Para se reeeleger na ABI, Azêdo paga até dívida de Tim Lopes, e a Oposição recorre à Justiça

Marcelo Gomes (Estadão)

Representantes da chapa Vladimir Herzog, de oposição à atual diretoria da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), vão à Justiça para tentar impugnar a chapa adversária, Prudente de Morais, encabeçada pelo atual presidente e candidato à reeleição pela terceira vez, Maurício Azêdo.

Diretor financeiro da chapa oposicionista, Paulo Jerônimo de Sousa, mais conhecido como “Pagê” acusa Azêdo de ter usado um cheque pessoal para quitar débitos de 17 sócios que integram a Prudente de Morais, entre eles Arcanjo Antônio Lopes do Nascimento, mais conhecido como Tim Lopes, jornalista da Rede Globo de Televisão assassinado em 2002 por traficantes do Complexo do Alemão, zona norte do Rio.

O Regulamento Eleitoral da ABI prevê que todos os integrantes das chapas devem estar quites com as mensalidades. O cheque, no valor de 595 reais, é datado de 11 de março. O prazo final para inscrições era o dia 20 do mesmo mês. A relação dos sócios que tiveram os débitos pagos foi manuscrita por Azêdo no verso do cheque.

“A intenção do Azêdo era, na verdade, quitar os débitos de Miro Lopes, irmão de Tim, que integra a chapa dele. Mas na pressa, acabou escrevendo o nome do falecido Tim. Desta forma, Miro continua inadimplente, e a Prudente de Morais tem de ser impugnada pelo mesmo motivo que a Vladimir Herzog foi impedida de concorrer. É o caso do malandro que se perde na própria malandragem”, afirmou “Pagê”.

Procurado pela reportagem, Azêdo disse que o Regimento Eleitoral permite a substituição de membros das chapas. Azêdo também prometeu que denunciará “Pagê” e Domingos Meirelles, presidente da Vladimir Herzog, à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) da Polícia Civil do Rio, na quinta-feira, 25. “Os senhores Pagê e Domingos Meirelles estão cometendo um crime porque pegaram um cheque meu, de maneira irregular e com a conivência de funcionários da ABI, e puseram na internet com objetivos escusos”, disse Azêdo, que preside a entidade desde 2004.

O pleito para presidência da ABI, marcado para sexta-feira (26), está sub judice: a 8.ª Vara Cível do Rio negou na semana passada pedido da Vladimir Herzog para adiar liminarmente a eleição por suspeitas de irregularidades, mas estabeleceu que o resultado só será homologado após a análise do mérito da questão. A ação foi interposta após a “Vladimir Herzog” ter sido impugnada pela comissão eleitoral por ter, entre os membros, sócios inadimplentes com a ABI.

FALTA SENSO DO RIDÍCULO

Carlos Newton

Na ânsia de se reeleger eternamente na ABI, Mauricio Azêdo perdeu o senso do ridículo. Essa ameaça de processar Pagê e Meirelles é hilariante. Na condição de diretor financeiro, Meirelles simplesmente foi ao banco e pediu para ver o cheque. A gerência, é claro, não podia se negar a atender o pedido.

Isso o diretor financeiro Domingos Meirelles até conseguiu fazer. O que ele não consegue é ter conhecimento da contabilidade da ABI, porque a primeira-dama Marilka Azedo, que é quem realmente dirige a instituição (apesar de nem ser jornalista ou associada), trocou a senha da contabilidade para que Meirelles não pudesse ter acesso, vejam a que ponto a desfaçatez chegou.

Depois que foi denunciada a ingerência da primeira-dama na instituição, que manda mesmo na ABI e até demite funcionários, o maridão Azêdo a contratou como “assessora”. É a piada do ano.

O mais incrível é que ainda existam jornalistas que acreditam em Azêdo. Como dizia aquele personagem humorístico de Jô Soares, “tem pai que é cego”. No caso da ABI, podemos dizer que também há jornalistas que são moralmente cegos (e manipuláveis).

Vejam abaixo o cheque de Azêdo, que colocou até meu falecido amigo Tim Lopes “em dia” e apto para votar na ABI…

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