Para ser candidato a senador ou deputado, Bolsonaro teria que renunciar em abril de 2022

Possibilidade de reeleição de Bolsonaro é cada vez mais remota

Pedro do Coutto

Em seu espaço no O Globo de domingo, Elio Gaspari levanta a hipótese de o presidente Jair Bolsonaro desistir de sua candidatura à reeleição e disputar uma cadeira no Senado ou na Câmara Federal. Isso, se concluir, como os sintomas estão indicando, que a sua possibilidade de vitória para Presidência está desaparecendo pelos fatos. Elio Gaspari ressalta que Jair Bolsonaro por esse caminho buscaria alcançar uma imunidade que não teria se ao deixar o poder voltasse a ser apenas um cidadão, um rosto na multidão, para citar o título de um filme de Elia Kazan.

A imunidade não é mais a de antigamente, pois a Constituição de 1946 condicionava o processo aos que possuíam mandato à licença prévia da Casa do Congresso a que pertencessem. Isso foi alterado substancialmente pela Constituição de 1988 que prevê o processo através da Procuradoria-Geral da República e aceitação pelo Supremo Tribunal Federal. Mas essa é outra questão.  

CONTRADIÇÃO –  Um ponto da lei que no governo FHC instituiu a reeleição aponta uma questão essencialmente contraditória: alguém que possua um cargo e pretende disputar uma cadeira no Congresso terá que renunciar ao cargo até seis meses antes das urnas. Portanto, para 2022, até o início de abril.

A contradição está no fato de o próprio presidente, o governador ou o prefeito não precisarem renunciar para buscar a reeleição. Porém, um secretário de Estado tem que cumprir o prazo de desincompatibilização. No caso de Jair Bolsonaro, ele teria que sair da Presidência seis meses antes do próximo pleito.

No caso de parentesco, como aconteceu no estado do Rio de Janeiro, o governador tem que sair até seis meses antes para tornar viável a candidatura de um parente. Foi o caso do governador Anthony Garotinho que elegeu a esposa Rosinha a sua sucessora. A legislação na reeleição instituída por Fernando Henrique Cardoso é efetivamente absurda.

CONCENTRAÇÃO DE RENDA – Reportagem de Érica Fraga, Douglas Gavras e Gustavo Queirolo, Folha de S. Paulo, revela um estudo inédito até o final da última semana, realizado por um grupo de pesquisadores internacionais do Instituto Insper. A redistribuição de renda que vinha crescendo no país de 2002 a 2015, sofreu um retrocesso, principalmente na administração de Jair Bolsonaro, sendo substituída por uma forte concentração do produto econômico e financeiro.

Para mim é o resultado da subida dos preços e da descida relativa dos salários que efetivamente são reduzidos na medida em que não acompanham o crescimento das taxas inflacionárias. Através do tempo, essa diferença social produziu a favelização de cidades como o Rio de Janeiro e, mais recentemente, a busca até por sobras de comida para responder à fome que passou a atingir cerca de 45 milhões de pessoas, de acordo com as estatísticas mais recentes, como o IBGE comprova. Nos últimos dois anos verificou-se a perda da renda do trabalho na ordem de 9% diante de um crescimento de aumento de renda dos investimentos financeiros. O estudo baseia-se inclusive em dados da Receita Federal de nosso país.

Os autores do trabalho publicaram uma nota técnica sobre o assunto. São os pesquisadores Maurício de Rosa, Ignacio Flores e Marc Morgan, do World Inequality Lab, centro fundado e codirigido pelo economista francês Thomas Piketty. No caso brasileiro, o retrocesso da redistribuição de renda é flagrante. Tampouco poderia ser de outra forma dentro da política traçada desastrosamente pelo ministro Paulo Guedes. Com os salários congelados e com os preços em ascensão, a concentração de renda é uma consequência inevitável. Com ela, a fome passa a alarmar parcelas crescentes da população.

CRIVELLA –  O presidente Jair Bolsonaro dirigiu um apelo ao chefe do governo na África do Sul, Cyril Ramaphosa, segundo revelam Bernardo Della Coleta e Marianna Holanda, Folha de S. Paulo, para que seja dada uma solução quanto à indicação de Marcelo Crivel para embaixador do Brasil nesse país.

A indicação foi formulada há quatro meses e até hoje não obteve uma resposta sobre a sua aceitação ou rejeição. Fontes do Itamaraty acentuam que sempre que a aceitação custa a ser liberada é sinal de que o país não se encontra disposto a concordar com a indicação.

13 thoughts on “Para ser candidato a senador ou deputado, Bolsonaro teria que renunciar em abril de 2022

  1. O jornalismo venal, desnorteado e sem credibilidade, vive de inventar tretas. Elio Gaspari, como velho comuna, deseja ver o Presidente Bolsonaro fora do planalto.

