Parceria, concessão, privatização ou doação?

Carlos Chagas

Como sempre, dividiram-se as opiniões. A presidente Dilma sustenta haver anunciado um programa de parceria entre o governo e a iniciativa privada, no máximo uma concessão, jamais privatização, como ironicamente julgam os tucanos, ou doação, conforme afirmam setores ideológicos apartados do PT.

Cada um que escolha a definição que melhor se adapte aos seus interesses e convicções, porque rótulos distintos sempre servem para abrigar conteúdos iguais.

A indagação maior é saber de onde sairão os 80 bilhões de investimentos previstos para os próximos cinco anos. Nesse particular o governo foi omisso. Se é verdade que a iniciativa privada entrará com no máximo 25% do total, o programa apresentado quarta-feira terá sido uma doação, sabendo-se que as concessões vão durar 40 anos. Mesmo assim, no empresariado, os mais conservadores queixam-se da falta de garantias.

Apesar da falta de memória dos brasileiros, será importante guardar os jornais desta semana para daqui a cinco anos, mesmo amarelados, conferirmos se foram mesmo implantados 7 mil e 500 quilômetros de novas rodovias e 10 mil quilômetros de ferrovias. Neste particular, será bom não esquecer que boa parte da nova rede anunciada pelo ministro dos Transportes já existiu, no passado, sendo destruída ou erradicada sob o abjeto raciocínio de tratar-se de ramais anti-econômicos. Em vez de tentar torná-los econômicos, chegaram a arrancar trilhos e dormentes.

Ainda em matéria de trens, o susto continua: a presidente prometeu implantar o trem-bala, obra faraônica de 20 bilhões, quando mais lógico seria restabelecer o tráfego ferroviário normal entre as duas capitais e suas regiões. Resta saber se porventura concretizado o sonho, a ele também se aplicará o princípio de o governo arcar com o custo dos vagões vazios, caso não surjam carga e passageiros para ocupá-los. Esse será o verdadeiro negócio da China, em especial de viermos a adotar a tecnologia chinesa.

De qualquer forma, haverá que aguardar os primeiros procedimentos dessa nova iniciativa tão a gosto do PSDB. Em revoada, os tucanos celebram a troca dos patronos do governo dos companheiros: sai Lula, entra Fernando Henrique…

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RÁPIDO, OS TRADUTORES

Terá endoidado quem, por obrigação ou curiosidade, dedicou as últimas semanas a assistir as sessões do Supremo Tribunal Federal, no julgamento dos réus do mensalão. Os doutos ministros dedicam-se ao cultivo de uma língua ininteligível para a imensa maioria da população, o “juridiquês”. Explica-se, mais uma vez, porque o país prefere as novelas. Parece estarmos diante de alienígenas recém-chegados de outra galáxia. Podendo ser simples, Suas Excelências complicam qualquer intervenção. Lembram a história daquele célebre professor de Direito que para desconsiderar determinado tema, comentava com seus alunos: “pouco se me dá que o corcel claudique, apraz-me acicatá-lo”. Traduzindo: “não importa que a mula manque, eu quero é rosetar”…

Seria útil que a mais alta corte nacional de justiça contratasse uma equipe de tradutores para levar ao cidadão comum o significado das sucessivas participações.

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VITÓRIA PELA EXAUSTÃO?

Insistem as lideranças sindicais e corporativas que a greve no funcionalismo público vem sendo um sucesso. Anunciam, mas não provam, que perto de 300 mil servidores federais encontram-se parados. Pode até ser, mas surgem sinais de o movimento estar se esgotando. A estratégia da presidente Dilma, sem rejeitar a negociação, é de vencer os grevistas pela exaustão. Pode ser que consiga.

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