Partidos estão a reboque


Carla Kreefft
(O Tempo)

Os partidos estão se reorganizando em função das eleições de 2014. O que se percebe é que, embora a discussão sobre a disputa eleitoral tenha sido muito antecipada e os nomes já estejam mais ou menos colocados, as siglas ainda têm muita dificuldades do ponto de vista organizacional. Em outras palavras, o que deveria ter sido feito antes mesmo do lançamento dos pré-candidatos está sendo feito agora. É um equívoco que muito contribui para a permanência da lógica personalista. Os nomes continuam sendo mais importantes do que as legendas e seus programas.

Os partidos, não apenas nesse período eleitoral, se preparam em torno das propostas de seu futuro candidato. Não há diretrizes traçadas previamente que sejam capazes de orientar quem vai para a disputa ou que possam dar base a um programa consolidado e identificado com a legenda.

O que o PSDB começa a fazer agora é estabelecer o caminho que o senador mineiro Aécio Neves deve percorrer. Essa trilha é especificamente dele, tal como já foi feita pelos tucanos nas disputas presidenciais em que Geraldo Alckmin e José Serra concorreram. Talvez, por isso, Serra já esteja reclamando.

Ele alega que quer concorrer às previas do partido, mas exige condições de igualdade. Ele não foi claro a respeito como seria esse equilíbrio de forças, porém é muito possível que ele esteja se lamentando por perceber que a estrutura que o PSDB nacional está montada integralmente voltada para a candidatura do mineiro. Mas parece um pouco tarde para o lamento.

PARTIDO MODERNO

Quando Aécio se dedicou à conquista da presidência nacional da legenda, ele já sinalizou ali o que pretendia. Ele quer um partido moderno e habilitado a adotar suas bandeiras, tais como o enxugamento da máquina administrativa e o aprimoramento da gestão. E, certamente, na condição de presidente da sigla está trabalhando para que assim seja. Serra, que já esteve exatamente na mesma condição em que Aécio está hoje, se esqueceu que a escolha do candidato tem sido um dos primeiros passos para a disputa. A escolha está feita, com ou sem prévia.

Mas no PT, a coisa não é diferente. A presidente Dilma Rousseff já era candidata à reeleição antes mesmo de ser eleita. E desde então, o seu partido trabalha para que a candidatura dela se torne uma realidade. O PT está se adaptando a Dilma não somente do ponto de vista eleitoral, mas também enquanto o principal partido de apoio do governo federal.

Assim, em 2014, o eleitor vai votar novamente em pessoas, padrinhos e aliados. E a reforma política, que para valer no ano que vem tem que ser votada até início de outubro, deve permanece onde e como está – praticamente parada. Esse cenário, as manifestações não conseguiram mudar.

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