Partido no Brasil tem dono. Sua existência está diretamente ligada a um líder carismático, rodeado de militantes obedientes, ou às boquinhas do poder.

Roberto Barbosa

Em 1998 o ex-deputado Vladimir Palmeira lançou sua candidatura ao governo do Rio e partiu para uma convenção em que enfrentaria a proposta de uma aliança com o PDT. O partido de Leonel Brizola lançara o então ex-prefeito de Campos, Anthony Garotinho, para disputar o governo e tentava atrair os petistas, oferecendo a vice a Benedita da Silva. Era a única chance de Garotinho conseguir entrar na zona sul. Benedita seria o porta-estandarte.

Em troca da aliança no Rio, o PDT faria uma aliança no plano nacional, com Brizola na vice de Lula. A dupla enfrentaria o rolo compressor de Fernando Henrique Cardoso no auge do Plano Real.

A rebeldia dos petistas cariocas era uma ameaça ao acordo de cúpula. Mas a militância petista pagou para ver. Elegeu no voto, durante a convenção, a chapa de Vladimir Palmeira para disputar o governo do Rio, até que o todo poderoso José Dirceu promoveu uma intervenção no diretório regional e impôs a aliança.

Vladimir desiludiu-se, contudo, manteve-se nas fileiras do partido. Jogou a toalha este ano, inconformado com o perdão concedido a Delúbio Soares, apontado como um dos operadores do mensalão. Depois de expulso da legenda, o ex-tesoureiro voltou redimido.

O episódio narrado não surpreende. Apenas demonstra que no Brasil os partidos têm dono. É traço de nossa tradição autoritária. Aqui as legendas sobrevivem de boquinhas negociadas por seus dirigentes ou sob o comando de um líder carismático. No discurso oficial boquinha ganha o singelo nome de “participação no governo” ou base aliada.

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VIDA E MORTE

O PTB foi um partido forte enquanto o seu líder Getúlio Vargas era vivo. O verdadeiro PTB morreu junto com Vargas em 1954. O PDT foi robusto enquanto o seu dono Leonel Brizola o embalava com mão de ferro. Também está definhando após a morte do caudilho. A debandada de deputados pedetistas para o recém-criado PSD é algo avassalador para a sobrevivência da legenda que ainda tem assento no Ministério do Trabalho.

No momento o PT detém a força que emana do poder governista e do carisma de Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto Lula estiver no palanque e o partido no poder, o PT terá musculatura. Quando Lula deixar de existir e o governo acabar, o partido vai junto para o mausoléu.

O Brasil é assim: um país sem memória, sem cultura e governado por partidos descartáveis.

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