Patrimônio da Humanidade

Carlos Chagas

Torna-se necessário ampliar o conceito de Patrimônio da Humanidade. Não apenas cidades históricas, como Ouro Preto, ou modernas, como Brasília. Nem só maravilhas da natureza, como as cataratas do Iguaçu ou o Pantanal. Sequer monumentos, como a Torre Eiffel ou o  Cristo Redentor.                                                                 

Uma idéia, uma descoberta, uma  teoria,   depois de  pensadas, não  pertencem apenas a quem pensou, descobriu ou  teorizou. Pertencem à Humanidade. Passam a incorporar-se ao seu Patrimônio. O pensador, o descobridor e o teorizador deixam de ser  donos absolutos do  que  produziram, um minuto depois da produção. Ou até antes.  Porque não teorizaram, descobriram ou pensaram sem a imprescindível participação do mundo ao seu redor. Antes de nascer,  viram-se amparados. Assim como  ao  engatinhar, frequentar a escola, ingressar no mercado de trabalho e acumular conhecimentos, que mesmo quando transformados em sabedoria, devem-se à sociedade   disposta  ao redor do indivíduo, não  a ele espontaneamente. O ser humano é fruto do  meio  social  no qual vive, até do  estado que o protege. Ou deveria protege-lo.                                                                  

Repartir  pensamentos, descobertas e teorias, assim, torna-se obrigação de todos. Por certo que merecedores de fama, até riqueza e não raro de poder, devem os privilegiados transformadores da Humanidade ser gratos a ela e ao conjunto, sem o qual não existiriam e nem teriam condições de pensar, descobrir ou teorizar.                                                                  

Essas considerações se fazem a propósito do egoísmo,   da presunção e da arrogância com que certos indivíduos   posicionam-se acima do bem e do mal, julgando-se donos das verdades absolutas e por isso   detentores de todas as vantagens  e privilégios. Indivíduos  e nações,  também.  

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NÃO VAI  DAR PARA ESPERAR 

Uma evidência a mais de que o Congresso  brinca de mentirinha com a reforma político-eleitoral depreende-se da observação do líder do DEM, ACM Neto, conhecida no fim de semana.  Disse o herdeiro de Antônio Carlos Magalhães que para vencer a barreira e aprovar a reforma, a única  maneira será postergar sua validade para  daqui a duas, três ou mais  eleições, afastando os casuísmos e permitindo   a aculturação da sociedade com o novo sistema.                                                                  

A próxima  eleição geral está prevista para 2014. Esperar duas eleições nos levaria a 2018.  Três, estenderia a vigência para 2022. Num país onde a gente não sabe o que acontecerá nos próximos quinze minutos, moldar o futuro com a  distância de onze anos assemelha-se a tresloucada aventura.                                                                  

Trata-se, a frustração de ACM Neto, da constatação de que os políticos não  pretendem nem podem promover a reforma. Preferem deixar tudo como está, para não prejudicar-se. 

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CHEGOU ONDE PRETENDIA                                                                  

“Cheguei onde pretendia e só continuo momentaneamente  na vida política pela vontade de colaborar com a vida democrática. A literatura é  o  meu  mundo”.                                                                  

Essas declarações foram prestadas  a 12 de julho de 1982 por um senador que já havia sido governador e aos cinqüenta anos  anunciava seu desligamento das atividades  políticas, recém-eleito para a Academia Brasileira de Letras.  Em pleno desenvolvimento da abertura institucional promovida pelo então presidente João Figueiredo, o personagem repetia  a disposição de não   mais candidatar-se a cargos eletivos.                                                                  

Pois é, o tempo passou, ele continuou senador por mais diversos mandatos, virou presidente da República  e aos oitenta anos   acaba de  repetir a promessa.  Seu nome: José Sarney…

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