  2. A EVOLUÇÃO, RPL-PNBC-DD-ME, A MEGA-SOLUÇÃO, VÊ E MOSTRA, aquilo que a Mídia, a Globo e CIA não conseguem ver e nem mostrar ao distinto público, posto que preocupadas apenas em puxar as brasas da opinião pública da ora para as respectivas sardinhas dos seus respectivos pupilos, ao que parece. O PROBLEMA DO BRASIL não é o Brasil , não é o povo brasileiro e não é a economia que, aliás, não obstante todos os desastres políticos, sangrias desatada$, corrupção, roubalheira e afin$, continua sendo uma das dez mais pujantes do mundo. A ver meu ver, inserido na RPL-PNBC-DD-ME, a Evolução, a Mega-Solução, o problema do Brasil é isto sim a república do militarismo e do partidarismo, politiqueiro$, e seus tentáculos, velhaco$, que aí estão há 131 anos, com prazo de validade vencido há muito tempo, ao que parece, transpirando decadência terminal por todos os seus poros, sendo devorada pela autofagia da corrupção e da roubalheira do dinheiro público instalada em Brasília, enquanto Ilha da Fantasia do sistema apodrecido. Portanto, é na organização do estado brasileiro e da política que a roda do carro da história está pegando. Urge separarmos o joio do trigo, ou o trigo do joio, como queiram. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, com já dizia Farinácio. Uma coisa é o Brasil, o trigo, que continua firme, forte e rijo, com os nossos irmãos nordestinos cuidando do nordeste, e muito bem, com louvor, fazendo das tripas coração para não deixar a peteca cair, com os nossos irmãos da região norte fazendo a sua parte, segurando as pontas e aguentando todos os trancos, cuidando daquela imensa região, idem em relação ao sul, sudeste, centro-oeste, distrito federal e afins, à moda o Brasil é nosso, ninguém tasca e boi na lambe, outra coisa é a república aparentemente exaurida, sediada em Brasília, tipo Ilha da Fantasia do sistema apodrecido dos me$mo$, isolada do resto do Brasil e do povo brasileiro largado pela dita-cuja à própria sorte e lembrando apenas de 4 em 4 anos, à moda copa do mundo. República essa, aliás, pródiga em maus exemplos que chegam a corar de vergonha o povo brasileiro, infeliz e desgraçadamente. E é ai que a roda do carro da história está pegando. E o ideal é que todos e todas que se arrisquem a escrever, debater ou discursar sobre o Brasil e o povo brasileiro que se proponham antes de tudo a separar o joio do trigo, para início de conversa, para não confundir as estações, inclusive para não induzir o povo a novos erros, valendo lembrar que seriam de grande utilidade se pelo menos sugerissem o que fazer pelo Brasil, doravante, de modo a torná-lo melhor para todos e todas, até para preenchermos essa imensa lacuna deixada pelo militarismo e o partidarismo, politiqueiro$, e seus tentáculos, velhaco$, manipuladores, que decerto imaginam que o povo brasileiro vive de apenas golpes e eleições tipo 171, enganosas, recheadas de fake news, mentiras e enganações, que, vira e mexe, à direita, à esquerda e ao centro, terminam sempre em mais dos me$mo$: blá-blá-blá, gogó, trololó, enriquecimentos espúrios abomináveis, ilusões vãs, frustrações, perda de tempo, tempo perdido…, e nada de borogodó que, aliás, sempre resta relegado às calendas gregas pelos me$mo$. Mas isso a mídia não vê e nem mostra, ao distinto público, não é mesmo ? Tá certo isso, Arnaldo ? https://noticias.uol.com.br/colunas/balaio-do-kotscho/2021/10/23/aonde-foi-parar-aquele-povo-que-estava-aqui-o-brasil-desistiu-do-brasil.htm?fbclid=IwAR0UwQnrnXLL4HdsXcRgY39HRspOihenukZe2-eaiNCkoFZG-zFASfaLmbk

    • Não acredito na tese de Elio Gaspari, sobre a desistência do presidente de concorrer a reeleição em 2022. Todos os atos presidenciais indicam a luta para crescer nas pesquisas e chegar em outubro com chances de ir ao segundo turno e vencer o adversário, que pode ser Lula ou Moro.
      Quem quer vencer uma disputa, não deve escolher adversário, quem o faz, sempre se dá mal.
      Realmente, a demora na aceitação do indicado para a embaixada, sinaliza rejeição ao nome.
      É o caso de André Mendonça, indicado para ministro do STF. Há uma sinalização entre os senadores, que o nome do ex- AGU não tem ainda a maioria dos votos.
      O Planalto não se empenha, não sei por que? Dizem, que Augusto Aras está com bala na agulha, esperando com sofreguidão e alta ansiedade o desfecho no Congresso. Mas, o fato de não ser terrivelmente evangélico intui que é seu ponto fraco.
      Seria essa a hora de Aras? O tempo dirá.

  3. Ernesto Geisel criou o PIS,
    Sarney lançou o Plano Cruzado,
    FHC criou o Bolsa Escola,
    LULA criou o Bolsa Família,
    Bolsonaro criou o Bolsa Caminhoneiros.
    Qual a diferença entre os presidentes?
    Definitivamente esse país é muito rico e tem também uma falta de sorte danada

  4. Agora, o Paulo Guedes está defendendo o aumento da taxa de juros.
    O Banco Central se tornou independente, por decisão do presidente, aconselhado pelo seu ministro da Economia. Estamos diante então, de uma encruzilhada:
    O Banco Central tomará a decisão de aumentar os juros para conter a inflação, no patamar de 2 pontos percentuais ou vai segurar a taxa e deixar a inflação explodir, aumentando em 1%?
    Vamos esperar a próxima quarta-feira, na Reunião do Copom.

  5. O sr. Pedro do Coutto sempre viajando na maionese. Matéria totalmente dissociada da realidade. Porque Bolsonaro seria candidado a senador ou deputado, tendo a reeleição praticamente garantida no ano que vem?

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