Parece brincadeira, mas governo investigará 28 mil servidores suspeitos de acumular cargos

Carlos Newton

Para quem é jornalista há várias décadas, essa notícia não traz a menor novidade. É a mesma coisa que anunciar que haverá problemas nos aeroportos e terminais rodoviários na época do Natal e Ano Novo, ou prever muito engarrafamentos e acidentes nas estradas durante os fins de semana prolongados.

Agora, quem chove no molhado da administração pública é a repórterAna D’Angelo, do Correio Braziliense. Ela anuncia que o governo federal está atrás dos servidores que acumulam mais de um cargo público indevidamente e daqueles que já recebem aposentadoria ou pensão que, somada à remuneração do trabalho, ultrapasse o teto do funcionalismo, de R$ 26,7 mil.

Para isso, o governo estaria concluindo a implantação de um sistema nacional de cruzamento da base de dados dos 11 milhões de funcionários ativos e inativos da União, estados e municípios dos três poderes — Executivo, Judiciário e Legislativo. E o projeto-piloto começará pelo Distrito Federal, a partir de julho.

Um primeiro levantamento feito como teste pelo Ministério do Planejamento, em 2009, com dados da União e de 14 estados, detectou 198 mil servidores ativos das três esferas acumulando cargo ou benefício previdenciário. Desses, o governo concluiu que 28 mil recebiam duas ou mais remunerações da administração pública irregularmente, diz a bem-intencionada reportagem de Ana D’Angelo.

Mas tudo isso é só para constar. Alguém deveria informar ao governo que já estamos na era do computador. Não existe a menor dificuldade em saber quem acumula cargos indevidamente. Dizer que em 2009 o governo descobriu que havia acumulações chega a ser um escárnio. Estamos avançando em 2012 e nenhuma providênia foi tomada. Por quê. Ora, é que esses privilegiados que acumulam cargos públicos (e geralmente não trabalham em nenhum) são todos apadrinhados de algum político. Simples assim.

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