Partido antropofágico

Carlos Chagas

José Serra propôs a realização de prévias no PSDB para a escolha do candidato à presidência da República. Aécio Neves acaba de concordar. Caberá ao Diretório Nacional acertar detalhes, como a data, o direito de voto, a forma de apuração e penduricalhos.

Como Aécio é o presidente do partido e controla a Executiva Nacional, a consulta às bases tucanas acontecerá depois de outubro, quando se encerra o prazo para que Serra mude de partido, na hipótese de ceder à evidência de  o concorrente sair vitorioso no âmbito interno,  com ou sem prévia. Permanecendo no PSDB,  o ex-governador paulista será fuzilado. Indo para o PPS, acabará arcabuzado.

A pergunta que se faz é sobre as chances do ex-governador mineiro, uma vez consagrado candidato, como fatalmente será. As perspectivas parecem desanimadoras, hoje.  Afinal, dentro ou fora do ninho tucano, Serra terá condições de infernizar a vida de Aécio. A antropofagia parece tornar-se inevitável, no partido.

A menos que… A menos que o PT forneça a munição necessária ao adversário. Caso a presidente Dilma pare de recuperar-se, se a crise econômica se avolumar, se a inflação voltar, se as manifestações de rua se multiplicarem, se o Congresso continuar se opondo ao governo – tudo pode acontecer.

Teria Aécio Neves vocação para jogar no “quanto pior, melhor”? Sua formação, pela genética herdada  do avô, sempre foi de conciliação. Tem raízes no velho PSD, não na UDN da calúnia. Sente-se pouco à vontade quando parte para agressões violentas, aliás, pouco freqüentes.

José Serra vale-se da situação para espalhar que o objetivo do adversário é 2018, não 2014, quando faria figuração para fixar seu nome para o  outro mandato. Pode até ser, mas as portas não estão fechadas diante do inesperado, ano que vem.

Em suma, o quadro  surge amargo, para os tucanos que agora conseguem contrariar a natureza: tornaram-se carnívoros.

NEM O CONGRESSO ESCAPOU

Importa menos se foram  médicos, enfermeiros, policiais ou bombeiros. A verdade é que conseguiram invadir o Congresso, ocupando o plenário da Câmara. Calcula-se que mais de quatrocentos.  Não escapou o símbolo maior das instituições democráticas, mesmo não tendo os invasores agido como os baderneiros que tomaram de assalto a Câmara de Vereadores do Rio. Depredações não aconteceram, mas o gesto preocupa.

COM DATA MARCADA

Por falar em preocupações, estão em estado de apreensão as forças armadas, o ministério da Justiça, o gabinete de Segurança Institucional, a polícia federal, a Abin e penduricalhos. Marcada para o Sete de Setembro, vem aí manifestação popular que se pretende a maior do país, desde junho. Não apenas em Brasília, mas em todas as capitais onde se verificarão desfiles militares. Se os protestos começarem na parte da tarde, tudo bem. Ou menos mal, porque se torna impossível evitar depredações e violência. Mas acontecendo de manhã, em meio à marcha dos batalhões, como reagirão oficiais e soldados?

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

3 thoughts on “Partido antropofágico

  1. Se mandarem baixar o cacete no povão e eles obedecerem, em meia hora acabam com a manifestação. Mas, se resolverem desobedecer e também saírem berrando pelos vinte centavos, aí a coisa não vai ficar nada boa para quem deu a ordem. A cobra pode acender o cachimbo…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *