo paga a conta.

    Mas uma coisa ficou clara com as manifestações.
    Virão outras, cada vez maiores e mais agressivas.

  6. E tem mais coisa ruim por aí para nós.
    Com o gás de xisto custando 5 ou 4 vezes menos nos EUA, o petróleo poderá perder mercado e seu preço cair e o nosso pré-sal corre o risco de ser inviável.
    E, com o nosso gás caríssimo, quem vai querer investir aqui, além do que já citei lá em cima?

  7. Então quer dizer … que depois de 513 anos o Brasil ainda não tem condições de manter-se de pé, sem ser ajudado? Precisa de “investimentos”? Precisamos, sim, de emparceiramentos. E sempre muito bem avaliados quanto aos propósitos em questão. O “capital motel”, é o que sempre prevaleceu, valendo recordar, agora, o caso do jornalista francês Jean Jacques Servan Schreiber, o JJSS. De tanto criticar os governos, o presidente Giscar D’Estaing colocou-o no ministério das Finanças. Durou apenas 15 dias. Saiu, afirmando: “Os empréstimos que tomamos já chegam com destinação pré-definida. Vão para empresas que botam dinheiro aqui (na França), obtém seus lucros e levam tudo embora imediatamente. Por que aceitamos isto? Onde ficamos nisto?”
    Hoje existe uma Lei de Remessas e Lucros honesta para o Brasil? Há transparência? Convém não esquecer como se processou a privatização do FHC. Perdemos empresas em nome da globalização. Do neo-liberalismo (argh!!!). Fazer parceiros … é uma coisa. Entregar empresas … outra, muito diferente. Resta-nos colocar o pires nas esquinas da vida e pedir. Não caminhamos com nossas próprias pernas. Até hoje.

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